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Cronópios literários

Alexandre Amorim

Imagem da página inicial do site
http://www.cronopios.com.br

Cronópios são personagens criados pelo escritor argentino Julio Cortázar, um tanto distraídos, com almas de artista e meio desorientados dentro da ordem social. Podem também ser chamados de preguiçosos ou desanimados. Outros personagens que convivem com eles são os famas, de perfil mais prático e mais adaptados ao mundo. Os cronópios têm mais o espírito do próprio Cortázar, que dizia, inclusive, se considerar um deles. E é esse espírito que rege o site cronopios.com.br, que trata de literatura e de cultura em geral com leveza, sem ser superficial, através de artigos, críticas e ensaios. Além disso, obras de ficção também são publicadas, o que evita a sensação de que é apenas mais um site de críticas, mas formado também por escritores. Não há uma apresentação dos editores ou uma proposta formal do site, mas a organização de seu menu é auto-explicativa e seu conteúdo traz uma riqueza que vai se tornando rara na rede, em tempos de Twitter.

Com colunistas de escrita afinada, como Sérgio Sant’Anna, Glauco Mattoso e Chacal, e com poesias e prosas de qualidade, o site é um bom espaço para passar o tempo vasculhando literariedades na internet. Em seu sexto ano, o Portal tem um considerável arquivo de textos, incluindo entrevistas com autores como Hilda Hilst e Guto Lacaz, e discussões teóricas que vão interessar ao acadêmico e ao leitor aplicado. Serve, inclusive, para apontar outros sites, com artigos escritos sobre eles, e não apenas com o link puro e simples.

O site pode ser encarado como um portal. Abre-se para uma revista online, a Mnemozine, que, em seu quarto número, homenageia Haroldo de Campos, e que já publicou artigos sobre Leminsky, Pedro Xisto e Alice Ruiz. Abre-se, também, para a TV Cronópios, sem desprezar o potencial do vídeo na arte da narrativa.

Aos professores, é interessante dar uma olhada nos lançamentos e nas resenhas, para verificar, como os editores dizem, “a vivíssima literatura contemporânea brasileira”. Para os que trabalham com adolescentes ou crianças, vale visitar o “Cronopinhos”, em que a arte de contar histórias é incentivada de várias formas: entrevistas com autores (no “Espírito Crítico”, jogos e até obras plásticas sem palavras (em “Histórias sem Texto”), mas que nos levam a imaginar narrativas. Um ótimo estímulo para que as crianças não encarem literatura como uma matéria maçante.

O portal recebe textos de seus leitores, portanto, ao contrário dos cronópios de Cortázar, deixem a preguiça de lado, corram até o site, inspirem-se nos textos e escrevam para eles.

Publicado em 29 de junho de 2010

Publicado em 29 de junho de 2010