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As mulheres na sociedade colonial brasileira: trabalhando com fontes históricas

Hermínia Glória dos Santos Cunha

Professora, graduada e bacharel em História, pós-graduada em Gênero e Gestão e Políticas Públicas, pesquisadora em Ciências Humanas com a temática: mulheres indígenas e identidades femininas

Este trabalho de pesquisa visa tornar os educandos conhecedores de sua própria história e da pluralidade de histórias presentes e passadas, aprendendo a realizar análises, inferências e interpretações acerca da sociedade atual.

Outra questão a ser analisada nesta produção do conhecimento histórico é a de que o fato histórico não é uma verdade dada, pronta e acabada, mas algo que também é construído pelo historiador. Conhecimento histórico e saber estarão aliados nesta pesquisa.

A subordinação da mulher na sociedade, além de se manifestar como fenômeno milenar e universal, também figura como a primeira forma de opressão na história da humanidade (Sardenberg; Costa, 1994, p. 20).

A incorporação do gênero, como categoria de análise na historiografia, tem procurado destacar as diferenças a partir do reconhecimento de que a realidade histórica é social e culturalmente constituída, tornando um pressuposto do pesquisador que procura incorporar essa categoria, permitindo perceber a existência de processos históricos diferentes (Matos, 1998, p. 73).

Beauvoir (1975, p. 30) afirma que todo poder exige o consentimento por parte do oprimido. Vale lembrar que o consentimento das mulheres é obtido por meio do processo de socialização, e a hierarquia do sexo começa no ambiente familiar, assim como na escola. As mulheres nem sempre são governadas pela força...

O problema poderá nos levar a refletir como o medo, a sujeição e a resistência ainda repercutem na dificuldade de empoderamento das mulheres na sociedade contemporânea, aliando-se certamente ao preconceito e à discriminação a que somos submetidas. Surgem também as seguintes questões:

  • Como uma sociedade fundada nos moldes do patriarcalismo, do capitalismo comercial e no racismo organiza-se para a perpetuação, na continuação desses modelos?
  • Como reagir diante de tal situação?
  • Numa sociedade patriarcal, qual era a condição das mulheres brancas?
  • Como as índias eram vistas pelos colonizadores?
  • Como as mulheres negras eram tratadas no âmbito dos engenhos e das casas localizadas dentro das cidades?
  • Quais as relações entre a condição atual das mulheres brasileiras e a situação histórica vivida no período colonial?
  • Como a mídia divulga a imagem das mulheres nos dias atuais?

Como vamos fazer para encontrar as respostas?

  • assistir a vídeos;
  • discutir com os pares;
  • analisar as fontes históricas;
  • assistir à exibição de slides;
  • levantar dados sobre violência doméstica e sanções nestes casos;
  • pesquisar em sites.

Esperamos que, após a realização de todas as etapas iniciais, possamos alcançar os seguintes resultados:

  • Utilização do potencial comunicacional das TICs na busca de informações e de novos conhecimentos sobre a temática em estudo;
  • Levantar questionamentos sobre a imagem da mulher divulgada pela mídia;
  • Identificar o discurso do colonizador na construção de uma identidade de “macho” no Brasil;
  • Estimular o desenvolvimento da consciência crítica do educando na tomada de decisões responsáveis no convívio humano;
  • Refletir sobre estereótipos que levam aos comportamentos preconceituosos;
  • Estimular os educandos a conhecer a sua própria história e a pluralidade de histórias presentes e passadas, aprendendo a realizar análises, inferências e interpretações acerca da sociedade atual.

Conclusão

O que fica implícito numa concepção de história, infelizmente, ideologicamente ainda hoje repassada nas escolas, é a noção de um homem branco portador do fato histórico. Dessa forma, como os/as alunos/as podem se interessar por essa história? E como podemos motivar nossos educandos diante da nova realidade que estamos vivendo, em que a quebra de paradigmas e a rapidez das informações nos deixam perplexos diante das mudanças, se ainda continuamos a utilizar os velhos modelos de ensino-aprendizagem sem a participação ativa do educando?

A integração pode até nos amedrontar, mas como poderemos conviver em um mundo interligado, sem as nossas dúvidas e os nossos erros? O uso de tecnologias implica novas possibilidades, que podem, sim, comprometer o contato pessoal, mas se deixarmos que isso aconteça seremos escravos das máquinas. Por outro lado, oportunizar o conhecimento de forma multilateral e interdisciplinar significa que podemos utilizá-lo a nosso favor. As novas tecnologias podem gerar um novo tipo de ser humano; pessoas podem se sentir mais unidas, mais conectadas, mesmo longe umas das outras; as distâncias são cada vez mais suprimidas.

Para nossos alunos, a presença do professor capacitado e envolvido determinará melhor aprendizagem. Novos questionamentos implicam novas formas de aprender. Essas transformações proporcionadas pela evolução tecnológica se tornaram um grande desafio para a educação e, consequentemente, para os professores, na medida em que interferiram diretamente na ação da escola na sociedade, tendo em vista que os alunos nascidos nessa geração tecnológica trazem consigo uma infinidade de conhecimentos.

Por outro lado, as escolas podem não estar preparadas tecnologicamente para o uso das novas tecnologias, pois faltam os equipamentos e pessoal necessários. Mas, como professores educadores, temos todo interesse e estamos, sim, preparados para as mudanças, pois as transformações feitas conscientemente nos mobilizam para as mudanças internas e externas. Necessitamos nos preparar para o presente/futuro. A escola precisa acompanhar o que está acontecendo na aldeia global, o agir local é urgente, é preciso que a responsabilidade seja de todos os envolvidos, dentro e fora da comunidade escolar.

As novas tecnologias de comunicação devem ser exploradas nas intervenções  objetivando a desconstrução de conceitos arraigados que determinam comportamentos opressivos, a violência simbólica, a discriminação da mulher na sociedade. Desse modo, almejamos novos comportamentos e atitudes conscientes diante da problemática de gênero no que se refere à condição feminina em nossa sociedade.

REFERÊNCIAS

BEAUVOIR, Simone de. O segundo  sexo. v. 2. 4ª ed. Trad. Sérgio Milliet. São Paulo: Difel, 1975.

FERREIRA, Carlos Augusto Lima. A importância das novas tecnologias no ensino de História. Universa. Brasília, nº 1, p. 125-137, fevereiro de 1999.

MICELI, Paulo. In: MORAIS, Regis de (org.). Sala de Aula: que espaço é esse? 7ª ed. Campinas: Papirus, 1994.

SARDENBERG, Cecília M. B.; COSTA, Ana Alice A. Feminismos, feministas e movimentos sociais. In: BRANDÃO, Margarida Luiza Ribeiro; BINGEMER, Maria Clara Lucchetti (orgs.). Mulher e relações de gênero. São Paulo: Loyola, 1994.

SAVIANI, Dermeval. Educação e questões da atualidade. São Paulo: Cortez, 1991. Disponível em: http://www.klepsidra.net/klepsidra10/mulheres.html http://www.unibero.edu.br/download/revistaeletronica/Mar04_Artigos/Cleide%20B%20Cerdeira.pdf.

Publicado em 21 de junho de 2011

Publicado em 21 de junho de 2011

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