Relatório de um estágio supervisionado em Sociologia

Dimar Monteiro Sanca

Graduando de Sociologia e Bacharel em Humanidades (Unilab)

Este é o relatório referente ao Estágio Supervisionado II do curso de Sociologia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), orientado pela professora doutora Maria Alda de Sousa Alves. As atividades do estágio supervisionado buscam observar, descrever e interpretar semanalmente o cotidiano escolar como forma de redimensionar a prática de ensino.

Sendo assim, nessas práticas se inclui o diário de campo, além da elaboração de roteiro de entrevistas individuais e do grupo focal, registros de imagens e revisão bibliográfica visando levantar usos e rituais desenvolvidos no espaço escolar. O estágio visou ainda compreender em termos práticos os elementos da organização e gestão da escola: planejamento, organização, direção e trabalho pedagógico.

As atividades se deram entre fevereiro e maio de 2018 na Escola de Ensino Estadual Médio em Tempo Integral Padre Saraiva Leão, localizada no centro da cidade de Redenção/CE, num processo transitório de discente para docente de vivências, impressões, experiências pessoais e coletivas, com vista a tornar a minha atuação profissional mais sólida e significativa.

Foto 1: Fachada da Escola Estadual Saraiva Leão

Por meio das atividades pude refletir sobre maiores recursos e casos concretos de ações pedagógicas que visam o desenvolvimento de práticas educativas e metas educacionais. Para o desenvolvimento das práticas, de acordo com Pimenta e Lima (2005, p. 3),

é necessário explicitarem-se os conceitos de prática e de teoria e como compreendemos a superação da fragmentação entre elas a partir do conceito de práxis, o que aponta para o desenvolvimento do estágio como uma atitude investigativa, que envolve a reflexão e a intervenção na vida da escola, dos professores, dos alunos e da sociedade.

Historicidade, interações interpessoais, sociais e hábitos sobre o ambiente escolar

A E. E. E. M. T. I. Padre Saraiva Leão é pioneira na educação, pois é a primeira do município de Redenção, criada em 1915. O prédio era uma igreja que foi doada por Padre Saraiva Leão para ser escola. O formato da entrada mostra ser uma estrutura sagrada. Segundo a crença popular, a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil na segunda metade do século XIX, foi assinada pela princesa Isabel numa das salas que fazem parte do que é hoje a estrutura da escola, como afirma Flávio Marques da Silva, funcionário da escola e um dos entrevistados. Não completou o Ensino Médio; ingressou na escola por vias simples.

Como você ingressou na escola, como define o ambiente escolar e quais são as suas aspirações para o futuro?

Flávio: Eu sou de uma família muito humilde. Cheguei aqui em 2005, como “amigo da escola”, trabalhando voluntariamente nos serviços gerais. Em 2009, fui contratado como porteiro, tive a preferência em relação aos outros, pois já fazia tempo que eu estava aqui. O ambiente exige “aquela paz”; nunca presenciei nenhuma briga entre alunos ou entre alunos e professores. Entre o pessoal de serviços gerais existe muita solidariedade; ajudo também no refeitório escolar. O ambiente é muito favorável, além do salário; eu me reconheço nesse ambiente. Todo mundo se trata bem.

Você tem aspirações para o futuro?

Flávio: Olho o futuro, mas me sinto em casa; claro que todo mundo quer melhorar de vida, mas por enquanto está tudo bem.

Em 2009, a escola foi avaliada pelo Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece); ocupa hoje o 2° lugar em Língua Portuguesa e o 3° em Matemática, no ranking das escolas de Ensino Médio regular do Maciço de Baturité.
De modo perceptivo, a natureza das interações sociais e hábitos no meio escolar certamente é influenciada pela natureza do espaço físico escolar, pela acessibilidade e oferta do turno integral da escola, que não atende os alunos portadores de necessidades especiais, porém agrega padrões sociais e econômicos diferentes, possivelmente relativos a cor, podendo remeter à renda familiar dos alunos.

Como se pode observar nas imagens deste trabalho, a escola não possui quadra para atividades esportivas, como espaço de lazer e de interação; as aulas de Educação Física ocorrem na quadra da Praça Matriz, no Ginásio Poliesportivo José Neves de Castro, próximo à escola. No entanto, isso faz com que a escola fique mais movimentada nesse dia da semana, com grande fluxo nos banheiros e no portão da escola.

