Uso de diferentes recursos didáticos no ensino de reprodução humana no Ensino Fundamental II

Larissa Fracalossi Lucas

Mestre em Ensino na Educação Básica (Centro Universitário Norte do Espírito Santo)

Juliana Castro Monteiro Pirovani

Doutora em Biologia Celular e Estrutural (Centro Universitário Norte do Espírito Santo)

Marcos da Cunha Teixeira

Doutor em Entomologia (Centro Universitário Norte do Espírito Santo)

Camila Galletti Corrêa

Professora na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Pio XII

O ensino de Ciências tem o grande desafio de tornar o ensino mais prazeroso, interativo, com mais diálogo e atividades que sejam capazes de fazer o aluno reconhecer o conhecimento científico em situações do seu dia a dia, já que os estudantes ainda possuem dificuldade de relacionar o que aprende em sala de aula com seu cotidiano. É evidente a necessidade de conhecer a pluralidade de recursos disponíveis e a contribuição de pesquisas que mostram que os estudantes aprendem melhor quando participam ativamente da construção do ensino (Wilsec; Tosin, 2009).

Segundo Freitas (2009, p. 22), os “materiais e equipamentos didáticos são todo e qualquer recurso utilizado em um procedimento de ensino, visando à estimulação do aluno e à sua aproximação do conteúdo”. A utilização de recursos didático-pedagógicos permite que os alunos participem do processo de aprendizagem e, com isso, além de expor o conteúdo de forma diferenciada, preencham lacunas que o ensino tradicional deixa (Castoldi; Polinarski, 2009). Os recursos didáticos fornecem informações, orientam a aprendizagem, exercitam habilidades, motivam, avaliam, fornecem simulações, criam ambientes de expressão e criação (Graells, 2000).

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), o tema ligado à sexualidade e reprodução é considerado importante a cada ciclo, pois é um assunto de grande interesse e relevância social e que se encontra em conexão com o tema transversal orientação sexual, que envolve fatores biológicos, sociais, culturais e de prazer. A partir do último ciclo do Ensino Fundamental, é importante que os alunos tenham melhor conhecimento sobre o processo de fecundação, mudanças hormonais, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis (DST), gravidez, gestação e diferentes tipos de parto. Relacionadas à sexualidade, as informações devem ser objetivas e claras, combatendo todos os tipos de preconceito e valorização do próprio corpo, sempre respeitando as dúvidas e sentimentos (Brasil, 1998).

Na maioria das vezes, alunos do Ensino Fundamental da rede pública se deparam com metodologias que nem sempre auxiliam na efetiva construção de seu conhecimento (Lima; Vasconcelos, 2006). O ensino de reprodução humana para adolescentes acaba sendo prejudicado pela falta de diversidade de recursos didáticos. Estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental estão experimentando mudanças em seu corpo e as dúvidas nesses momentos se tornam muito frequentes. Por isso, esse conteúdo é fundamental. Além disso, nessa fase da vida os estudantes esperam se envolver com atividades mais dinâmicas, em detrimento de aulas expositivas ou centradas no livro didático. Por isso, espera-se que o uso de diferentes recursos didáticos no ensino de reprodução humana desperte ainda mais a atenção e interesse dos alunos.

Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo avaliar o uso de diferentes recursos no processo de ensino-aprendizagem do conteúdo de reprodução humana no Ensino Fundamental II e, além disso, propor novos métodos/recursos para o ensino do conteúdo.

Metodologia

Os diferentes recursos didáticos no ensino de reprodução humana foram aplicados em duas turmas do 8º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Pio XII, localizada no município de São Mateus, norte do Espírito Santo. No primeiro momento houve contato com a equipe pedagógica da escola e com a professora responsável pelas turmas, quando foram informadas do objetivo da pesquisa e do plano de trabalho (entrevistas e sequência didática).

Os instrumentos de coleta e análise de dados a serem utilizados fazem parte do método misto, em que a abordagem quantitativa (realista/objetivista) e a qualitativa (visão idealista/subjetivista) foram empregadas. A abordagem qualitativa será fundamentada na perspectiva sócio-histórica vygostskyana, que percebe a pesquisa como uma relação entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa (Freitas, 2002). Dos inúmeros métodos utilizados na abordagem qualitativa, optou-se pela pesquisa-ação estratégica, que, de acordo com Franco (2005), consiste em uma transformação previamente planejada pelo pesquisador, que envolve o acompanhamento dos efeitos e a avaliação dos resultados de sua aplicação.

