Este trabalho foi recuperado de uma versão anterior da revista Educação Pública. Por isso, talvez você encontre nele algum problema de formatação ou links defeituosos. Se for o caso, por favor, escreva para nosso email (educacaopublica@cecierj.edu.br) para providenciarmos o reparo.

Sinagelastia: A sociedade paralela e cérebro de obra no Brasil

Prof. Dr. Eduardo Marques da Silva

A expressão sinagelástica é utilizada, desde 1881, para caracterizar grupos de desordeiros que se insurgiam contra a ordem estabelecida. Ela tem origem grega: sin é um advérbio identificado como todos juntos, enquanto agele significa multidão. Em específico, referia-se a um grupo de adolescentes geralmente da Ilha de Creta, na Antiguidade clássica; portanto, reunião grupal.

Era assim que se organizavam os excluídos sociais durante e depois da escravidão no Brasil, notadamente no Rio de Janeiro, como os capoeiras, hoje abrigados nas favelas. Esses excluídos sociais exigem cuidados especiais; não podem ser desprezados. Exatamente no momento em que o cenário socioeconômico sofre radicais alterações, com a chegada de um momento especial para o nosso desenvolvimento, com a figura do cérebro de obra, defendida por Alan Minc, não podemos nos posicionar como os antigos cientistas sociais, apresentando visões científicas pouco críticas, limitadas para o tempo presente.

Ora, o cenário da mão de obra está se rarefazendo nos centros urbanos dos grandes países no mundo, e aqui o cérebro de obra, já ganha seu espaço e ocupa-o efetivamente. As universidades já apresentam significativas mudanças de perfil. É cada vez maior o compromisso com a “produção acadêmica” e, não apenas com a reprodução; os papers cobrados ao final dos cursos demonstram que se espera do educando o perfil de um produtor.

Tal comportamento irá contaminar toda uma população diretamente relacionada e, considerando as universidades públicas que atendem egressos-educandos de setores sociais de áreas de baixa renda, este também certamente será atingido e a revolução, ainda lenta, poderá ser o retrato de uma grandiosa mudança na cidade.

Em todo o mundo têm sido criados institutos de pesquisa, programas de estudos e laboratórios do tempo presente. Na Europa, por exemplo, especialmente na França e na Itália, o estudo feito a partir dessa perspectiva tem trazido à tona aspectos relevantes da Segunda Guerra Mundial, da luta contra o nazifascismo, do colaboracionismo, da resistência.

Um dos principais responsáveis, na atualidade, pela produção de trabalhos com essa perspectiva tem sido o Instituto de História do Tempo Presente, de Paris, um laboratório de estudos e pesquisas criado pelo CNRS, na França, dirigido pelo professor François Bédarida. Em torno do Instituto se reúne um grupo de historiadores que desenvolve uma reflexão consistente sobre o tema. O IHTP francês é o verdadeiro local onde se levantaram e sistematizaram as principais questões teóricas e metodológicas referentes à abordagem histórica do que denominamos de passado recente.

Historiadores do quilate de René Rémond e outros nos sugerem que “a reintegração do tempo presente faz varrer da visão da História os últimos e até então invencíveis vestígios do velho positivismo. Não seriamos tão radicais, mas é necessário que estejamos alertas para uma palavra: ‘Pense!’. O historiador do tempo presente também sabe o quanto sua objetividade insistentemente se apresenta também bastante frágil! E sabe também que seu papel não é simplesmente observar apenas fatos; deve contribuir para construí-los” (Rémond, 1992).

A história do tempo presente evoca a importância da contingência e do ‘fato’. Ela é feita de verdadeiras surpresas. Rémond afirma que “frequentar a história do tempo presente talvez seja uma boa precaução, o meio mais seguro de nos resguardarmos da tentação que sempre nos espreita de introduzir no (...) velho e conhecido (...) ‘relato’ do passado, uma racionalidade (considerada) estranha”.Constitui-se, assim, num “bom remédio contra a racionalização a posteriori, contra as ilusões de ótica”.

O professor François Bédarida, que relacionou o incremento de estudos sobre o tempo presente a uma crise política, afirmava que tal maneira de encarar a questão caracterizaria a segunda metade dos anos 1970: “o retorno vigoroso da história e da memória, uma busca ansiosa de identidade, a crise dos paradigmas das ciências sociais, enfim, um presente cheio de incertezas em relação a si mesmo e ao futuro num mundo que não sabia mais se iria desembocar em Prometeu ou em Pandora” (1992).

