Psicomotricidade Relacional: pautas de observação

Alcides Cardozo

Mestre em Psicologia (Universo), especialista em Psicomotricidade (UCAM), graduado em Psicologia (UGF), coordenador de projetos de pesquisas

Marcelo Bittencourt Jardim

Especialista em Psicomotricidade (IBMR), em Educação Pública (Cecierj), em Saúde Coletiva (SUS–UFRJ), licenciado em Educação Física (Unipli), pesquisador e membro do Comitê Editorial Internacional da Revista Odep (Chile)

Introdução

Na Psicomotricidade Relacional, os testes de avaliação do perfil psicomotriz da criança com referência diagnóstica não são usados, pois dão uma lógica de um único fator, o da maturação biológica, não levando em conta os aspectos socioculturais e afetivos.

Entendemos que o vocabulário psicomotriz é uma construção permanente decorrente das experiências vividas pela criança.

As habilidades motrizes são referenciadas por nós. No entanto, como proceder para avaliar os processos evolutivos se eles estão em construção permanente?

O importante, em um primeiro momento, é identificar quais são as habilidades que a criança apresenta quando iniciamos o trabalho com ela, para que possamos dimensionar sua evolução a partir dos estímulos que vamos oferecer. As comparações serão sempre em relação à história prévia de cada criança. O instrumento utilizado para avaliar será a observação. As observações serão feitas em relação à atuação das crianças. Para tanto, foram relacionadas aqui algumas pautas de observação:

Pautas de observação

  1. Iniciativa da criança – se toma iniciativa ou se costuma seguir as outras crianças.
  2. Sua comunicação – se não realiza ou que formas de comunicação adota.
  3. Sua linguagem – como está estruturada (evolução, palavra-chave, frase gramatical, ausência, dislalias, linguagem egocêntrica, ecolalias, linguagem socializada e qual delas predomina).
  4. Presença de algum jogo preferencial (fixação de algum jogo e qual).
  5. A trajetória da criança.
  6. A preferência por objetos e as habilidades motrizes evidenciadas na manipulação.
  7. A tendência da criança ás atividades coletivas ou individuais (perceber como ela faz essa trajetória).
  8. Trânsito da criança entre o movimento técnico e o simbólico (faz de contas e buscar evidências).
  9. Habilidades e dificuldades corporais, destacando evidências de uma forma e de outra.
  10. A criança apresenta inibição para falar do que faz (do que produz)?
  11. Cumprimento de algumas normas estabelecidas pelo adulto.
  12. Capacidade de se disfarçar (se sim, registrar os papéis que assume).
  13. Dominância lateral.
  14. Representações preferidas quando é estimulada a desenhar ou construir.

Esta pauta foi elaborada para agregar ao âmbito do profissional da Educação Especial, Educação Física, Psicomotricidade e da saúde do município do Rio de Janeiro que desenvolve trabalhos de estimulação e atendimento, em órgãos públicos, de pessoas com deficiência, valorizando os sujeitos com deficiência e prestando um serviço de qualidade ao município e à sociedade.

Esta pauta de observação foi aceita pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro (SMPD) na atuação em Psicomotricidade Relacional, sendo referência de avaliação e pesquisa pela SMPD, quando atuamos como psicomotricistas do Município do Rio de Janeiro em atendimentos individuais, em grupo e estimulando crianças, adolescentes e adultos com deficiências cadastrados em órgãos públicos do Rio de Janeiro.

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Publicado em 13 de setembro de 2016