Este trabalho foi recuperado de uma versão anterior da revista Educação Pública. Por isso, talvez você encontre nele algum problema de formatação ou links defeituosos. Se for o caso, por favor, escreva para nosso email (educacaopublica@cecierj.edu.br) para providenciarmos o reparo.

Que tipo de professor é você?

Ivone Boechat

Sem fazer muito esforço, porque salta aos olhos, pode-se notar que há uma infinidade de professores de todos os tipos; confira seu perfil: professor-intelectual, professor-humorista, professor-orador e, felizmente, professor-educador.

O professor-intelectual é aquele que sabe tudo, fala dificílimo, faz citações em latim, grego, hebraico, para impressionar. Impressiona tanto que, na primeira aula, o aluno se encolhe e se anula. Tem medo de fazer qualquer pergunta e ser atingido por um raio de sabedoria. Há casos em que esse professor já vai logo avisando que, hoje em dia ninguém sabe nada, escola boa era a dele, a de antigamente. Conta muitas vantagens do seu tempo, quando o ensino era pra valer. Quem não soubesse o atlas de cor e salteado não passava para a série seguinte.

O professor-humorista chega a ser interessante. É muito engraçado, falante, põe apelido nos alunos, conta piadas durante as aulas e, às vezes, o apelido pega e vira um sério problema. A mania de ridicularizar quem erra nas arguições e de incentivar a turma a rir das fraquezas dos outros gera comportamentos que se chocam com os ideais da educação. É um semeador na seara de complexos.

O professor-orador fala sozinho, tem horror de ser interrompido. Vive muito irritado, não suporta perguntas. Chega, faz seu discurso e vai embora. A sua aula é um ótimo remédio para dormir. Quem não entendeu que se vire. Todo fracasso é atribuído à falta de base do aluno no ano anterior.

O professor-educador respeita as diferenças individuais, prepara as aulas, demonstra claramente que gosta de sua profissão, deixa os alunos em situação descontraída. É conselheiro, é amigo, é humilde, entende quando precisa mudar as estratégias.

Turmas grandes? Muitas horas de trabalho? Salário pequeno? Qual seria a melhor desculpa para tantos fracassos da escola?

É tempo de mudar. Mudar tudo, se necessário. É tempo de rever cada passo no caminho atropelado da educação.

A postura do professor, muitas vezes afetada pelo sistema e contaminada por tendências políticas, tem sido distorcida. Apesar da certeza de que os fins da educação visem à autorrealização, praticamente tem sido o inverso: tanto o professor como o aluno são manipulados por leis sociais.

Vive-se sob o impacto da explosão de informações e corre-se o risco de esvaziar a proposta da escola; todavia, o educador não está preocupado em digerir a massa compacta de tudo que vê e ouve. Ele orienta os indivíduos na seletividade de notícias para a compreensão da realidade.

O educador acompanha o caminho percorrido pela humanidade e, sem a pretensão de fazer milagres, vai ajudando a esclarecer a dúvida. É humilde para entender a limitação, jamais afirma que algo é imutável, entende a escola como organizadora de conteúdos e informações recebidas. Tem consciência de que o educador jamais perde o prazo de validade.

O educador usa a máquina, manipula a tecnologia, mas nunca se embrutece na resposta. Usa a presença de sua magia sem deixar-se envolver por idéias radicais. É crítico constante do próprio trabalho.

Publicado em 15 de junho de 2010

Publicado em 15 de junho de 2010