Consultoria e captação de recursos para uma ONG de educação e arte

Janílson Jesus de Souza

Analista de Sistemas, especialista em Engenharia de Software (Unesa), graduando de Administração Pública (UFF)

Natália Fonseca Lopes

Bacharela em Relações Internacionais (IBMEC), graduanda de Administração Pública (UFF), professora de Inglês

Patrícia Dias Cruz de Pontes

Graduanda de Administração Pública (UFF)

Pedro Augusto Almeida Fernandes

Bacharel e licenciado em História (UNIRIO), tecnólogo em Biotecnologia (UEZO), estudante de Administração Pública (UFF), professor de História da rede municipal do Rio de Janeiro

Silvana Cardoso de Almeida

Graduanda de Administração Pública (UFF), formada como professora em nível médio (IESK), gestora no setor privado

O Coletivo Artístico Sustentável e Alternativo (Casa) é uma organização não governamental criada na cidade do Rio de Janeiro por Dayane Medeiros Ferreira, professora de Artes formada pela Escola de Belas-Artes da UFRJ e pesquisadora de História Social e Cultural do Brasil. Coordenadora do Casa, com experiência na área de Educação Artística e na administração, mediação e curadoria de projetos e exposições do coletivo há quase dez anos, Dayane dedica muito de seu tempo, esforço e recursos próprios no projeto. Como primeiro lócus de atuação tem a Comunidade do Aço, uma comunidade/favela da Zona Oeste carioca, extremamente pobre e desatendida pelo poder público. Por meio de uma parceria com o projeto social Esperança para uma Criança, de Vila Paciência, e da atuação e do trabalho de arte-educadores, professores, artistas e voluntários com as crianças da Comunidade do Aço, no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro, o projeto se tornou realidade, com as oficinas artísticas, dinâmicas de grupo, murais coletivos e temáticas sociais que ocorrem um sábado a cada mês.

O Casa visa à disseminação da arte nos mais diversos meios sociais, saindo do lugar de privilégio e da elite ao qual a arte sempre esteve associada e indo para a margem, para a periferia. Isso faz parte do processo de questionamento e reflexão do coletivo, fornecendo o acesso à arte nos locais de exclusão social. Por meio de suas missões, ele busca levar cultura a quem mais carece de acesso (Casa, 2018, p. 2). A captação de recursos ocorria quase totalmente por meio de pedidos de ajuda dos voluntários que trabalham no Casa a pessoas conhecidas, participantes de uma rede de doadores. A instituição sempre se sustentou através do apoio sazonal desses indivíduos, membros da rede de doadores de recursos.

Isso evidenciou que a maior dificuldade enfrentada pela instituição é a captação de recursos financeiros. Essa dificuldade poderia ser solucionada de diversas formas; uma delas seria o estabelecimento de parcerias que possibilitassem a sustentabilidade financeira da organização. Sendo assim, o presente trabalho objetiva, com base na situação atual do Casa, definir soluções de captação de recursos que viabilizem os trabalhos e a continuidade das organizações desse tipo, bem como a expansão dos seus projetos.

Apresentação do caso

Com base na análise dos relatórios das missões apresentados pelas coordenadoras do coletivo, pelas entrevistas e conversas com elas e outros integrantes do projeto, por visitas de campo ao coletivo em dia de missão e acesso às mídias do Coletivo Casa, foi possível constatar que a arrecadação ou captação de recursos se dava basicamente por meio de doações (monetárias ou de materiais para as aulas, como tinta, papel e alimentos) de pessoas que fazem parte da rede de relacionamentos dos integrantes do projeto; a divulgação das necessidades da ONG é feita basicamente por meio do “boca a boca”, além de uma divulgação de baixo alcance nas mídias da ONG, como Facebooke Instagram. Esse alcance extremamente reduzido dificultava também a captação de recursos e a sustentabilidade da organização. A partir dos dados e informações coletados, foi feita uma análise do processo de captação de recursos e elaborada a modelagem administrativa do novo processo.

