Aspectos gerais da ginástica para a Educação Física Escolar

Rodolfo Velasque Freitas de Oliveira

Introdução

Professores de Educação Física possuem diversas maneiras de trabalhar sua metodologia nas aulas, tendo como recursos os materiais, atividades e modalidades de práticas corporais que lhes são disponibilizados, assim unindo o desenvolvimento corporal, disciplina e reflexão. A introdução à ginástica no Ensino Fundamental deve ser tratada como ponto crucial no planejamento de curso do docente, porém considera-se que a ginástica competitiva ou de qualquer outro tipo é tratada como uma modalidade de pouco acesso para a escola, tendo muitas vezes um tratamento de formar atletas de alto rendimento. Diante desse questionamento emergente no ambiente escolar, viu-se a necessidade de colocar em pauta a Educação Física e a ginástica. Por fim, a ginástica, ao longo dos anos, vem perdendo seu valor pedagógico; então, adaptar tais conceitos como forma lúdica e criativa é fundamental para o sucesso de sua aplicação.

No contexto escolar, é possível observar que os professores de Educação Física possuem diversos artefatos, materiais, atividades e modalidades de práticas corporais que podem ser trabalhadas em aula, podendo unir o aprendizado corporal, a disciplina e a reflexão.

A ginástica é uma das mais importantes práticas corporais e deve ter sua compreensão vista como um dos componentes estruturais do plano de curso do docente no Ensino Fundamental.

Tal afirmação é coerente com a influência da atividade gímnica para melhora na qualidade de vida dos alunos, porém também são constatadas as diversas dificuldades encontradas para a realização dessa prática nas escolas. Assim, este estudo permite abordar uma nova visão para a educação física no Ensino Fundamental, visto que a ginástica faz parte dos blocos de conteúdos disponibilizados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 1997).

Souza (1997) defende que a ginástica, como parte de uma manifestação corporal, possui cinco campos de atuação: o saber da competição, o da demonstração, o do condicionamento físico, a da consciência corporal e o da reabilitação. Com isso, cria um vasto campo de possibilidades para ser apresentado na aula de Educação Física.

Pela linguagem corporal pode-se trabalhar toda a cultura em que o aluno está inserido. Sendo assim, do ponto de vista de Daiolo (1995), é possível discutir o corpo como construção cultural, já que cada ser humano se expressa de forma diferente. Porém é possível observar muita dificuldade para a implantação da ginástica, não só por parte do professor de Educação Física, mas também dos administradores de escolas.

Autores como Ramos e Viana (2008) consideram que a ginástica competitiva ou de qualquer outro tipo é tratada como uma modalidade de pouco acesso para a escola, tendo muitas vezes um tratamento de formar atletas de alto rendimento. A partir dessas considerações iniciais, busca-se saber: quais as principais modificações que devem ser realizadas no planejamento de ensino do professor de Educação Física, do Ensino Fundamental, a partir do momento em que a escola proponha a ginástica como componente curricular?

O objetivo acerca do assunto, além de identificar de que forma a ginástica pode ser trabalhada no Ensino Fundamental, é delimitar as principais mudanças criadas por ela, a fim de ajudar o crescimento e desenvolvimento do aluno no Ensino Fundamental.

A pesquisa sobre a forma de trabalho da ginástica dentro do ambiente escolar surgiu a fim de pôr em pauta alguns questionamentos que apareceram dentro do meio acadêmico, espaço de envolvimento do professor e aluno, constatando a sua objetividade na prática em termos pedagógicos, na aquisição de valores cognitivos e afetivos do discente.

Educação Física Escolar

A Educação Física dentro do ambiente escolar deve se preocupar com o desenvolvimento integral dos alunos, considerando seus avanços motores, cognitivos, sociais e afetivos. Vieira (2013) alega que, no entendimento de Gonçalves (1994), essa educação corporal escolar é compreendida como a prática sistemática de atividades físicas, esportivas ou lúdicas, que estabelece relação dialética com outros campos do conhecimento, como a Biologia, a Psicologia, a Sociologia e a Filosofia. A qualidade dessas aulas depende de um conjunto de fatores que podem estar relacionados aos recursos financeiros das instituições e competência pedagógica dos professores, entre outros. Contudo, tais fatores podem interferir na motivação, interesse e participação dos alunos nessas práticas, gerando um quadro em que muitas vezes os alunos não se sentem atraídos pelas atividades.

