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O mapa da mina: aprendendo a ser aluno de um curso a distância que usa tecnologias de informação e comunicação

Elizabeth Bastos

Coordenadora da área de Informática Educativa

Com a Educação a Distância, um aluno acostumado ao ensino presencial vivenciará muitas novidades, porque há muitas características diferentes no processo ensino-aprendizagem na modalidade a distância.

As definições para educação a distância são muitas, de forma tal que os aspectos que aproximam umas das outras tornam-se repetitivos. Outras expressões são usadas em referências locais e em outros países, como “educação aberta e a distância”; “educação aberta”; “educação tecnológica”; “ensino a distância”; “aprendizado a distância”; “aprendizagem aberta”; “ensino distribuído”; “educação distribuída” ou “distance learning”; “educação por correspondência”; “ensino por correspondência” ou ainda “estudo por correspondência”; “estudo em casa”; “estudo independente”; “estudos externos”; “tele-ensino”; “tele-educação” ou “teleducação”; “forma industrializada de instrução”; “aprendizagem flexível”; “ensino semipresencial”; “autoformação”; “teleformação”; “educação virtual” ou “formação em espaços virtuais”; “sistemas inteligentes”; “ensino não presencial”; “educação on line”; “educação na web” e mesmo “educação a distância via web”.

A década de 1990 foi marcada pela evolução dos conceitos que incluem aspectos relacionados às possibilidades que a educação a distância oferece em termos de flexibilização de tempo e espaço. Essa evolução é observada no conceito formulado por Moore (1990):

educação a distância é a aprendizagem planejada que geralmente ocorre num local diferente do ensino e, por causa disso, requer técnicas especiais de desenho de curso, técnicas especiais de instrução, métodos especiais de comunicação através da eletrônica e outras tecnologias, bem como arranjos essenciais organizacionais e administrativos (apud NISKIER, 2000).

Outros autores preferem citar as características da educação a distância, ao invés de apresentar um conceito formal:

  • Autoaprendizagem;
  • Estrutura de apoio logístico e administrativo;
  • Materiais instrucionais adequados ao modelo pedagógico utilizado e com alta qualidade;
  • Modelo pedagógico estruturado;
  • Possibilidade de comunicação síncrona ou assíncrona;
  • Separação física entre professor e aluno;
  • Sistemas de comunicação especiais e bidirecionais.

A importância dos aspectos pedagógicos e tecnológicos envolvidos na construção e no oferecimento de um curso a distância também é levada em consideração tanto pelos autores que conceituam formalmente EAD quanto pelos que preferem listar as características fundamentais da educação a distância; da mesma forma, é enfatizada a importância da interação para o sucesso de um programa de educação a distância.

Para Moran (2003), o conceito de educação a distância vem se transformando rapidamente. Para ele, os processos de aprendizagem a distância deixaram de ser exclusivamente por correspondência e passaram a ter forte apoio da Internet. O grande desafio de inovar em educação a distância “é superar o conteudismo e criar ambientes ricos de aprendizagem” (Moran, 2006).

Neste sentido, Moran, Masetto e Behrens (2003) afirmam que estamos vivendo uma era de mudanças na EAD, com a troca dos modelos predominantemente individuais para os grupais. A participação em grupos presenciais ou virtuais incentiva os alunos a equilibrar as necessidades e habilidades pessoais. Por isso, creditam aos avanços tecnológicos a responsabilidade por parte das mudanças que estão ocorrendo, pois a cada dia aparecem ambientes de EAD cada vez mais interativos.
Cabe ressaltar que de nada adiantará uma tecnologia avançada e toda espécie de recursos midiáticos viabilizando as interações virtuais se a concepção do curso a distância se basear em adaptações da prática docente presencial.