Estas são as principais ideias e os principais autores que formaram o sustentáculo teórico de nossa análise.

Dificuldades enfrentadas no terceiro setor

Captação de recursos consiste em um conjunto de estratégias e processos que tem como objetivo levantar e mobilizar recursos financeiros. É um dos maiores desafios para o terceiro setor, seja na captação de recursos privados ou públicos, sobretudo na área da educação/cultura. A captação engloba também outros recursos, como voluntariado, equipamentos e bens físicos, entre outros. Segundo Tachizawa (2004, p. 303), a captação de recursos pode ser conceituada como busca de recursos como forma de atingir a missão de uma entidade, implementando programas e projetos de organizações do terceiro setor. É um conjunto de técnicas destinadas a organizar e a potencializar a busca de recursos (Tachizawa, 2004, p. 303).

Sobretudo nesta última década, as ONGs têm vivenciado escassez de recursos e, com isso, buscam um novo horizonte para se manter. A atual crise econômica dá um panorama de fragilidade financeira, com a redução de lucros por parte das empresas, contribuintes ou parceiros, afetando os recursos internos da ONG e fazendo com que ela busque soluções inovadoras para continuar a sua missão.

Estima-se que no Brasil existam mais de 800 mil ONGs, de acordo com dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) de 2017. Com o crescimento numérico desse tipo de organização, a questão da sustentação em longo prazo tornou-se o principal desafio. De acordo com José Alberto Tozzi (2017), é necessária uma mudança cultural no terceiro setor, de modo que, apesar de não ter como finalidade precípua o lucro, as instituições sejam capazes ao menos de sobreviver e continuar alcançando seu objetivo social. Para o autor, algumas dessas mudanças já estão ocorrendo, seja pelo marketing digital (redes sociais), seja pela transparência ou pela comunicação. Apesar disso, torna-se imperativo buscar eficiência na gestão.

A importância da eficiência na gestão

Uma das maiores dificuldades enfrentadas no terceiro setor é manter a constância na arrecadação de recursos. Para isso, a organização elabora campanhas promocionais que, por sua vez, exigem amplo conhecimento de gestão, planejamento e marketing.

Segundo Peter Drucker, a fonte de recursos tem mudado de forma substancial. Não é desejável ter somente doadores; a empresa deve transformá-los em contribuintes ou parceiros, por meio de sua identificação, da eficiente utilização dos recursos e da apresentação aos doadores dos resultados advindos dos recursos doados. A esse processo dá-se o nome de profissionalização das organizações, em que se passa a investir mais na atividade-meio do que na atividade-fim. As empresas e os investidores sociais buscam resultados sociais, o impacto que determinado projeto causou na sociedade, na comunidade local e com esse processo, transformar os projetos em políticas públicas ou instrumentos de desenvolvimento social. Dentro dessa nova perspectiva, o poder de barganha mudou. Um projeto pode ser dividido por diversos financiadores com a intenção de mantê-lo em funcionamento. Também podem ser comercializados produtos cujas vendas retornem recursos.

Diagnóstico

A abordagem utilizada foi a de gestão por processos. Processos são ações executadas em série, passos ou procedimentos contínuos buscando atingir um resultado ou objetivo previamente definido. Para melhor entendermos e analisarmos processos, foram utilizadas ferramentas de modelagem de processos previstas no GesPública, criando diagramas ou fluxogramas para identificar os processos de uma organização. Mais especificamente, utilizou-se a notação do BPMN (Business Process Modeland Notation), buscando usar um padrão a fim de prover recursos para a modelagem; é uma das ferramentas mais comuns utilizadas nessa função.

A modelagem permitiu compreender, comunicar e otimizar processos e orientar os passos a serem seguidos por toda a equipe, horizontalizando conhecimento sobre os procedimentos. Assim, a análise por parte da equipe pôde detectar deficiências e congestionamentos, além de simular processos que visam à melhoria da organização. Foram utilizados informações, dados e documentos para desenhar o fluxo de execução das atividades, desde o início até o fim do processo.