A escola como instituição social visa, segundo Saviani (2008), a transmissão dos conhecimentos produzidos e acumulados pelos homens ao longo da história da humanidade. Dentro da escola, as atividades físicas foram, durante muito tempo, vistas como hora de lazer ou momento de trabalhar o corpo, desenvolvendo suas funções físicas, melhorando uma concepção dicotômica de corpo e mente. Mas, atualmente, por força de lei, a Educação Física é considerada disciplina integrante do projeto pedagógico da escola. Com isso, agrega à escola conhecimentos corporais historicamente produzidos e socialmente acumulados como proposta pedagógica.

Essa proposta pedagógica está inserida no projeto político pedagógico (PPP) das escolas, segundo a Lei de Diretrizes e Base de Educação Brasileira (Brasil, 1996) e tem por questão obrigatória proporcionar a todos os alunos, desde os primeiros anos de ensino, o conhecimento acerca da cultura corporal.

A prática corporal, de modo geral, dentro das escolas, tem como objetivo central diversificar, humanizar e democratizar o desenvolvimento pedagógico da área, buscando a ampliação da Educação Física Escolar, de uma ciência apenas biológica para um trabalho que inclua dimensões afetivas, cognitivas e socioculturais.

Assim como descrito nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física – PCN (Brasil, 1997), estas práticas incorporam, de forma organizada, as principais questões em que o professor deve se basear no desenvolvimento de seu trabalho, subsidiando as discussões, os planejamentos e seus métodos avaliativos para a Educação Física. Nesse documento estão inseridos os blocos de conteúdos, componentes que servem de base para o professor desenvolver seu plano de curso no Ensino Fundamental.

Dentro desses blocos se localizam as ginásticas, que são caracterizadas como técnicas de trabalho corporal que assumem um caráter individualizado com finalidade, por exemplo, de relaxamento ou preparação para outras modalidades, também para manutenção ou recuperação da saúde ou ainda, de forma recreativa, competitiva ou de convívio social.

Esses conteúdos têm ligação muito forte com o bloco "conhecimentos sobre o corpo", pois nas atividades ginásticas esses conhecimentos se explicitam com bastante clareza. Hoje existem várias técnicas da ginástica que fogem dos exercícios mecânicos e repetitivos visando à percepção do próprio corpo. Assim, busca-se ter consciência da respiração, perceber relaxamento e tensão dos músculos, sentir as articulações da coluna vertebral.

História da ginástica

Essa temática chamada ginástica vem, desde o seu surgimento, sendo transformada, existindo há muito tempo como forma de obter força, corpos saudáveis e ágeis. Darido e Rangel (2005) explicitam que o termo “ginástica”, nos dias atuais, tem objetivo diferenciado das formas de aplicação dessa atividade física ao longo da história. Mas é quando seu conteúdo é implantado no ambiente escolar como conteúdo nas aulas de Educação Física, descrita como "ginástica escolar", que essas transformações se aplicam.

A Ginástica passou por um processo amplo de mutação. Na Antiguidade, não se conhecia a palavra ginástica, e os autores afirmam que os exercícios físicos tiveram várias características e manifestações, como educação corporal, eficiência fisiológica, terapêutica, estética e moral, sem perder o cuidado com a preparação militar.

Para Bourgeois (1998), citado por Vieira (2013), a palavra ginástica veio do grego gymnastiké, arte de fortificar o corpo e dar-lhe agilidade, ou gimnos, que significa nu. Mas, já para o homem pré-histórico, a atividade física tinha papel importante para sua sobrevivência, expressa principalmente na necessidade vital de atacar e defender-se. O exercício físico utilitário e sistematizado de forma rudimentar era transmitido através das gerações e fazia parte dos jogos, rituais e festividades. Na Antiguidade, principalmente no Oriente, os exercícios físicos apareceram nas várias formas de luta, na natação, no remo, no hipismo, na arte de atirar com o arco, como exercícios utilitários, nos jogos, nos rituais religiosos e na preparação militar de maneira geral.

Entende-se a ginástica como forma de trabalho corporal, realizado em espaço fechado, ao ar livre, na água, com ou sem aparelhos e materiais, com ou sem utilização de musica, proporcionando experiências corporais que visem à conscientização do próprio corpo, suas possibilidades de movimento e a busca de um estilo individual de executá-lo, através de movimentos ritmados, alegres, expressivos, com variações dinâmicas, gerais e localizados.

Voltando-se para o universo escolar, o movimento ginástico europeu teve grande influência na prática de exercícios físicos como elemento educativo. A criação dos métodos ginásticos durante o século XIX é fruto dessa influência. Conforme Soares (1994), a partir de 1800 surgiram na Europa, em diversas regiões, formas distintas de encarar os exercícios físicos, tratando dos métodos ginásticos. Esse autor ainda relata que tais métodos correspondem, respectivamente, aos quatro países que deram origem às primeiras formas sistematizadas sobre a ginástica nas sociedades burguesas: Alemanha, Suécia, França e Inglaterra.

