A evasão na EaD: Uma análise sobre os dados e relatórios, ano base 2017, apresentados pelo Inep, UAB e Abed

Walter Pinto de Oliveira

Aluno da Especialização em Uso Educacional da Internet (UFLA)

Wanderley José Mantovani Bittencourt

Professor orientador da Especialização em Uso Educacional da Internet (UFLA)

Hoje possuímos oferta crescente de cursos de graduação e especialização na modalidade a distância, de acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a Universidade Aberta do Brasil (UAB), com tendência de crescimento nos números, muito em razão das alterações na legislação que autorizam sua utilização parcial no Ensino Médio bem como a liberação de oferta para cursos antes não permitidos na legislação.

Segundo dados da Abed as matrículas nas faculdades já apresentam cerca de 20% dos alunos estudando em cursos não presenciais. Tais dados não consolidam a pós-graduação, muito em função de os cursos de pós-graduação lato sensu compreenderem programas de especialização; por isso os estudantes que concluem recebem um certificado e não um diploma, como em uma graduação, apesar de as instituições de ensino e os cursos serem regulamentados pelo MEC.

Não podemos também desconsiderar a crescente necessidade de aprimoramento e formação que o mercado de trabalho vem solicitando. Nesse aspecto, podemos inferir o papel social da Educação a Distância (EaD) em universalizar o acesso a uma formação continuada de qualidade, em grandes centros ou lugares longínquos. A EaD pode ser considerada uma das formas mais efetivas de formar e qualificar profissionais, caracterizando-se por ser uma das mais importantes ferramentas de transmissão, acesso e democratização do conhecimento.

Apesar da importância e do crescimento, as taxas de evasão têm apresentado números altos, chegando a 75% em cursos técnicos e em torno de 40% no Ensino Superior, conforme o Censo EaD da ABED. Tais números são influenciados por diversas variáveis e fatores – sociais, institucionais e pessoais. A EaD necessita de estudos e pesquisas, tornando-se relevante estudar as causas dessa evasão, com a finalidade de identificar situações e propor estratégias que visem à redução de tais índices ou uma equiparação com o ensino presencial.

A permanência do aluno até a conclusão do curso traz benefícios tanto para a sociedade quanto para o mercado de trabalho, que contará com profissionais mais qualificados e com renda maior. O insucesso traz prejuízos financeiros para a instituição e para o governo, que não consegue implantar políticas sociais que atinjam o seu objetivo.

Este trabalho traz como tema uma reflexão sobre as causas da evasão e suas articulações no Ensino Superior com base em dados e pesquisas de Abed, Inep e UAB, promovendo um conhecimento que possa embasar uma definição de políticas e práticas voltadas ao combate de tal problema. Este trabalho busca ainda elencar possíveis causas da evasão, de forma a propiciar ações corretivas e preventivas em relação a esse problema.

Conceituando educação

Conceituar educação não é algo necessariamente simples. Kneller (1971) afirma que a educação “diz respeito a qualquer ato ou experiência que tenha efeito formativo sobre a mente, o caráter ou a capacidade física de um indivíduo”. Aranha (1996) traz educação em um sentido mais amplo ao afirmar que ela contempla o desenvolvimento integral do homem, sob os aspectos físicos, intelectuais e morais.

Inexistem barreiras que limitam a comunicação e os diálogos, sejam eles culturais ou econômicos, principalmente na Educação. Tais mudanças têm gerado muitas transformações advindas de novos modelos tecnológicos de comunicação mais rápidos. O comportamento humano tem se mostrado mais dinâmico, causando alterações significativas. Inovações tecnológicas vêm permitindo redução nos custos e provocando transformações em todos os níveis sociais, com estilos e consumos diversificados (Lévy, 2009).

A educação vem se transformando em um modelo mais atual, se reestruturando em função das demandas apresentadas. A EaD vem se apresentando como uma ferramenta de desenvolvimento e capacitando profissionais. Esse modelo educacional que utiliza principalmente a internet é conhecido como EaD, mas Moore e Kearsley (2007) ensinam que tal identificação nem sempre foi classificada dessa forma. A EaD já utilizou várias plataformas e mecanismos, como cartas, rádio, televisão, vídeos, apostilas impressas, enfim, muitas outras ferramentas que eram utilizadas para encurtar distâncias no processo de ensino-aprendizagem. A EaD vem sendo utilizada como modelo educacional há muito tempo no país sem nomear ou identificar assim. A sua popularização se deu a partir de 2005, com a entrada em vigor do Decreto nº 5.622/05 (revogado pelo Decreto nº 9057/17), em que foi efetuada a regulamentação do Art. 80 da Lei de Diretrizes Básicas da Educação (Lei nº 9.394/96).

