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Algumas considerações sobre a importância das feiras de ciências

Adriana Oliveira Bernardes

Mestre em Ensino de Ciências (UERJ)

Introdução

Feiras de ciências constituem-se em recursos riquíssimos para divulgação de ciência na comunidade escolar. A construção de um experimento científico envolve – ou deveria envolver – o dialogismo entre professor e aluno e entre os alunos.

Esse aprendizado dialógico no processo de ensino e aprendizagem é fundamental tanto para o professor quanto para o aluno. Aprendizado é troca, e o processo é importante para ambos, na medida em que o professor consegue compreender como se dão as dificuldades dos estudantes; antevendo tais dificuldades, seu trabalho pode ser melhorado. É neste momento que o professor deve exercer sua principal função, de orientador do processo de ensino e aprendizagem do aluno – e não a de detentor absoluto do saber.

Feiras de ciências organizadas dentro de escolas de Ensino Fundamental e Médio são importantíssimas para motivar o aprendizado do aluno e para divulgar temas científicos, atuais ou não, para a comunidade escolar.

Assim, divulgar o CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares) ou a experiência de Oersted são contribuições importantes para o processo que chamamos hoje de alfabetização científica. O que deve ser entendido é que, se o professor não tem recursos para falar da ciência atual, também pode falar de conceitos básicos, mas definitivamente não deve perder a oportunidade de realizar tais trabalhos dentro da escola.

Nesse processo o professor notará o grande entusiasmo com que os alunos recebem informações diretamente ligadas ao desenvolvimento tecnológico atual, como o CERN, daí a importância de ensinar nas escolas o que chamamos de Física Moderna.

Muitas vezes o público desse evento, geralmente de pessoas da comunidade (professores, funcionários, alunos e pais de alunos) relata ter aprendido fatos que desconheciam, reagindo sempre positivamente ao evento.
Também são comuns os comentários sobre como não gostavam das disciplinas de exatas, ou como não conseguiam aprender nada quando estudavam.

Construção de um experimento

A construção de um equipamento para posterior apresentação a comunidade envolve:

  • Pesquisa do material a ser utilizado;
  • Pesquisa dos princípios físicos envolvidos na construção e no funcionamento do aparelho;
  • Pesquisa da parte histórica envolvida, ou seja, quem inventou, quando e em que contexto deu-se a descoberta.

Construindo aparelho com principio de funcionamento do telégrafo.

Guindaste eletromagnético, importante para o entendimento de vários fenômenos relacionados à eletricidade.

Todo conhecimento que será passado à comunidade deve ser previamente discutido entre aluno e professor, que poderá enriquecer o conteúdo sugerindo outros tópicos a serem desenvolvidos, colaborando principalmente para que o trabalho seja contextualizado.

Turmad de EJA (Educação de Jovens e Adultos)

As turmas de EJA normalmente apresentam grandes defasagens de conteúdo e dificuldades em relação à apropriação de conhecimento. Isso gera grande dificuldade no estudo das disciplinas; são comuns dificuldades de leitura e com a Matemática, que são as matérias básicas para o aprendizado das outras disciplinas. Por isso, as aulas devem ser dinâmicas e atrativas, despertando interesse nos alunos e ao mesmo tempo sendo prazerosa.
Para isso são importantes recursos didáticos que motivem os alunos – e experimentos sempre fazem sucesso nesse sentido.


Participação de Turmas de EJA em feira de ciências; aqui estão experimentos simples como eletroscópio e pêndulo elétrico.

Feiras de ciências municipais, estaduais e nacionais

Hoje em dia há vários exemplos de feiras de ciências que ocorrem no Brasil com o objetivo de divulgar e incentivar a elaboração de trabalhos científicos realizados dentro de escolas.

No Rio de Janeiro, temos a FECTI (Feira Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação), organizada anualmente pela Fundação Cecierj; a feira recebe trabalhos realizados em todo o Estado do Rio de Janeiro por colégios municipais, estaduais e particulares. São cinco eixos temáticos: Desenvolvimento de Tecnologia, Ciências Exatas, Ciências da Saúde e da Terra, Ciências Biológicas, Trabalhos Interdisciplinares e 8ª série.

O evento acontece no Museu da República; este ano foi sua 5ª edição.

A Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), realizada em São Paulo, é uma feira de nível nacional e apresenta, além dos eixos temáticos da FECTI, o eixo Ciências Humanas.

Essa feira também ocorre anualmente, e se encontra em sua décima edição.
Essas feiras têm incentivado os municípios a realizar suas feiras e enviar os trabalhos vencedores para serem apresentados nelas, o que é muito importante, já que acabam sendo formados outros polos que objetivam trabalhar no Ensino Médio com projetos científicos, motivando e incentivando os alunos a se tornar ativos no processo de aprendizagem.

Conclusão

Quando o professor consegue se ver de outra forma, pode realizar trabalhos diferenciados, que envolvam outros recursos de aprendizagem e que na escola repercuta em aprendizado para todos os segmentos que a compõem.

Para isso, é necessário que o professor se entenda como um professor-pesquisador, que, uma vez na escola, crie, dialogue e depois publique os resultados de seu trabalho.

Vários tipos de sondagens podem ser realizadas a partir de trabalhos, como estes: quais os materiais mais apropriados a serem utilizados em experimentos? Quais produzem mais conhecimento para o aluno? Como o aluno entende os fenômenos físicos a partir deles e como realiza os processos para construí-los?

Esse tipo de trabalho é fundamental em turmas de EJA; realmente não é necessário que esses cursos se transformem em fábricas de diplomas de Ensino Fundamental e Médio; o ensino pode realmente fazer diferença para os alunos.

Sugestões de leitura:

Experiência: Mostra de Física em Turmas de EJA, publicada na revista Educação Pública.

Texto sobre a Fenacebe (Feira Nacional de Ciências de Educação Básica), publicado na revista Educação Pública

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Publicado em 29/11/2011

Publicado em 29 de novembro de 2011