Educação Infantil e dificuldades de aprendizagem: a hiperatividade trabalhada por meio de estratégias de ensino

Israelly Barbosa Florêncio

Graduanda em Pedagogia (UNIP)

O trabalho pedagógico na Educação Infantil envolve inúmeras possibilidades de abordagens de ensino. O lúdico se apresenta com grande expressividade devido ao seu caráter formador e desenvolvedor de habilidades psicomotoras, bem como o bem-estar da criança em meio escolar. Todavia, por mais concentradas e qualificadas sejam as atividades desenvolvidas pelos professores, surgem eventualmente casos em que a criança não consegue estabelecer ou seguir os limites de atividades lúdicas, bem como aquelas que envolvem as habilidades de concentração e atenção, características do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Não sendo obrigatório, estima-se que o TDAH manifesta suas características em crianças com faixa etária entre 7 e 12 anos de idade, uma das principais fases de desenvolvimento físico, cognitivo e motor da criança.

O TDAH é uma das principais constatações das dificuldades de aprendizagem dos alunos em seus primeiros anos de vida escolar. Professores ocasionalmente se deparam com alunos muito empolgados, que muitas das vezes acabam perdendo o foco quando, em muitos outros casos, nem conseguem prestar a atenção inicial. Esse transtorno é a exteriorização de ideias de maneira compulsiva, sendo expresso, em sala de aula, em comportamentos excessivos, como correr, contar muitas histórias e gritar, dentre outros, o que consequentemente será refletido no baixo desempenho escolar devido à falta de concentração e dedicação.

Crianças com TDAH acabam transcendendo e dispersando a atenção dos demais colegas de sala, haja vista o comportamento inquieto e envolvedor, em que a criança acaba compartilhando novas descobertas de maneira expressamente espontânea, em que o contar ao amigo torna-a o centro das atenções, uma característica bastante inerente a crianças com TDAH. Essas circunstâncias exigem muito das habilidades docentes de controlar e conduzir uma aula assegurada do alcance dos objetivos pedagógicos preestabelecidos, em que os alunos com TDAH necessitam de atenção especial; em muitos casos as aulas acabam sendo comprometidas pela elevada quantidade de alunos sob sua responsabilidade em sala de aula.

Nossa perspectiva é que este estudo possa contribuir tanto para professores quanto para pais acerca de uma compreensão mais abrangente da temática, sendo de suma importância saber as causas e como lidar com o TDAH.

Para tanto, o presente estudo traz um referencial teórico, evidenciando as principais concepções de autores da área de TDAH, seguido pela metodologia, a qual demonstra a natureza do estudo, resultados e discussão, dispondo os principais conhecimentos formulados e conclusão, que expõe as principais inferências do estudo e sua expressividade científica.

Contextualizando hiperatividade e história

O TDAH foi explanado inicialmente pelos estudos do médico pediatra inglês George Frederic Still (1868-1941). Em seus estudos, ele observou determinadas características comportamentais definidas como “defeitos de controle moral”. Still estabeleceu que tais “defeitos” não deveriam ser atribuídos exclusivamente à formação externa da criança (família/sociedade), mas, sim, como parcialmente fruto da natureza biogenética hereditária.

Com o passar do tempo, o TDAH foi sendo alvo de inúmeros estudos; no entanto, cada pesquisador atribuía paralelamente novos diagnósticos, os quais, gerados com base em diferentes abordagens, produziam inúmeras definições, muitas das quais contraditórias.

Atualmente, a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) registra o conceito de hiperatividade como

um transtorno neurobiológico, com grande participação genética (isto é, existem chances maiores de ele ser herdado), que tem início na infância e que pode persistir na vida adulta, comprometendo o funcionamento da pessoa em vários setores de sua vida, e se caracteriza por três grupos de alterações: hiperatividade, impulsividade e desatenção (Rezende, 2017, p. 4).

Assim, é possível identificar que o TDAH é expresso significativamente devido às condições biológicas da criança, em que deve haver a consciência de que seu comportamento inadequado muitas vezes pode ser fruto de fatores genéticos e não simples ou meramente comportamental, o que pode explicar o fato de algumas crianças filhas de pais de personalidade apaziguadora expressarem comportamento agitado e vice-versa; o professor é um dos intermediadores dessa análise.