A evasão no ensino a distância

A EaD tem se mostrado como alavanca para o crescimento do Ensino Superior. Nesse contexto, a evasão não só é o maior problema como também maior motivo de preocupação desse modelo de aprendizagem. Tal fenômeno é complexo e idêntico nas instituições de ensino do mundo todo. Para Silva Filho et al. (2007), a evasão no ensino superior é um problema de dimensões internacionais, afetando a todos os sistemas educacionais.

Peters (2004) caracteriza os alunos como principais agentes dentro do processo de aprendizado. Tais circunstâncias levam a um grande percentual de evasão, pelo fato de muitos alunos não estarem preparados para quebrar paradigmas e romper as barreiras enfrentadas na EaD. Essa mudança significa romper modelos tradicionais e passar a encarar um novo modelo em que não exista padrão no ensino. O aluno é o centro do aprendizado e cabe a ele encontrar o seu modelo, sem entraves ou limitações impostas.

Na EaD a evasão vem sendo apontada como um problema presente em praticamente todas as instituições, públicas ou privadas, e em todos os níveis. Lopes et al. (2003) afirmam que um dos maiores problemas relacionados à evasão faz referência à falta de tempo e dinheiro. Woodley e Simpson (2015) veem que tais números se dão em virtude de alunos emergidos do sistema presencial e que buscam na EaD superar consequências da educação anterior. O abandono pode realmente aumentar suas experiências negativas de aprendizagem e a visão pessimista que eles têm de si mesmos.

Silva Filho et al. (2007) afirmam que a busca por um diploma na carreira pretendida não valeria a pena se comparada ao custo e sacrifícios despendidos nessa árdua tarefa. Rossi (2008) conclui que o fator tempo aliado a uma dura jornada de trabalho não permitem a conclusão dos cursos. Há de se ponderar que falta de tempo não pode ser considerada um problema exclusivo dos alunos da EaD, pois está presente em todas as modalidades de ensino e não raro é apontada pela evasão dos alunos no sistema de ensino presencial, principalmente quando se faz necessário conciliar trabalho e educação.

Neves (2006) observa a evasão como um problema multidisciplinar com influências dentro de contextos socioeconômicos sem uma relação específica. Maia et al. (2004) consideram como evasão até os alunos desistentes antes mesmo de iniciar o curso ou ter assistido a uma aula. Farias et al. (2008) categorizam como evadidos aqueles que desistiram de cursar uma das disciplinas em qualquer etapa do período letivo.

Silva Filho et al. (2007) apontam para a falta de políticas de retenção no decorrer do curso, observando apenas ações voltadas para captação de alunos, com campanhas e ações de propaganda e marketing. Gaioso (2005) observou um ínfimo número de instituições com programas de retenção para possíveis alunos evadidos, sendo de difícil observação nas pesquisas realizadas relatos de programas amplos ou com resultados significativos que ajam e tenham obtido sucesso no combate à evasão. Outro relato importante vem de Silva Filho et al. (2007), que aponta como raríssimas as instituições de ensino no Brasil que possuem um programa institucional de combate à evasão, com planejamento de ações, acompanhamento de resultados e coleta de experiências bem-sucedidas.

A maior preocupação com a evasão nos cursos em EaD são as perdas, que vão desde a esfera financeira até a estrutural. Tais problemas, em muitos casos, não foram abordados no planejamento inicial do curso e têm fortes consequências na falta de tentativas e resultados com objetivo de se reduzir a evasão dos alunos na EaD. Outra característica das instituições de ensino é a falta de um modelo claro que explane ou caracterize o que é evasão na EaD.

Aretio (2002) apresenta dois modelos de evasão: o abandono real e o abandono sem iniciar. O aluno sem iniciar tem a característica de não efetuar qualquer tipo de registro ou participação em nenhuma atividade, de nenhuma disciplina do curso. O abandono real é definido pelo aluno que se matricula, inicia as atividades e em algum momento do curso deixa de concluir ou participar das atividades.

