Desafios da educação e o professor como mediador no processo ensino-aprendizagem na sociedade da informação

Marcos Antonio de Oliveira

Mestrando em Gestão e Desenvolvimento Regional (Univ. de Taubaté)

Elvira Aparecida Simões de Araujo

Professora, psicóloga, doutora em Psicologia (Univ. Taubaté)

Introdução

Com as mudanças ocorridas na sociedade, sobretudo após a sociedade industrial, com a inserção das novas tecnologias de informação e comunicação, principalmente com o advento da internet, o que para muitos pesquisadores tem como nome ‘Sociedade da Informação’, deu-se muita ênfase ao saber, à elaboração e à construção desses saberes. Dessa forma, a educação não pode ficar alheia a essa realidade. Investir em massa na educação nunca foi tão importante, mas investir na sociedade que incorpora as novas tecnologias exige um novo modelo de educação, um modelo que quebre os velhos paradigmas. Assim, o papel do professor passa por transformação, exigindo desse profissional novas práticas, exercendo o papel de mediador, transformador de sentidos, buscando a formação de alunos críticos, autônomos, e o educando deixa de ser passivo e passa a ser responsável pelo seu processo de aprendizagem.

A realidade que demanda a sociedade da informação passa a exigir um esforço que exige um trabalho de time entre os professores, em que não se permite mais limitar o conteúdo apenas na sua disciplina; portanto, colocar na prática conceitos como desenvolvimento de competências, contextualização e interdisciplinaridade e trabalhar com projetos que possibilitem uma prática docente mais motivadora são ações primordiais na sociedade que incorpora as novas tecnologias.

É preciso adotar uma postura positiva em relação às mudanças paradigmáticas e assumir compromisso com a formação dos alunos e com o desenvolvimento de atividades que atendam às necessidades da realidade atual, inovando sempre o processo de ensino.
Este artigo tem como objetivo contribuir para discussões dos desafios da educação contemporânea, com foco da importância do professor na construção do conhecimento, diante das novas tecnologias da informação e comunicação, que caracterizam a sociedade da informação.  

O conhecimento e a sociedade da informação

Observa-se que, com o passar do tempo, ocorreram profundas transformações, as quais trouxeram relevantes mudanças que impactaram fortemente a vida das pessoas e das organizações.  Em consequência, sabe-se que o conhecimento passou a ser o bem de maior valor, ganhando cada vez mais espaço numa sociedade caracterizada por uma economia desmaterializada.

Para Sene (2008), qualquer que seja a definição para essa sociedade, o fato é que estamos numa sociedade a qual se encontra em constante revolução tecnológica, em que devem ser considerados os impactos que geram mudanças em todas as áreas que envolvem a sociedade como um todo, no modo de vida das pessoas, na política, dentre outras questões que passam a requerer a necessidade de adaptação de todos.

Ainda do ponto de vista conceitual, de acordo com Burch (2005), não se sabe se estamos numa nova etapa da sociedade industrial ou estamos entrando numa nova era. Vários são os conceitos dados a essa nova realidade, alguns deles cunhados, os quais buscam a intenção de identificar e entender o alcance dessas mudanças.

De acordo com Carmo (2007), essa sociedade, quando comparada aos setores tradicionais de produção industrial, é também caracterizada por novos tipos de relações sociais e pela importância da informação e do saber científico. Sendo assim, passamos de uma sociedade pós-industrial para uma sociedade da informação.

De acordo com Drucker (1969), é nesse momento que o recurso econômico básico não é mais o capital nem os recursos naturais ou a mão de obra, mas sim o conhecimento, numa sociedade na qual este exerce o papel central. Nesse sentido, os profissionais que passam a ser mais reconhecidos nesta era são aqueles bem preparados para atender o fator chave do poder econômico: o conhecimento.

De acordo com Takahashi (2000), a sociedade da informação representa profundas mudanças na forma como a sociedade e a economia passam a se organizar. Essas mudanças serão afetadas de alguma forma, na medida em que cada região dispõe de infraestrutura de informações disponíveis.

Uma vez que esse modelo de sociedade é caracterizado pelas constantes mudanças decorrentes das inovações, observa-se que para desenvolver uma sociedade de informação de igualdade se faz necessário o desenvolvimento de políticas de acesso à informação para todos, possibilitando assim, por meio desse acesso, que as pessoas sejam capazes de adquirir, assimilar e construir o conhecimento, que no percurso de nossas vidas se transforma constantemente.

