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"Se eu pudesse escolher...": como os jovens lidam com a liberdade de escolha

Tatiana Serra

Como lidar com a liberdade de escolha? Será mesmo que ela existe? Podemos dizer que somos um país jovem e até adolescente, cheio de espinhas no rosto (que representam nosso corpo em mutação), cheio de ideias, vontades, erros e acertos. Tanto a liberdade de expressão quanto a de escolha são conquistas recentes, mas conhecidas desde sempre pelos nossos jovens. Mas será que eles têm consciência de que são livres? Aliás, será mesmo que hoje podemos nos dizer livres? E mais, podemos escolher que liberdade queremos ter?

Conversei com um grupo de jovens e coloquei a seguinte questão: se você pudesse escolher... Pedi que eles completassem a frase de maneira livre. Alguns falaram da vida pessoal, outros falaram de escolhas com relação à sociedade, ao país e até mesmo com relação ao planeta. No final, escolhi algumas respostas que retratam diferentes pensamentos dessa geração.

Em ano de eleições municipais, em ano de tantas descobertas sobre o mau uso do poder público, os jovens se dividem entre interessados em política e em melhorar a sociedade em que vivem, enquanto outros estão "alienados" com relação às transformações políticas, econômicas e sociais que vivemos. Mas todos, com suas diferentes respostas, trazem um frescor de esperança e questionamento que muitos de nós fomos perdendo com o tempo.

Juliana Silveira, de 19 anos, logo falou das eleições. Este ano será sua estreia diante das urnas, porém, ela não se mostra muito entusiasmada em cumprir sua cidadania. “Neste ano tirei meu título de eleitor e vou ter que votar. Meus pais mal acreditam, mas vou fazer isso por total obrigação. Até tentei conhecer um pouco sobre alguns candidatos, mas todos me parecem uma fraude. Não consigo acreditar em nada na política”, disse ela. E talvez seja mesmo esse o pensamento de boa parte dessa geração, que, conforme foi crescendo, foi vendo uma política quase sempre classificada como corrupta e, consequentemente, desacreditada.

Trazendo um pouco mais de leveza à questão, mas sem perder a intensidade de tudo que esses jovens dizem, vamos à resposta de Grazielle Garcia, de 18 anos: “Se eu pudesse escolher, ficaria perto das pessoas que amo”. Em Aracaju, Sergipe, ela mora com sua mãe e suas duas irmãs, mas longe de seu pai e de boa parte de seus familiares, que estão no Rio de Janeiro. Talvez por intuição ou por ter poucas escolhas, Grazielle acaba de tentar o vestibular para Medicina em uma universidade do Rio e vive a expectativa das próximas definições em sua vida. Ser médica é a escolha já feita há muito tempo, mas onde estudar e onde começar sua vida profissional ela ainda não pode dizer. Mas, pela sua resposta, podemos afirmar que seu coração está em jogo. E ela está prestes a aprender que isso faz parte de nosso crescimento – felizmente, ou não.

Se a estudante Martha Christine Barros, de 17 anos, pudesse escolher, faria com que a sociedade não fosse tão preconceituosa, para que todos pudessem viver em paz. “Meu filme favorito é V de vingança. Ele mostra o poder de uma ideia sobre o povo. Numa época de repressão, havia muita discriminação contra homossexuais, religiosos e pessoas de outras culturas. Isso fazia com que elas sofressem só porque eram diferentes. Até hoje isso acontece. Acho que cada um deve ser do seu jeito e todo mundo deve ser feliz”, afirma ela, num discurso que traz o frescor de esperança e questionamento já citado neste texto.

Thiago Grijó, um estudante de Cinema de 24 anos, declara que, “se pudesse escolher, viveria para sempre. Eu adoraria ser imortal”. Isso porque, há muito tempo, Thiago se pergunta o que será que há depois da morte e já buscou explicação nas religiões e no que mais lhe ajudasse a entender essa questão. Porém, até agora, não ficou satisfeito e isso o preocupa e ocupa parte de seus pensamentos. E quem de nós não gostaria, pelo menos, de ter a imortalidade como opção? Se pudéssemos escolher...

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Publicado em 18 de setembro

Publicado em 18 de setembro de 2012