Foto 2: Pátio da escola

A merenda escolar é servida de 9h30 às 9h45; o almoço, de 11h45 às 12h15. Esses são momentos de percepções e reflexões sobre os enlaces e desenlaces sociais entre os alunos. É notável a amizade que existe entre eles. Agregam-se por afinidade; embora predomine a amizade por gênero, percebe-se amizade dos estudantes com os funcionários.

A organização dos alunos no refeitório conta a fila feminina e a fila masculina, certamente para evitar possíveis conflitos e/ou divergências ou como forma de salvaguardar as boas relações entre alunas e alunos.

Nos dias supervisionados, nem todos merendam durante os intervalos destinados para isso, mas os alunos sempre interagem em grupos organizados por faixa etária equivalente e gênero, de modo predominante nas dependências da escola, nas carteiras disponibilizadas para sociabilidades dos alunos durante os intervalos; instaladas num recinto escolar iluminado pelo sol, essas carteiras são adaptadas às condições não muito adaptáveis.

O fluxo nos banheiros, na secretaria e na direção escolar aumenta à medida que se aproxima o horário de retorno às salas de aula. Alguns retornam de forma voluntária, outros pela morosidade proporcionada pela aglomeração no refeitório, banheiro ou outras ocupações.

A amizade entre alunos e funcionários também preserva certo respeito; os educandos chamam as funcionárias de “tia” e estas por vezes são multifuncionais. Certa vez uma delas costurava a calça de um aluno que precisava de cuidados, enquanto ele a aguardava na direção. Esses funcionários controlam também as atividades de alunos e alunas nos banheiros, principalmente durante os banhos, evitando muita demora, como forma de corresponder à demanda.

Entre os alunos, mesmo que não seja no dia da Educação Física (sexta-feira), de vez em quando há diversão no recinto escolar com uma “bolinha”, mesmo sendo constantemente repreendidos pelos funcionários e professores; ressalte-se que, segundo as alunas Beatriz e Maria (nomes fictícios), “há professores que são muito amigos, conselheiros até, tanto para os meninos quanto para, nós, meninas”, percebendo assim, a atividade docente como práxis pelo comprometimento e dedicação por parte dos professores e a gestão democrática como sinônimo de responsabilidades compartilhadas. No entanto, o modo com que, às vezes, as “tias” se expressam para com os educandos nem sempre traduz paciência para com eles.

Durante a supervisão não foram constatados casos de discriminação; certamente minha presença modificou os comportamentos e as ações por parte dos sujeitos centrais, pois o fato de a escola ter suas limitações físicas favoreceu o meu campo visual sobre os movimentos e ações deles. O nível de intimidade entre os alunos determina a informalidade ou o uso de expressões inadequadas na escola, como os termos “baitola”, “sua bunda”, “putaria” etc.

O questionário

Na aplicação paritária dos questionários aos alunos, priorizei opiniões sobre o método de ensino do professor de Sociologia, conteúdos trabalhados na sala de aula, a importância da disciplina de Sociologia, suas aspirações futuras, conflitos e rivalidades entre alunos ou entre alunos e professores no ambiente escolar.

As respostas variaram positivamente sobre o ensino de Sociologia, mas não foram justificadas, talvez pelas dificuldades de alguns de se expressarem pela escrita. Dentre suas aspirações futuras constavam Engenheira Elétrica, Medicina, Música e Pilotagem.
De modo unânime e injustificado, não relataram rivalidades e conflitos na escola, que correspondem a repostas como “muito legal”, “minha segunda casa”, “tranquilo e favorável”, “muito bom” sobre o ambiente escolar.

Como se pode observar na Foto 3, há sociabilidade de alunos de diferentes turmas e gêneros.

Foto 3: Espaço de socialização

Entrevistamos também um dos funcionários de serviços gerais, Francisco de Assis Moura de Barros, popularmente chamado “D’Assis”.

Como ingressou na escola, como define o ambiente escolar e quais são as suas aspirações para o futuro?