Para avaliar os benefícios e as dificuldades (vantagens/desvantagens) do uso de diferentes recursos didáticos no ensino do conteúdo de reprodução humana foram utilizados os seguintes recursos didáticos:

Debate – tira dúvidas: foi aplicado antes de iniciar o conteúdo de reprodução humana; utilizado em duas aulas em cada turma. Em uma aula os alunos escreveram em um papel as dúvidas e curiosidades que possuíam sobre reprodução humana. Em seguida, foi ministrada uma aula para sanar as dúvidas, na qual foram respondidas as perguntas previamente elaboradas e as que surgiram ao longo da conversa, estimulando a participação de todos.

Trabalho em grupo Cronologia da Vida: foi realizado após a explicação das fases de vida; foram duas aulas em cada turma para conclusão. A turma foi dividida em cinco grupos, sendo sorteada uma fase da vida para cada grupo (recém-nascido, infância, adolescência, idade adulta e terceira idade). Após definida a fase de cada um, os grupos ganharam um cartaz e, usando sua criatividade, colocaram ali as características que observam na fase sorteada. No final, os cartazes foram colocados em ordem cronológica, mostrando aos alunos as fases da vida e as mudanças que vão ocorrendo ao longo dela

Vídeos: os vídeos foram exibidos de acordo com a explicação do conteúdo de reprodução humana pelo professor e seguidos de discussão. Após as aulas teóricas sobre sistema genital feminino, sistema genital masculino e fecundação, em uma aula em cada turma, foram exibidos os vídeos do Telecurso – Ciências – aula 57, Ensino Fundamental;
Telecurso – Ciências – aula 58, Ensino Fundamental; e Concepção - sistema reprodutivo 3D HD. Depois dos conteúdos sobre gravidez, gestação e parto; métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, em outra aula foram exibidos os vídeos Passo a Passo da Gravidez e Por Dentro em 3D; Conversa íntima – Informações sobre métodos contraceptivos – Parte 1 e Conversa íntima - Informações sobre métodos contraceptivos – Parte 2. Após os vídeos sobre métodos contraceptivos, foram mostradas a camisinha feminina e a masculina e sua correta utilização.

Jogos didáticos: foram aplicados no final do trimestre, sendo uma aula para cada jogo em cada turma.

O jogoEsquematizando a Reprodução Humana consiste em sete esquemas dos principais órgãos e etapas da reprodução humana (seio em corte transversal, testículo/epidídimo, sistema genital masculino e feminino, ciclo menstrual, processo de fecundação e feto no interior do útero). Cada esquema apresenta lacunas referentes às partes do órgão em questão, que deverão ser preenchidas pelas duas equipes divididas em sala de aula no tempo de três minutos. Passado esse tempo, é contada a pontuação das equipes e o resultado não é divulgado para os alunos. Em seguida, os esquemas da equipe I e da equipe II são trocados e, em um minuto, podem corrigir o erro adversário e somar mais pontos, sendo avaliado da seguinte forma: a equipe ganha ponto de acordo com cada troca certa, mas também perde pontos com trocas erradas e, se não for alterado o que está correto, a equipe ganha pontos com cada nome correto. Em caso de empate, são sorteados dois esquemas: um para cada equipe, que deve preenchê-lo corretamente em um minuto até que quem pontuar mais vence.

O jogo Caminho da Reprodução consiste em duas fileiras de 15 casas, um dado (com lados Difícil, Médio, Fácil e Carta Extra) e perguntas referentes a todo o conteúdo de reprodução humana. A turma é dividida em duas equipes, sendo escolhido um aluno de cada equipe para andar nas casas. A cada rodada o aluno deve jogar o dado e responder à pergunta referente ao lado do dado que sair ou tirar uma carta extra. Quem alcançar a casa Chegada primeiro ganha o jogo. Se o dado cair em Carta Extra, o aluno escolhe uma carta, que pode ter: volte uma casa, ande uma casa, mande seu adversário voltar uma carta, mande seu adversário andar uma casa e pular pergunta (o aluno podia guardar essa carta e utilizar só quando achasse necessário).