O historiador Roger Chartier, no escurecer do século do século XX, colocava em destaque a especificidade de uma história que apresentava sobre tal comportamento: “que não (seria ela) uma busca desesperada de almas mortas, mas um encontro com seres de carne e osso que são contemporâneos daquele que lhes narra as vidas” (1992) – definitivamente, poderíamos afirmar. Para ele, essa característica conferia ao historiador do tempo presente uma especificidade digna de nota: “ele é contemporâneo de seu objeto e, portanto, partilha com aqueles cuja história ele narra as mesmas categorias essenciais, as mesmas referências fundamentais. Ele é, pois o único que pode superar a descontinuidade fundamental que costuma existir entre o aparato intelectual, afetivo e psíquico do historiador e o dos homens e mulheres cuja história ele escreve” (1992).

O autor, portanto, via como vantagem o que costumava ser encarado como problema por uma historiografia sobre o que vinha a ser a proximidade temporal. No Brasil, fazer uma história do tempo presente implicaria se voltar para os anos de regime militar, os anos de chumbo, as mais de duas décadas em que o país viveu em regime de exceção. Historiadores, cientistas sociais, cientistas políticos e ficcionistas tinham revisitado, na época, esse período, com o objetivo de trazer à tona ‘fatos’. Uma parte dessa bibliografia enfocou prioritariamente os episódios da luta armada contra a revolução de 1964, a Redentora, e as experiências de guerrilha, como seu ‘corpo calado’.

A realização de pesquisas e as publicações de trabalhos durante essa fase serviram ao necessário e futuro balanço histórico de toda uma existência. Geração que, envelhecida, com todo o respeito que merece, ainda saboreia extemporaneamente a luta da burguesia, em um país que ainda não teria superado muitos dos velhos hábitos escravistas. Da escravaria por aqui praticada e longeva, como até hoje podemos notar na permanência de certos hábitos, inclusive daqueles que permaneciam na mais absoluta exclusão sociocultural, que comprometeria seriamente a construção da cidadania entre nós.

As dramáticas revelações iluminam aspectos definitivamente sombrios daquele passado. Permitem que, uma vez acertadas as contas, muitas tragédias pessoais sejam solucionadas? Como os atestados de óbito dos muitos desaparecidos que após frequentarem porões da ditadura apareceram? Depoimentos como O que é isso companheiro?, de Fernando Gabeira (1979) e Os Carbonários, de Alfredo Sirkis (1998), e até o Combate nas Trevas, de Jacob Gorender (1987), são obras importantes sobre a experiência de luta armada no Brasil. Aparece também o livro de Emir Sader O Anjo Torto, Esquerda (e Direita) no Brasil, que procura resumir e classificar a trajetória da esquerda brasileira até os anos 1980. Contudo, se retomarão as questões como a pós-escravidão tardiamente: temos, a titulo de citação, o jornalístico trabalho Abusado: o dono do Morro Dona Marta, de Caco Barcelos, que só apareceu no século XXI. Como ele, outros ficaram na sombra, como Viração: experiências de meninos na rua,de Maria Filomena Gregori, e muitos outros.

Existe um período ainda pouco explorado pela literatura e pela historiografia, que é o período pós-luta armada, os anos da distensão e do processo de abertura política das décadas de 1970 e 1980. Principalmente de um período em que os movimentos sociais e políticos disputaram com o regime então vigente todos os espaços possíveis de ação política legal e/ou legalizada.

Existiram grandes campanhas, como a luta pela anistia ou contra a carestia desenfreada, que mobilizou o que havia de organizado na sociedade. Foram fortes, principalmente, os sindicatos de trabalhadores assalariados de classe média, como bancários, professores, jornalistas etc., mas não nos esqueçamos de que era apenas a classe média que conduzia a luta. Lutas políticas essas que pressionavam insistentemente contra os limites da legalidade, mas não se olhava para os excluídos (Forrester, 1997) da sociedade. Além disso, uma produção política e teórica confeccionada não apenas nas universidades, mas também nos movimentos organizados e uma influência de ideias e práticas políticas inovadoras que vinham do cenário internacional. Junto com elas, movimentos de novo tipo se introduziram na cena política brasileira: eram os movimentos da diferença. Era este o pano de fundo da década de 1970. Na historiografia surgiria de Claudio Vieira a obra A história do Brasil são outros 500, que levantava muitas questões polêmicas.

Os anos 1970, no Brasil e no Mundo, foram palco de uma tentativa de reinventar a política no capitalismo, que apresentava roupagem também renovada com a plena presença de coisas como o cérebro de obra e sua acumulação de capital flexível. Tínhamos uma postura que em grande parte era herança dos anos 1960 e, particularmente, 1968. Alguns marcos históricos e políticos haviam modificado profundamente o que se tinha de ideias de política que se deveria praticar; logo se assistiria à queda da URSS, pondo uma pá de cal na Guerra Fria; alterava-se a forma de participação política e de se comportar da esquerda; após a invasão de Praga, a Rebelião de Maio de 68 em Paris e a Revolução Cultural Chinesa, mudanças significativas foram encapsuladas às noções de política. Para a juventude, intelectuais e militantes de esquerda, tais acontecimentos representaram verdadeiros marcos de uma significativa ruptura com o conceito de esquerda e de sua prática política. Mas o toque de qualidade nas pesquisas que se faziam estremeceria o saber sobre questões como a pós-escravidão, a delinquência, a violência, os corpos socioculturais etc., pois só interessava uma leitura econômica, como se essa fosse a panaceia de todas as questões da historiografia.