O TDAH é uma especificidade humana expressa e estudada em inúmeros países, os quais evidenciam que tal comportamento é inerente à espécie humana. Rohde e Halpern (2004) demonstram que

a prevalência do transtorno tem sido pesquisada em inúmeros países em todos os continentes. Diferenças encontradas nas taxas de prevalência refletem muito mais diferenças metodológicas (tipo de amostra, delineamento, fonte de informação, idade, critérios diagnósticos utilizados ou a forma como eles são aplicados) do que reais diferenças transculturais no constructo diagnóstico do transtorno. Assim, estudos nacionais e internacionais que utilizam os critérios plenos do DSM-IV tendem a encontrar prevalências ao redor de 3 a 6% em crianças em idade escolar. (Rohde, Halpern, 2004, p. 62).

O conceito de TDAH sofreu inúmeras alterações com o passar do tempo; todos aqueles que buscavam esclarecê-lo inferiam novas descobertas, mas que nem sempre entravam em consenso.

Atualmente, de acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), o TDAH enquadra-se nos códigos CID-10 e F90, pois suas características englobam a expressividade de manifestações clínicas (instabilidade motora) e impulsividade, tendo o déficit de aprendizagem identificado pelo Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA).

A partir de 1994, com a IV publicação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, em inglês), o TDAH foi estabelecido em três expressões, as quais apresentam características gerais de maneira associada:

  • TDAH predominantemente desatento;
  • TDAH predominantemente hiperativo/impulsivo;
  • TDAH combinado (desatento + hiperativo/impulsivo).

Panoramicamente, o quadro a seguir mostra a evolução da condição clínica do TDAH e suas alterações, de acordo com os conceitos reformulados e aperfeiçoados concomitantemente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Psiquiatria.

Quadro 1: Evolução do conceito do TDAH

Ano

Manual

Nome

1968

DSM-II

Reação hipercinética da infância

1980

DSM-III

TDA (ou DDA) com ou sem H

1987

DSM-III-R

TDAH

1994 aos dias atuais

DSM

TDAH com três subtipos:
- combinado;
- predominantemente desatento;
- predominantemente hiperativo/impulsivo.

DSM-IV-TR

DSM-V

CID-10

Transtornos hipercinéticos (F90).

Fonte: Rezende (2017).

Hiperatividade e escola

No dia a dia da prática docente, o professor é capaz de identificar as principais características de comportamento dos alunos, que se refletem nas dificuldades de aprendizagem. Todavia, essa análise deve ser associada ao apoio pedagógico para que todos os envolvidos na aprendizagem da criança com TDAH possam contribuir para o atendimento de qualidade e com maiores chances de sucesso escolar.

Para Oliveira (2017, p. 2),

o ensino na rede pública enfrenta dificuldades para garantir a aprendizagem dos alunos de maneira geral, ainda mais nos dias atuais, quando os professores são desafiados a elaborar atividades que sejam atrativas a todas as crianças. Ao direcionarmos o pensamento na aprendizagem das crianças com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), percebemos que a problemática torna-se ainda maior. O transtorno não é uma deficiência, e sim um distúrbio do neurodesenvolvimento infantil, e pode persistir ao longo da vida.

Percebe-se que o atendimento às crianças com TDAH muitas vezes encontra-se em risco, tornando a dificuldade de aprendizagem um agravante cada vez mais complexo e com consequências iminentemente negativas para o futuro aprendizado delas.

Diante desse contexto de diagnósticos e impasses, o professor encontra-se na linha de frente em busca de metodologias alternativas para poder munir-se do mínimo de direcionamento às crianças com TDAH dentre aquelas que apresentam outras manifestações clínicas, além da própria indisciplina discente.

Inúmeros são os casos em que o professor da Educação Infantil não possui qualificação acadêmico-profissional suficiente para poder traçar planos de ensino capazes de contemplar e desenvolver um trabalho pedagógico coerente com as especificardes do TDAH.

Sobre escola, professores e alunos com TDAH, Lima (2014, p. 2.437) aponta:

Ressaltamos que a mola propulsora a um trabalho docente de qualidade é o fato de o professor precisar compreender o que é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e quais são as características que os alunos apresentam nesse quadro clínico. Nesse tocante, devemos considerar que a escola é um espaço no qual os educandos passam boa parte do seu tempo. Assim, a função por ela desempenhada deve ser a de possibilitar que as práticas pedagógicas possam fomentar nos alunos êxito na dinâmica de ensino e aprendizagem.