Nassar et al. (2008) classificam as causas da evasão como endógenas e exógenas. As primeiras são pertinentes a requisitos didáticos/pedagógicos, institucionais e atitudes relacionadas a atitudes comportamentais, subcategorizando os alunos quando já estão cursando efetivamente uma instituição de ensino. Tais problemas são idênticos em quase todos os cursos em EaD; em muitas situações a instituição prefere ignorar a assumir e tratar como deveria.

As instituições de ensino podem partir do princípio de que as causas da evasão podem e devem ser evitadas. Entretanto se fazem necessárias participação e vontade de todos que estão envolvidos no processo, que um programa de qualidade seja observado antes do início do curso, com contratação de professores e tutores engajados nas soluções das demandas apresentadas pelos alunos, especialistas nos conteúdos ofertados. Percebe-se que na EaD não se fazem presentes apenas ponderações do ponto de vista pedagógico, mas sim uma amplitude muito maior que envolve toda a instituição de ensino e não somente uma ou outra equipe de funcionários.

As causas exógenas estão muito mais envolvidas com o aluno em si, podendo ser observadas várias nuanças que muitas vezes fogem ao controle da instituição de ensino, como de característica, de vocação, socioeconômicas, pessoais, familiares; enfim, várias são as possibilidades.

Metodologia

Esta pesquisa teve como característica principal uma investigação de caráter qualitativo, pois se buscou uma análise interpretativa de dados e documentos em consonância com o público pesquisado para o real diagnóstico deste trabalho. Tal modelo metodológico se mostrou o mais viável para alcançar o objetivo de aprofundar as variáveis que oportunizam ao estudante desistir de um modelo de ensino a distância.

Em um primeiro momento, foi efetuada uma abordagem por meio de uma exploração teórico-analítica, em que foi realizada uma revisão literária de projetos, artigos e livros sobre a EaD, sendo efetuada uma revisão bibliográfica em que se buscava analisar e compreender a EaD e observar o que vem sendo relatado nas pesquisas sobre a evasão no ensino a distância.

A evasão na EaD é a principal problemática da pesquisa. Todo o estudo foi efetuado com levantamento bibliográfico relacionado à EaD, com base nos dados coletados pela Universidade Aberta do Brasil, pela Associação Brasileira de Educação a Distância, com dados do Censo EAD.BR, e Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, cujo foco primordial foi a evasão na EaD, analisando os estudos sobre tal modalidade de ensino e todas as políticas envoltas nesse contexto.

Levantamento de dados sobre evasão em cursos a distância: UAB

Criada pelo Decreto Presidencial nº 5.800/06, o objetivo principal da UAB é a expansão de cursos e programas de Educação Superior, com prioridade para cursos voltados para formação de professores da Educação Básica e cursos de licenciatura.

Em 2017 foi efetuada uma pesquisa em escala nacional que visava obter mais informações em relação à percepção dos alunos sobre a qualidade dos cursos e à expectativa sobre o Sistema UAB. Com base nos resultados obtidos, foi feita uma análise dos dados relacionados à evasão e aos seus motivos, conforme seus relatos e estratificação.

Na Figura 1 é possível observar os principais fatores que contribuíram para a evasão, como conciliação de trabalho e estudo (40,7%), organização do tempo (26,9%), distância do polo (21,7%) e interação com tutoria (19,5%). Tais dados permitem fazer uma análise da quantidade de alunos que desistem dos cursos em função de diversos problemas, muitos relacionados a questões pessoais que estariam fora de controle por parte da instituição.


Figura 1: Fatores que culminaram com a desistência de alunos na UAB
Fonte: Boletim Informativo dos Resultados da Pesquisa com os Estudantes do Sistema UAB (2017). Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/12012018-Boletim-Informativo-dos-Resultados-Pesquisa-Estudantes-UaB.pptx.

Nota-se nesse cenário que a principal dificuldade dos alunos é conciliar a vida pessoal e suas atividades diárias com os estudos (Figura 2). Tal apontamento não se restringe somente à EaD, mas também a dados verificados no ensino presencial.