D’Assis: Nasci aqui em Redenção, mas cresci em Quixadá, tenho família: a mulher e uma filha; sou de família humilde. Trabalho aqui desde 2011, me identifico com a escola pelo ambiente. Aqui a gente é como se fosse família, solidariedade entre todo mundo, me dou bem com todo mundo, não só pelo salário, mas também pelo trabalho. Aqui em Redenção não quero mudar de serviço, se deixar aqui vou trabalhar como mototaxista; agora todo mundo quer mudar de vida, se sair daqui vou fazer um curso de vigilante. Briga não vi desde que cheguei aqui, vou falar por mim, todo o mundo se dá bem, nunca vi rivalidades e conflitos nem ouvi falar que ocorreu aqui numa sala ou um lugar que a gente não vê.

Durante a supervisão e coleta de informações, percebe-se que o intervalo dos professores costuma ser diferente do dos alunos, uma vez que a maioria passa o tempo conversando com os familiares dos estudantes sobre alguma situação ou dando-lhes alguma informação. Por outro lado, os estudantes, além de merendarem, conversam, se conectam às redes sociais; alguns frequentam a biblioteca para ler livros; contudo, essa parcela constitui um número irrelevante de alunos.

Essas questões abordam a escola como objeto de estudo. De acordo com Libâneo (2008, p. 29), “o realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural, mas também pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo”.

No que diz respeito a essa eficácia, é de suma importância falar de fatores não econômicos: a natureza dos dispositivos hereditários, o nível de escolaridade dos pais, a capacidade socioeconômica da família, a capacidade própria do/a aluno/a na construção da eficácia da sua educação vinculada ao projeto político-pedagógico.

Foto 4: Rafael da Silva

Rafael da Silva, aluno que autorizou o uso de seu nome, tem 17 anos e estuda na Escola Padre Saraiva Leão há dois anos; é morador de Boa Fé, distrito de Redenção. Numa entrevista que visava coletar dados sobre perfil dos alunos, ele se sentiu à vontade para responder s minhas perguntas devido à nossa proximidade (afeto, curiosidades das partes, respeito e confiança), como se deu entre mim e muitos outros alunos durante o período de estágio na escola. Rafael é católico, como o resto da sua família; porém, frequenta a sua igreja anualmente.

Rafael: Por que eu devia ir à igreja todos os dias se a única certeza que eu tenho é a morte? (risos) A igreja não vai me salvar, a minha fé, sim.

Você tem alguma tarefa específica em casa?

Rafael: Não, que eu saiba (risos), mas o mais frequente é o uso de redes sociais. Quando o negócio (problemas, discussões ou brigas) tá feio em casa, eu vou na casa dos colegas, muitas vezes não estudo lá por isso.

Qual a escolaridade dos seus pais?

Rafael: A minha mãe é que tem maior escolaridade (mas não especificou).

Aproximadamente, qual a sua renda familiar?

Não sei dizer exatamente, mas não é muito boa, todo mundo passa necessidade, né? E eu passo por isso, nem sempre tenho o que quero, a gente divide despesas com os irmãos e fica mais difícil ainda.

Pelo contexto, deduz-se, a priori, a eficácia do sistema educativo como resultado ou produto da educação formal, informal e/ou não formal; porém pode-se falar também dos desafios e das corresponsabilidades das instituições sociais e culturais nas formações individuais.

Nessa perspectiva, de acordo com Libâneo (2008), “a partir dos anos 1980, a organização de trabalho pedagógico ou organização de trabalho escolar tem sido analisada no contexto capitalista, uma vez que essa organização essencialmente burocrática e funcionalista se assemelha cada vez mais a uma organização empresarial”.

Organização escolar

Na sequência da realização da entrevista com grupo focal, baseada na elaboração de roteiro como técnica de pesquisa qualitativa em conjunto com a atual diretora da Escola Padre Saraiva Leão, Janiely Bessa, como se vê na Foto 5, abordam-se questões sobre direção, planejamento, trabalho pedagógico e gestão escolar.

Foto 5: Entrevista com a diretora da escola, Janiely Bessa

De acordo com Libâneo (2008), “a estrutura de organização de uma escola se diferencia de acordo com a legislação estadual ou municipal. Normalmente essa estrutura é composta por: conselho escolar, direção, setor técnico-administrativo, setor pedagógico, corpo docente e corpo discente”.

Entrevista com a direção

Gostaria de saber quem define os conteúdos curriculares.