Paul Berman, em A tale of two utopias. The political jouney of the generation of 1968, descreveu o espírito daquele ano, que perdurou pelos anos 1970 nos EUA e na Europa Ocidental, como marcado por uma visão otimista em relação ao futuro. Esse ‘otimismo’ advinha da crença de que profundas mudanças estavam ocorrendo no mundo e uma nova sociedade emergiria de todo o processo. Berman sintetizou tais mudanças em quatro grandes revoluções: a) a revolução de costumes e padrões de comportamento. Esta abarcaria as revoltas estudantis, as ocupações de imóveis, o movimento negro, a liberação sexual, o movimento feminista e o movimento gay; b) uma revolução que chama de zona espiritual (a entrada em cena de uma nova pratica de religiosidade ou, ao menos, de uma nova sensibilidade, como preferimos denominar, que abria as portas para o transcendentalismo, para as religiões orientais, como o budismo e o zen budismo, para uma nova percepção da realidade, pelo uso desenfreado de drogas lisérgicas e potencialmente alucinógenas; c) o fascínio de algumas experiências e vitórias comunistas da época, antes do desaparecimento da URSS, especialmente Cuba, China e Vietnã; d) a possibilidade de contestação do comunismo soviético, como ocorreu na Primavera de Praga, em 1968, na então Checoslováquia. Estas quatro revoluções tornavam possível o sonho de um socialismo genuíno, crível e não corrupto, não tirânico e ditatorial, não estalinista e ultrademocrático. Dizia Berman: “a triste e velha escolha entre uma civilização democrática, no Ocidente, que parecia ter vendido sua alma para o capitalismo, e uma civilização soviética, no Leste, que certamente perdera sua alma para a burocracia, parecia finalmente uma coisa do passado. E julgou-se que uma nova alternativa para a humanidade estava muito próxima” (1996).

Apesar de reunirem elementos muito diferentes e aparentemente díspares, essas quatro revoluções apontavam para uma mesma direção: a ideia de uma transformação global e radical da sociedade, que escaparia dos vícios tanto do capitalismo como do socialismo soviético, como modelo na época.

Essa ideia expressou-se politicamente em militância muito clara da dissidência tanto quanto pela heterodoxia, respeitando-se o que Foucault apresentara. Eram corpos calados, pois naquele momento teriam que permanecer apenas discursos mudos. Pelo mundo surgiam organizações dissidentes das matrizes propagandeadas dos então comunistas e, em algum tempo, os novos movimentos políticos, movimentos alternativos, específicos, de minorias, grupos e movimentos que enfatizavam a diferença, a pontualidade e a especificidade, todos de desenho, sinuosidade e presença surpreendentes. Tudo mudava e éramos pegos no contrapé do jogo político do capital, que também se anunciava agora com a sinalização da morte paulatina da utilização sistemática da mão de obra com o advento da Revolução Toyotista e a sua substituição pelo cérebro de obra. Surgiram os movimentos de mulheres, de negros, de homossexuais, indígenas etc.

Esse foi um fenômeno mundial, da fervilhante década de 1960 aos 1970. Em todo lado surgia uma publicação nova: a New Left nos EUA, a Gauche Proletarienne na França, Il Manifesto e a Lota Continua dos italianos. Todos faziam uma ácida crítica, virulenta aos então partidos comunistas, nos quais se haviam originado. Nesse mesmo período o Brasil assistia ao surgimento de um grande número de organizações dissidentes, que de certa forma também haveriam de ser mimetizadas. Poderíamos dizer que seriam reverberações inoculadas, produto de sucessivos rachas do velho PCB e de grupos independentes. A nova juventude sem história era fruto dessas reverberações, mesmo sem passado. Os movimentos, mesmo com pouca força, estavam presentes como movimentos específicos e de minorias. Entre eles talvez o de mulheres tenha sido o mais organizado e o que conseguiu alcance e grau de interferência na vida social nacional e internacional.