Figura 2: Dificuldades relatadas pelos alunos nos cursos a distância
Fonte: Boletim Informativo dos Resultados da Pesquisa com os Estudantes do Sistema UAB (2017). Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/12012018-Boletim-Informativo-dos-Resultados-Pesquisa-Estudantes-UaB.pptx

O que se percebe com os dados apresentados na Figura 3 é que apenas 37% dos alunos ouvidos veem como ótima a interação tutor-aluno. Isso leva a perceber que 63% têm algum tipo de problema na abordagem junto ao tutor, quando efetuada. Cabe ressaltar que o papel do tutor na EaD é fundamental e de extrema importância para a manutenção e redução do número de alunos evadidos, sendo esse o principal motivo para a evasão.


Figura 3: Análise da interação dos tutores ao longo do curso, de acordo com os entrevistados
Fonte: Boletim Informativo dos Resultados da Pesquisa com os Estudantes do Sistema UAB (2017). Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/12012018-Boletim-Informativo-dos-Resultados-Pesquisa-Estudantes-UaB.pptx

Os dados da Figura 4 mostram a insatisfação em quesitos base para a interação entre tutor e alunos, como forma da interação, tempo e qualidade das respostas. Tais requisitos não podem ser problema em qualquer instituição que deseja reduzir o índice de evasão na EaD.


Figura 4: Principais insatisfações quanto a tutoria na visão dos alunos
Fonte: Boletim Informativo dos Resultados da Pesquisa com os Estudantes do Sistema UAB (2017). Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/12012018-Boletim-Informativo-dos-Resultados-Pesquisa-Estudantes-UaB.pptx

O problema que mais chamou a atenção foi a percepção dos alunos quanto aos tutores. Cabe aqui ressaltar que em um modelo de ensino a distância o tutor é peça fundamental. Ele é considerado por muitos como professor ou a primeira fonte de consulta. Se esse tutor falhar em algum momento, todo o trabalho de manutenção dos alunos se acaba. Ele é elo entre o aluno e a instituição, em muitas situações é a porta de entrada para o aprendizado.

Levantamento de dados sobre evasão em cursos a distância: Inep

O Censo da Educação Superior é realizado anualmente pelo Inep; é considerado o mais completo instrumento de pesquisa no Brasil a tratar das instituições de Educação Superior que ofertam cursos de graduação e sequenciais de formação específica. Oferece informações detalhadas da situação e as tendências das instituições de Ensino Superior, seus cursos de graduação presencial ou a distância, cursos sequenciais, vagas oferecidas, inscrições, matrículas, ingressantes e concluintes e informações sobre docentes nas diferentes formas de organização acadêmica e categoria administrativa.

Há no país 296 IES públicas e 2.152 IES privadas. Entre as públicas, são 41,9% estaduais (124 IES), 36,8% federais (109) e 21,3% municipais (63). A maioria das universidades é pública (53,3%); e a maioria das faculdades é privada (87,3%); 63,3% das instituições de ensino federais são universidades, 36,7% são institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) e Centro Federais de Educação Tecnológica (CEFETs).

Os dados apresentados pelo Inep não explanam claramente sobre a evasão na EaD. Entretanto, é possível fazer algumas aferições. Percebe-se que o número de alunos matriculados em cursos EaD vem apresentando um percentual crescente e consistente, principalmente quando se trata de cursos tecnológicos, em que esses números são muito maiores, em se comparando especialmente ao presencial. Quando observamos o número de alunos concluintes, verificamos que são números que não condizem com o percentual de crescimento; em alguns períodos apresentam mesmo queda, quando comparados a períodos anteriores. Se confrontados com os alunos presenciais, são muito menores. Isso nos permite dizer que os alunos matriculados na EaD são maioria, mas os concluintes são minoria. Esses dados, mesmo que percentuais, mostram a quantidade de alunos evadidos entre a matrícula e a conclusão na EaD, chegando a 79% de concluintes no presencial e 21% na EaD.

Levantamento de dados sobre evasão em cursos a distância: Abed

O Censo EAD.BR tem tradição de dez anos acompanhando o desenvolvimento da Educação a Distância (EaD) no país. Tal censo se torna referência para compreender as práticas da EaD no país; o Censo também se tornou um estudo extremamente volumoso e abrangente. Visa colocar à disposição informações quantitativas e qualitativas sobre as atividades de EaD no Brasil para todos os interessados, abrangendo todos os níveis educacionais do sistema formal de ensino, as iniciativas de ensino não formal e as atividades de instituições que fornecem produtos e serviços no segmento.

