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Minha cidade maravilhosa

Edilson Pereira de Carvalho

Aluno do Ensino Médio – EJA, C.E. Professor Gonçalves – RJ

Uma das ideias filosóficas contemporâneas mais instigantes é a do filósofo italiano Domenico de Masi, que se baseia em duas palavras: “ócio criativo”. Ao começar a escrever sobre o lugar onde vivo, minha memória buscou o filósofo pelo fato da cidade em que nasci e vivo até hoje dispor de todos os atributos para realizar a síntese do italiano.

O Rio de Janeiro, com sua orla abundante de praias belíssimas, de um colorido que transita entre o azul e o bronze oferecido pelo sol carioca. Paisagens paradisíacas, habitadas por resíduos verdejantes de uma natureza generosa, que foi sendo apagada e substituída por uma selva de pedras, contemplada por um gigante de concreto, maravilhoso do mundo moderno, que parece abraçar outros imponentes monumentos da admiração pública.

Cidade maravilhosa, cuja presença cultural borbulha numa hemorragia de letras, músicas, pinturas, esquadros arquitetônicos, ícones das artes cênicas e audiovisuais, enfim, uma efervescência cultural tão intensa que não cabe nos limites geográficos da cidade. Por outro lado, não podemos omitir fatos que confrontam essa face risonha da cidade, tornando-a envergonhada. Trata-se da face obscura da cidade, que se traduz em um apartheid social onde a pobreza se equilibra nos morros da metrópole, funcionando como guetos, criadouros de bactéria da violência, derramando sobre o asfalto meninos e meninas virgens de esperança, filhos da miséria, sem perspectiva de futuro.

A injustiça social no Rio de Janeiro encontra um palco de observação perfeito. Na área da saúde, temos hospitais de última geração, com serviço de hotel de cinco estrelas, convivendo com hospitais desaparelhados, verdadeiros instrumentos de humilhação do povo carente que necessita deles. Na educação, verificamos condições semelhantes. Na periferia, trabalhadores desamparados, em ambientes sem a mínima estrutura. Minha cidade comprova a teoria de que uma coisa pode ser ao mesmo tempo boa, ruim e indiferente. Mas, por enquanto, continua sendo a minha cidade maravilhosa.

Publicado em 22 de março de 2011

Publicado em 15 de fevereiro de 2011