No Baralho Reproduzindo, o número de jogadores pode variar entre 2 e 7 pessoas. O baralho é composto por 80 cartas, sendo 16 referentes ao sistema reprodutor feminino (útero, vagina, tuba uterina, ovário, clitóris, grande lábio, pequeno lábio e pudendo feminino); 16 cartas referentes ao sistema reprodutor masculino (vesículas seminais, ducto deferente, próstata, uretra, pênis, glande, escroto e epidídimo); 16 cartas sobre métodos anticoncepcionais ou contraceptivos (camisinha masculina, camisinha feminina, DIU (dispositivo intrauterino), diafragma, vasectomia, ligadura das tubas uterinas, tabelinha e pílula ou anticoncepcional oral); 16 cartas referentes às doenças sexualmente transmissíveis (Aids – síndrome da imunodeficiência adquirida, clamídia, gonorreia, herpes genital, candidíase, HPV (vírus do papiloma humano), sífilis e hepatite B); 4 cartas Inverte o Jogo, 4 cartas Pule 1 Jogador, 4 cartas Pule 2 Jogadores e 4 cartas Descarte - Compre. Com as cartas de ação Pule 1 Jogador, o próximo jogador perde o seu turno; com Pule 2 Jogadores, os dois próximos jogadores perdem o seu turno; com Inverte o Jogo a ordem é invertida de horária para anti-horária e vice-versa; com descarte - Compre o jogador primeiro descarta duas cartas da mão na pilha de descarte antes de comprar do bolo, ficando novamente com cinco cartas na mão. As cartas são embaralhadas e cada jogador recebe cinco cartas. O jogador que embaralha as cartas e distribui começa o jogo.

As cartas que restam são viradas para baixo e formam um bolo; a primeira carta desse monte é virada para cima numa pilha ao lado – a pilha de descarte. O primeiro jogador escolhe se compra uma carta do bolo ou da pilha de descarte, mas se for uma carta de ação na pilha de descarte ele não pode comprar. Depois que ele compra, ele descarta uma carta da sua mão na pilha de descarte, dessa forma sempre ficando com cinco cartas na mão. E assim segue o jogo. Vence o jogo quem conseguir juntar cinco cartas do mesmo assunto escolhido pelo participante. Caso algum jogador baixe cartas erradas, esse jogador é eliminado e o jogo continua com os outros participantes.

Após o uso dos recursos didáticos, foram feitas entrevistas abertas com cinco alunos (escolhidos aleatoriamente) de cada turma, questionando como foi a experiência com os recursos, de que mais gostaram ou não gostaram. Em seguida, foi feita uma análise de conteúdo (Bardin, 1977) e foram organizadas as categorias que surgiram para avaliar a aceitação dos recursos pelos estudantes, bem como a assimilação dos conceitos.

Resultados e discussão

O debate criou um ambiente em que os alunos podem argumentar e, pela troca de ideias coletivas, poderão reformular ideias previamente estabelecidas pela contribuição dos outros colegas. Dessa forma, o debate tira dúvidas “se converte num recurso privilegiado de mediação na interação entre pares, no processo de ensino-aprendizagem em sala de aula, no desenvolvimento de habilidades argumentativas e no desenvolvimento do pensamento crítico/reflexivo do conhecimento” (Souza, 2012, p. 12). No momento do debate, o papel do professor como mediador é fundamental, pois é por ele que o debate é direcionado, o que exige sua intensa participação.

Enquanto existem adolescentes que nada perguntam, outros interrogam muito e outros ainda precisam de um ambiente encorajador para ajudar a levantar questões. O debate tira dúvidas é um recurso que cria um ambiente propício para os alunos se sentirem motivados e à vontade, já que o diálogo é a ferramenta básica no processo de educar. Ao investigar como os alunos se sentiram ao fazer as perguntas no debate, os resultados mostram que a maioria dos entrevistados ficou bastante à vontade (Quadro 1).

Quadro 1: Avaliação dos alunos de como se sentiram ao fazer perguntas no debate tira dúvidas

Categoria

Discurso

À vontade

“Me senti bem à vontade.”
“Muito à vontade.”
“Não fiquei com vergonha, fiquei à vontade.”
“Bem à vontade.”
“Sim, eu me senti à vontade e sem vergonha.”

Com vergonha

“Fiquei com vergonha.”
“Com vergonha.”

Curiosidade

“Eu fiquei muito curioso e à vontade para perguntar.”

Tirar dúvida

“Não fiquei com vergonha não, pois foi uma dúvida minha. Fiquei à vontade ao tirar a dúvida.”

Diante das perguntas feitas pelos alunos no debate e, como eles mesmos apontam, as várias dúvidas e curiosidades sobre o tema eram grandes, porém também ficou evidente que existe uma carência muito grande de informação para eles, principalmente dos próprios pais, e a escola acaba se tornando ainda mais importante nesse momento, já que tem a possibilidade de tentar suprir essa carência de orientação e informação (Quadro 2).

