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Discutindo questões relacionadas ao ensino de Física no Brasil: Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Adriana Oliveira Bernardes

Professora, doutoranda em Ensino de Ciências; tutora do curso de Matemática do Consórcio Cederj; coordenadora do Clube de Astronomia Marcos Pontes

Bom, nem é preciso dizer que são muitas as dificuldades dos adultos que retornam à escola após cinco, dez anos longe das salas de aula. Diversas vezes esse tempo chega até quinze ou vinte anos.

Logo que comecei a trabalhar e a ter contato com essas turmas, não compreendi muito bem que essas dificuldades estavam diretamente ligadas à falta de leitura desses alunos e que esse fato geraria grandes problemas em relação à quase totalidade das disciplinas cursadas, pois a leitura é requisito fundamental para que se aprenda, faça exercícios, compreenda a matéria nos cadernos e livros e a aula propriamente dita. Muitos termos que eu usava não eram compreendidos. Você que é professor e quer ter ideia do problema, peça a seu aluno que leia um pequeno texto; você verá do que estou falando. Afinal, existe relação direta entre leitura e escrita.

Certa vez me deparei com um aluno que me perguntou o que a escola oferece para esses alunos que estavam longe da escola por tanto tempo, e como a escola lida com tais dificuldades: cursos aos sábado, horário para que pudessem tirar dúvidas... Haveria algo que os ajudasse na escola?

Acabei ficando constrangida com a resposta que tinha de dar. Afinal, tinha que responder que não, que não havia nada, e sabia que o simples fato do curso ser à noite não implicava que houvesse ações que fizessem com que esse aluno permanecesse na escola ou aprendesse as disciplinas cursadas.

Dados mostram que o número de desistentes é grande e que, uma vez na escola, deveriam encontrar plenas condições de se desenvolver, ampliando seus horizontes, melhorando em leitura e escrita, aprendendo e exercitando cidadania. Isso seria diferente a partir do momento em que estar na escola lhes trouxesse conhecimentos que os fizessem viver melhor em sociedade: votar de forma consciente, discutir questões relacionadas à ética e à alimentação adequada, entre outras questões importantes; afinal de contas, escola é lugar de conhecimento, de adquirir conhecimento. Pelo menos era para ser assim, senão ela acaba se transformando numa fábrica de diplomas.

A inclusão de alunos de EJA é importante, mas não se tem inclusão apenas com alunos frequentando a escola. A inclusão só existirá no momento em que o aluno possa frequentar a escola e esta possa auxiliá-lo em sua vida diária. Isto é uma questão de cidadania.

Esses alunos muitas vezes têm filhos que podem ser criados de maneira diferente da maneira como seus pais foram criados – sem conhecimentos sobre alimentação, por exemplo. Numa oportunidade que tive de falar sobre o assunto – num curso de Química que estava ministrando, em que discutia substâncias presentes no organismo que podem prejudicar ou beneficiar o ser humano – muitos dos alunos discutiram como seria importante passar aquele conhecimento para seus filhos, conhecimentos que eles não haviam tido antes e que, por isso, não tinham bons hábitos, mas seus filhos poderiam ter. Logo, a educação dirigida a jovens e adultos é de suma importância quando falamos em cidadania e melhorar as condições da sociedade em geral.

Para que pudessem realizar um bom curso, seria bom que fossem utilizados recursos variados: filmes, vídeos, programas de TV, jogos, sala de informática, palestras, debates, discussão de arte e experimentos, entre outros.

É perfeitamente possível fazer isso no ensino de Física, e é o que tenho abordado em artigos já publicados aqui na revista Educação Pública e na Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia.

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Publicado em 31 de maio de 2011

Publicado em 31 de maio de 2011