A escola deve ser ativa e desempenhar seu papel formador oferecendo aos professores condições mínimas para trabalhar as diferenças; ela é responsável por oferecer formações continuadas de acordo com as necessidades pedagógicas enfrentadas pela equipe pedagógica.

Para Tozetto (2017, p. 24.538),

A docência requer responsabilidade por uma boa prática pedagógica que está ligada às atitudes críticas, discutidas com o coletivo que compõe o processo ensino-aprendizagem em uma formação continua. O profissional criterioso faz escolhas subsidiado no conhecimento científico, constrói seu conhecimento considerando a diversidade social, cultural, econômica, política e humana.

Para poder desempenhar uma docência de qualidade, o professor deve estar munido de conhecimento científico capaz de ampará-lo diante da necessidade da prática de novas abordagens que possam assegurar-lhe mínimas condições para poder propor atividades coerentes com as dificuldades enfrentadas. Essa é a urgente necessidade da promoção e aquisição do conhecimento oportunizado pelas formações continuadas na educação.

Indubitavelmente, os professores precisam estar bem preparados, teórica e metodologicamente, ao receber um aluno que venha a mudar suas estratégias de ensino, pois, assim como todos os demais educandos da classe, ele tem direito a aprender (LIMA, 2017, p. 2.445).

Diante de ocasiões que requerem do trabalho docente atenção redobrada, o professor deve lançar mão de estratégias de ensino que viabilizem o ensino-aprendizagem de modo natural, sem que os integrantes do processo sofram alterações em suas rotinas, o que muitas vezes acaba não acontecendo, pois, devido à falta de conhecimento, muitos professores acabam adquirindo instabilidades emocionais e psicológicas.

Os efeitos da pressão psicológica do trabalho pedagógico podem ser identificados em Tostes et al. (2018, p. 89):

A desvalorização do trabalho do professor se traduz pelo desrespeito por parte dos alunos, baixos salários, carga de trabalho exaustiva, alto número de alunos por classe e pressão por metas de produtividade, fatores responsáveis pelo intenso sofrimento docente. A isto se somam o aumento dos contratos temporários e a perda de garantias trabalhistas; falta de preparo durante a formação; dificuldades na relação com alunos e pais, diante das fragilidades da escola; exigência de adoção de uma pedagogia que não corresponde ao modelo de escola instituído; cumprimento de várias jornadas em diferentes escolas, sobrecarga advinda da assunção de tarefas como preenchimento de relatórios, cálculo de notas e anotações de frequência.

Todo esse cenário culmina na qualidade da aula, especialmente tratando-se de classes com alunos com TDAH, o que pode inferir que o trabalho docente sofra pressões de inúmeras partes, e manter tal qualidade acaba por ser um desafio complexo e arriscado.

Além do mais, ainda há a cobrança dos responsáveis pelo sucesso escolar, evidenciando que o ciclo de apoio e parceria entre escola, família e aluno, transcritos na comunidade escolar, acaba impondo a cobrança sem identificar ou zelar pelo cumprimento de condutas básicas, como acompanhamento escolar do aluno, bem como as observações e contribuições do professor em prol do aluno.

Hiperatividade e estratégias de ensino

O professor, ao lidar com alunos com TDAH, pode lançar mão de atividades que contemplem tanto o desejo de crianças que apresentam comportamento adequado quanto aquelas com comportamento impulsivo; trata-se de atividades dinâmicas, com fins pedagógicos, voltadas à necessidade de expressar-se e que, ao mesmo tempo, pode adquirir algum dos aspectos de aprendizagem.

Pelos estudos de Piaget (1976), é possível constatar que atividades dinâmicas se apresentam como proposta viável para que as crianças possam adquirir, expressar e transformar o meio onde vivem e convivem; essas atividades são as possibilidades de poder compreender os desafios do mundo e dar oportunidade a elas de suprir suas necessidades conforme especificadas. As atividades dinâmicas serão capazes de aproximar todos os envolvidos e envolvê-los em situações de parceria e reciprocidade, podendo explorar a paciência, o respeito e a amizade. As brincadeiras são capazes de dar às crianças momento de expressarem suas vontades e libertar suas ideias de convívio com os demais: “o que posso fazer?”, “com quem?”, “onde?”, “como?”. Esses e outros questionamentos ampliam a noção de comportamento por parte das crianças; o educador e os pais e responsáveis pela orientação dosada dessa necessidade impõem a eles limites para que sua vontade e sua felicidade não ponham em risco as dos outros.