Desafios da educação e o papel da escola

De acordo com Takahashi (2000), vários serão os desafios a serem encarados pela sociedade da informação em todo o mundo; no entanto, cada país terá sua particularidade, uma vez que o desafio reflete uma combinação singular de oportunidades e riscos.

No que se refere ao campo educacional, de acordo com Werthein (2000), os investimentos que incorporam as novas tecnologias implicam riscos e desafios, além da necessidade de os profissionais envolvidos terem ciência do verdadeiro papel que esses recursos vão desempenhar nas atividades educacionais.

Portanto, a realidade nos leva a repensar constantemente os modelos de aprendizagem. Ensinar e aprender frente às novas tecnologias da comunicação e informação é um desafio que deve ser encarado com profundidade.

Na dinâmica da vida contemporânea, as possibilidades que as tecnologias trazem para a sociedade demonstram ainda mais evidência de que a educação pode ocorrer em diversos lugares de prática social, rompendo o paradigma de que a aprendizagem só acontece em ambientes formais, mas é inegável o papel que a escola exerce na formação e seu significado no processo educativo de sujeitos que a integram. É no ensino formal que a educação se condiciona a um projeto pedagógico que orienta a prática docente (Barbosa, 2004).
Nesse sentido, Baladeli e Barros (2012, p. 162) afirmam:

A escola como espaço para disseminação de conhecimento historicamente produzido representa a primeira esfera de contato entre o sujeito e esse conhecimento científico. Assim, recai sobre ela a emergência na adequação de paradigmas a fim de que possibilite a formação de sujeitos consoantes com a realidade de uma sociedade globalizada.

Dessa forma, torna-se necessário o comprometimento que as instituições devem assumir com a formação constante de seus professores, por meio de capacitações e possibilidades que desenvolvam um ambiente e espaço para troca de saberes, permitindo uma aprendizagem constante por parte de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

Sob essa ótica, de acordo com Sene (2008), não importa o termo a ser aplicado para definir o momento em que vivemos, mas a realidade demanda profundas mudanças no sistema educativo, a fim de atender à realidade imposta pela sociedade, o que requer necessidade de adaptação, mas necessária.

A realidade imposta pela sociedade das tecnologias requer novos conhecimentos e a ampliação da escolaridade por parte de todos. Consequentemente, torna-se importante que as escolas repensem seus modelos pedagógicos (Provenzo; Waldhelm, 2009).

Ao tratar da sociedade da informação, não há como distanciar as novas tecnologias da informação e comunicação; portanto, não há como também distanciar as escolas dessa realidade. De acordo com Soares (2011), cada vez mais tem se tornado difícil ficar longe das novas tecnologias de informação e comunicação, uma vez que o mercado de trabalho tem exigido muitos conhecimentos tecnológicos. Sendo assim, a educação também precisa muito dessas ferramentas para que a aprendizagem seja eficiente, o que requer compromisso de professores, alunos, instituições de ensino no sentido de preparar essas pessoas.

O papel do professor e do aluno na construção do conhecimento

Os desafios enfrentados frente à realidade da sociedade contemporânea requerem abordagens que conduzem a prática pedagógica numa reflexão para além do papel da escola, mas também sobre a função do docente.

Segundo Perrenoud, (1999), a prática pedagógica depende de toda equipe envolvida, em um trabalho coletivo, buscando diversas estratégias consideradas necessárias para o desempenho do exercício da educação, criando o que denomina ‘revolução de competências’, que segundo esse autor só acontecerá se, durante a formação, os futuros e atuais docentes experimentarem-na pessoalmente.

Portanto, o grande desafio passa a ser encarar uma nova realidade, exigindo maior comprometimento e maior reflexão no fazer pedagógico do professor.

Para Provenzo e Waldhelm (2009), é nesse cenário de transformação que se insere a reflexão sobre a didática e as novas tecnologias de informação e comunicação, em que cabe um novo comportamento do professor, deixando de lado a ideia de que o saber é centrado na sua figura, mas pensar num modelo de perspectiva transformadora no processo educativo.

Corroborando com esses autores, têm sido de extrema relevância os aspectos afetivos da relação professor-aluno, em que o professor deve demonstrar competência humana, uma vez que ao estabelecer um clima de confiança e respeito, passa a valorizar e estimular seus alunos. Com relação ao uso das novas tecnologias da informação, pensar numa didática de forma a planejar bem suas atividades, aplicando esses recursos de maneira adequada e, sobretudo, a proposta da aula, possibilitando ao aluno refletir sobre as informações recebidas, desenvolvendo o senso crítico para elaboração e construção do conhecimento (Ferreira; Souza, 2010).