A modelagem teve por objetivos:

  1. Identificar e compreender estrutura e dinâmica de uma área específica da organização;
  2. Identificar e compreender problemas atuais e possíveis melhorias;
  3. Horizontalizar o conhecimento e compartilhá-lo entre o pessoal da organização;
  4. Servir de base de dados e informações de caráter estratégico;
  5. Informar a identificação de competências.

Modelagem da captação de recursos do Coletivo Casa

Figura 1: Fluxograma de uma missão

Captar recursos vai muito além conquistar donativos de pessoas que se sensibilizem com a missão da organização; é um assunto que precisa de atenção especial, pois, como as entidades são diferentes, as formas de captação, bem como o plano estratégico para coletar recursos, são diferentes (Silva et al., 2012).

A captação de recursos em geral abriga a ideia de recursos financeiros; contudo, é possível e necessário ter uma visão mais ampla. No caso analisado, o coletivo tem grande dificuldade em captação também de recursos humanos (voluntários, professores, tutores), espaço para desenvolvimento das atividades, mobiliário, material escolar e alimentos.

Apesar de ser um projeto recente e ainda pequeno, localmente o coletivo tem grande impacto nas vidas da comunidade. O dia de missão é um dia aguardado por pais e crianças, tanto pela experiência, pelo aprendizado e pela troca como pela alimentação oferecida. Por ser novo e pequeno, o coletivo não tem uma rede de apoiadores consolidada e um plano eficaz, ficando dependente da divulgação entre conhecidos.

A continuidade incerta do financiamento de doadores força uma ONG a viver de um projeto para a existência do projeto, o que dificulta o desenho e a expansão das atividades para melhorar a qualidade dos serviços. No entanto, o erro comum que as ONGs locais cometem é tornar-se excessivamente dependente de uma única fonte de financiamento. Quando essa fonte reduz ou seca, a organização luta para gerar novos fundos quando é tarde demais; e os programas são comprometidos ou encerrados (Batti, 2014, p. 8, tradução nossa).

Aplicação

Com base no diagnóstico da área crítica da ONG Casa, foram identificadas diversas opções de captação de recursos e que podem ser adotadas simultaneamente sem prejuízo da já utilizada ou de qualquer outra. O crowdfunding é hoje uma alternativa viável, por ser simples, ter grande alcance e barata na sua execução. Deve-se ter em mente que valores como transparência e participação são intrínsecos ao modelo. Esse modelo de captação permite atingir um número mais amplo de pessoas, além do tradicional “boca a boca”. Algumas opções de plataforma de financiamento coletivo são: Kickante (que abriga até mesmo campanhas do Greenpeace e Médicos Sem Fronteiras); Vakinha Online; Kickstarter; Catarse (muito ligado à cultura, ciência e tecnologia); Patreon (artistas e criadores) e Juntos.com.vc (que possui foco em projetos sociais e de direitos humanos, além de educação). As vantagens das plataformas é que elas permitem diferentes formas de arrecadação e geram bancos de dados dos apoiadores, além de um marketing digital gratuito da ideia.

São formas de arrecadação: campanha flexível, “tudo ou nada”, “equity crowdfunding”, financiamento recorrente (patrono) e financiamento turbinado (taxa extra). A maior desvantagem é que, em geral, as plataformas cobram taxas ou percentuais sobre as arrecadações.