Para Vygotsky (1984, p. 27),

é na interação com as atividades que envolvem simbologia e brinquedos que o educando aprende a agir numa esfera cognitiva. (...) A criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real, tanto pela vivência de uma situação imaginária quanto pela capacidade de subordinação às regras.

Ao propor atividades dinâmicas com finalidade pedagógica, o professor oportuniza uma aprendizagem significativa, fazendo com que a criança desenvolva o gosto por aprender novos saberes e agindo como protagonista de sua aprendizagem e de maneira coerente com os pressupostos de ensino formativo.

As estratégias de ensino são formuladas diante das necessidades dos alunos e de acordo com suas especificidades. O professor pode elencar atividades que contemplem a visualização daquilo que está sendo ensinado, pois a curiosidade fará com que o aluno com TDAH destine certa concentração a aulas expositivas e dialogadas acerca de algumas temáticas, aulas de campo, apresentação de figuras, histórias com imagens, fotografia dos alunos e de seus familiares, vídeos curtos, músicas, dentre outras que possibilitem atrair a atenção e que não caiam na repetição temporária, pois o aluno com TDAH poderá sentir-se entediado e acabar ignorando a proposta da aula.

Em Rufino (2014, p. 23) evidenciamos a importância das estratégias de ensino em meio educacional:

Sabemos que o ambiente escolar é um auxiliador necessário para a formação do educando, pois este está a cada dia construindo conhecimentos e fazendo descobertas mesmo fora da escola. Pensar em novas formas de auxiliar esse aprendizado precisa ser tarefa constante no trabalho de educadores realmente comprometidos com a qualidade do ensino escolar. Muitas estratégias estão à disposição, mas para um uso adequado é importante que o professor desenvolva uma dinâmica de estudo, planejamento e seleção para o trabalho acontecer, procurando não apresentar prática repetitiva do ensino cotidiano, pois em um mundo em constante transformação, as crianças anseiam sempre por mais e mais novidades.

Torna-se claro que a proposta de atividades dinâmicas como brincadeiras e jogos, dentre outras, é plausível no que se refere ao envolvimento de objetivos de aprendizagem coerentes com as necessidades de aprendizagem dos alunos.

Lima e Cavalcante (2013, p. 82) afirmam que,

ao utilizar os processos convencionais, os professores deixam as aulas para a criança com TDAH, monótonas e sem atrativos, não a motivando ao aprendizado; pelo contrário, as impele a procurar, durante as aulas, por atividades que venham ajudar a liberar sua energia e criatividade. Por não ter entendimento sobre o transtorno, professores visualizam apenas a parte negativa do transtorno sem aproveitar as características positivas.

Notoriamente, o trabalho pedagógico comprometido com a transmissão de conhecimentos que alcancem as necessidades dos alunos deverá pautar-se em estratégias que contemplem o máximo da plenitude cognitiva dos alunos mediante as possibilidades de ensino que estiverem ao alcance; as atividades dinâmicas são daquelas que requerem a atenção à proposta e a análise dos resultados.

Como exposto, a viabilidade de trabalhar o TDAH concentra grande atenção em atividades dinâmicas e a estas se pode inferir as atividades físicas.

Costa et al. (2015, p. 113) evidenciam que

a Educação Física é uma disciplina que leva o aluno a refletir, por meio do movimento, suas ações e necessidades frente às demandas da sociedade atual na qual ele precisa posicionar-se. Do mesmo modo, a Educação Física Adaptada visa compreender necessidades e desenvolver capacidades; em suma, potencializar ações para independência e autonomia em meio a suas competências sociais e educacionais; no caso específico das crianças com TDAH, estimular a memória, atenção e concentração por meio de estratégias de ensino e recurso pedagógico.

Aspectos ambientais e seus reflexos na hiperatividade

Conforme mencionado, o TDAH é de natureza genética. No entanto, fatores externos podem influenciar significativamente na evolução desse transtorno; por estimular cada vez mais tal comportamento, a falta de compreensão e de acompanhamento clínico poderá ampliar as dificuldades de comportamento e de socialização da criança com TDAH.

De acordo com Ribeiro (2012, p. 4),

para que o aluno não seja prejudicado no seu rendimento escolar e para que ele tenha um convívio harmonioso com todos os que o cercam, é necessário que os pais, professores, a direção da escola e principalmente os profissionais da saúde estabeleçam uma estrutura de relacionamento organizado. (...) A hiperatividade vem afetando o rendimento escolar do aluno, fazendo com que ele fracasse na vida escolar; com isso, é de extrema importância que eles sejam motivados pelos professores; as salas de aula devem ser organizadas e estruturadas, com regras claras e materiais pedagógicos diversificados.

