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Manual prático de bons modos em livrarias

Mariana Cruz

Uma livreira cheia de graça

Imagem da página inicial do site
http://manualpraticodebonsmodosemlivrarias.blogspot.com.br

O Manual prático de bons modos em livrarias é daqueles blogs que você começa a ler uma postagem para distrair e quando vai ver acabou lendo tudo. O Manual tem várias funções. Uma delas, como o próprio nome diz, é ensinar a clientela sem modos que aparece no estabelecimento a se portar direito. Ao relatar situações cotidianas – e verídicas – que acontecem em uma livraria a autora mostra como há pessoas sem um pingo de educação; tratam o livreiro como se fosse um “empregadinho particular”, não dão “bom dia”, “boa tarde” e, ao perguntar sobre um livro, não pedem “por favor” nem agradecem quando têm seu pedido atendido. Assim, em vários dos diálogos reproduzidos, ela coloca observações bem espirituosas sobre como as pessoas devem falar para serem minimamente gentis.

A autora se denomina Hillé Puonto (pseudônimo que ela explica na entrevista); com humor sutil, faz comentários divertidíssimos não só das patadas dos clientes como dos equívocos que comentem ao pedir determinado autor (Michel Foucault, por exemplo, já foi procurado como Michel Fogão) ou livro (“Quando night shit chorou”, no lugar de “Quando Nietzsche chorou”). Muitas postagens vêm com fotos ou links para vídeos que tornam a situação narrada ainda mais hilária. Engraçadas também são as observações que estão no final de cada post.

Hillé muitas vezes lança mão uma linguagem bem tosca para brincar com os equívocos cometidos e a falta de noção dos clientes. Mas o blog não chama atenção somente para a falta de educação dos clientes. Também acabamos conhecendo e relembrando um monte de livros, desde os clássicos até os best sellers da vez, que muita gente compra só para “ficar por dentro”.

Mas não é só o cliente que é posto na berlinda. Muitas vezes o próprio livreiro é apontado pelos furos que comete, como no caso do cliente que pediu um livro do Rimbaud e o livreiro foi até o computador e perguntou: “como se escreve? Rambo, como o rambo do filme?”.

Outro post curioso é o que mostra as perguntas que o livreiro é obrigado a responder diante da confusão que muitas pessoas fazem a respeito do que a livraria vende. Lá estão as coisas mais inimagináveis, como aparelho nasal, sabonetes, fôrma de bolo e aspirador de pó, entre outras coisas. O post sobre as respostas possíveis diante da pergunta “moça, o que precisa para trabalhar em livraria?” é imperdível; as respostas dadas pelos livreiros foram tão originais que teve até uma vencedora.

O blog traz também o Sebinho da Hillé, onde ela vende diversos livros (só os que estão disponíveis no blog, ela não trabalha com encomenda), sem custo de frete ou envio. Pelos comentários dos comparadores, os livros chegam em perfeito estado.

O blog Manual prático de bons modos em livrarias é uma ótima forma de se divertir, instruir, rir, quem sabe adquirir um livrinho e, principalmente, aprender a dar “bom dia” quando entra em algum estabelecimento!

Publicado em 13 de agosto de 2013

Publicado em 13 de agosto de 2013