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O sucesso dos pré-vestibulares sociais

Wanderley de Souza

Ex-secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro

Todas as pesquisas que analisam o grau de empregabilidade de uma população indicam que o nível de escolaridade tem grande influência. Assim, portadores de diploma de nível superior têm mais facilidade de obtenção de emprego do que aqueles que apenas concluíram o Ensino Médio. Por outro lado, à medida que o país se desenvolve, cresce a demanda por profissionais altamente especializados em determinadas áreas. Como o mercado é dinâmico, é também necessário atentar para a necessidade de formação de pessoal com capacidade de mudar de área, realizando cursos de curta duração.

Ainda que estejamos assistindo ao crescimento da oferta de vagas no ensino superior público e privado, o Brasil ainda ocupa uma posição desfavorável quando comparado a outros países, mesmo aqueles da América Latina. No momento, apenas uma pequena percentagem dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos está matriculada nas instituições de ensino superior. Certamente esse percentual é muito menor se considerarmos apenas os jovens provenientes de famílias com menor renda. Logo, é necessário maior esforço no sentido de ampliar a presença da nossa juventude no ensino superior, principalmente daqueles jovens para quem atingir esse estágio de formação poderá levar a uma melhoria significativa na condição de vida, e que pode, em curto e médio prazos, ter impacto na renda familiar.

Existem algumas iniciativas voltadas para criar condições que ampliem a possibilidade de ingresso de jovens provenientes de famílias de baixa renda nas instituições universitárias, sobretudo no setor público. O mais conhecido e polêmico é o programa de cotas, que vem beneficiando – e com comprovado sucesso – estudantes provenientes das escolas públicas e, em particular, os afrodescendentes.

Programas como esse são plenamente defensáveis apenas por tempo determinado, visando acelerar o processo de inserção de parte da população no ensino superior. Certamente o mais recomendável é atuar no sentido de melhorar a formação de todos os jovens brasileiros, o que requer investimentos significativos na melhoria do ensino básico público e privado. Programas com esse objetivo não surtem efeito no curto prazo: requerem ação permanente por muito tempo, o que exige a transformação dos programas educacionais em ações de Estado, e não de governo, como acontece atualmente na maioria dos municípios e estados. Há, no entanto, a possibilidade de ações de curto prazo. Entre essas ações, merecem destaque os programas voltados para complementação da formação dos jovens brasileiros que frequentam escolas públicas, sobretudo aqueles com maiores dificuldades e provenientes de famílias com menor renda. Esses programas são conhecidos como "pré-vestibular social".

No caso do Estado do Rio de Janeiro, merece grande destaque um programa criado pela governadora Rosinha Garotinho em 2003 e implantado pela Fundação Cecierj, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. O programa é totalmente gratuito, incluindo o material didático. É voltado para estudantes que já concluíram ou estão cursando o último ano do Ensino Médio. Os candidatos devem ainda comprovar que sua família não tem renda familiar suficiente para arcar com o custo de cursos preparatórios particulares. Atualmente são oferecidas cerca de quinze mil vagas por ano em 44 polos localizados em 34 municípios do estado.

As aulas de Língua Portuguesa, Biologia, Matemática, Física, Química, Geografia e Redação são ministradas principalmente aos sábados, facilitando, assim, a participação daqueles que trabalham. Os professores são selecionados pela equipe da Fundação Cecierj. Em cada polo há ainda a participação do diretor da escola, de um tutor que faz a interface do aluno com a escola e de um tutor orientador, que está permanentemente à disposição dos alunos para tirar dúvidas, ajudar na escolha de carreiras a seguir etc. Todos os alunos contam ainda com a possibilidade de tirar dúvidas pelo telefone ou em um site específico, usando a grande experiência da Fundação Cecierj na tecnologia da educação a distância.

O grande sucesso dessa iniciativa pode ser medido pelo fato de que cerca de 20% dos alunos que passam no vestibular do Cederj (consórcio formado pela Fundação Cecierj com UENF, UERJ, UNIRIO, UFF, UFRJ e UFRRJ) são oriundos do programa. Em algumas áreas e cidades este percentual é maior. Por exemplo, no último vestibular, 42% dos alunos que ingressaram no curso de graduação em Ciências Biológicas no Polo do Cederj em Três Rios fizeram o Pré-Vestibular Social naquela cidade.

São exemplos como esse que atestam o potencial de iniciativas pontuais e de efeito imediato na melhoria do acesso de nossos jovens ao ensino superior.

09/02/2010

Publicado em 09 de fevereiro de 2010