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Os jornaleiros vendem alguns tesouros

Alexandre Rodrigues Alves

Uma das coisas mais atraentes numa banca de jornal é a variedade de revistas. Pelas cores das capas, pelos variados títulos, pelas diferentes programações visuais. É uma diversidade que não se encontra, por exemplo, numa farmácia, numa loja de peças ou mesmo entre os jornais. Talvez num supermercado.

E não foram incluídas nessa diversidade as revistas que são distribuídas exclusivamente a assinantes ou associados de uma entidade – um conselho regional ou uma entidade de classe, por exemplo.

Dentro dessa incrível variedade, percebo que atualmente vem se destacando um segmento bastante interessante para nós, professores: as revistas voltadas para educação, para a educação brasileira, de maneira geral ou para temas de campos específicos do saber.

Um dos segmentos mais explícitos dessas revistas é aquele de publicações focadas no aluno ou concurseiro diretamente, como Guia do estudante, Português para concursos e suas concorrentes. As revistas desse grupo não possuem periodicidade definida, da mesma forma que algumas edições especiais de revistas especializadas – Como funciona a Maçonaria ou Os educadores do século XX.

Outro grupo está voltado para as publicações que adotam padrões visuais, de linguagem e de forma do jornalismo para tratar de fatos ligados mais explicitamente à ciência, como a passagem de um cometa ou como funcionam as armas químicas – em alguns casos indo visivelmente para o sensacionalismo. É o caso de títulos como Super Interessante e Galileu, ou, com artigos num nível mais aprofundado, Scientific American Brasil. Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças, estas duas últimas publicadas sob a chancela da SBPC. Nesse segmento, que tem como público-alvo os leitores em geral, nasceram algumas publicações derivadas das revistas semanais de informação, como Carta na Escola.

Um terceiro segmento de revistas trata de questões e práticas realizadas no ambiente escolar, de forma abrangente, como Nova Escola, Ensino Superior, Revista do Professor, Gestão Escolar e Educação, entre outras.

Há ainda um quarto segmento que também está próximo aos temas educacionais: as revistas técnicas, como Eletrônica Moderna ou Cekit, por exemplo, ou aquelas voltadas para médicos (inclusive as segmentadas pelas especialidades médicas), psicólogos, jornalistas, administradores e financistas, entre outras profissões, que mantêm o padrão jornalístico de seus textos, projetos gráficos etc.

Existe outro grupo de revistas: as que procuram tratar atualidades ou temas com enfoque aprofundado, que servem para o docente conhecer melhor alguns assuntos específicos – que ele muitas vezes pode trabalhar em suas aulas.

A Revista de História da Biblioteca Nacional, uma das desbravadoras desse segmento, vem publicando dossiês sobre assuntos bastante atraentes, como “Guerrilha no Brasil”, “Somos todos índios”, “Guerra do Contestado”, “D. Pedro II”; ali vários autores abordam aspectos diferentes do mesmo tema. Mais ou menos na mesma direção vão publicações como História Viva, Leituras de História e Aventuras na História.

Na área de Geografia, além da tradicional National Geographic – que tem seu ponto forte mais nas fotografias do que nos textos e informações –, são comercializadas a Geo e a Geografia – Conhecimento Prático, que trazem matérias que aproximam os estudos da Geografia de fatos da atualidade, como urbanismo em favelas ou a relação com a arte popular.

Os estudos de Língua Portuguesa e Literatura estão presentes em diversas revistas; Língua, Conhecimento Prático de Língua Portuguesa, Nossa Língua e Literatura, entre outras, têm características semelhantes; ainda que usem recursos e terminologia específicos desse campo do conhecimento, trazem textos que permitem que um leitor leigo (mas interessado) entenda, por exemplo, o valor literário das letras de Paulinho da Viola.

Além dessas, Sociologia e Filosofia também têm suas revistas especializadas, que seguem a mesma lógica de mercado: trazer aspectos e assuntos do dia a dia para serem problematizados por professores e pesquisadores das respectivas áreas. O mais surpreendente (no sentido positivo) é a existência da revista Cálculo, cujo slogan é “Matemática para todos”. Certamente é uma forma de desmistificar esse assunto.

Essas são revistas que têm tudo para ser úteis para o professor de História, Geografia, Língua Portuguesa, Sociologia, Literatura, Filosofia e Matemática (e mesmos para professores de outras disciplinas), porque oferecem assuntos que certamente são atraentes aos alunos (inclusive por estarem presentes nos noticiários), numa abordagem agradável e sem o ranço do livro didático.

Claro que eu não quis tratar aqui dos espécimes mais numerosos numa banca de jornal tradicional – revistas de fofocas, vida dos ricaços ou sobre programação de TV –, pois acho que professores não têm lá muito interesse nessas revistas, a não ser quando esperam pelo cabeleireiro ou pelo dentista.

Publicado em 28 de maio de 2013.

Publicado em 28 de maio de 2013