Ao lidar com crianças hiperativas, o professor deve acionar a família para que ambos, escola e família, possam agir em prol do melhor tratamento e atendimento da criança com TDAH, pois quanto antes houver o diagnóstico, melhor será o desenvolvimento de atividades orientadas às suas dificuldades de aprendizagem, bem como melhor comportamento em meio familiar também.

A avaliação da aprendizagem de crianças hiperativas

A princípio, o professor poderá abordar alunos que apresentam as características do TDAH de forma inapropriada, mas não com consciência e sim como forma de chamar a atenção do aluno, de certa forma por não compreender, em muitos casos, a natureza de tal comportamento e acabar comparando alunos, fazendo com que o aluno com TDAH sinta-se inferior e bloqueie suas habilidades de aprendizagem.
Para Furlanetto et al. (2007, s/p),

o aluno desatento por vezes é abordado pelo professor com questionamentos, como por exemplo, sobre ele estar viajando, fora da sala de aula, o educador faz isso de maneira a tentar atrair a atenção do aluno que muitas vezes não consegue se fixar ao que está sendo dado em sala de aula, e em várias ocasiões tal comportamento interfere na avaliação da aprendizagem, diminuindo a nota ou conceito dividindo a sala entre os bem e mal comportados com notas, respectivamente, positivas e negativas.

Diante desses casos, o professor necessita ser cauteloso para evitar abordagens invasivas que acabem sendo mal interpretadas pelos alunos com indícios de TDAH, pois eles não compreendem que possuem essas dificuldades cognitivas e comportamentais.

Metodologia

A metodologia do estudo ancora-se principalmente nos pressupostos de pesquisa qualitativa, com orientação à revisão bibliográfica de produções previamente produzidas, complementando e fundamentando-se em uma base de pesquisas que evidenciam as contribuições de atividades postas estrategicamente no cotidiano escolar, especialmente em turmas que apresentam hiperatividade.

Godoy (1995, p. 21) apresenta as principais características de um estudo qualitativo:

Segundo essa perspectiva, um fenômeno pode ser mais bem compreendido no contexto em que ocorre e do qual é parte, devendo ser analisado numa perspectiva integrada. Para tanto, o pesquisador vai a campo buscando “captar” o fenômeno em estudo a partir da perspectiva das pessoas nele envolvidas, considerando todos os pontos de vista relevantes. Vários tipos de dados são coletados e analisados para que se entenda a dinâmica do fenômeno.

Assim, evidencia-se que a pesquisa qualitativa indica que o pesquisador possa atuar em campo de análise, observando, anotando e inferindo pressupostos a partir do fenômeno em foco. Todavia, faz-se necessário destacar que o presente estudo utilizou estudos em que pesquisadores já realizaram pesquisas de campo para evidenciar o desenvolvimento dos fenômenos mencionados, cabendo, aqui desenvolver a temática com base na revisão bibliográfica proposta.

Bento (2018, p. 1) afirma que

a revisão da literatura é uma parte vital do processo de investigação. Aquela envolve localizar, analisar, sintetizar e interpretar a investigação prévia (revistas cientificas, livros, actas de congressos, resumos etc.) relacionada com a sua área de estudo; é, então, uma análise bibliográfica pormenorizada, referente aos trabalhos já publicados sobre o tema. A revisão da literatura é indispensável não somente para definir bem o problema, mas também para obter uma ideia precisa sobre o estado actual dos conhecimentos sobre um dado tema, as suas lacunas e a contribuição da investigação para o desenvolvimento do conhecimento.

Destarte, a especificidade dos estudos científicos que envolvem a revisão de literatura apresenta grande relevância ao meio acadêmico e social, haja vista que se trata da análise de um microcampo do conhecimento o qual é contemplado pela apresentação de evidências de comportamento associadas a uma ação que busque estabelecer a ordem e a adequação dos níveis de qualidade, especificamente aqui se tratando sobre ensino-aprendizagem.

Resultados e discussão

É de suma importância o desenvolvimento de estudos que contemplem a natureza das relações entre professores e alunos, especialmente em se tratando da Educação Infantil.