Para um estudo da trajetória dos jornais, notadamente os de esquerda, o livro de Bernardo Kucinski Jornalistas e revolucionários - nos tempos da imprensa alternativa, de 1991, é básico. Ele mesmo um jornalista atuante nessa experiência, tendo trabalhado em vários dos jornais que estudou. Cada um dos três tipos apresentava características e dinâmicas próprias. E em cada um dos três blocos havia uma diversidade interna muito grande de conteúdos, de propostas e de posições. A riqueza da imprensa alternativa durante os anos 1970 vinculava-se à própria multiplicidade do movimento social e político da época.

Muitos jornais alternativos de esquerda representavam a busca de novos espaços por parte de jornalistas que sentiam dificuldades em sua atividade crítica na chamada grande imprensa. E a necessidade que tocava a muitos intelectuais da época, artistas e estudantes universitários, de construir resistência ao regime militar. A imprensa alternativa representava não apenas um fenômeno jornalístico, mas também um fenômeno político; representava uma das possibilidades de luta política das mais importantes. Representava também a difícil convivência entre o que era legal e o ilegal, o que era público e o clandestino. A maioria dos jornais alternativos esquerdizantes acabava por causa dos impasses políticos das organizações que lhes davam respaldo. Os principais periódicos esquerdizantes da década de 1970 eram: O Pasquim, Opinião, Movimento, Versus e Em Tempo.

Saía do anonimato o brilhante historiador Jacob Gorender, que publicou, dentre outras obras, O combate nas Trevas, de 1987. Antigo militante do PCB, da fase inicial de Prestes, “O cavaleiro da esperança”, trazia aos historiadores maior visibilidade crítica, abraçando e/ou reconstruindo aqueles tempos em uma muito fina visão, sintonizada com as transformações gerais no e do mundo que se globalizava velozmente. Apresentava uma consistente narrativa das transformações da história internacional. Toda a sua obra é ainda de grande peso para o melhor entendimento do presente. Do exterior chegavam os trabalhos de Eric Hobsbawm, que em 2002 publicaria Tempos interessantes: uma vida no século XX.

A imprensa feminista – talvez fosse melhor denominá-la feminina –, pela confusão terminológica no complexo século do não, trazia conturbadamente imbricadas classificações mal definidas. A chamada imprensa negra e a imprensa homossexual tiveram papel fundamental na constituição e no desenvolvimento dos denominados movimentos feministas, negros e homossexuais por aqui nos anos 1970/1980. Entre os mais destacados jornais feministas citamos Brasil Mulher e Nós Mulheres, na década de 1970, e Mulherio, dos anos 1980. Dos jornais ligados ao movimento negro no Brasil se destacaram Tição, Simbá e Koisa de crioulo.

Em meio a tais grupos, outros existiam em termos de vozes surdas. Oficiosamente traziam, em suas ocultações, um toque de que havia muito mais a ver. Eram muitos corpos sociais autônomos da pós-escravidão que se estruturavam como formas empáticas de associação. Não eram culturas institucionalizadas, mas formas culturais, diríamos, sinagelásticas. Definidas por uma solidariedade pautada pela empatia, substitutas da forma normal de um social racionalizado (Maffesoli, 1987, p, 16).

Segundo Michel Maffesoli, nesses grupos “o sexo, a aparência, os modos de vida, até mesmo a ideologia são cada vez mais qualificados em termos (trans... meta...) que ultrapassam a lógica identitária e/ou binária. Em resumo, e dando a esses termos a sua acepção mais estrita, pode se dizer que assistimos tendencialmente à substituição de um social racional por uma socialidade com dominante empático" (1987, p. 17).

Esses grupos que se formavam na marginalidade identificavam pessoas e ações dentro do seu universo social, oriundo de um caldo de cultura paralela à sociedade oficial da cidade do Rio de Janeiro. Formavam, em conjunto, uma atmosfera interna própria, demarcavam seu espaço de poder hierarquizando-o e estabelecendo sistemas de subordinação e proteção. Neles o que predominava era o dispêndio, o acaso, a desindividualização. O embriagado, o ladrão e o fugitivo acabavam na mais profunda marginalidade ou mesmo na exclusão social e sociocultural. Sua força de corpo sociocultural gerava uma forma de potência, oposta ao poder da sociedade tradicional. Dentre suas características, uma delas era a proxemia (Katz, 2003), vida promíscua, analisada por Michel Maffesoli.

A sua área geográfica de domínio – os velhos cortiços, as atuais favelas etc. – exprimia e concentrava os indicativos de sua coesão e força. Era os locais daqueles que pensam e que sentem como nós, no entender de E. Dürkheim (1926, p. 70), porque muitos deles não eram criminantes. Mas também aquelas onde se concentravam as pessoas habituadas a tais maneiras de viver. Segundo Maffesoli, "trocas de sentimentos, discussões de botequins, crenças populares, visões de mundo e outras tagarelices sem consistência que constituem a solidez da comunidade do destino" (1987, p. 19).