Quadro 2: Perguntas feitas pelos alunos no debate tira dúvidas

Categoria

Perguntas

Menstruação

“Por que a mulher a partir de tal idade (idosa) não menstrua mais?”
“Quando a mulher está menstruada e tem relação sexual sem camisinha ela tem chances de engravidar?”
“Por que sentimos dor quando estamos menstruadas e por que menstruamos?”
“Os homens têm cólica?”
“Por que depois da menstruação é mais fácil para uma mulher engravidar?”

Métodos contraceptivos

“Por que o uso da camisinha no sexo?”
“Quais os três métodos contraceptivos mais seguros?”
“É certo tomar remédio e usar camisinha quando for fazer sexo?”
“Existe mais de uma coisa que previna a gravidez, tirando a camisinha e os anticoncepcionais?”
“Quando a relação sexual é feita sem camisinha, quantas horas a menina tem para tomar o remédio do dia seguinte?”

Gravidez

“Por que às vezes sentimos dor no pé da barriga quando ficamos grávidas?”
“Como é o processo de inseminação artificial?”
“Por que algumas mulheres não podem engravidar?”
“Por que a mulher para de menstruar durante a gravidez?”
“Por que a mulher espera nove meses para o filho nascer?”

Ejaculação

“O que é ejaculação?”
“Quando e como ocorre a primeira ejaculação?”
“Do que é feita a ejaculação?”
“Por que o esperma tem aquele cheiro e aquela cor?”
“Por que um homem não consegue ejacular duas vezes?”

Puberdade

“Qual é o órgão do corpo que faz as pessoas amadurecerem?”
“É normal a mudança de humor e a vontade de dormir toda hora?”
“Por que ocorrem as mudanças pelo nosso corpo?”
“Por que existem cabelos na região genital?”
“A partir de que idade os homens começam a produzir os espermatozoides?”

DST

“O que é Aids e HIV e como é transmitida pelo sexo?”
“Será que a Aids tem cura? Ou é uma doença incurável?”
“Além da Aids, quais são as outras doenças sexualmente transmissíveis?”
“A Aids é uma doença sem cura?”
“Por que tem que se prevenir da Aids?”

Órgãos sexuais

“Por que o pênis quando está mole é mole e quando está duro parece que tem um osso?”
“Onde são produzidos os espermatozoides?”
“Por que a mulher tem corrimento?”
“Por que o homem produz esperma?”
“Onde e em que parte do testículo é produzido o espermatozoide?”

Masturbação

“Por que quando o homem se masturba ele fica zonzo?”
“Por que quando o homem se masturba ele fica lefo?”
“Por que quando se masturba sai um negocio branco?”
“Por que nós ficamos excitados quando começamos a tocar nos órgãos íntimos?”
“O que é masturbar?”

Sexo/Excitação

“Qual a diferença entre o sexo oral e anal?”
“Por que nós ficamos excitados?”
“É normal a pessoa ficar excitada sem motivação?”
“Por que as pessoas sentem tesão?”

Orgasmo

“Por que é difícil a mulher chegar ao orgasmo?”
“O que é orgasmo?”

Virgindade

“Por que quando a mulher perde a virgindade sai sangue?”
“Quando a menina perde a virgindade e fica muito tempo sem sexo, quando ela volta a fazer sexo tem a mesma sensação que na primeira vez? Por que dói muito? Por que isso acontece?”

Na avaliação dos alunos, a maioria conseguiu tirar suas dúvidas durante o debate e disse ter sido da maneira que imaginava, porém alguns apontam que o debate poderia ter sido em outro lugar fora da sala de aula (Quadro 3). Os alunos geralmente associam os recursos didáticos a uma atividade extraclasse, um momento em que escapam da rotina de sala de aula. Como De Frutos, Moreno e Contreras (1996, p. 15) apontam, a atividade fora da sala de aula permite que “o aluno se sinta protagonista de seu ensino, que é um elemento ativo e não um mero receptor de conhecimento”.

Quadro 3: Avaliação dos alunos sobre o debate tira dúvidas

Categoria

Discurso

Da maneira que imaginava

“Sim.”
“Foi da maneira que eu imaginava.”
“Foi da maneira que eu imaginava, bem mais legal um pouco.”
“Foi da maneira que eu imaginava e foi muito interessante.”

Local de realização

“Foi da maneira que imaginava, mas poderia ser no LIED.”
“Não foi da maneira que imaginava, poderia ter sido melhor, poderia ser em outro lugar com menos barulho, por exemplo no LIED.”

Falta de criatividade

“Poderia ter sido de outra forma, com mais criatividade.”

