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CONHECENDO A GEOMETRIA COM O POLY32

Thiago Pires Santana

Professor, especialista em Matemática e Estatística e Mestrando em Ciências da Educação

Djalma Abreu dos Anjos

Professor, especialista em Metodologia do Ensino da Matemática

Introdução

A explosão e inserção dos adventos tecnológicos na sociedade contemporânea esboçaram e instigaram o grande desafio pedagógico de redefinir as vias de aprendizagem dos alunos, tendo em vista que atualmente a instantaneidade e a disseminação das informações retiram da escola a condição de único ambiente gerador de conhecimento.

A conjuntura social contemporânea, no que concerne à educação, é marcada por um novo paradigma cultural de aprendizagem que, por meio das novas tecnologias, tem proporcionado novas e inovadoras formas de construir e reconstruir conhecimento (SANTANA, 2011).

Essa ruptura paradigmática das formas de aprendizagem obsoletas, criada pela introdução das TIC evidencia a possibilidade concreta de fazer caducar as distâncias entre os aprendizes, a aprendizagem dentro e fora da escola e o que tem significado ou não para os estudantes (FINO; SOUSA, 2003).

O surgimento “de um novo paradigma, imerso nas TIC, é visualizado na introdução dos computadores na educação como forma de auxiliar e desenvolver as habilidades cognitivas dos alunos” (SANTANA, 2011). Nesse sentido é que se acredita na necessidade de discutir e conhecer softwares como o POLY32, que possibilitem a construção de ambientes incomuns de aprendizagem e possam contemplar as novas necessidades de aprender.

Software educativo

Software educacional é todo programa que pode ser usado para algum objetivo educacional, pedagogicamente defensável, por professores e alunos, qualquer que seja a natureza ou finalidade para a qual tenha sido criado, independentemente de o programa ser construído com objetivos de aprendizagem ou não (LUCENA, 1992; FINO, 1998; SILVA, 2002; SANTANA, 2011).

Nessa perspectiva, softwares podem ser considerados educacionais a partir do momento em sejam pensados em uma metodologia que os contextualizem no processo ensino-aprendizagem. Desse modo, mesmo um software detalhadamente pensado e rotulado como educativo pode não alcançar minimamente os objetivos educacionais traçados.

Segundo a concepção de Santana (2011, p. 54) um software educativo deve levar em consideração os seguintes critérios:

  1. Atender às expectativas dos professores quanto ao desenvolvimento cognitivo dos alunos;
  2. Proporcionar de forma igualitária, significativa e estimulante a colaboração e negociação social do conhecimento;
  3. Criar contextos de aprendizagem em que os alunos tenham autonomia para estabelecer seus percursos lógicos na construção do conhecimento;
  4. Possuir uma fonte riquíssima de informações para suportar o potencial criativo dos aprendizes.

A partir do conceito de software educativo e dos critérios que embasam sua utilização, fica clara a necessidade dos professores, em especial das escolas públicas, de conhecer os novos ambientes de aprendizagem criados com a utilização de software empregados e disponibilizados na sua comunidade escolar.

O Poly32

O Poly32 é um programa para a investigação de formas poliédricas; pode exibir formas poliédricas de três maneiras principais: como uma imagem tridimensional, como uma achatada líquida (bidimensional) e uma incorporação topológica no plano.

As imagens tridimensionais podem ser giradas de forma interativa e dobradas e/ou desdobradas. Os modelos físicos podem ser produzidos por impressão à rede achatada em duas dimensões, o corte em torno de seu perímetro, dobrando as bordas e, finalmente, gravar juntas faces vizinhas (Figura 1).


Figura 1 – Tetraedro

O Poly32 não é um software livre; é de propriedade de Pedagoguery Software Inc., que detém os seus direitos autorais, com exceção do pedido de registro e arquivo de ajuda, que são direitos autorais de Greg Kochaniak (Figura 2).


Figura 2 – Interface de registro (tradução livre: Essa é uma cópia não registrada (totalmente funcional!) de Poly e é somente para demonstração/avaliação. Por favor, considere a possibilidade de registrar-se. E envie para nós qualquer comentário, perguntas ou sugestões, para que possamos melhorar o programa. Nosso correio eletrônico é peda@peda.com. Versão 1.11). Fonte: Poly32

O software Poly32 roda no sistema operacional Windows e ocupa 645 KB da memória do disco rígido. É distribuído em nove idiomas (espanhol, francês, dinamarquês, italiano, holandês, polonês, estoniano, coreano, chinês tradicional e chinês simplificado). Ou seja, o português do Brasil não é contemplado pela versão 1.11; este trabalho foi realizado baseado na versão espanhola.