A ideia de corpo, nesses grupos, aparece de formas diversas e muitas delas com grau múltiplo de volatilização, como os antigos capoeiras, dentre outros que possuíam uma representação mais definida e consistente: tinham ordem interna e regras que passavam pelo que preferimos denominar universo do consuetudinário. Essas características faziam lembrar que o grupo era antes de tudo um corpo, e este era maior do que a própria individualidade expressada apenas pelo capoeira. Entretanto, o grupismo, como registra Berque, difere do gregarismo ("O grupismo difere do gregarismo no fato de que cada membro do grupo, conscientemente ou não, se esforça, sobretudo, para servir ao interesse do grupo, ao invés de simplesmente, procurar refúgio nele". BERQUE, 1982). Nele, cada membro se esforça para servir ao interesse da corporação, mantendo-a coesa. O elemento crioulo capoeira expressava isso constantemente pelo comportamento. Mesmo vindo de outra malta, como era chamado na ocasião, fazia com que ele acabasse forçado a proceder de acordo com as regras do novo grupo. Acreditamos que os microgrupos de ladrões e outras tipologias aqui abordadas apresentassem graus semelhantes de coesão, porém eram mais voláteis no que diz respeito à durabilidade de sua formação e conduta.

Tomando como base essas características da sociedade paralela e sinagelástica, podemos afirmar que, entre as pessoas que compunham o seu contingente, estavam muitos daqueles que não tinham profissão definida, a não ser na criminalidade, que praticavam e praticam atualmente no jogo do crime-negócio, o do tráfico de drogas moderno, o que também acaba sendo lido comparativamente como atividade subcapítalista e subcapitalizada (Sotto, 2001). Isso pela situação instável em que se encontravam no mercado de trabalho. A cidade do Rio de Janeiro estava apinhada de homens e mulheres desocupados que aguardavam outras atividades paralelas do submundo do crime, da sociedade paralela, do poder paralelo, segundo esse critério (Schmith, 1990, p. 263). Na antiga paróquia do Engenho Velho, antes do século XX encontrávamos um total de 4.750 pessoas nessas condições na fase imperial, sendo o contingente masculino constituído por 2.212 integrantes, enquanto o feminino contava com um número superior, todos sem profissão definida.

Continuando com a movimentação na segunda metade do século, na fase republicana, sobre a imprensa gay, fazemos referência a A gente gay, com direção de Agildo Bezerra, o jornal da Aliança de Ativistas Homossexuais lançado no Rio de Janeiro em 1977. Em 1980 surgia também no Rio O boca da Noite, que dava destaque à questão homossexual e definia-se como um jornal porta-voz dos feios e oprimidos. Tal periódico merece melhor leitura pela Historiografia e pela Sociologia.

Além desses jornais, a imprensa alternativa dos anos 1970 reunia publicações de contracultura, uma das marcas registradas da década, que consagrara, no Rio de Janeiro, um grupo de poetas e literatos que ficaram conhecidos como “poetas de mimeógrafo” e “artistas malditos”.

A imprensa alternativa produziu também revistas e jornais culturais e voltados para o debate de ideias. Entre os mais importantes está O Beijo, que circulou entre 1977 e 1978 no Rio de Janeiro. A melhor classificação para essa publicação, que reunia intelectuais e escritores cariocas, era de jornal político-cultural. Antenado com posturas teóricas de vanguarda, fazia crítica à esquerda tradicional. Outro tipo de publicação interessante, que merece ser lembrado por ser muito representativo da época, foram os jornais e revistas que, respaldados por um discurso psicanalítico, enfatizavam o corpo e a sexualidade. Alguns deles chegavam a se declarar como alinhados a uma “política do corpo”, como a revista Rádice (Rio de Janeiro, 1977 a 1981). Um pouco mais tarde, o jornal Luta e Prazer, editado no início dos anos 1980 no Rio de Janeiro e em São Paulo, continuou a proposta da revista.

Faz parte ainda da chamada “imprensa alternativa” uma extensa lista de jornais do movimento estudantil, publicações da Igreja vinculadas às pastorais e à Teologia da Libertação (como os Cadernos do CEAS, editados na Bahia); jornais ligados à luta indígena (Borduna, Nimuendajú) e as primeiras publicações ecológicas brasileiras (como a Folha Alternativa, publicada em 1979).