Foi então nesse período que começou a ser tratada como ciência, e esse estudioso afirma que o movimento ginástico pode ser pensado como o conjunto sistematizado pela ciência e pela técnica. Alega que a ciência e a técnica chegaram para criar a firmação da ginástica como instrumento de aquisição de saúde, deformação estética e de treinamento do soldado.

O autor relata que, no Brasil, o seu começo aconteceu em diferentes momentos ao longo do tempo. A primeira influência foi a do método alemão, que chegou ao país em 1860, com a chegada de muitos imigrantes alemães que tinham naquela atividade um hábito de vida em seu país. Permaneceu como oficial da escola militar até 1912, quando chegou ao pais o método sueco, que teve como grandes defensores Rui Barbosa e, décadas mais tarde, Fernando de Azevedo. Todos esses aplicaram a ginástica sueca de caráter pedagógico.

Continuando com a linha de raciocínio, foi o método francês, criado por Francisco Amoros em 1850, que mais teve destaque. Implantado no Brasil em 1921, foi oficialmente inserido no âmbito escolar brasileiro, sendo integrado ao currículo das escolas primárias e obrigatório nas escolas normais, com os professores preparados ou não para ministrar as aulas. Com esses trabalhos, grandes estudiosos da Biologia, Fisiologia, médicos se envolveram com a problemática do exercício físico. Dentre esses estudiosos se destaca George Dameny, médico higienista, que posteriormente foi citado por Rui Barbosa e Fernando de Azevedo.

A trajetória da história da ginástica no Brasil, com seus diferentes métodos ginásticos europeus, teve grande influência para a criação da disciplina Educação Física Escolar no país, apesar de muitas vezes na atualidade ser esquecida pela rede de ensino. O que Ayoub (2007) deixa claro em suas pesquisas é que todos esses anos se passaram, desde as primeiras sistematizações sobre a ginástica cientifica, e ainda em pleno século XXI é possível observar que, no processo de educação e reeducação do corpo, essas sistematizações ainda são claramente vistas nas imagens da ginástica e do esporte na atualidade.

Ginástica nas aulas de Educação Física no Ensino Fundamental

Para se obter o resultado desejado relativo à introdução da ginástica no Ensino Fundamental, dentro das aulas de Educação Física, deve-se levar em consideração todo o trabalho que está sendo desenvolvido em paralelo ao objetivo central. Aceitar a relevância de cada movimento aprendido pelo aluno e conseguir aproveitar ao máximo a bagagem cultural que já está previamente enraizada no contexto social daquele determinado ambiente. Reforçando tal ideia, Daiolo (1995, p. 39) cita que "no corpo estão inscritas todas as regras, todas as normas e todos os valores de uma sociedade específica, por ser ele o meio de contato primário do individuo com o ambiente que o cerca". Barcellos (2008, p. 54) complementa dizendo que "as aulas de ginástica envolvem descobertas significativas relacionadas ao domínio do corpo".

Além dos benefícios fisiológicos da atividade física relacionada a ginástica no organismo, as evidências mostram que existem alterações nas funções cognitivas dos alunos envolvidos em atividade física regular. Vieira (2013), ao citar Nieman (1999), diz que essas evidências sugerem que o processo cognitivo é mais rápido e mais eficiente em indivíduos fisicamente ativos, por mecanismos indiretos como a diminuição da pressão arterial e os níveis de colesterol (LDL) no plasma, dos níveis de triglicerídeos e inibição da agregação plaquetária. Continua dizendo que, dentre os efeitos psicológicos, a diminuição da tensão emocional pode ser considerada um dos mais importantes, sendo alguns dos seus mecanismos a curto e longo prazo.

Mesmo depois de todo esse estudo sobre a prática da ginástica em aulas de Educação Física no Ensino Fundamental, tal componente vem ao longo dos anos perdendo seu valor pedagógico, sendo substituído por outras modalidades no ambiente escolar em o todo ensino básico. Como afirma o Coletivo de Autores (1992, p. 76), “a ginástica, desde suas origens como a 'arte de exercitar o corpo nu', englobando atividades como corridas, saltos, lançamentos e lutas, tem evoluído para formas esportivas claramente influenciadas pelas diferentes culturas”.

