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Educar.... sem tirar o pé da estrada

Carolina Matta Machado

Ele não é professor, seu dia a dia está bem longe da rotina dos que estão à frente do quadro negro mas, mesmo assim, conseguiu desenvolver um projeto que está rendendo boas aulas de história e geografia nas escolas brasileiras.

Foi pedalando que arquiteto mineiro Argus Caruso Saturnino descobriu uma maneira um tanto quanto original de unir o esporte ao turismo, e ainda acrescentar a isso a educação, compartilhando suas experiências com alunos, professores, "mochileiros", esportistas e aventureiros de plantão. Com a tarimba de quem já percorreu o país a bordo de um "camelo" (segundo o dicionário Houaiss, camelo é uma gíria carioca usada para denominar a bicicleta) e atravessou o Atlântico velejando na Regata Brasil 500 Anos, o arquiteto pretende, desta vez, dar a volta ao mundo pedalando, e fazer com que seu "diário de bordo" sirva para que os alunos das escolas brasileiras conheçam um pouco mais sobre outras culturas.

Pedalando e Educando, segundo definição do próprio Argus, é um projeto de educação a distância que tem a aventura como estratégia de incentivo para o aprendizado.

Para divulgar a cultura dos 29 países por onde passará nos próximos dois anos, o arquiteto conta com uma ferramenta de peso: a internet. É através dela que as escolas receberão um material didático com fotos e textos relatando a expedição. O objetivo é que o material desenvolvido por Argus seja impresso e distribuído em sala de aula para discussão. As escolas que não tiverem acesso direto (por falta de computador) receberão o material impresso através de suas Secretarias de Educação.

Notas

O roteiro completo da aventura é: 1. Brasil (cidade de Cordisburgo, Minas Gerais) 2. Paraguai 3. Bolívia 4. Peru A - Transpacífico de avião 5. Austrália 6. Papua Nova Guiné 7. Indonésia 8. Cingapura 9. Malásia 10. Tailândia 11. Camboja 12. Mianmar 13. Bangladesh 14. Índia 15. Paquistão 16. Irã 17. Iraque 18. Síria 19. Turquia 20. Bulgária 21. Macedônia 22. Grécia 23. Líbia 24. Tunísia 25. Argélia 26. Marrocos 27. Saara Ocidental 28. Mauritânia 29. Senegal B - Transatlântico de avião 1. Brasil

O material didático é enviado gratuitamente para escolas públicas. De acordo com Argus, o Ministério da Educação, através da coordenadora pedagógica Vera Lucia Asturo Suguri, esta ajudando na divulgação do projeto em, praticamente, todas três mil escolas públicas que possuem computador no Brasil, infelizmente somente 1% do total das escolas públicas do país. Atualmente, há entre 100 e 200 instituições de ensino cadastradas através do site.

Uma ideia na cabeça, uma bicicleta na mão

"A ideia de viagem de volta ao mundo já nasceu junto com o projeto de educação. Nunca me passou pela cabeça fazer essa viagem sem vincula-la a algum projeto", analisou Argus Saturnino.

Em entrevista para o Portal da Educação, o arquiteto contou que antes da viagem, projetou o que seria o "Pedalando e Educando" para torna-lo viável, pois, concluído o projeto, faltava ainda conseguir patrocinadores. Depois de algumas negociações Argus conseguiu o patrocínio da Cultura Inglesa, que traduz para o inglês todo material didático, Grupo Nuevo Mundo e o apoio das empresas Atex do Brasil, Sol, BHZ Arquitetura,Telemig Celular, Prudential Bradesco e Aliança Francesa. "A união do esporte, educação e aventura me pareceu interessante", explicou.

A aventura

Em dezembro do ano passado, Argus Saturnino partiu, de bicicleta, de Cordisburgo, em Minas Gerais, terra de Guimarães Rosa (como ele faz questão de frisar) em direção às Rotas Históricas.

Em maio, o arquiteto mineiro concluiu a primeira das seis etapas que totalizam o projeto, a Rota Inca, e para celebrar, inaugurou, este mês, na capital peruana, uma exposição de fotos desta primeira etapa da viagem.

Além das fotografias, ficaram expostos a bicicleta, a barraca e todo o equipamento utilizado por Argus nesta viagem.

A próxima parada vai ser na Austrália onde o arquiteto poderá conferir a maior barreira de corais do mundo. "Não é exatamente uma rota histórica, mas é geograficamente importante", conta Argus.

De lá segue para dar início à segunda rota histórica: a Rota da Companhia das Índias Orientais, que inclui a passagem por Papua-Nova Guiné, Indonésia, Cingapura, Malásia, Camboja, Mianmar e Bangladesh.

Publicado em outubro de 2001

Publicado em 01 de janeiro de 2002