A imprensa alternativa e, principalmente, aquele tipo de imprensa porta-voz de grupos e movimentos específicos ou de minorias (numéricas ou políticas) constituem-se em fonte diferente da grande imprensa. Não têm a mesma sistematicidade, não têm a mesma tiragem, não têm o mesmo público. Não têm o mesmo padrão de notícias nem a mesma forma de apresentação. Não se preocupam em cobrir os acontecimentos diários nem têm a mesma estrutura financeira. Na sua especificidade, esse tipo de imprensa constitui uma fonte privilegiada para a história das mentalidades. Ela traz muito das ideias e da visão de mundo dos grupos que representa. A análise de seus artigos, editoriais e reportagens revela-se extremamente rica para a história das ideias. Se essa imprensa não esclarece acerca do que realmente representaram, no cenário político da época, esses movimentos (dado que só pode ser avaliado pelo confronto com informações de outras fontes, inclusive da chamada grande imprensa), ela nos dá, em contrapartida, a visão desses movimentos sobre eles próprios, a sociedade e a época em que viveram.

Além disso, a imprensa alternativa traz, com cores fortes, o clima intelectual da época, os principais debates dos anos 1970 (e até do início da década de 1980), as questões políticas e teóricas, as grandes polêmicas, as tendências artísticas e culturais. Da dívida externa à reforma agrária, das grandes campanhas nacionais (como a luta pela anistia, por eleições livres e diretas, pela constituinte, contra a carestia) ao boom da literatura latino-americana, dos debates sobre o aborto e sobre a sexualidade à luta contra a tortura, a imprensa alternativa é, na verdade, um tipo de fonte que ainda não teve todo o seu potencial explorado pelos historiadores da cultura e da política brasileira contemporânea.

A contribuição da história oral

Outro tipo de procedimento metodológico que tem se revelado bastante rico para o estudo do tempo presente é aquele desenvolvido pela história oral. Os historiadores têm utilizado, em larga medida, determinados procedimentos como entrevistas, relatos autobiográficos, depoimentos pessoais, histórias de vida etc., técnicas de pesquisa que, até os anos 70, eram recursos específicos de antropólogos em seus trabalhos de campo. Nos últimos anos, elas têm contribuído indistintamente para historiadores, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos e outros pesquisadores, criando um campo interdisciplinar, um campo fecundo que busca compreender o homem em sua dimensão social e histórica a partir de seu relato vivo, sua memória e sua oralidade.

No Brasil, o Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV) foi pioneiro nesse trabalho criando, na década de 1970, um setor de história oral. A partir daí, outros centros desse tipo têm sido criados junto a universidades e instituições de pesquisa: arquivos de memória, acervos de entrevistas etc. Um tipo de documentação que se expressa na oralidade e que se registra pela fita de gravador (mais recentemente, também pela fita de vídeo).

Antropólogos e sociólogos já estavam mais afeitos a essas técnicas, que significaram para o historiador uma grande novidade. Acostumados a trabalhar com os “mortos” e seus registros, os historiadores passaram a poder trabalhar com os “vivos” e a organizar, para a posteridade os registros desses personagens ainda vivos, na forma de gravações de entrevistas e depoimentos. Um novo tipo de acervo começou a ser criado nas universidades e centros de estudos históricos: os acervos de história oral.

A história oral se cruza muito frequentemente com as histórias de vida, com as análises de trajetórias e com as biografias coletivas. No entanto, é importante ressalvar que os estudos biográficos não se prendem necessariamente à oralidade e recorrem a outras fontes. Por outro lado, a história oral (como conjunto de procedimentos que valorizam a coleta de fontes orais numa pesquisa histórica) não se volta obrigatoriamente para a construção ou reconstrução de histórias de vida singulares ou coletivas. Essas duas modalidades de pesquisa e de narrativa são independentes.

O casamento entre história oral e histórias de vida permite a valorização da oralidade como fonte, como registro e como linguagem – com o mesmo status da linguagem escrita. É importante lembrar que a “história de vida” apresenta algumas armadilhas para o pesquisador que a utiliza como fonte e narrativa. Bourdieu faz esse alerta num artigo intitulado A ilusão biográfica (1986). A entrevista recompõe a história de vida (récit de vie) como uma história, segundo uma ordem cronológica, com princípio, meio e fim bem definidos e quase sempre com um sentido, um objetivo claro. Ora, as vidas humanas raramente têm essa organização, essa racionalidade. “Produzir uma história de vida, tratar a vida como uma história, isto é, como o relato coerente de uma sequência de acontecimentos com significado e direção, talvez seja conformar-se com uma ilusão retórica”. Para escapar dessa ilusão, Bourdieu propõe a noção de trajetória “como uma série de posições sucessivamente ocupadas por um mesmo agente (ou um mesmo grupo) num espaço que é ele próprio um devir, estando sujeito a incessantes transformações”. Ou seja, uma trajetória (noção que substituiria a ideia de “história de vida”) só pode ser compreendida a partir de um quadro de interações sociais. A trajetória de um indivíduo é avaliada a partir do confronto com outros indivíduos num determinado momento e contexto (o conceito de “campo”, em Bourdieu).