Ao se referir ao conhecimento na escola, Almeida (2005, p. 63) diz que "este se expressa na prática pedagógica da sala de aula sob a forma dos processos de seleção de conteúdos ou do conhecimento, da organização, ao longo dos graus de ensino”. Dessa forma, defende que “o conhecimento selecionado para as aulas aparece centrado na especialização ou na preferência do professor por uma determinada temática da cultura corporal (p. 95)”. Assim “a ausência ou negação do conhecimento da ginástica no processo educativo desqualifica a formação humana no que se refere ao desenvolvimento social, cientifico, educativo referente à cultura corporal" (p. 79).

Levando em conta essas indagações ao afirmar que o professor, na maioria das vezes, acaba tendo preferência por optar pela prática de atividades aceitas culturalmente, precisa-se fazer uma discussão da cultura em que não só o aluno, mas o próprio professor e educador físico estão englobados. Com isso, os PCN (Brasil, 1997) definem cultura como o produto da sociedade, da coletividade à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os. O termo “cultura” parece definitivamente fazer parte da Educação Física; para Daiolo (2004), todas as manifestações corporais humanas são geradas na dinâmica cultural desde os primórdios da evolução até hoje.

Todo esse contexto cultural acaba por inibir a prática da ginástica na escola, acarreta deixar o professor em descontentamento com o conteúdo e gera desatualização da matéria. Soares (1996) aborda a necessidade de continuar a estudar os conteúdos. Talvez hoje esteja necessitando estudar ginástica, jogos, danças, esportes e, de posse dessas atividades codificadas pelo homem em sua história, vale-se criativamente de metodologias para conseguir valores mais solidários, que apontem para uma saudável relação entre indivíduo e sociedade e vice-versa.

Com isso, levar todo este conteúdo estratégico para a escola, de forma sadia, e adaptar tais conceitos como forma lúdica e criativa, para que possa ser entendido e interiorizado pelo aluno. Fazendo-o acreditar que o universo das práticas corporais estende-se para além das barreiras culturais encontradas em seu cotidiano.

Metodologia do estudo

A metodologia adotada neste estudo tem por objetivo estabelecer uma análise crítica de artigos científicos. Inicialmente foram realizadas pesquisas com informações retiradas de bases de dados, em sites, selecionando artigos sobre ginástica no Ensino Fundamental. Desses artigos selecionados, três deles foram escolhidos: Possibilidades da ginástica geral no Ensino Fundamental nas escolas municipais de Muzambinho-MG; A ginástica geral no Ensino Fundamental na cidade de Rio Claro/SP: a perspectiva dos alunos; e A ginástica no contexto escolar: da evolução histórica à prática atual. E, para cada um deles, individualmente, será realizada uma crítica.

A ferramenta a ser utilizada é um questionário, organizado por Cunha (2015), já validado por três professores especializados em pesquisa, contendo dezessete questões abertas, cujas respostas deverão conter as respectivas justificativas, independente de serem positivas ou negativas, visando estabelecer a análise de cada um dos três artigos selecionados.

Análise crítica de artigos científicos

Possibilidades da ginástica geral no Ensino Fundamental nas escolas municipais de Muzambinho-MG

Bianca Tibúrcio, Felipe César M. Rocha e Ieda M. S. Kawashita

1. O título do artigo é claro e objetivo?

Sim, o título aborda de maneira eficiente todo o conteúdo pesquisado, especificando o segmento estudado e o local da pesquisa.

2. Possui uma breve introdução, com embasamento científico, justificando a realização do estudo?

Sim. Baseou-se muito do trabalho nos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1997) e relatou a relevância do estudo da matéria.

3. O problema de estudo está bem definido (em forma de pergunta)?

Não. Por entre a introdução foi-se afirmando a necessidade de aplicar a ginástica dentro das aulas de Educação Física e sua dificuldade de implantação, fazendo-se por entender que essa era a grande problemática do artigo.

4. Os objetivos estão bem definidos?

Sim. Dentro da introdução, se observa o parágrafo que relata que o objetivo do trabalho foi verificar os conhecimentos dos alunos do Ensino Fundamental nas séries iniciais sobre o que é Educação Física, ginástica e ginástica geral para possível intervenção prática com aulas de ginástica geral.

5. A justificativa, ou seja, a contribuição que o estudo trará foi explicitada?

Sim. Obtiveram-se respostas significativas sobre qual é o conceito de Educação Física e ginástica para os alunos do Ensino Fundamental, no município de Muzambinho e como é construída uma ideia mais ampla de ginástica, quando há interesse da escola por transmitir esse conhecimento.

6. Foram elaboradas hipóteses ou pressupostos, como respostas provisórias ao problema formulado?

Não. Pela pesquisa de campo, de característica descritiva exploratória, que se embasaram respostas provisórias para a problematização criada. Então se levantaram alguns autores que falam a respeito para dar mais sustentação.

