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Biblio - Biblioteca Fácil

Alexandre Amorim

Biblioteca Virtual de Literatura

Imagem da página inicial do site
http://www.biblio.com.br/

A situação é comum: a pessoa entra na biblioteca, mas não sabe muito bem o nome do autor nem da obra. Lembra que tinha uma capa meio vermelha e a palavra “rosa” no título. A bibliotecária sabe exatamente do que o leitor está falando: a primeira edição de O nome da rosa, de Umberto Eco. As associações que a bibliotecária fez em sua cabeça para chegar ao resultado são um mistério e, até alguns anos atrás, era impossível ter uma resposta tão eficiente assim usando um computador. Mas os mecanismos de pesquisa baseados em palavras-chave associadas a poderosos tesauros foram implementados e hoje são serviços comuns na internet. O Google é o melhor exemplo disso: retorna resultados precisos e ainda oferece possíveis correções se a palavra não é comum, mas se assemelha gramaticalmente a outros termos cadastrados.

A Biblioteca Virtual de Literatura soube aproveitar as facilidades do mundo digital para aproximar o leitor de obras que já caíram em domínio público. De acordo com a lei de direito autoral brasileira, os “ direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos” contados a partir do ano seguinte à sua morte, o que nos dá acesso gratuito, hoje, a uma obra riquíssima, de nomes como Augusto dos Anjos, Machado de Assis, Eça de Queirós, Joaquim Nabuco, Lima Barreto, entre outros tantos. Se a obra impressa desses escritores ainda é vendida em livrarias por um preço nem sempre acessível, muitos de seus textos podem ser baixados grátis no site da Biblio.

A busca pode ser feita pelo nome do autor, através de uma lista por índice alfabético. São cerca de setenta autores cujas obras variam de contos a peças de teatro, passando por ensaios e entrevistas. Podemos encontrar, por exemplo, um texto de Santos-Dumont cheio de notas autobiográficas e históricas sobre o desenvolvimento da aviação e a preocupação do inventor sobre seu uso. Para auxiliar o leitor, o site classifica as obras por gênero.

Os textos são todos escritos originalmente em português e sempre completos – não há resumos ou resenha dos livros. Além disso, a gramática dos textos é sempre correspondente à escrita de sua época. O número de autores e de textos não é tão grande quanto o site Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br), já que a Biblio se especializou em literatura de ficção em português, mas o site é confiável e oferece ainda bibliografias resumidas que podem orientar em pesquisas sobre os autores. Como uma espécie de “bônus”, o site traz uma seção de contos, divididos pelos autores e traz obras-primas da literatura brasileira, como a “Missa do galo”, além de trazer boas surpresas, como uma longa lista de contos de Raul Pompeia e Humberto de Campos.

Uma grande qualidade do site é a facilidade para pesquisar as obras e os autores. Ao mesmo tempo que é bem estruturado, a opção pela simplicidade em sua apresentação deu à Biblio um ar informal que convida ao acesso, direto e sem obstáculos como anúncios em pop-up ou fichas de cadastro que retardariam a pesquisa. Aliás, o maior problema do site é justamente não ter uma opção de contato com seus organizadores, já que o botão de Fale Conosco não está funcionando. O site ainda tem muito espaço para se desenvolver, mas já tem muito a oferecer. Além das obras oferecidas, uma boa ideia da Biblio foi incluir um link para o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, um dicionário com cerca de 96 mil termos, que também é gratuito.

Publicar gratuitamente obras de domínio público para pesquisa é uma iniciativa merecedora de elogios, principalmente quando a biblioteca se torna um local de fácil acesso, como a Biblio. Se o acervo ainda não é completo, já dispõe de material suficiente para quem gosta de ler ou deseja pesquisar autores do fim do século XIX e início do século XX.

A bibliotecária eficiente não está ali para ajudar, mas o leitor pode, ele mesmo, ir à estante e escolher obras com que vai se deliciar.

Publicado em 19/01/2010

Publicado em 19 de janeiro de 2010

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