Uma outra via de captação sugerida é por meio da mobilização de recursos (mais ampla do que a de fundraising), engajando a comunidade local, a sociedade civil, a economia local em torno do projeto. Por exemplo, pequenos comerciantes locais desempenhariam um papel de destaque na mobilização de recursos, pois, por estarem inseridos naquela comunidade, podem ser mais sensíveis e propensos a ajudar a causa. E podem fazê-lo por meio de recursos não financeiros. Uma hipótese elaborada foi: um dono de um hortifrúti do bairro pode doar parte dos produtos que não venderia mais por não apresentarem o padrão mínimo para que sejam ofertados em suas gôndolas, por exemplo, bananas que estão muito maduras, mas ainda perfeitas para o consumo humano. A exemplo do que faz o Refettorio Gastromotiva, na Lapa, no Rio de Janeiro, que serve refeições para o público em geral e para pessoas em situação de rua ou que necessitem de alimentação e não tenham recursos, exclusivamente com base em doações de alimentos de restaurantes e mercados que seriam desperdiçados.

As redes nas quais as ONGs estão envolvidas podem prejudicar sua capacidade de acessar e mobilizar recursos de maneira eficaz. Isso ocorre porque algumas redes não são bem pensadas e, portanto, as organizações não ganham visibilidade, experiência ou acessam novos caminhos para a mobilização de recursos. Nesse caso, as redes nas quais as ONGs se uniram não agregaram valor na área de mobilização de recursos (Batti, 2014, p. 4, tradução nossa).

Percebemos que o Casa enquadra-se no argumento de Batti por ter grande dificuldade em alcançar e mobilizar recursos de forma eficiente, por não ter a visibilidade necessária para tanto.

Muitas ONGs não conseguem comunicar efetivamente quem são, o que fazem e suas realizações. Essa incapacidade de comunicação significa que a visibilidade da organização é baixa e elas não conseguem comercializar efetivamente seus programas. Isso acaba afetando sua capacidade de mobilizar recursos. Muitas vezes, as organizações perdem a oportunidade de obter recursos, pois doadores ou partes interessadas não estão cientes da presença da organização na área, setor ou país (Batti, 2014, p. 4, tradução nossa).

A partir dessa perspectiva é que foi traçado o plano de ação para captação de recursos, com uso de ferramentas de marketing estratégico na captação. Uma campanha bem elaborada de marketing e comunicação pode determinar o sucesso de grandes empresas e o mesmo aplica-se ao terceiro setor. Uma estratégia bem elaborada e executada pode atingir o público-alvo da captação e conectar o coletivo com potenciais doadores. A partir da análise da literatura e empírica da captação de recursos da ONG sugeriu-se:

  • Aprimorar a abordagem do coletivo com potenciais doadores e parceiros, gerando maior engajamento e fidelização dos mesmos com a missão do Casa;
  • Identificar grupos relevantes que possam contribuir para o projeto;
  • Analisar custos fixos e variáveis da ONG – identificar objetivos gerais e específicos e metas de impacto (identificar indicadores que permitam aferir o cumprimento do objetivo/meta) para ter mais clareza sobre o projeto e sua sustentabilidade;
  • Verificar se há diferenças entre o orçamento previsto, o custo real do projeto e a receita arrecadada;
  • Identificar custos de capital, manutenção, e de operação x custos fixos e variáveis;
  • Desenvolver os profissionais que atuam na ONG, com capacitação sobre gestão e finanças aplicadas ao terceiro setor;
  • Elaborar relatórios financeiros, planilhas de controle e planos estratégicos de curto e médio prazos;
  • Criar uma conta de pessoa jurídica específica para movimentação financeira e transações da ONG;
  • Aumentar o envolvimento dos contribuintes por meio de informações e marketing social;
  • Aumentar a transparência, ganhando assim confiança da rede de apoiadores;
  • Ligar contribuintes aos beneficiários (engajamento) por meio das plataformas. Pode ser que um contribuinte passe a ser também um voluntário na ONG ou engaje outras pessoas nesse sentido;
  • Ampliar o apoio direto;
  • Usar recompensas (que podem ser desde retorno emocional até retorno financeiro);
  • Procurar meios de gerar notas fiscais de doação para que esse valor possa ser deduzido, por exemplo, no imposto de renda;
  • Usar as ferramentas de captação descritas adiante.