Para obter uma versão do Poly32 é necessário acessar o site da Pedagoguery e fazer o download; depois, buscar a concessão do seu registro.

O Poly32 possui os seguintes sólidos para serem manipulados: sólidos platônicos, sólidos de Arquimedes, prismas y antiprismas, sólidos de Johnson, sólidos de Catalan, diprámides y deltoedros e esferas y domos geodésicos.

O software Poly32 é entendido como mais uma ferramenta pedagógica que dará possibilidade de percepção geométrica do mundo, em que o trabalho com os sólidos possibilitarão a concretização de conceitos matemáticos e a sua aplicação no dia a dia, auxiliando o aluno a perceber a integração dos conceitos da Geometria plana com a espacial e as construções das figuras e/ou sólidos.

O professor também poderá explorar diversas atividades com o seu alunado, desde a simples demonstração da formação dos sólidos à formatação de oficinas geométricas (oficina de construção de embalagens para presentes e seus derivados) e certamente uma melhor adequação de certos sólidos utilizados no seu cotidiano. Essa manipulação dos sólidos possibilitará aos alunos uma visualização de todos os pontos explorados nos conceitos geométricos, bem como o uso de figuras distintas para formação de sólidos.    

O uso do software Poly32 nas aulas de Geometria auxiliará o processo de construção do conhecimento e, consequentemente, a aprendizagem, o que o torna indispensável para o aluno. Sua dinâmica relacionada com o dia a dia faz com que haja uma exploração maior na construção de conceitos que aperfeiçoam o desenvolvimento cognitivo do aluno.

Conclusão

A intenção da construção deste texto é possibilitar uma reflexão sobre a necessidade de uma melhor utilização dos recursos tecnológicos disponíveis na sociedade e em todos ambientes escolares, além de desejar estabelecer novas trocas de experiências sobre os ambientes de aprendizagem criados por computadores e softwares.

Deseja-se clarificar, neste momento, a necessidade da educação contemporânea de pluralizar os contextos de aprendizagem, de modo que eles possam contemplar toda a diversidade de experiência dos alunos. Portanto, trazemos à tona o POLY32 no intuito de que ele seja conhecido por professores e alunos, e de que estes reflitam e socializem suas experiências com este e outros softwares.

Simplificando o discurso, acreditamos ser possível desenvolver novas formas de aprendizagem com o uso dos computadores; cremos que o POLY32 pode contribuir para a criação de espaços de interação que despertem o potencial criativo dos estudantes, em prol do desenvolvimento das suas capacidades cognitivas.
           

REFERÊNCIAS

FINO, C. N. Avaliar software educativo. In: Actas da III Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação, p. 689-694. Braga: Universidade do Minho, 2003. Disponível em: http://www.uma.pt/carlosfino/publicacoes/16.pdf. Acesso em: 15 ago 2011.

FINO, C. N. Um software educativo que suporte uma construção de conhecimento em interacção (com pares e professor). Actas do 3º Simpósio de Investigação e Desenvolvimento de Software Educativo (edição em CD-ROM). Évora: Universidade de Évora, 1998. Disponível em: http://www.uma.pt/carlosfino/publicacoes/softedu.pdf. Acesso em: 15 ago 2011.

LUCENA, M. A gente é uma pesquisa: desenvolvimento cooperativo da escrita apoiado pelo computador. Dissertação de mestrado. Departamento de Educação. PUC-Rio. Rio de Janeiro, 1992.

SANTANA, Thiago P. Em defesa da avaliação de software “educativo” em bases pedagógicas construtivistas: critérios e submissão do Winplot. Revista Espaço Acadêmico, Maringá, nº 117, p. 54-61, fev. 2011. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/viewFile/10221/6543. Acesso em: 10 ago. 2011.

SILVA, C. M. T. Avaliação de software educacional. In: Conect@ - Revista online de
Educação à distância, nº 4, fevereiro de 2002. Disponível em: http://www.revistaconecta.com/conectados/christina_avaliacao.htm. Acesso em 01 ago 2011.

Publicado em 13/09/2011

Publicado em 13 de setembro de 2011