Reflexões sobre o uso das novas tecnologias como recurso didático no processo de ensino-aprendizagem

Eliel Viscardis Damião Santos

Licenciando em Geografia (UEFS)

A elaboração de uma estratégia pedagógica pelo professor decorre de uma proposta de ensino em que a finalidade é a construção de conhecimentos pelos discentes. Dessa forma, para que ocorra essa construção é necessário que o educador eleja recursos didáticos que possibilitem a interface entre o conteúdo e a realidade dos educandos. 

São inúmeras as possibilidades que os recursos didáticos podem oferecer, tais como: o desenvolvimento da capacidade de observação; a ilustração de situações mais abstratas; e a aproximação do aluno com a sua realidade, dentre outras. Cada recurso consiste na verdade em estratégia com a finalidade de contribuir de forma significativa no processo de ensino-aprendizagem do aluno. Em se tratando do uso de novas tecnologias como recurso didático, torna-se uma discussão bastante polêmica e por vezes contraditória, em que se encontram concepções contrárias à tecnologia e ao mesmo tempo a favor ao uso dela no campo da Educação. Diante disso, faremos aqui algumas reflexões sobre o uso de novas tecnologias como recurso didático.

Na contemporaneidade, as chamadas “novas tecnologias” vêm incorporando o cotidiano das pessoas; estão relacionadas ao novo meio de aquisição, armazenamento, processamento e distribuição de informações, que agora acontece pelo uso de eletrônicos e digitais, como a televisão, o telefone e os computadores, dentre outros (Awadallak, 2009). No contexto escolar, elas vêm sendo inseridas partindo da proposição da ressignificação no modo de ensinar e aprender.

De acordo com Paulo Gileno Cysneiros (1999), as novas tecnologias podem contribuir para a melhoria de algumas atividades pedagógicas. Contudo, ele salienta que a inserção de aparatos tecnológicos em sala de aula não significa a melhoria da qualidade de ensino, chamando assim a atenção para algo vem se tornando presente nas escolas na atualidade, que ele denomina “inovação conservadora”. Ela é caracterizada quando uma ferramenta cara é utilizada para tarefas que poderiam ser feitas, de forma aceitável, por equipamentos mais simples, quando não são explorados os recursos únicos de tal ferramenta e não muda qualitativamente em nada a rotina da escola (do professor ou do discente).

Nesse sentido, percebe-se que o profissional da Educação Básica precisa ressignificar a compreensão e a utilização de ferramentas tecnológicas como recurso didático no processo de ensino-aprendizagem. Deve-se dar ênfase ao conteúdo e não ao meio, pois este talvez modifique simplesmente a aparência, mas, em relação à dinâmica da sala e ao processo de construção de conhecimento do aluno, poderá nada acrescentar.

Em vista disso, tomamos como exemplo os programas tecnológicos de projeção de tela, como Power Point ou o Prezi; eles fazem alguns acreditarem que esse “espetáculo visual e auditivo” por si só melhora qualitativamente a aprendizagem, quando na verdade às vezes torna-se “um elemento de divagação, enquanto o professor solitário na frente da sala recita sua lição com ajuda de efeitos especiais, mostrando objetos que se movimentam, fórmulas, generalizações, imagens que podem ter pouco sentido para a maioria de um grupo de aprendizes” (Cysneiros, 1999, p. 16). Tal recurso poderá facilitar ou não a transposição dos conteúdos; assim sendo, é certamente mais aproveitado quando o professor, além de saber transpor os assuntos, consegue instigar e envolver o aluno na construção do seu conhecimento com o auxílio dessa tecnologia, pois assim desconstrói quaisquer ideias associadas a que ensinar é expor, e de que expor textos, imagens, áudios e vídeos modifica a relação professor-aluno em sala de aula.

Cada ferramenta didática tecnológica tem uma especificidade; cabe ao educador ter clareza de quais são as possibilidades que podem ser apresentadas por esses instrumentos, já que todos têm vantagens e limitações. A utilização desses recursos didáticos aparece na atualidade como indispensável quando se quer tornar a aula mais dinâmica e atrativa, podendo facilitar a aprendizagem do aluno e servindo, metaforicamente, como uma ponte entre o conteúdo ministrado e a aprendizagem do aluno. Portanto, acredita-se na potencialidade do uso de ferramentas tecnológicas como recurso didático, mas deve-se salientar que a eficácia da utilização delas dependerá sempre de um processo contínuo de reflexão quanto ao seu uso e à sua aplicabilidade pedagógica; mais importante que definir o meio a ser utilizado, é estabelecer as finalidades de ensino que se pretende ao usar tal recurso.

Referências

AWADALLAK, J. A. M. S. Sistema de Informação Geográfica (SIG) como ferramenta de apoio no ensino de Geografia. Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE). Toledo, 2009.

CYSNEIROS, P. G. Novas tecnologias na sala de aula: melhoria do ensino ou inovação conservadora? Informática Educativa, Uniandes Lidie, v. 12, nº 1, p. 11-24, 1999.

Publicado em 07 de abril de 2020

Como citar este artigo (ABNT)

SANTOS, Eliel Viscardis Damião. Reflexões sobre o uso das novas tecnologias como recurso didático no processo de ensino-aprendizagem. Educação Pública, v. 20, nº 13, 7 de abril de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/13/reflexoes-sobre-o-uso-das-novas-tecnologias-como-recurso-didatico-no-processo-de-ensino-e-aprendizagem