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Você julga um livro pela capa?

Tatiana Serra

Uma maquiagem que nos muda por fora. Uma tatuagem que nos mostra de dentro para fora. A capa que diz tudo sobre o livro. O livro que não se define nem pela contracapa. Qual é, afinal, a melhor maquiagem para disfarçar e a melhor capa para se mostrar?

Há algumas semanas, tem sido divulgado na internet um vídeo com o modelo canadense Zombie Boy, conhecido por ter o corpo 100% tatuado, que dessa vez aparece sem nenhuma tatuagem. Efeito especial ou algum pós-tratamento com laser? Nada de truques, mas muita maquiagem. Esse era o segredo. Com o objetivo de chocar quem não conhecia o modelo, impressionar quem já o conhecia e fazer com que todos refletissem sobre o que a aparência diz e o que a essência realmente significa, o vídeo tem quase três minutos e começa com a seguinte pergunta: como você julga um livro?

Então, aparece o modelo, seus piercings e sua típica expressão facial de “poucos amigos”. Até aí, nenhuma novidade. A partir de então, sem camisa e munido de uma esponja umedecida com um removedor, Zombie Boy começa a tirar o que vimos ser uma base que cobria sua pele tatuada. Em alguns instantes, podemos ver que seu corpo, antes coberto com uma maquiagem cor da pele, volta a ficar totalmente coberto por tatuagens. E como não dizer que o modelo termina o vídeo sem maquiagem, porém com o corpo coberto com a cor da pele? Sim, a cor da pele escolhida por ele, e por que não?

Era para ser principalmente o anúncio da Dermablend, marca de produtos que cobrem a pele, mas certamente a principal mensagem que ficará na memória de quem assistiu ao vídeo será a de que constantemente julgamos um livro pela aparência; que quase sempre nos surpreendemos com o seu conteúdo; e que vale a pena ir além da cobertura (“go beyond the cover” – frase que finaliza o anúncio do produto). Mais interessante quando fechado e sem a menor graça depois de aberto; mais bonito com maquiagem, mais marcante com tatuagem. As opiniões a respeito de um mesmo livro são sempre muitas e mutantes. Algo que para mim é tocante pode não ter nenhum valor para sua vida. O que é belo para mim pode ser triste aos seus olhos. Posso ver graça no drama, e você rir da desgraça alheia.

Enquanto pensava em quantas vezes não julguei um livro pela aparência, eu me perguntava o porquê de usar um produto para disfarçar o que escolhi para ser minha marca. Aliás, por que preciso escolher uma marca? E se podemos escolher a cor da nossa pele, podemos escolher o livro pela capa também, desde que a contracapa tenha algo a dizer. O conteúdo, então, poderá ser o principal ou o complemento; deixe que a decisão fique por conta de cada um.

E você, julga um livro pela capa?

Para assistir ao vídeo do modelo Zombie Boy, clique aqui.

Publicado em 22/11/2011

Publicado em 22 de novembro de 2011