O profissional da Educação deve ter em mente a possibilidade de que em algum momento de sua carreira docente irá ter que lidar com as diferenças em sala de aula, e, para que seu trabalho possa estar assegurado pela qualidade ele deverá estar preparado para traçar estratégias de ensino que contemplem tais diferenças em prol do melhor desempenho acadêmico e que sua função não seja exposta a pressões físicas e psicológicas.

Ao propor intervenções educacionais – especificamente estratégias de ensino –, o professor objetiva oportunizar o ensino de determinados conhecimentos e das habilidades básicas para que o ensino-aprendizagem ocorra de maneira fluente e com qualidade, alçando o comportamento demasiadamente expressivo por outros que se apresentem sociáveis e ascendentes.

Na ocorrência do trabalho pedagógico com aluno com TDAH, os profissionais da educação que não têm a devida formação sobre as especificidades do transtorno devem solicitar à gestão escolar a oferta e promoção de formação continuada que promova momento de orientação para casos excepcionais em aula, pois toda forma de aperfeiçoamento de abordagens metodológicas será refletida positivamente em um trabalho orientado e fundamentado em literaturas extracurriculares.

Na carência de um trabalho pedagógico mais aprimorado, o professor acabará recorrendo a repetidas expressões de repressão de alunos com TDAH, por meio de condutas de impaciência, raiva, expressões negativas, incompreensões; uma das atitudes mais visíveis é a retirada do aluno de sala de aula, dentre outras condutas inapropriadas para lidar com tal transtorno.

Sendo assim, o trabalho pedagógico comprometido com a evolução dos aspectos comportamentais de seus alunos deverá ocorrer pela formação adequada, promovida por políticas públicas ou pela ação própria, pois o conhecimento não deve ser adquirido em condições de trocas, mas de capacidade profissional.

Conclusão

Com base nos estudos elencados nesta pesquisa, é possível inferir que a abordagem pedagógica com crianças com TDAH requer muito mais do que simplesmente inserir a criança na escola e esperar que o professor obre milagres em prol de um desenvolvimento físico e cognitivo desse aluno. Faz-se necessária a parceria ativa entre escola e família, professor e equipe pedagógica, escola e políticas públicas e professores com suas habilidades de intervenção, reflexão, capacidade e aperfeiçoamento pessoal.

O trabalho pedagógico com alunos com TDAH não deve ser compreendido como algo que possa ser resolvido nas condições de expressividade dos alunos, mas sim com propostas que indiquem estratégias de ensino que aproximem os alunos com TDAH às possibilidades de aprendizagem, sendo necessária a intervenção tanto familiar, no trato com atendimento clínico, quanto gestora no que se refere à promoção de formações continuadas que auxiliem o trabalho pedagógico com vistas à superação de desafios, tornando a escola um espaço de transformação mediante o conhecimento; o professor desenvolverá sua prática pedagógica focada tanto nos conceitos literários e teóricos quanto nas necessidades de expressão de seus alunos.

Por meio da aquisição de novos saberes, o professor poderá sentir-se mais capacitado para lidar com a complexidade do TDAH, buscando aperfeiçoar suas abordagens metodológicas e implementando seu repertório didático. Em sua grande maioria, as dificuldades enfrentadas pelos professores em sala de aula acontecem devido à falta de compreensão teórica acerca do posicionamento, tratamento e comportamento adequado para lidar com tal transtorno.

Em muitos casos, é inevitável o sentimento de frustração com o trabalho pedagógico despreparado para lidar com o TDAH; a desmotivação se torna presente em todas as aulas, e o professor acaba se sentindo superado diante dos desafios e obstáculos para poder lidar com as dificuldades de alunos com TDAH.

Diante da falta de conhecimento, o profissional acaba por abster-se de tentar encontrar soluções adequadas para a problemática e acaba por recorrer a atitudes impróprias, como retirar o aluno de sala de aula e privá-lo de poder aprender.

Buscar o aperfeiçoamento profissional se torna uma das principais metas que o professor pedagogo deve assumir para poder trilhar brilhantemente sua jornada profissional.

Referências

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Publicado em 07 de julho de 2020

Como citar este artigo (ABNT)

FLORÊNCIO, Israelly Barbosa. Educação Infantil e dificuldades de aprendizagem: a hiperatividade trabalhada por meio de estratégias de ensino. Revista Educação Pública, v. 20, nº 25, 7 de julho de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/25/educacao-infantil-e-dificuldades-de-aprendizagem-a-hiperatividade-trabalhada-por-meio-de-estrategias-de-ensino