Trava-línguas

Patricia Marins Pereira

Professora da Escola Municipal Maria Joaquina de Abrantes, em Lastro-PB

Francisco Danilo Duarte Barbosa

Orientador

O presente texto tem por finalidade de apresentar um relato de experiência vivenciado numa turma multisseriada composta por nove alunos de 4 a 13 anos, sendo dois alunos do pré-escolar, uma aluna do 1° ano, cinco alunos do 3° ano e um aluno especial do 5° ano. Essa turma estuda na Escola Municipal Maria Joaquina de Abrantes, localizada na cidade do Lastro, no sítio Algodões.

Essa experiência surgiu a partir do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa; durante a formação, o orientador sugeriu que, no caderno de atividade 3 – Educação do Campo, com o tema Apropriação do Sistema de Escrita Alfabética e a Consolidação do Processo de Alfabetização em Escolas do Campo, na parte de compartilhamento fosse elaborado um plano de aula.

A partir da leitura dos relatos de experiência citados no caderno de atividade, decidi elaborar um plano de aula com o tema Trava-línguas, com os seguintes objetivos:

  • desenvolver habilidades de leitura e escrita;
  • conhecer o que são trava-línguas;
  • desenvolver a consciência fonológica, por meio da exploração das iniciais das palavras;
  • pesquisar alguns travas-línguas.

Com esse tema, abordei os seguintes conteúdos: trava-línguas, letra inicial, vogais e consoantes e produção de trava-línguas.

Descrição metodológica

Na primeira atividade, organizei a turma em círculos para iniciar a dinâmica do telefone-sem-fio, que tem como objetivo refletir sobre a importância de transmitir informações de forma verdadeira. Essa brincadeira se inicia com o professor ditando uma frase no ouvido da criança, e esta passará a mensagem para os demais colegas até chegar ao último.

Num segundo momento da atividade, em roda de conversa fomos discutir as frases ditas e apresentar para a turma vários textos trava-línguas. Num cartaz apresentei o conhecido trava-línguas

Paulo Pereira Pinto Peixoto pobre pintor português pintava portas, paredes, portões por parco preço patrão.

Este trava-língua é uma forma de brincadeira com palavras; tinha que ser lido com rapidez; os travas-línguas fazem parte do nosso folclore. Chamei a atenção para a letra inicial, o nome, sobrenome, profissão e a nacionalidade que estavam explícitos.

Em seguida foi feito um desafio para turma: o professor dizia uma letra inicial e os alunos iam dizendo um nome, sobrenome, nacionalidade e profissão. Nessa atividade, o professor era o escriba, por causa dos discentes do primeiro ano e do pré-escolar; na atividade, também foi questionando letras maiúsculas e minúsculas. Dando sequência, foi desenvolvida outra atividade: palavra dentro de palavra – por exemplo, a palavra paredes. A dica é uma placa de trânsito: PARE.

Outra atividade foi procurar no dicionário o significado da palavra parco, que está no trava-língua, e questionar seu significado no texto e na realidade dos discentes. E se trocarmos a primeira letra da palavra parca por m ou b? Quais palavras foram formadas? Qual o novo significado?

Em continuidade, foi sugerida a produção de trava-línguas para consolidar o que foi aguçado na aula. No momento da produção, o professor foi explicando como são construídos: é um texto curto, observando a sequência da letra inicial.

Conclusão

Todas as atividades foram desenvolvidas com êxito, pois os alunos produziram seus trava-línguas, com destaque para o trava-língua da aluna Maria, do 3° ano:

Ricardo Raimundo rasgado roubou a roupa do rei da Rússia e fugiu para Roma de ratoeira.

Desse modo, o professor foi um mediador da aprendizagem; os conteúdos devem ser trabalhados de forma contextualizada, interdisciplinar, transformando os alunos em sujeitos de seus próprios conhecimentos. Devemos também acreditar que nossos alunos são capazes de produzir seus textos.

Publicado em 24 de maio de 2016