Crowdfunding

O crowdfunding, conhecido popularmente como “vaquinha virtual”, é uma estratégia de captação de recursos muito popular na atualidade. É entendido como emergencial ou de objetivo pontual. As múltiplas experiências mundo afora, contudo, mostram que o crowdfunding pode mesmo funcionar de forma perene. Diversos partidos políticos já mantêm suas estruturas de crowdfunding abertas em tempo integral em países como Suécia e Dinamarca, assim como muitas ONGs, como Médicos Sem Fronteiras. A plataforma Kickstarter é uma das mais reconhecidas internacionalmente para promover captação de recursos para projetos, mas há no Brasil um pequeno universo de opções, como apontou a revista Exame de outubro de 2016. A publicação elencou diversos nomes de plataformas nacionais dentre as quais se destaca a Juntos.com.vc, que realiza a tarefa de starting da captação a custo zero, diferentemente da maioria dos sites, que cobram 10% ou mais pelo mesmo serviço, tornando-se uma excelente opção para projetos sociais de pequeno porte, como é o caso.

Contrato de gestão com Administração Pública

Com o objetivo de alcançar melhores resultados na Administração Pública, foram criados instrumentos no âmbito do Direito Público para conferir maior autonomia aos entes administrativos ou estabelecer parcerias com entidades privadas sem fins lucrativos. Dentre tais medidas sobressai o contrato de gestão. Isso ocorre quando o poder público faz contrato com entidades privadas sem fins lucrativos que exercem atividade de interesse público. Nesse caso, é um ajuste entre o Estado e a entidade qualificada como organização social com o intuito de formar uma parceria entre as partes para fomento e execução de atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, cultura, saúde e preservação do meio ambiente, conforme se apreende da Lei nº 9.637/98 (Arts. 1º e 5º). Nesse tipo de contrato também são fixadas metas a serem alcançadas pela organização social, que receberá, em contrapartida, uma série de benefícios do Estado, como verbas orçamentárias e servidores públicos trabalhando em suas atividades, mas sendo pagos pelos cofres públicos. Esse modelo de captação de recursos é de grande valia, já que a ONG Missão Artística Casa possui os requisitos necessários para atuar como representante do Estado na área da Educação Infantil.

Captação com pessoas físicas

Como visto, a ONG Missão Artística Casa atende à comunidade em seu entorno e já efetua esse tipo de captação de recursos. É consenso que, no Brasil, começar a captar como pessoa física é, em longo prazo, relativamente sustentável. A captação com pessoas físicas visa conseguir uma doação de forma recorrente e continuada e pode ser aperfeiçoada. As pessoas físicas doam quando se identificam com a instituição. Para alcançar um maior número de doadores, tornam-se necessárias a comunicação e a divulgação de ações via marketing, em que os doadores teriam conhecimento da missão da ONG. Portanto, como forma de fazer as pessoas se identificarem com a instituição e assim proverem recursos, a equipe de estágio sugere à ONG Missão Artística Casa que as crianças e jovens venham a produzir telas de pinturas que possam ser vendidas ou leiloadas para captar recursos e trabalhar a valorização das crianças e dos adolescentes, com o objetivo de promover a integração e a articulação de todos que fazem parte do processo, contribuindo no desenvolvimento em crianças e jovens da consciência da realidade e de suas potencialidades. Esse projeto deve ser realizado por meio de uma exposição presencial na instituição e via internet como forma de atrair os parceiros locais e os novos colaboradores.

Conclusão

A aplicação dos três métodos destacados tende a resultar na administração sustentável da ONG ora em tela. Concomitantemente executados, esses métodos descentralizam a captação da ONG, reduzindo a dependência de uma única fonte. A manutenção do projeto a longo prazo também dependerá da aplicação dos elementos de gestão profissionalizada apresentados por nós, visto que eles sustentarão o funcionamento eficiente e eficaz das três fontes arrecadadoras.