Janiely: A gente tem a semana de planejamento, faz a proposta curricular de cada disciplina, claro, baseando nas diretrizes do MEC. Mas a gente tem autonomia desde a escolha do livro didático até a estrutura da proposta curricular para fazer tanto de acordo com a nossa realidade quanto para a realidade dos alunos e de acordo com as intervenções que a escola achar que pedagogicamente devem acontecer de acordo com o nível da turma, com as dificuldades dos alunos. A gente se baseia muito na questão do raio-X do Enem, principalmente no 3º ano, todo focado para o Enem, competências e habilidades. No 1º e no 2º anos, e até no 3º também, a gente dá muito foco na questão do Spaece, que é uma avaliação externa, procurando ter estes alicerces: avaliações externas e internas e fazer a proposta curricular de acordo com essas matrizes. É um norte no qual, todo ano, a gente constrói a nossa proposta curricular.

Existe algum projeto ou programa que visa melhorar a qualidade da educação na escola?

Janiely: Existe, sim. Na escola, o carro-chefe, falando em 3º ano, a gente tem um projeto que é o Enem: Chego Junto, Chego Bem, em que a gente mobiliza os alunos semanalmente. A gente trabalha com aqueles alunos em cima de simulados de questões do Enem, de provas anteriores; para que eles possam trabalhar, questões que possam ajudar os estudantes a fazer uma boa prova. Falando em 3º ano, a nossa prioridade é o Enem, então é um... Se for falar, tem vários, mas o principal é o Enem: Chego Junto, Chego Bem. Por exemplo: a gente estava no processo de isenção do Enem, que mobilizou todos e todos se inscreveram nesse processo. O laboratório de informática tá todo mobilizado, a gente tem um regime no laboratório de informática para que todos sempre estejam inscritos no Enem. Depois vamos acompanhando o calendário, a trajetória toda do Enem, dando suporte para que eles façam uma boa prova.

Existe alguma proposta de formação de professores e demais educadores da escola?

Janiely: Existe; a gente tem um coletivo de professores que a gente chama de professores mensais. Este mês a gente teve formação para os professores sobre Aprendizagem Cooperativa, sobre a metodologia que eles utilizam em salas de aula. Na próxima semana, vamos ter o coletivo de maio, eles (os professores) vão ter aprendizagens socioemocionais. Toda semana a gente tem coletivo de acordo com a necessidade que a gente veja, de acordo com planejamentos mensais. Para eles (os professores), as formações são mensais.

Temos acompanhado desde 2014 um Plano Nacional da Educação que tem algumas metas a serem atingidas até 2024; ainda teve todo um processo até 2014, que foi inclusive a integralização das escolas, que já está sendo complicado; recentemente teve a reforma da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)... Queria saber como a senhora tem percebido essa movimentação curricular, também vinculada à movimentação política ou de vínculos pedagógicos que têm sido importantes para o tempo integral.

Janiely: A gente tem ouvido muita coisa. Na semana passada estava conversando até com algumas meninas da Unilab também. Na prática, a gente não tem nada em mãos ainda. A gente ouviu falar que o ensino da Sociologia vai ser excluído, a gente ouviu falar que agora eles vão priorizar mais Português e Matemática, a gente ouve muita coisa... Até porque ainda tá pra ser aprovada. Eu, particularmente, percebo o ensino da Sociologia como indispensável na formação deles, na nossa formação, porque a Sociologia contribui diretamente para a formação do cidadão. Então eu me preocupo muito quando eu ouço: ‘ensino da Sociologia vai ser tirado, ensino de Filosofia... Humanas’. Me preocupa enquanto penso que estejam preocupados com as pessoas que não têm aquela visão, de pensamento global, mas acredito que as pessoas que estão na ponta e que cheguem a aprovar, que não deixem esses prejuízos chegarem até nós. Acredito que tudo isso que está passando, reformas, BNCC venha a contribuir e espero que, acima de tudo, as escolas venham a ter autonomia para manter currículos dentro das escolas para manter as disciplinas que a gente acha que são indispensáveis para a construção da identidade do aluno e que a gente possa contar com o ensino da Sociologia.

Eles dizem até ‘Tia, é muito pouco, uma aula por semana’, porque eles gostam. A gente tem o Sociologando: o professor compartilha aquelas imagens no Facebook e atribui notas de acordo com os comentários e interpretações dos alunos nas redes sociais, de acordo com aquelas imagens e vinculado com conteúdo da sala de aulas. Então você percebe a participação deles, o interesse é nítido, o crescimento, a formação... Então seria um crime pedagógico tirar o ensino da Sociologia do nosso currículo. Mas eu confio que venha para o melhor e que a escola tenha autonomia para trabalhar de acordo com a nossa realidade.

