Tratando de sustentabilidade em jornais eletrônicos

Any Bernstein

Doutora em Biotecnologia, mestre em Bioquímica (UFRJ) e professora associada da Fundação Cecierj

A Diretoria de Extensão da Fundação Cecierj ofereceu em 2014, para professores que lecionam em áreas correlatas ao meio ambiente, o curso de atualização “Sustentabilidade no contexto das ciências”, com o objetivo de inserir as Ciências Naturais no novo paradigma de sustentabilidade do planeta. O curso trabalhou macrocontextos globais de desenvolvimento sustentável, explorando temas que não estão explicitamente incluídos no currículo mínimo de Ciências, mas que foram discutidos em 1992 e 2012 nas conferências internacionais sobre desenvolvimento sustentável sediadas no Rio de Janeiro (Eco-92 e Rio+20).

A capacitação de docentes numa área multidisciplinar como a Educação Ambiental pretende formar sujeitos ecológicos atentos ao que está ocorrendo no planeta e aptos a trabalhar com seus alunos tendo como foco a preservação do meio ambiente. As atividades propostas visaram ampliar a reflexão do professor sobre as conseqüências da ação humana na desestabilização dos ecossistemas.

Foram selecionados 10 temas para compor a ementa do curso, abordando problemas ambientais ocasionados por mudanças climáticas e pela concentração da população urbana nas megacidades, sob o prisma ambiental, econômico e social, problemas estes que passam pela instalação de polos industriais para produção de insumos, que demandam suprimento de energia e água que, por sua vez, levam à produção de efluentes em larga escala acompanhados da enorme geração de resíduos dos aglomerados urbanos. Em cada tópico levado a discussão ressaltavam-se avanços no desenvolvimento científico tecnológico dentro de um modelo econômico não sustentável e suas consequências no sentido da diminuição da biodiversidade, colapso das cadeias ecológicas, esgotamento dos recursos naturais.

Hábitos culturais de consumo de recursos naturais que influenciam na degradação ambiental do planeta foram avaliados por meio de cálculos da Pegada Ecológica individual. O impacto ambiental causado pelo descarte de resíduos sólidos, a implantação do programa de coleta seletiva de lixo urbano nas escolas e alternativas de soluções sustentáveis – como reciclagem de materiais e logística reversa – foram detalhados, a fim de enfatizar a Educação Ambiental dentro de um conceito de ensino transdisciplinar de Ciências Naturais.

O desempenho dos cursistas foi avaliado em três tipos de atividades:

  • Fóruns de discussão – manifestação de visões individuais sobre temas polêmicos e debate coletivo mediado pelo professor.
  • Desafios/portfólio – produção de vídeos acompanhados de planos de aula para sala de aula.
  • Trabalho final – divulgação científica de estudos de casos sobre desastres ambientais brasileiros para instrumentalizar o professor para a transposição de assuntos sobre meio ambiente para a sala de aula em que o cursista desenvolve uma série de habilidades, como pesquisa, comunicação textual, uso de redes sociais etc.

O trabalho final representa 50% da nota global do aluno; é uma atividade obrigatória, e o cursista tem dois meses para preparar. A média aritmética das demais atividades compõe o restante da nota final. O aluno é considerado aprovado caso consiga média final igual ou maior que 6,0.

Neste artigo divulgamos o resultado do trabalho final sugerido para 2014/1, que foi a seleção de artigos, notícias e informações consideradas interessantes para a elaboração de jornais colaborativos sobre meio ambiente.

Foram oferecidos “modelos” previamente diagramados, disponíveis no sítio da Microsoft para que o cursista aprendesse a organizar as notícias sob o formato de coluna jornalística.

A seguir estão as instruções que os professores receberam.

Confecção do jornal eletrônico

A “linha editorial” de cada jornal foi definida por grupos de “redatores” que escolheram entre os seguintes temas: poluição ambiental da água doce; poluição marinha; contaminação dos solos por agrotóxicos; contaminação do ar; evitando a poluição ambiental com práticas sustentáveis; a implantação da coleta seletiva na escola.

Cada participante contribuía com textos, artigos, ilustrações e vídeos, que eram enviados para o “redator-chefe”, eleito pelos seus pares. Esse redator tinha o trabalho de reunir os artigos, dando formatação final, e enviar para a professora do curso.

A confecção obedecia a quatro etapas.

  • Formação da equipe de redação de cada jornal: cada cursista respondeu a um fórum geral, "iniciando um novo tópico de discussão", informando o tema escolhido.
  • Início dos trabalhos: preparação de planilha com nome dos integrantes e seus e-mails para facilitar contatos entre os redatores que escolheram o mesmo tema. Indicação de "um redator-chefe", que reuniu os trabalhos individuais para dar certa unidade ao jornal para postá-lo ao final.
  • Pesquisa bibliográfica: cada integrante do grupo foi responsável por uma página contendo notícias, vídeos, artigos sobre o cenário brasileiro do tema em questão. Foi recomendada pesquisa bibliográfica em instituições fidedignas, que atestem a veracidade das informações, e que se evitassem fontes secundárias de informação, como notícias veiculadas por blogs pessoais.
  • Confecção do jornal.

Depois de distribuídos em grupos, os cursistas comunicavam-se por e-mail ou redes sociais, trocando textos. Próximo ao fim do prazo, os trabalhos individuais foram enviados para o redator-chefe, que os reuniu e colocou os créditos.

Foram aceitos também alguns jornais produzidos em outros formatos, como Word ou PowerPoint.

A primeira pagina, incluindo a escolha do título temático do jornal, ficou a cargo do redator-chefe e continha a chamada dos artigos individuais e os nomes dos integrantes da equipe de redação. Os textos completos eram apresentados nas páginas subsequentes, não havendo limite de páginas. A bibliografia e os links contendo o texto completo das notícias estavam no corpo do jornal.

Resultado final

Dos dez jornais colaborativos apresentados, selecionamos três para publicação aqui, pela coerência das notícias com o tema do jornal, pela qualidade dos textos, pela atualidade científica e a citação de fontes bibliográficas.

Os cursistas avaliaram a atividade em um questionário online, ao final do curso; 90% deles consideraram trabalhosa a elaboração do jornal, mas ressalvaram que aprenderam muito ao longo da atividade.

Pela qualidade dos trabalhos apresentados, podemos perceber que os cursistas apresentaram um crescimento profissional intenso ao longo do curso, aprendendo não só ciências ambientais, mas também a diferenciar formas de veiculação da divulgação científica. Esse tipo de atividade instrumentaliza o professor e pode ser levado para sala de aula com grandes chances de sucesso.

Os três jornais que se destacaram são:

  • Informativo sobre o Mar, produzido pelos cursistas Alexandre S. Lobato, Lisiane Strolego, Rozeli Pereira, Juliana Teixeira e Cristiane da Silva Alves.
  • Biocombustíveis, editado pelas cursistas Thamires Brazil Martins, Isabela Cristina e Miriam Medeiros Monteiro.
  • Saúde e sustentabilidade, preparado pelos cursistas Laiane Souto, Inayna Sabas e Amanda Freitas.

Publicado em 10 de fevereiro de 2015

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