Fruto recente na nova perspectiva da ONG a partir deste estudo foi a entrevista à TV Bandeirantes, no dia 24 de outubro de 2019, no programa Band Mulher, em que a idealizadora do projeto, Dayane Medeiros, falou sobre a missão do projeto, que é “A arte e a educação nas periferias”. Comentou a possibilidade de uma pessoa ter um novo olhar pela arte, falou sobre a importância do recurso financeiro e sobre o voluntariado, que é um recurso muito valioso.

A ONG segue com suas atividades sociais com cada vez mais dedicação e profissionalismo.

Referências

ALVEZ JÚNIOR, M. D.; FARIA, M. V. C. M.; FONTENELE, R. E. S. Gestão nas organizações do terceiro setor: contribuição para um novo paradigma nos empreendimentos sociais. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 13., 2009, São Paulo. Trabalhos Apresentados. São Paulo: ANPAD, 2009. Disponível em: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/EOR1546.pdf. Acesso em: 20 set. 2019.

ASSIS, Miguel. Formas de captação de recursos no terceiro setor. Administradores.com, [s.l.], 7 dez. 2011. Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/formas-de-captacao-de-recursos-no-terceiro-setor. Acesso em: 12 maio 2019.

BARROS, Ageu. Planejamento estratégico - como aplicá-lo no terceiro setor. Rede Filantropia, São Paulo, 1 jul. 2004. Disponível em: https://www.filantropia.ong/informacao/planejamento_estrateacutegico_como_aplicaacutelo_no_terceiro_setor. Acesso em: 20 set. 2019.

BATTI, Rehema C. Challenges facing local NGOs in resource mobilization. Humanities and Social Sciences, New York, v. 2, n. 3, p. 57-64, 2014. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/34b5/8b9e20fa3d2e98b7478097c3f87a45f5e87a.pdf. Acesso em: 21 set. 2019.

BEZERRA, J. M. C.; ARAÚJO, M. A. D. Planejamento estratégico em ONGs e sustentabilidade econômico-financeira: o caso da Casa de Passagem. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 38, n. 5, 2004. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/view/6754/5336. Acesso em: 20 set. 2019.

BITTENCOURT, Marcus Vinicius Corrêa. Contratos de gestão. Âmbito Jurídico, São Paulo, 31 maio 2005. Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-administrativo/contratos-de-gestao/. Acesso em: 15 maio 2019.

BRASIL. Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998. Brasília: Presidência da República, 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9637.htm. Acesso em: 17 maio 2019.

BRAY, I. M. Effective fundraising for nonprofits: real-world strategies that work. 4ª ed. Berkeley: Nolo, 2013.

CASA - COLETIVO ARTÍSTICO SUSTENTÁVEL E ALTERNATIVO. Torne-se colaborador, Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 2020. Facebook: Casa. Disponível em https://www.facebook.com/pg/plataformacasa/posts/. Acesso em: 02 jan. 2020.

ENDEAVOR BRASIL. 6 Ferramentas para fazer seu planejamento estratégico em 2017. São Paulo, 14 nov. 2017. Disponível em: https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/ferramentas-planejamento-estrategico/. Acesso em: 20 set. 2019.

GASTROMOTIVA. Refettorio Gastromotiva. Rio de Janeiro, c2019. Disponível em: http://gastromotiva.org/projetos/refettorio-gastromotiva/. Acesso em: 20 set. 2019.

GUEDES, G. W. Balanced scorecard no setor público: uma análise do mapeamento de competências na Procuradoria Regional da República da 4ª Região. Porto Alegre: UFRGS, 2012. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/72809/000886169.pdf?sequence=1. Acesso em: 20 set. 2019.

HOEFER, R. From web site visitor to online contributor: three internet fundraising techniques for nonprofits. Social Work, Oxford, v. 57, nº 4, p. 361-365, out. 2012. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/ 234048760_From_Web_Site_Visitor_to_Online_Contributor _Three_Internet_Fundraising_Techniques_for_Nonprofits. Acesso em: 20 set. 2019.

