Os modelos de comunicação pública da ciência em feiras de ciências virtuais: uma análise das edições online da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE)

Autores

  • Ana Regina de Oliveira Hungaro Universidade Federal do ABC – Santo André/SP
  • Adriana Pugliese Universidade Federal do ABC – Santo André/SP

DOI:

https://doi.org/10.18264/repdcec.v3i2.140

Palavras-chave:

Alfabetização científica, Divulgação científica, Iniciação científica

Resumo

As feiras de ciências são grandes aliadas do ensino de ciências, além de serem fortalecedoras da divulgação científica na Educação Básica. Diante dos índices brasileiros de percepção pública sobre a ciência, a divulgação científica tem se mostrado essencial no combate ao analfabetismo científico da população. Junta neste combate está a comunicação pública da ciência, que visa entender como o conhecimento científico tem chegado até o público. Desse esforço, surgiram modelos de comunicação pública da ciência, que variam desde uma transmissão passiva de informações de especialistas ao público leigo, até um modelo participativo, em que especialistas e não-especialistas constroem juntos o conhecimento científico. A partir desses aspectos, buscou-se avaliar quais os modelos de comunicação pública da ciência presentes nos projetos premiados das edições de 2021 e 2022 da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), a maior feira de ciências do país, a partir das categorias propostas por Navas e Contier (2015). Apesar de se ter identificado a predominância de um dos modelos – o de déficit –, o que vai ao encontro da tendência relatada na literatura, a FEBRACE ainda se destaca como um local rico em formação científica para estudantes do Ensino Médio.

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Publicado

2024-10-31

Edição

Seção

Dossiê Feiras de Ciências