Dentre os assuntos abordados no debate, sexo foi o que mais chamou a atenção dos alunos. Além desse assunto, eles apontaram temas como gravidez e métodos contraceptivos, mostrando que foi alcançado um dos objetivos do debate, que era despertar o interesse dos alunos sobre assuntos tão importantes (Quadro 4). O debate foi bastante oportuno para a professora abordar melhor o tema transversal Orientação Sexual, que os PCN propõem que seja realizado pela escola, mas que não deve substituir nem concorrer com a função da família, mas sim complementar essa orientação (Brasil, 1998). Segundo o Guia de Orientação Sexual (GTPOS, 1994, p. 8), “a orientação sexual se propõe a fornecer informações sobre a sexualidade e a organizar um espaço de reflexões e questionamentos sobre posturas, tabus, crenças e valores a respeito de relacionamentos e comportamentos sexuais”, e o debate foi fundamental nesse momento, já que teve como objetivo criar um espaço onde os alunos possam falar, argumentar e possibilitar a tomada de consciência sobre seus próprios conceitos, como afirmam Carvalho e Perez (2001).

Quadro 4: Assuntos abordados no debate tira dúvidas que mais chamaram a atenção dos alunos

Categoria

Discurso

Sexo

“Sobre sexo.”
“Sexo.”
“Por que ficamos excitados.”
“Como fazer uma mulher sentir prazer.”

Gravidez

“Foi sobre gravidez.”
“Sobre gravidez.”
“Muitas perguntas interessantes, sobre gravidez tinha coisas que eu não sabia.”

Menstruação

“Por que a mulher menstrua.”

Puberdade

“Quando o nosso corpo muda.”

DST

“Sobre doenças sexualmente transmissíveis.”

Nem sempre o professor encontra prontos os recursos didáticos de que precisa e compete a ele produzir materiais de que necessita, o que muitas vezes não é uma tarefa fácil. Muitos professores, para não ficar muito dependentes do livro didático, acabam recorrendo principalmente ao uso dos cartazes, que são materiais de baixo custo e bem acessíveis. Porém nem todos os professores sabem utilizar cartazes e acabam usando de forma inadequada, não atingindo os objetivos reais que esse recurso possibilita. Freitas (2009, p. 36) relata que os cartazes, assim “como todo recurso didático, têm utilização que requer planejamento, adequação ao conteúdo e aos objetivos planejados”.

Ao perguntar sobre o processo de ensino-aprendizagem com o uso do trabalho em grupo Cronologia da Vida, de modo geral, os alunos apontam que eles gostaram da forma como o trabalho foi feito e que ajudou a compreender e aprender mais a matéria (Quadro 5).

Quadro 5: Avaliação dos alunos sobre o processo de ensino-aprendizagem com o uso do trabalho em grupo Cronologia da Vida no conteúdo de reprodução humana

Categoria

Discurso

Compreensão/Aprendizado

“Sim, dessa forma que foi feita eu entendi.”
“Sim, a maneira como foi feito o trabalho eu aprendi mais.”
“Sim, consegui aprender muito mais coisas, da maneira que foi feito ficou bom.”
“Sim, consegui compreender.”
“Eu consegui entender muito bem o conteúdo.”
“Sim, eu consegui compreender mais a matéria.”

Aplicação

“Sim, gostei muito da forma que foi aplicada.”
“Gostei da forma como foi aplicado e achei interessante o conteúdo.”

Clara/Objetiva

“Consegui, pois foi explicada de forma clara e objetiva.”

Na avaliação dos alunos sobre os cartazes dos colegas com as fases de vida, surgiram várias falas; de modo geral, apontam que os alunos demonstraram muito bem as fases da vida e que os cartazes possibilitaram ter noção do que vai acontecer com seu corpo nas fases da vida pelas quais ainda não passaram (Quadro 6). Ao colocarem sua fase da vida no cartaz, os alunos puderam usar a criatividade e, enquanto uns utilizaram jornal e revista para fazer recortes, outros optaram por desenhar.

Quadro 6: Avaliação dos alunos sobre os cartazes com as fases da vida dos outros colegas

Categoria

Discurso

Bom

“Eu achei que foram todos bons.”
“Bom, porque vamos saber o que vai acontecer com o nosso corpo.”
“Muito bom, eles demonstraram as fases da vida muito bem.”
“Ficou muito bom, principalmente o cartaz da infância.”

Legal

“Achei legal, assim nós, adolescentes, podemos ter ideia de como vão ser as outras fases da vida que não passamos ainda.”
“Achei legal, bem especificado, deu para entender bem.”

Interessante

“Achei bastante interessantes os outros cartazes.”
“Achei bastante interessantes.”

Ótimo

“Ficaram ótimos, gostei muito.”