Na sua concepção, o que caracteriza a gestão democrática da escola?

A gente sabe que o termo ‘gestão democrática’ não é uma coisa nova, já vem de décadas, historicamente falando, mas tem chegado para a realidade das nossas escolas há pouco tempo e não tem se efetivado. Falando da democracia, não se efetiva cem por cento na realidade das nossas escolas. Mas é importante dar voz a todos, prezo muito por princípios participativos, que todos participem, que todos os segmentos opinem, que todos se sintam corresponsáveis. Então, a gestão democrática, para mim, é um pilar essencial na escola; pena que ela vem chegando agora devagarzinho. Se formos falar de legislação (...), é uma coisa que era para estar há décadas na realidade das escolas do nosso país, mas eu percebo como um pilar importantíssimo e prezo muito a gestão democrática nas nossas escolas, prezo muito mesmo.

Como se dá a comunicação entre direção, professores, funcionários e alunos?

Diálogo e parceria são duas palavras com que eu posso resumir a comunicação, porque quando todos são corresponsáveis, nós somos parceiros, trabalhamos em parceria, nós temos um diálogo estreito. A gente conversa mesmo, planeja juntos; os alunos têm abertura de procurar a gestão por qualquer coisa que não seja apenas problema, mas com novas ideias, novas visões, com sugestões... São coisas que acho que marcam essa questão do diálogo da gestão, funcionários, professores, alunos. Parceria mesmo e um diálogo aberto.

Libâneo (2008, p. 112) ressalta que o diretor ou a diretora “tem um papel muito significativo para que a escola seja respeitada pela comunidade. (...) Autonomia, participação, democracia não significam ausência de responsabilidades”.

Tal como foi mencionado pela diretora Janiely Bessa, para Borges (2008),

muito se fala de gestão democrática no âmbito da administração das escolas públicas de Educação Básica do Paraná, mas pouco se vê de implementação. Podemos dizer que em grande parcela delas a realização da gestão democrática resume-se basicamente à eleição de diretores e diretoras. Grande é o discurso, pequena é a prática.

Considerações

O conhecimento sobre determinado texto e/ou contexto exige pesquisa, estudo e reflexão. O Estágio Supervisionado II contribuiu para a formação humana e docente, pois esse componente curricular permite identificar, conhecer e interpretar os desafios e perspectivas da educação municipal, estadual ou nacional.

O Estágio Supervisionado é uma etapa fundamental e necessária na formação docente, visando a familiarização com os desafios e (im)possibilidades do cotidiano da profissão docente, num processo de (re)conhecimento do espaço escolar.

Faz-se necessária uma fundamentação teórica e prática; na minha opinião, na qualidade de formando, pela experiência, leituras e entrevistas diretas para ampliar o debate sobre os papéis centrais de sujeitos na construção de gestão democrática que, a meu ver, baseando-se nas análises da literatura e das entrevistas, se constitui como fim, não como meio.

A pesquisa evidenciou que a gestão democrática ou a educação de qualidade não dependem exclusivamente do professor, dos alunos, do diretor ou da diretora ou de uma escola em particular. Depende da participação, da solidariedade e das responsabilidades compartilhadas entre todos os segmentos sociais e políticos que fazem parte de um determinado sistema educativo, inclusive das políticas nacionais de ensino.

O final dessa etapa, com a realização do Estágio Supervisionado II, corresponde à soma de experiências, abordagens teórico-práticas com a socialização de conhecimento por meio de relatos e experiências profissionais, a exemplo da entrevista com a diretora da Escola Padre Saraiva Leão, Janiely Bessa.

Referências

BORGES, Benedito. Gestão democrática da escola pública: perguntas e respostas. Maringá: Edição do Autor, 2008.

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5ª ed. Goiânia: Heccus, 2008.

PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência: diferentes concepções. Poiesis, v. 3, nº 3 e 4, p. 5-24, 2005/2006.

Publicado em 12 de novembro de 2019

Como citar este artigo (ABNT)

SANCA, Dimar Monteiro. Relatório de um estágio supervisionado em Sociologia. Educação Pública, v. 19, nº 29, 12 de novembro de 2019. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/19/29/relatorio-de-estagio-supervisionado-ii