Um curso a distância facilita o acesso à educação, reduzindo custos com deslocamento e problemas de falta de tempo. Além disso, estimula a autonomia e o desenvolvimento contínuo, incentiva a atualização pessoal e profissional. Pela sua flexibilidade, permite conciliar a atividade profissional com a vida familiar. Promove a familiarização do aluno com as novas tecnologias; em termos práticos, uma vantagem significativa está no fato de permitir rever as aulas quando o estudante considerar necessário.

A Educação a Distância é caracterizada pela separação do professor e aluno no espaço e/ou tempo, pelo controle do aprendizado realizado mais intensamente pelo aluno do que pelo instrutor distante. A comunicação entre alunos e professores é mediada por documentos impressos ou alguma forma de tecnologia.

Num curso a distância, alunos e professores se comunicam de várias formas:

  • presencialmente – através das sessões de tutoria que acontecem nos polos regionais. No caso da Fundação Cecierj, o pólo é uma referência física para que os alunos possam realizar atividades presenciais obrigatórias, como aulas no laboratório, avaliações e tutoria presencial, além de ter acesso ao laboratório de informática.
  • via web – através das ferramentas de comunicação existentes na plataforma utilizada, como fóruns de discussão, chats e trocas de e-mails, entre outros.

A aprendizagem deve serindependente, individualizada e flexível. O enfoque da aprendizagem independente é, principalmente, um modelo de organização mais flexível do processo ensino-aprendizagem, buscando ofertar diferentes formas para atender às necessidades e interesses de cada aluno. Diferentes materiais e mídias estão disponíveis para o desenvolvimento pessoal das disciplinas. A maior interação entre coordenadores, tutores e alunos possibilita o feedback e abre espaço para o aluno gerenciar seu próprio aprendizado de acordo com sua disponibilidade de tempo e lugar

O feedback, ao fornecer informação a uma pessoa ou grupo sobre o seu desempenho e orientar e/ou estimular uma ou mais ações determinadas e executadas anteriormente, é um fator essencial para a manutenção da atenção e do interesse do aluno.

Ainda que a aprendizagem seja individual, o ambiente de grupo, com encontros presenciais e virtuais, contribui para a permanência do estudante, por ter o incentivo e a troca com os colegas.

Nas sessões de tutoria presencial, o aluno conhecerá outros alunos e poderá formar grupos de estudos. Certamente, o sentimento de solidão que muitos alunos de EAD vivem não acontece com aqueles que participam dessas atividades.

Aluno, Alumni, Alumnus

Algumas pessoas sugerem que “aluno” significa “sem luz”, pois derivaria do latim “alumni” em que “a” quer dizer “sem” e “lumni”, “luz”. Na verdade, a palavra “aluno” se origina do latim “alumnus”, que significa “criança de peito” e é o particípio do verbo “alere”, que significa “alimentar”. Uma visão romântica da etimologia da palavra é que aluno é aquele que é “alimentado com conhecimento”.

A diferença não é banal e gerou muitos problemas. Um deles foi a adoção da palavra “estudante” no lugar de “aluno” para retirar o caráter pejorativo de “não iluminado”. No entanto, “estudante” e “aluno” não são exatamente sinônimos na nossa língua. De acordo com o dicionário Michaelis, estudante é “aquele que estuda”. Assim, eu posso ser um estudante de Paulo Freire sem ter sido seu aluno; ou posso ter sido aluno de Freud sem ser seu estudante.

Um termo também utilizado para substituir aluno é a palavra “aprendiz”, que deriva do particípio passado arcaico apprendititum. O verbo apprehendere significa segurar, prender. Aprender significa tomar conhecimento de alguma coisa, reter na memória.

(Adaptado de: REBELO, Mauro. Aula 1. Quem é o aluno?. Material didático. Curso de Capacitação de Docentes em Educação a Distância Módulo III ‐ Desenvolvimento de Cursos a Distância com Foco no Aluno. Universidade Aberta do Brasil.)

Publicado em 10 de agosto de 2010

Publicado em 10 de agosto de 2010