Como mostrado no Quadro 7 sobre as fases da vida que mais interessam aos alunos, a maioria disse que é a fase da adolescência, apontando ser o momento em que ocorrem as principais transformações do seu corpo e é a fase de vida que estão passando. Porém também citaram a fase adulta, dizendo ser a fase em que conhecem mais pessoas e a que tem que ter responsabilidade; a infância porque apresenta várias etapas interessantes, a terceira idade porque mostra como o corpo vai ficar daqui a alguns anos e recém-nascido porque amam crianças.

Quadro 7: Fases da vida que mais interessam aos alunos

Categoria

Discurso

Adolescência

“Porque é a fase que está ocorrendo em nós, adolescentes.”
“Porque é a fase em que ocorre a puberdade, que acho muito interessante.”
“Porque eu estou passando por esse período.”
“Porque acontecem várias mudanças no nosso corpo. Eu achei interessante.”
“Porque é a época do desenvolvimento do nosso corpo.”

Adulta

“Porque é uma fase em que você conhece mais pessoas e toma suas próprias decisões.”
“Porque é a fase em que temos mais responsabilidades.”

Infância

“Porque ela é feita por várias etapas da vida interessantes. É a fase que apresenta duração até os 11 anos de idade.”

Terceira idade

“Porque mostra como que o nosso corpo vai ficar daqui a uns 50 anos.”

Recém-nascido

“Porque eu amo criança.”

O vídeo é um recurso de fácil manuseio e que pode facilitar o processo de ensino por ser “sensorial, visual, linguagem falada, lin­guagem musical e escrita. Linguagens que interagem superpostas, interligadas, somadas e não separadas. Daí a sua força. Somos atingidos por todos os sentidos e de todas as maneiras” (Moran, 1995, p. 28).Porém, ao utilizar o vídeo como recurso didático, o professor deve ficar atento para como a aula será desenvolvida após a exibição deles, para que atinja os objetivos propostos. Os vídeos exibidos no ensino de reprodução humana foram utilizados para reforçar o conteúdo transmitido pela professora em sala de aula e, ao final de cada vídeo, havia um momento de discussão, em que os alunos tiravam dúvidas e debatiam o que foi visto.

Os resultados mostram que os vídeos de que os alunos mais gostaram foram os do Telecurso sobre sistemas genitais feminino e masculino (Figura 1). Os vídeos do Telecurso possuem linguagem fácil e tornam as aulas mais envolventes por aproximar o aluno ao seu cotidiano, o que permite “repensar e ressignificar as experiências cotidianas para estabelecer relações entre o que já sabem e os novos saberes que precisam ser aprendidos, recriados ou reinventados” (Biella; Castro, 2010, p. 2) e, assim, tornar a aprendizagem realmente significativa para o aluno.

Figura 1: Vídeos de que os alunos mais gostaram

Na avaliação dos alunos, os vídeos ajudaram a entender melhor o conteúdo. A maioria dos alunos associou essa ajuda à explicação fácil dos vídeos e que o aprendizado não foi baseado apenas em palavras, ou seja, como afirma Moran (1995, p. 28), “o vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, do próximo, que toca todos os sentidos”. Alguns deles disseram que o vídeo auxiliou na memorização do conteúdo e citaram a descontração que o vídeo proporcionou. Todos os alunos disseram que a utilização de vídeos é um bom recurso didático e relacionaram à categoria aprendizado, apontando que com o vídeo é mais fácil de entender a matéria, além de aprimorar o aprendizado (Quadro 8).

Quadro 8: Avaliação dos alunos sobre o processo de ensino-aprendizagem com o uso de vídeos no conteúdo de reprodução humana

Categoria

Discurso

Sim

----------

Aprendizado

“Ajudaram, porque coisas que eu não sabia agora eu aprendi.”
“Sim, para que o nosso aprendizado não se desenvolva só com palavras.”

Fácil

“Explica de um jeito fácil.”
“Sim, facilitou muito a minha vida.”

Descontração

“É bom para descontrair e aprender a matéria de um modo diferente.”

Memorizar

“Me ajudaram a memorizar mais a matéria.”

Na avaliação dos alunos sobre os vídeos, todos disseram que os vídeos são um bom recurso didático, apontando que com os vídeos é mais fácil entender a matéria e os exercícios e que aprimoram mais o aprendizado (Quadro 9).

Quadro 9: Avaliação dos alunos sobre os vídeos como recurso didático

Categoria

Discurso

Sim

----------

Aprendizado

“É um modo mais fácil de entender a matéria e também os exercícios.”
“Os vídeos são muito bons para o aluno entender melhor a matéria e a explicação.”
“Os vídeos aprimoram mais o aprendizado.”