JUNTOS.COM.VC. Financiamento coletivo de projetos sociais. c2012. Disponível em: http://www.juntos.com.vc/. Acesso em: 17 maio 2019.

KICKANTE. Sobre a Kickante. [201-]. Disponível em: https://www.kickante.com.br/. Acesso em: 17 maio 2019.

LANG, Flávia. Captar com pessoas físicas: é necessário estar preparado. Rede Filantropia, São Paulo, 11 set. 2014. Disponível em: https://www.filantropia.ong/informacao/captar-com-pessoas-f%C3%ADsicas-%C3%A9-necess%C3%A1rio-estar-preparado. Acesso em: 15 maio 2019.

LIMA FILHO, R. N.; SOUSA, R. S.; CORDEIRO FILHO, J. B. Planejamento estratégico em entidades do terceiro setor: uma análise na Região Metropolitana de Salvador. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 7., 2010, Resende. Artigos. Resende: AEDB, 2010. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/425_seget_3setor.pdf. Acesso em: 20 set. 2019.

MADRUGA, L. R. R. G. et al. O planejamento estratégico como ferramenta para a renovação do pensamento estratégico em uma organização do terceiro setor: o caso da OMEP/SM. Revista Eletrônica de Contabilidade, Goiânia, v. 1, nº 1, 2004. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/contabilidade/article/view/250. Acesso em: 20 set. 2019.

MAIA, Beatriz. Captação de recursos de pessoas físicas é desafio para empreendedores sociais. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 nov. 2018. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/fiis/2018/11/captacao-de-recursos-de-pessoas-fisicas-e-desafio-para-empreendedores-sociais.shtml. Acesso em: 15 maio 2019.

MEDEIROS, Dayane. Apresentação do projeto na Rede Bandeirantes. Rio de Janeiro, 02 de janeiro de 2020. Facebook: Day Medeiros. Disponível em: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2683789424974950&id=100000317562866. Acesso em 02 de janeiro de 2020.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (São Paulo). Captação de recursos para o terceiro setor: aspectos jurídicos. São Paulo: OAB-SP, 2011. Disponível em: http://www.oabsp.org.br/comissoes2010/gestoes-anteriores/direito-terceiro-setor/cartilhas/captacao_aspjur21092011%20revisada.pdf/at_download/file. Acesso em: 15 maio 2019.

PETTEY, J. G. Ethical fundraising: a guide for nonprofit boards and fundraisers. Hoboken: Wiley, 2008.

SANTOS, N. C. et al. Captação de recursos financeiros em organizações sem fins lucrativos: a utilização de indicadores de gestão para os doadores e beneficiários dos projetos sociais. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 16., 2008, Piracicaba. Anais. Piracicaba: Unimep, 2009. Disponível em: http://www.unimep.br/phpg/mostraacademica/anais/6mostra/5/95.pdf. Acesso em: 20 set. 2019.

SILVA, E. P. C.; VASCONCELOS, S. S.; NORMANHA FILHO, M. A. Captação de recursos para a gestão do terceiro setor, um grande desafio. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 9., 2012, Resende. Artigos. Resende: AEDB, 2012. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos12/2316610.pdf. Acesso em: 21 set. 2019.

TACHIZAWA, Takeshy. Organizações não governamentais e terceiro setor. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2004.

TOZZI, Alberto José. ONG sustentável: o guia para organizações do terceiro setor economicamente prósperas. São Paulo: Gente, 2017.

Publicado em 12 de maio de 2020

Como citar este artigo (ABNT)

SOUZA, Janílson Jesus de; LOPES, Natália Fonseca; PONTES, Patrícia Dias Cruz de; FERNANDES, Pedro Augusto Almeida; ALMEIDA, Silvana Cardoso de. Consultoria e captação de recursos para uma ONG de educação e arte. Educação Pública, v. 20, nº 17, 12 de maio de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/17/consultoria-e-captacao-de-recursos-para-uma-ong-de-educacao-e-arte