Paulo Freire

Priscila Maria Romero Barbosa

Pedagoga, orientadora educacional e especialista em Educação Especial e Inclusiva

Paulo Freire tornou-se conhecido e valorizado mundialmente principalmente por trabalhar com a alfabetização de adultos e desenvolver um pensamento pedagógico político que visa conscientizar o aluno, torná-lo crítico (Ferrari, 2008).

Freire concebe a Educação como prática dialógica. Afirma que a relação entre linguagem, pensamento e mundo é dialética (diálogo), processual e contraditória.

Criticava o ensino da maioria das escolas burguesas, comparando-o a um depósito bancário, uma vez que tais instituições só se preocupavam em lançar/depositar o conteúdo. O educando, para essas instituições, é simplesmente sujeito passivo, obediente, privilegiado por receber o conhecimento humano construído ao longo do tempo. E nada pode questionar (Ferrari, 2008)!

Para Freire, o papel do educador é produzir o conhecimento, tendo papel diretivo e informativo, sem abrir mão da autoridade. O aluno deve receber os conteúdos, mas nunca como forma absoluta, pois o estudante chega à sala de aula com uma cultura que não deve ser medida com a do professor. Nessa relação dialética, tanto professor como aluno ensinam e são ensinados. “Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. ‘Os homens se educam entre si mediados pelo mundo’, escreveu” (Ferrari, 2008).

Método de alfabetização

O método de Freire se desenvolve identificando e catalogando palavras-chave do cotidiano do aluno – palavras geradoras. Estas devem ter algum significado para o aluno – como, por exemplo, tijolo tem importância para o operário da construção civil.

O professor deverá trabalhar com a palavra escrita e a sua representação visual, sendo decomposta em sílabas – método silábico (Ferrari, 2008).

Podemos afirmar que existem três momentos na pedagogia de Freire:

  1. O professor se inteira do conhecimento do aluno, para saber qual conteúdo deve abordar e trazer a cultura do educando para dentro de sala de aula;
  2. Exploração dos temas em discussão, o que permite que o aluno construa o senso comum e adquira visão crítica da realidade;
  3. Problematização: trabalha-se o conteúdo de forma que possam ser construídas ações (Ferrari, 2008).

Dessa forma, era preciso, sobretudo, haver coerência. "Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se o ironizo, se o discrimino, se o inibo com minha arrogância?" (Ferrari, 2008). Freire afirmava também que a alfabetização dos desfavorecidos rompe a “cultura do silêncio” e transforma a realidade. Os desfavorecidos são “sujeitos da própria história” (Ferrari, 2008).

Referências

FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o mentor da educação para a consciência. Revista Nova Escola, 2008. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/mentor-educacao-consciencia-423220.shtml.

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Publicado em 07 de julho de 2015