Excelente

“Sim, excelentes.”

O professor, na condição de mediador, deve dar suporte, estimular e auxiliar os alunos, facilitando o processo de ensino-aprendizagem. Segundo Hoffmann (2005, p. 91), “mediar a mobilização diz respeito à provocação do desejo de aprender e/ou criar a necessidade de aprender – talvez um dos nossos compromissos mais difíceis enquanto educadores”. Vygotsky (1998, p. 60) afirma que “é preciso que a escola e seus educadores atentem que não têm como função ensinar aquilo que o aluno pode aprender por si mesmo, e sim potencializar o processo de aprendizagem do estudante”. Entende-se que os resultados obtidos neste estudo confirmam exatamente as possibilidades do uso dos jogos didáticos como instrumento eficiente para que o professor possa exercer seu papel de mediador, como apresentado a seguir.

Na avaliação do processo de ensino-aprendizagem com o uso do jogo do Caminho da Reprodução, parte dos alunos associou à categoria diversão/descontração, dizendo que o jogo é uma forma mais divertida de aprender o conteúdo e que descontraindo se aprende mais. O restante dos alunos entrevistados relacionou o jogo à categoria aprendizado dizendo que o jogo contribuiu para entender melhor o conteúdo (Quadro 10).

Quadro 10: Avaliação pelos alunos do processo de ensino-aprendizagem com o uso do jogo Caminho da Reprodução no conteúdo de reprodução humana

Categoria

Discurso

Diversão/Descontração

Aluno 3 - “É uma forma mais legal e divertida de aprendermos o conteúdo.”
Aluno 1 - “Descontraindo dá para a gente entender melhor.”
Aluno 2 - “De um jeito descontraído testou o nosso conhecimento.”
Aluno 9 - “De uma forma descontraída, visto que todos participaram, se divertiram, expressaram suas ideias e se instruíram.”

Aprendizado

Aluno 4 - “Contribui para quem não estava entendendo muito a matéria.”
Aluno 5 - “Contribui para a gente entender melhor a matéria e faz a gente pensar mais.”
Aluno 7 - “De forma interessante, os alunos aprenderam se divertindo.”
Aluno 8 - “Me ajudou a aprender mais, e acho que também para os outros.”

Ao questionar se as perguntas feitas ao longo do jogo auxiliaram a entender melhor a matéria, os alunos relacionaram novamente à categoria aprendizado, dizendo que, além de ajudar a entender melhor o conteúdo, possibilitou tirar dúvidas (Quadro 11).

Comentários desse tipo confirmam a afirmação de Campos, Felicio e Bortolotto (2003), de que quando os alunos aprendem de forma mais interativa e divertida a aprendizagem significativa é facilitada. A experiência desenvolvida com esse jogo nos permite afirmar que, para que haja aprendizagem significativa no ensino de reprodução humana, é preciso ultrapassar limites, criar novas alternativas, novos métodos de ensino e utilizar recursos que possibilitem que os alunos aprendam de forma mais dinâmica um conteúdo que é tão fundamental.

Quadro 11: Avaliação pelos alunos se perguntas feitas ao longo do jogo Caminho da Reprodução auxiliaram no processo de ensino-aprendizagem do conteúdo de reprodução humana

Categoria

Discurso

Aprendizado

Aluno 6 - “Ajudou muito, coisas que eu não tinha entendido agora entendi e coisas que eu não sabia agora eu sei.”
Aluno 7 - “Sim. A gente se esforçava a aprender e a responder de uma forma rápida e prática.”
Aluno 8 - “Sim. Melhor para saber sobre a matéria.”
Aluno 10 - “Sim, porque não eram muito difíceis e tinha a ver com o que a gente já tinha estudado.”
Aluno 1 - “Sim, eu entendi muito mais.”
Aluno 2 - “Sim, tinha coisas que eu não sabia.”

Diversão

Aluno 9 - “Sim, ajudaram a realçar o conhecimento que consequentemente tornou a matéria mais divertida e mais fácil de se entender.”

Dúvida

Aluno 3 - “Sim, pois as perguntas estavam de acordo com minhas dúvidas.”

Assim como o jogo Caminho da Reprodução, na avaliação do processo de ensino-aprendizagem os jogos Baralho Reproduzindo e Esquematizando a Reprodução Humana também foram associados principalmente à categoria aprendizado. As falas dos alunos sobre o Baralho Reproduzindo foram de que ele ajudou a testar o conhecimento e a entender melhor os temas como DST e métodos contraceptivos (Quadro 12).

