Este trabalho foi recuperado de uma versão anterior da revista Educação Pública. Por isso, talvez você encontre nele algum problema de formatação ou links defeituosos. Se for o caso, por favor, escreva para nosso email (educacaopublica@cecierj.edu.br) para providenciarmos o reparo.

Levando a vida à toa?

Tatiana Serra

Nos últimos dias, tudo que faço, tudo que vejo me levam a um mesmo pensamento, que faz os outros serem menos importantes ou, de alguma, forma, associados a ele: a perda inesperada de alguém. Comovida com a morte repentina da mãe de uma querida amiga, tenho refletido em como venho levando a vida e sua real importância. Tenho me dividido entre a certeza de que não dominamos nossos passos e a “verdade absoluta” de que somos os únicos responsáveis pelo que acontece em nossa história.

De repente, por um motivo tolo, podemos perder alguém querido com quem esperávamos ainda compartilhar tantos momentos, com quem gostaríamos de dizer tanto ou nem tanto, alguém que fez a diferença em nossa vida (e o que será dela depois dessa perda?). Sinto tanto pela minha amiga, não paro de me colocar em seu lugar e repensar minhas próprias questões. O quanto nos pré-ocupamos à toa; o quanto fazemos o que não queremos; o quanto não fazemos; quantas vezes nos aborrecemos com alguém só por esperar que agisse conforme idealizamos... à toa; o quanto nos frustramos com o que não conseguimos realizar; o quanto não realizamos... à toa?

Noutro dia, um amigo meu, professor de Matemática do Ensino Médio, me falava sobre sua grande preocupação e seus objetivos como educador: fazer a diferença na vida de seus alunos, ajudando em sua formação como cidadãos. Perguntei a ele como conseguir isso, se normalmente os estudantes, nessa fase da vida, já têm uma base construída e, muitas vezes, repleta de marcas e valores definidos.

Ele me disse que realmente não é nada fácil lidar com adolescentes cujas marcas têm a ver com violência e exclusão social. Nada fácil ensinar lógica para alguém que aprendeu a tirar proveito de tudo por defesa, porque afinal é assim que todo mundo age, com a “lógica da malandragem”.

Mas esse desafio é, ao mesmo tempo, “preocupante e estimulante para quem escolheu ser educador nessa vida”, afirmou meu amigo e professor, com muita honra.

Na Matemática e no dia a dia em sala de aula, com o tempo, ele foi mesclando conteúdo programático com valores sociais e humanos, uma forma de mostrar aos alunos que suas atitudes são como uma equação matemática, podendo somar, subtrair, multiplicar e dividir até que se tenha um resultado, positivo ou negativo.

E lá se foi meu pensamento de volta ao primeiro ponto: a reflexão sobre a importância da vida. Entre perdas e ganhos, acredito que o importante é realizar seus objetivos, fazer a diferença em sua própria vida e ser feliz ao seu modo. E, para que isso aconteça, qual será o primeiro passo?

Não levar a vida à toa pode ser um bom começo. É como dizia Gonzaguinha: “A gente quer viver felicidade. É! A gente não tem cara de panaca. A gente não tem jeito de babaca. A gente não está com a bunda exposta na janela prá passar a mão nela... É! A gente quer viver pleno direito. A gente quer viver todo respeito. A gente quer viver uma nação. A gente quer é ser um cidadão...”.

Publicado em 10 de julho de 2012

Publicado em 10 de julho de 2012