Apesar das armadilhas apontadas por Bourdieu, é inegável a ampliação de horizontes da pesquisa histórica produzida pelo conjunto de procedimentos ligados à organização e à análise de fontes orais. Paul Thompson, em seu livro A Voz do Passado, faz uma avaliação do uso das fontes orais pelo historiador e sugere que “no sentido mais geral, uma vez que a experiência de vida das pessoas de todo tipo possa ser utilizada como matéria-prima, a história ganha nova dimensão”.

Entre os vários tipos de procedimentos existentes na História Oral gostaríamos de destacar como os relatos são utilizados na metodologia proposta por Franco Ferraroti em seu livro Histoire et histoires de vie - le méthode biographique dans les sciences sociales (1983). No prefácio à edição francesa, Georges Balandier chama a atenção para algumas das características mais interessantes do trabalho de Ferrarotti: a relação entre a história e as múltiplas histórias de vida individuais e a possibilidade que daí decorre de “ler uma sociedade através de uma biografia”. Balandier situa o método de histórias de vida proposto por Ferrarotti como uma retomada de procedimentos de pesquisa mais antigos – o método de biografias dominou a Sociologia e a Antropologia nos anos 1920 e 1930, sendo depois substituído por técnicas de pesquisa mais quantitativas; gráficos e tabelas tomaram o lugar dos longos depoimentos e das histórias de vida. Mas certo esgotamento desses métodos e técnicas trouxe de volta, para muitos pesquisadores, a importância das biografias e das histórias de vida. Para Balandier, “a crise dos métodos quantitativos e das grandes elaborações teóricas justificam a retomada de antigos procedimentos”.

Ferrarotti apresenta seu método como uma alternativa aos métodos quantitativos, propõe-se a dar uma base teórica ao método biográfico, mas o utiliza no plural. Diz ele que o método biográfico é utilizado para um indivíduo, para a elaboração de biografias individuais. Essa escolha esconderia um equívoco: a ideia do indivíduo como átomo social, unidade básica fundamental da Sociologia. Na verdade, o indivíduo não é esse elemento mais simples. O indivíduo, enquanto tal, é uma síntese complexa de várias relações. A unidade mais básica da Sociologia seria, então, o grupo social. Seu método de histórias de vida volta-se para a construção de biografias de grupo. Ele apresenta sua maior riqueza e seu maior potencial ao mostrar que as múltiplas histórias de vida particulares de uma época, de uma geração, de um lugar, se inscrevem nos limites e das possibilidades de uma História mais geral e que cada uma dessas múltiplas histórias particulares interpreta, a seu jeito, a História e sua relação com ela.

Mais do que apresentar qualquer dado conclusivo, buscamos neste texto abrir um campo de investigação para a história política contemporânea, voltado para o estudo da experiência das esquerdas brasileiras, por meio de procedimentos específicos: o uso da imprensa alternativa e da metodologia da história oral. Definir esse campo de estudos, esse objeto e a implementação desses procedimentos metodológicos pode contribuir para uma história mais próxima da vida das pessoas e, sobretudo, para uma determinada concepção de história política (a oficial e a institucional, a vista como gesto cotidiano, a práxis no sentido gramsciano); como uma atividade que mobiliza homens e mulheres comuns, que transforma suas vidas, que age em seus sentimentos (não apenas em seus interesses). Grupos independentes, organizações dissidentes, movimentos de minorias políticas, jornais alternativos, entrevistas com personagens que muitas vezes se emocionam ao falar de suas vidas, de sua luta contra o regime militar, de suas experiências na prisão, sua saída, sua volta do exílio, no exílio ou na clandestinidade.

Conclusão

Não é possível separar apenas as pessoas de “perfil respeitável”. Ignorar os demais habitantes da cidade, condená-los à “história do esquecimento” é sem dúvida uma irresponsabilidade. Aqueles considerados “de baixa renda” no nosso país precisam ser vistos com mais cuidado, pois, embora sejam uma imposição do jogo capitalista, eles não estão assim por opção própria. Mas a nossa história de escravidão comprova sua presença dentro de uma vil reverberação de pobreza e miséria em favelas de nossos centros urbanos acidentados geograficamente, principalmente o carioca.

Permitir a permanência dessas pessoas na miséria é, sem dúvida, uma prova de insensibilidade declarada, é nos tornarmos autistas para essa realidade, de que não fomos promotores nem alimentadores. Existe a possibilidade de avançarmos para a construção do mundo de cérebros de obras, principalmente na área acadêmica. Realizá-la é tarefa de nosso volitivo, efetiva e coletivamente! Ir a luta é uma necessidade imperiosa, pois sabemos que ainda temos frutos desses aproximadamente quatro séculos de escravidão, de chicote e pelourinho, que se reverberam por uma ainda mal escrita pós-escravidão como tivemos. Se pretendemos uma inclusão social a mais perfeita possível, não devemos descansar; sabemos que é tarefa de todos, mas, principalmente da educação.