Considerações finais

O estudo possibilitou uma discussão sobre os desafios da educação e a importância da ação docente frente à realidade imposta pela sociedade contemporânea. Observou-se a elevada importância do conhecimento, assim como de outras características cognitivas que formam as competências pessoais necessárias. A partir do conhecimento e dessas características, a sociedade da interconectividade emerge de profundas reflexões acerca do sistema educativo, das escolas e do professor.

Com o mercado cada vez mais segmentado e exigente, com as múltiplas formas de produção e de informação, chegou-se à conclusão de que a educação precisa repensar sua atuação, assim como a prática docente e as características necessárias para o professor no século XXI.

As tecnologias da informação são uma realidade que se faz presente no cotidiano das pessoas, principalmente na vida dos jovens que se fascinam com esses recursos. Portanto, o professor precisa tornar suas aulas mais animadas e interessantes. Para alcançar uma aula que motive seus alunos, o professor deve ter a liberdade de desenvolver práticas mais interativas, integrando as dinâmicas tradicionais com as mais inovadoras.

A realidade atual exige que se reconheça que a nova geração possui outros modos de aprendizagem; hoje são múltiplas maneiras de aprender, de forma mais contextualizada e não linear, diferente da estrutura que imperava no passado.

É nesse sentido que a figura do professor ganha espaço e exige da educação uma nova abordagem no processo de ensino-aprendizagem, em que se faz necessário trabalhar novas metodologias, capazes de desenvolver os indivíduos para resolver problemas e construir seus próprios conhecimentos a partir das informações recebidas.

O Quadro 1 ilustra melhor o papel que se apresenta para as instituições de ensino para a sociedade da informação.

Quadro 1: Papel das escolas na sociedade da informação

Papel da instituição de ensino Autor

Melhores condições de trabalho; métodos, metodologias recursos necessários e adequados.

Provenzo e Waldhelm (2009)

Formar sujeitos com a realidade da sociedade, capacitação pedagógica e tecnológica e comprometimento com a formação constante de seus professores.

Takahashi (2000)

Possibilitar um ambiente de troca de conhecimento entre a equipe.

Moura e Brandão (2013)

Alinhar-se com as tendências das TIC.

Sene (2008), Soares (2011)

Elaboração de currículos flexíveis.

Provenzo e Waldhelm (2009), Martinazzo (2009)

Promover o desenvolvimento de competências, contextualização e interdisciplinaridade.

Provenzo e Waldhelm (2009)

Construir projetos que atendam à necessidade; articular-se com a cultura, integrar pessoas, movimentos, organizações e instituições.

Provenzo e Waldhelm (2009), Marinho (2006)

O quadro 2 ilustra melhor o papel que se apresenta para os professores para a sociedade da informação.

Quadro 2: Papel dos professores na sociedade da informação

Papel do professor Autor

Ensinar e aprender frente às novas tecnologias; ser dinâmico e versátil.

Moura e Brandão (2013)

Atuar como orientador, estimulador.

Santos (2004), Provenzo e Waldhelm (2009)

Aprender a trabalhar colaborativamente.

Perrenoud (1999), Moura e Brandão (2013)

Ser sujeito da construção do conhecimento.

Provenzo e Waldhelm (2009), Moura e Brandão (2013)

Saber articular o conhecimento com a prática e com outros saberes.

Moura e Brandão (2013)

Atentar aos aspectos afetivos professor-aluno; estabelecer um espaço de aprendizagem cooperativo e estimulante.

Santos (2004), Provenzo e Waldhelm (2009)

Utilizar os recursos, incluindo as TIC, refletindo sobre suas possibilidades pedagógicas.

Moura e Brandão (2013)

Direcionar os alunos a utilizar as TIC da maneira mais útil possível, conduzindo-os a uma reflexão crítica e questionadora em relação à busca de informações.

Moura e Brandão (2013)

Referências

BALADELI, A. P. D.; BARROS, M. S. F.; ALTO, A.É desafio para o professor na sociedade da informação.Curitiba, nº 45, p. 155-165, 2012. Editora UFPR. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/er/n45/11.pdf. Acesso em 28 maio 2016.

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Publicado em 08 de novembro de 2016