7. Possui referencial teórico, com embasamento científico? Em caso afirmativo, destaque os principais assuntos abordados.

Sim. No início o trabalho se baseou nos PCN (1997) para descrever sobre Educação Física na escola. Depois se passou para a ginástica como conteúdo a ser lecionado e então se abordou a pesquisa de campo acerca desse assunto.

8. No material e métodos existe explicação clara dos exames e testes a serem realizados, bem como a devida justificativa para sua utilização, expondo e explicando os procedimentos que serão realizados?

Fez uso de questionário para coletar informações sobre a Educação Física e a ginástica. Como instrumento, utilizou-se um questionário com seis questões abertas, com o intuito de não direcionar as respostas.

9. Existe cálculo do tamanho da amostra e justificativa do tamanho definido?

Sim. A amostra foi composta por dois grupos, sendo o primeiro composto por 21 alunos (nove meninos e doze meninas) escolhidos aleatoriamente, da Escola Municipal Frei Florentino, na cidade de Muzambinho, com idade entre sete e oito anos, e estão cursando o 2º ano do Ensino Fundamental no período matutino; o segundo grupo é composto por 26 alunos (quatorze meninos e doze meninas), escolhidos aleatoriamente, da Escola Municipal Francisca Bianque, na mesma cidade, com idade entre oito e nove anos, e estão cursando o 3º ano do Ensino Fundamental no período matutino.

Para que os dados pudessem ser coletados, foi assinado o Termo de Consentimento e Livre Esclarecimento (TCLE) pelas diretoras das escolas e pelos pais ou responsáveis dos alunos; no TCLE constava o tipo de trabalho que seria feito, a duração e o objetivo.

10. A forma de recrutamento dos sujeitos está clara, ou seja, os critérios de inclusão e exclusão dos participantes da amostra estão bem definidos?

Não. No artigo não se explicitou o critério de escolha, apenas localizou a escola e os sexos dos alunos.

11. Há indicação das ferramentas de pesquisa a serem utilizadas na coleta e análise de dados? Em caso afirmativo, destaque os principais resultados.

Sim. Em forma de questionário com seis questões, em que o Grupo 1 acredita que a Educação Física seja, na maioria das vezes, o movimento corporal. O que mais gosta de fazer nas aulas é brincar, e a ginástica para o grupo é, em grande parte, dançar.

Para o Grupo 2, a Educação Física é o ato de brincar, e a preferência do grupo é por esporte. Este grupo, em sua maioria, não sabe o que é ginástica.

12. Possui considerações finais, com embasamento científico? Em caso afirmativo, destaque as principais.

A escola, como instituição que tem como responsabilidade a transmissão das formas mais desenvolvidas, elaboradas e ricas do conhecimento historicamente produzido pelo homem, deve estar em constante busca para transmitir este conhecimento científico, artístico e filosófico em suas formas mais desenvolvidas.

A inspiração para o trabalho foi que nas aulas de Educação Física Escolar os conhecimentos podem ser socializados. Entretanto, na atualidade, autores como Ayoub (2007) afirmam que, por motivos diversos, a ginástica não tem sido trabalhada na escola.

13. A linguagem utilizada em todo o artigo é acessível? Faça sua consideração sobre ela.

Sim, a linguagem clara e objetiva favoreceu o entendimento da pesquisa de campo e das considerações abordadas.

14. Todas as citações utilizadas no artigo estavam referenciadas?

Sim. Os autores citados estão explicitados nas referências.

15. As referências foram listadas conforme as normas da ABNT?

Não. O espaçamento está correto, mas falta o número de páginas e o destaque no título das referências.

16. O artigo apresentava anexos, apêndices ou outros elementos pós-textuais?

Sim. As referências.

17. Apresente, se desejar, um comentário final a essa análise.

Pontos importantes sobre o artigo foram levantados aqui, ajudando no melhor entendimento acerca do estudo.

A ginástica no contexto escolar: da evolução histórica à prática atual

Sara Maria Teles de Figueiredo, Thiago Tavares Felinto e Marla Maria Moraes Moura

1. O título do artigo é claro e objetivo?

Não. O título deixou clara a análise da evolução histórica da ginástica, mas não especificou que essa análise era no Ensino Fundamental e que o local era Brejo Santo-CE.

2. Possui breve introdução, com embasamento científico, justificando a realização do estudo?

Sim. Na introdução teve-se ideia do que tratava a pesquisa, especificando os autores de base.

3. O problema de estudo está bem definido (em forma de pergunta)?

Não. O artigo veio, a todo o momento, trazendo informações para reforçar a ideia da história da atividade e sua a prática nas escolas do Ceará, porém faltou entender precisamente a que ponto queria chegar, pois faltara pergunta.