Referências

AARÃO REIS, Daniel Filho; MORAES, Pedro de. 1968: A Paixão de uma Utopia. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1988.

AARÃO REIS, Daniel Filho; SÁ, Jair Ferreira de. Imagens da Revolução. (Documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971). Rio de Janeiro: Marco Zero, 1985.

ABREU, Alzira Alves de. Intelectuais e guerreiros. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1992.

ANDERSON, Perry; CAMILLER, Patrick (org.). Um mapa da esquerda na Europa Ocidental. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

ARENDT, Hanna. Sobre a Violência. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994.

BARCELLOS, Caco. Abusado: o dono do Morro Dona Marta. Rio de Janeiro: Record, 2003.

BAVKAR, Evgen. Espelho partido da história. In: NOVAES, Adauto. O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

BÉDARIDA, François. Temps présent et présence de l’histoire. In: BÉDARIDA, François. Écrire l’histoire du temps présent. Paris: CNRS, 1992.

BERQUE, A. Vivre l'espace au Japon. Paris: PUF, 1982.

BERMAN, Paul. A tale of two utopias. The political journey of the generation of 1968. New York: Norton, 1996.

BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda. São Paulo: Ed. UNESP, 1995.

BOURDIEU, Pierre. L’illusion biographique. Actes de la Recherche en Sciences Sociales. Juin, 1986.

BRANDÃO, Gildo Marçal. Esquerda positiva. As duas almas do Partido Comunista 1920-1964. São Paulo: Hucitec, 1997.

BRASIL. ARQUIVO Nacional. Setor de Microfilmes. Relatório Ministerial. Ministério da Justiça do Império. Rio de Janeiro, 4/10/1884.

CHARTIER, Roger. Le regard de l’historien moderniste. In: CHARTIER, Roger. Écrire l’histoire du temps présent. Paris, CNRS, 1992.

D’ARAUJO, Maria Celina; SOARES, Gláucio Ary D.; CASTRO, Celso. A volta aos quartéis. A memória militar sobre a abertura. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995.

DÜRKHEIM, E. De la division du travail social. Paris: Alcan, 1926.

FERRAROTI, Franco. Histoire et Histoires de Vie - la méthode biographique dans les sciences sociales. Paris: Librairie des Meridiens,1983.

FERREIRA, Marieta de Moraes; AMADO, Janaína. Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1996.

FERREIRA, Elisabeth F. Xavier. Mulheres - militância e memória. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1996.

FORRESTER, Viviane. O horror econômico(Trad. Álvaro Lorencini). São Paulo: Ed. da Unesp, 1997.

GABEIRA, Fernando. O que é isso, companheiro? Rio de Janeiro: Codecri, 1979.

GREGORI, Maria Filomena. Viração: experiências de meninos nas ruas. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. a esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. São Paulo: Ática, 1987.

HOBSBAWM, Eric. Tempos interessantes: uma vida no século XX. Trad. S. Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

KATZ, Helena. A dança, pensamento do corpo. In: NOVAES. Adauto. O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e revolucionários – nos tempos da imprensa alternativa. São Paulo: Scritta, 1991.

RÉMOND, René. Penser le temps présent - écrire l’histoire du temps présent. Paris: CNRS,1992.

RÉMOND, René. Por uma História política. Rio de Janeiro: UFRJ/FGV, 1996.

MAFFESOLI, Michel. O tempo das tribos: o declínio do individualismo na sociedade de massas. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.

MAFFESOLI, Michel. Dinâmica da violência. São Paulo: Vértice. 1988.

PANDOLFI, Duce. Camaradas e companheiros. História e memória do PCB. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995.

____________ (org.). Vozes do século. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

SCHMITH, Jean-Claude. A história dos marginais. In: LE GOFF, Jacques. História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

SIRKIS, Alfredo. Os carbonários. Rio de Janeiro: Record, 1998.

SADER, Emir. Anjo torto. Esquerda (e direita) no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1995.

THOMPSON, Paul. A voz do passado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

VIEIRA, Claudio. A história do Brasil são outros 500. Rio de Janeiro: Record, 2000.

IMPRENSA: Catálogo de Imprensa Alternativa. Org.: Leila Miccolis. Centro de Imprensa Alternativa e Cultura Popular. Fundação RioArte. Rio de Janeiro, 1986.

Biblioteca Nacional. Setor de Manuscritos. Recenseamento do Brazil em 1872 (Município Neutro). Rio de Janeiro.

Publicado em 2 de outubro de 2012.

Publicado em 02 de outubro de 2012