Normalmente é oferecido mais de um tipo de curso, sendo mais frequente uma combinação de EaD e presencial; 47% das instituições oferecem essa modalidade associada, 36% com cursos EaD, híbridos e presenciais. Em 9% é oferecida somente EaD.


Figura 5: Evolução de cursos
Fonte: Censo EAD.BR (2017). Relatório analítico da aprendizagem a distância no Brasil – Abed. Disponível em: http://www.abed.org.br/site/pt/midiateca/censo_ead/1554/2018/10/censoeadbr_-_2017/2018.

O relatório traz algumas informações relevantes sobre evasão. É preciso deixar claro que ela é uma das principais preocupações no ensino. O que surpreende é o fato de menos de 50% das instituições conhecerem os reais motivos dessa evasão. Quando se separa por categoria, entre 45% e 48% das instituições privadas e públicas conhecem os motivos dessa evasão. No Sistema Nacional de Aprendizagem (SNA), somente 35% conhecem esses motivos.

Os dados coletados apresentam uma comparação entre a evasão na EaD e no presencial. Quando se olha para alunos que possuem mais de 50% dos cursos concluídos, as taxas se equiparam. Mas até 25% o presencial apresenta taxa maior e na faixa de 25% a 50% a EaD supera o presencial em número de alunos evadidos.

O que se sabe até agora, com base no Censo, é que o grande número de evasão ainda é um problema a ser enfrentado pelas instituições e com esforço máximo para sua redução. É preciso ter bastante cuidado com esse enfrentamento diante das novas regras e como elas irão impactar as instituições de ensino.

A evasão é um dos principais problemas a ser superado pela EaD, se não for o maior, e um dos principais indicadores de qualidade de uma instituição de ensino, seja ela em EaD ou presencial. Um número alto de evasão no sistema público significa recursos públicos desperdiçados ou não chegando aos objetivos previstos; nas instituições privadas significa perda de receita, de investimentos; enfim, prejuízo. Não existe solução fácil ou receita tranquila para acabar com o problema. Mesmo em situações diversas, como a pesquisa com dados do sistema público (gratuito) e do privado (pago), o problema persiste, sendo necessárias intervenções e ações contínuas das instituições de ensino.

O que se percebe é a real necessidade de mais pesquisas sobre o que acontece com alunos de EaD. Em muitas situações, tais alunos já tentaram o ensino presencial e por algum motivo não concluíram e viram na EaD uma possibilidade de superar as consequências da educação anterior. E, por não conseguirem atender às suas expectativas, acabam abandonando o ensino a distância.

Nos dados Abed, as instituições de ensino não sabem o real motivo da evasão na EaD, ficando evidenciada a superioridade da evasão na EaD em se comparando ao ensino presencial. Os dados do Inep não apresentam números significativos sobre a evasão na EaD. E na UAB em nenhum momento percebeu-se a evasão como problema a ser abordado ou levado em consideração. Em análise dos números, um dos dados que chamou a atenção foi em relação ao tutor, que tem apresentado constantes falhas ou a percepção junto ao aluno que não vem desempenhando o seu papel da forma correta.

Conclusões

Por meio deste trabalho, pudemos perceber que, apesar de ser um problema recorrente na EaD, ainda não existem mecanismos capazes de permitir a compreensão geral das razões pelas quais um aluno abandona seu curso.

Os três relatórios analisados apresentaram resultados interessantes, mas ainda não alcançaram um número significativo de alunos ou apresentaram discrepâncias nos dados entre os relatórios. Assim, sugere-se que as instituições de ensino possam oferecer um acompanhamento mais completo, a fim de melhor elucidar e reverter esse quadro da evasão na Educação a Distância no Brasil.

Referências

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Publicado em 21 de janeiro de 2020

Como citar este artigo (ABNT)

OLIVEIRA, Walter Pinto de; BITTENCOURT, Wanderley José Mantovani. A evasão na EaD: Uma análise sobre os dados e relatórios, ano base 2017, apresentados pelo Inep, UAB e Abed. Revista Educação Pública, v. 20, nº 3, 21 de janeiro de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/3/a-evasao-na-ead-uma-analise-sobre-os-dados-e-relatorios-ano-base-2017-apresentados-pelo-inep-uab-e-abed