4. Os objetivos estão bem definidos?

Sim. Desde o título e a introdução, foram explicitados os aspectos mais pertinentes do trabalho feito.

5. A justificativa, ou seja, a contribuição que o estudo trará, foi explicitada?

Sim. Foi mostrado, através da pesquisa de campo, como é tratada a prática atual da ginástica nas aulas de Educação Física.

6. Foram elaboradas hipóteses ou pressupostos, como respostas provisórias ao problema formulado?

Não. As conclusões para o problema foram baseadas em pesquisa de campo e de estudiosos da área.

7. Possui referencial teórico, com embasamento científico? Em caso afirmativo, destaque os principais assuntos abordados.

Sim. Destacam-se a história da ginástica, a dificuldade da implantação dessa prática nas escolas, a prática atual da modalidade e pesquisa com os professores de Educação Física.

8. No material e métodos existe explicação clara dos exames e testes a serem realizados, bem como a devida justificativa para sua utilização, expondo e explicando os procedimentos que serão realizados?

Sim. Os exames e testes foram voltados à pesquisa de implantação e qualificação das práticas corporais, e mostrou-se de que forma chegou-se aos resultados e ainda apoiando em autores da área, as respostas recebidas.

9. Existe cálculo do tamanho da amostra e justificativa do tamanho definido?

Não. Foi uma pesquisa de cunho descritivo sem amostra de cálculo ou percentual.

10. A forma de recrutamento dos sujeitos está clara, ou seja, os critérios de inclusão e exclusão dos participantes da amostra estão bem definidos?

Não. Apenas levou em consideração o local, Brejo Santo-CE, mas sem dizer nomes de escolas e professores.

11. Há indicação das ferramentas de pesquisa a serem utilizadas na coleta e análise de dados? Em caso afirmativo, destaque os principais resultados.

Sim. Foi exploratória, de estilo descritivo, como instrumento de coleta de dados adotou-se a entrevista. Os principais resultados foram que ainda persiste o entendimento da Educação Física, no contexto escolar, como atividade prática esportivizada. Apesar dos seus aspectos históricos, de se tratar de um elemento da cultura corporal que resume todos os outros conteúdos da disciplina de Educação Física, constatou-se que a ginástica é apontada como uma prática quase inexistente nas escolas.

12. Possui considerações finais, com embasamento científico? Em caso afirmativo, destaque as principais.

Não. Tais considerações foram baseadas na pesquisa realizada, que não se utilizou de autores.

13. A linguagem utilizada em todo o artigo é acessível? Faça sua consideração sobre ela.

Sim. O tema foi abordado de maneira clara e a linguagem, de fácil assimilação. A pesquisa foi bem colocada e baseada para melhor entendimento.

14. Todas as citações utilizadas no artigo estavam referenciadas?

Não. Faltou colocar a referência dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (Brasil, 1997) e colocar a referência do autor Tubino (1992).

15. As referências foram listadas conforme as normas da ABNT?

Não. O espaço entre linhas está menor.

16. O artigo apresentava anexos, apêndices ou outros elementos pós-textuais?

Sim. Apenas as referências.

17. Apresente, se desejar, um comentário final a essa análise.

Através dessa análise pode-se reler minuciosamente o artigo e constatar onde existem falhas e acertos do trabalho, acrescentando para a elaboração desde projeto.

A ginástica geral no Ensino Fundamental na cidade de Rio Claro-SP: a perspectiva dos alunos

Letícia Bartholomeu de Queiroz Lima, Mariana Aggio Murbach, Paulo Roveri de Afonso, Patrícia Gracioli dos Santos e Laurita Marconi Schiavon

1. O título do artigo é claro e objetivo?

Sim. Destacou o local, modalidade e o segmento de ensino a ser abordado.

2. Possui uma breve introdução, com embasamento científico, justificando a realização do estudo?

Não, sua introdução foi levada até a metodologia, dando a entender que a introdução era também o desenvolvimento do trabalho.

3. O problema de estudo está bem definido (em forma de pergunta)?

Não. A situação problema foi aparecendo nas afirmações feitas no conteúdo.

4. Os objetivos estão bem definidos?

Sim, o objetivo foi discutir as diferenças na percepção das crianças em relação às aulas de ginástica. Neste caso, mais especificamente a ginástica geral ou ginástica para todos, ensinadas a partir de métodos de ensino que privilegiem o “aprender brincando” e a exploração de movimentos e materiais.

5. A justificativa, ou seja, a contribuição que o estudo trará, foi explicitada?

Não está explicitada, porém entende-se pela leitura que o diagnóstico feito pelo texto se ampara na ideia de querer mudar o olhar atual da ginástica escolar.

6. Foram elaboradas hipóteses ou pressupostos, como respostas provisórias ao problema formulado?

Não, com base em autores, foram levantadas algumas afirmações que levaram a entender os fundamentos dos projetos.

7. Possui referencial teórico, com embasamento científico? Em caso afirmativo, destaque os principais assuntos abordados.

Sim. A relação da ludicidade com as aulas de Educação Física e levar em consideração o aspecto da ginástica, dentro das aulas, como forma de brincadeira.

8. No material e métodos existe explicação clara dos exames e testes a serem realizados, bem como a devida justificativa para sua utilização, expondo e explicando os procedimentos que serão realizados?

Sim, A abordagem metodológica adotada foi de caráter descritivo, com dados quantitativos expostos no artigo. A partir do objetivo proposto, se investigou a percepção de 58 escolares de Ensino Fundamental sobre o ensino de ginástica, alunos de duas escolas estaduais e uma escola municipal da cidade de Rio Claro-SP.

9. Existe cálculo do tamanho da amostra e justificativa do tamanho definido?

Existe o cálculo do tamanho da amostra, foram coletadas informações de 79 alunos do Ensino Fundamental de escolas públicas da cidade de Rio Claro, mas não há justificativa da escolha.

10. A forma de recrutamento dos sujeitos está clara, ou seja, os critérios de inclusão e exclusão dos participantes da amostra estão bem definidos?

Sim. Do total de escolares que responderam à pesquisa, 21 foram excluídos por nunca terem praticado aulas de ginástica para todos. São alunos que não faziam parte da turma anteriormente ou faltaram nos dias dessa prática corporal. Os dados quantitativos foram tratados por estatística descritiva.

11. Há indicação das ferramentas de pesquisa a serem utilizadas na coleta e análise de dados? Em caso afirmativo, destaque os principais resultados.

Sim, para a coleta dos dados foi utilizado um questionário padronizado com lista de temas e conteúdos da ginástica, em escala tipo Likert com as opções: “Nunca pratiquei”, “Gosto muito”, “Gosto”, “Tanto faz”, “Não gosto”, “Detesto” e espaço para escrita, a mesma escala utilizada por Pereira e colaboradores (2010). Concluiu-se que as crianças não gostam das aulas de ginástica na escola. Além disso, foram feitas questões sobre os conteúdos ginásticos pertinentes aos objetivos da pesquisa sobre as aulas de ginástica.

12. Possui considerações finais, com embasamento científico? Em caso afirmativo, destaque as principais.

Sim, na pesquisa foi possível verificar que a percepção dos escolares sobre as aulas de ginástica na escola foi coerente com o prazer despertado pelas estratégias de ensino de “aprender brincando”. E que o interesse dos alunos e alunas por determinada prática corporal está também relacionado às experiências que eles possuem e àquelas proporcionadas nas aulas de Educação Física Escolar.

13. A linguagem utilizada em todo o artigo é acessível? Faça sua consideração sobre ela.

Sim, o conteúdo é de entendimento fácil.

14. Todas as citações utilizadas no artigo estavam referenciadas?

Sim. Todos os autores foram descritos nas referências.

15. As referências foram listadas conforme as normas da ABNT?

Não. O espaçamento das margens está correto, porém, não está em ordem alfabética.

16. O artigo apresentava anexos, apêndices ou outros elementos pós-textuais?

Sim, as referências.

17. Apresente, se desejar, um comentário final a esta análise.

Foi interessante perceber o que a ginástica representa para os alunos dessa cidade, e deve-se ressaltar a falta de criação de aulas sobre a modalidade.

Considerações finais

A partir do estudo realizado, chega-se ao entendimento de que a escola é uma instituição com responsabilidade de desenvolver práticas educativas para o saber completo do discente; com isso, se compreende a importância educacional das práticas corpóreas.

Levando em consideração que as expressões corporais desenvolvidas na escola têm aspecto motor e social fundamental para o amadurecimento do aluno, abordou-se o tema ginástico; foi abordado todo o universo da ginástica como disciplina no ambiente estudantil com o intuito de criar uma reflexão individual sobre o papel do professor na formação do aluno. Relacionou-se essa prática com os seus benefícios, mas também em paralelo observou-se e dialogou-se sobre sua dificuldade na implantação dentro das aulas de Educação Física do Ensino Fundamental.

Dentro dessa proposta, Tibúrcio (2014) leva ao raciocínio de que a ginástica consegue sintetizar os objetivos da Educação Física Escolar, ampliando as práticas pedagógicas do professor e dando oportunidade aos alunos para uma nova manifestação e expressão corporal, dentro de uma sistematização do ensino. Mediante as respostas obtidas de suas pesquisas, afirma que o conceito de Educação Física e ginástica vem, aos poucos, sendo construído e que esse processo é dinâmico, a cada etapa do ensino se amplia. Então compreende que a escola precisa cumprir seu papel social de transmitir conhecimento, mas deve propor novas vivências corporais que atinjam os objetivos descritos nos PCN (Brasil, 1997).

No entendimento de Figueiredo (2014), a ginástica é um veículo que transmite benefícios corporais e educacionais e seu desenvolvimento é fundamental para a Educação Física. Porém, baseado em sua pesquisa de campo, alega ter chegado ao índice alarmante da quase extinção do conteúdo gímnico.

Nesta pragmática que envolve a cultura corporal de movimento, acrescenta que se faz necessário, dentro da estruturação da aula, o conhecimento e utilização de todas as composições da educação corporal. Sendo assim, a falta da utilidade da ginástica cria um obstáculo no desenvolvimento do discente, impossibilitando que o objetivo do professor seja alcançado com clareza. Leva em conta, também, que a formação profissional do docente é um ponto primordial para que toda essa estrutura de ensino-aprendizagem seja realizada.

Queiroz Lima (2015) levanta dados interessantes dentro de sua coleta a respeito desse profissional que atua dentro das escolas. Afirma ele que os motivos para os alunos não se interessarem pelas aulas de fundamentos ginásticos estão relacionados, muitas vezes, ao desconforto corporal e a problemas didáticos, ou seja, equívocos pedagógicos. Com isso, é ressaltada a importância do aprendizado via ludicidade.

Pelos pontos em comum desses estudiosos, amplia-se o conceito de práticas educacionais e o real valor de conteúdos ligados à ginástica para o ambiente escolar, dando olhares mais criteriosos ao professor quando escolher suas ferramentas pedagógicas. Sendo esses pontos obedecidos, diminui-se o nível escasso de utilização do tema e, assim, finalmente transmite-se um conhecimento completo de práticas corporais ao aluno.

Referências

ALMEIDA, R. S. A ginástica na escola e na formação de professores. Tese de doutorado apresentada à Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Educação, 2005.

AYOUB, E. Ginástica geral e educação física escolar. 2ª ed. Campinas: Unicamp, 2007.

BARCELLOS, V. R. Necessidades de formação dos professores de Educação Física do Ensino Fundamental relacionadas à ginástica como conteúdo escolar. Dissertação de Mestrado apresentada a Faculdade Técnica de Lisboa, Faculdade de Motricidade Humana, 2008.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: MEC/SEF, 1996.

_______. Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, Brasília: MEC/SEF, 1997.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1992.

CUNHA, Maria Auxiliadora Terra. Análise crítica de artigos científicos. Rio de Janeiro: Centro Universitário Augusto Motta, 2015.

DAOLIO, J. Da cultura do corpo. São Paulo: Papirus, 1995.

DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

FIGUEIREDO, S. M. T. A ginástica no contexto escolar: da evolução histórica à pratica atual. Juazeiro do Norte: Faculdade Leão Sampaio, 2014.

LIMA, L. B. de Q. A ginástica geral no Ensino Fundamental na cidade de Rio Claro/SP: a perspectiva dos alunos. São Paulo: Universidade Estadual de São Paulo – Unesp, 2015.

RAMOS, E. S. H.; VIANA, B. H. A importância da ginástica geral na escola e seus benefícios para crianças e adolescente. Revista Movimento e Percepção, São Paulo: v. 2, n. 13, jul./dez. 2008.

SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 10ª ed. São Paulo: Autores Associados, 2008.

SOARES, C. L. Educação Física escolar: conhecimento e especificidade. Rev. Paul. Educ. Fís., São Paulo, supl. 2, p. 6-12, 1996.

_______. Educação física: raízes europeias e Brasil. São Paulo: Autores Associados, 1994.

SOUZA, E. P. Ginástica geral: uma área do conhecimento da Educação Física. Tese de Doutorado em Educação Física apresentada à Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1997.

TIBÚRCIO, B. Possibilidades da ginástica geral no Ensino Fundamental nas escolas de Muzambinho-MG. Minas Gerais: I. F. Sul de Minas, Campus Muzambinho, 2014.

VIEIRA, M. B. A importância da ginástica enquanto conteúdo

da Educação Física Escolar. EFDeportes.com, revista digital. Buenos Aires, a. 18, n. 180, maio de 2013. Acessado em: 08 set. 2015.

Publicado em 05 de julho de 2016