Quadro 12: Avaliação pelos alunos do processo de ensino-aprendizagem com o uso do Baralho Reproduzindo no conteúdo de reprodução humana

Categoria

Alunos (%)

Discurso

Aprendizado

80

Aluno 1 - “Com o baralho deu para aprender mais sobre métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis.”
Aluno 3 - “Porque a gente aprende de um jeito diferente.”
Aluno 6 - “Porque testava o conhecimento da pessoa para ver se ela aprendeu o conteúdo.”
Aluno 7 - “Porque testa o nosso conhecimento.”
Aluno 10 - “Me ajudou a aprender mais sobre a matéria.”
Aluno 9 - “Deu para aprender os métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis.”

Diversão

10

Aluno 5 - “De uma forma divertida e muito inteligente.”

Tirar dúvida

10

Aluno 8 - “Para a gente aprender as coisas em que temos mais dúvida.”

Já o jogo Esquematizando a Reprodução Humana, segundo os alunos, auxiliou na memorização e para entender melhor a matéria. Possivelmente essa percepção é consequência das características do jogo, bastante esquemático e explicativo (Quadro 13). Esses resultados corroboram a tese de Grossi (1986, p. 86), de que “o jogo é uma atividade rica e de grande efeito que responde às necessidades lúdicas, intelectuais e afetivas, estimulando a vida social e representando, assim, importante contribuição na aprendizagem”.

Quadro 13: Avaliação pelos alunos do processo de ensino-aprendizagem com o uso do jogo Esquematizando a Reprodução Humana no conteúdo de reprodução humana

Categoria

Discurso

Aprendizado

Aluno 5 - “O jogo serviu para aprendermos mais sobre a matéria de reprodução humana.”
Aluno 2 - “O jogo foi bem esquematizado e explicativo.”
Aluno 1 - “O jogo ajudou para o aprendizado ajudando nas funções e o que são DST e o que fazem os órgãos sexuais.”
Aluno 6 - “O jogo ajudou a compreender melhor a matéria e facilitar na memorização.”
Aluno 7 - “A gente compreendia melhor a matéria.”
Aluno 8 - “Por ter feito de uma forma diferente, ajudou a entender a matéria melhor.”

Diversão

Aluno 4 - “A gente pode aprender se divertindo.”

Fácil/interessante

Aluno 10 - “De uma forma fácil e interessante.”

Diante da característica lúdica dos jogos, sempre associados a brincadeira, poder-se-ia esperar que a categoria diversão aparecesse com maior frequência ao se perguntar sobre a experiência com os jogos. No entanto, a comparação dos Quadros 11, 12 e 13 revela que a categoria “aprendizagem” foi a mais evocada pelos alunos, o que confirma o potencial dos jogos como instrumento de mediação entre o professor e a estrutura cognitiva do estudante, contribuindo para a efetivação de uma aprendizagem significativa. Nesse contexto, é importante ressaltar que vários estudantes fizeram referência aos conteúdos prévios estudados nas aulas. Nota-se, com isso, que, respeitadas as etapas anteriores de uma aprendizagem significativa propostas por Ausubel (2000), diferenciação progressiva, reconciliação integradora e organização sequencial, os jogos serviram como instrumento para atingir a quarta etapa: a consolidação, em que deverá ocorrer a insistência no domínio do que está sendo estudado antes de introduzirem-se novos conhecimentos (Moreira, 2005). Isso pode ser ilustrado por vários discursos dos estudantes, como os que seguem:

- Com o baralho deu para aprender mais sobre métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis (Aluno 5).
- O jogo ajudou para o aprendizado ajudando nas funções e o que são DST e o que fazem os órgãos sexuais (Aluno 1).

Dessa forma, na etapa de consolidação o jogo Caminho da Reprodução serviu para revisar e reforçar todo o conteúdo de reprodução humana; o Baralho Reproduzindo, para fixar as partes do sistema reprodutor feminino e masculino, DST e métodos contraceptivos; e o jogo Esquematizando a Reprodução Humana auxiliou na fixação e memorização dos nomes dos órgãos do sistema reprodutor feminino e do masculino, os locais onde ocorrem a fecundação, a gravidez e o ciclo menstrual.

Sobre como os alunos definem os jogos didáticos, foram apresentadas categorias diferentes para cada jogo. O jogo Caminho da Reprodução foi relacionado principalmente à categoria legal, divertido e educativo (Quadro 14); o Baralho Reproduzindo, à categoria aprendizado (Quadro 15); e o jogo Esquematizando a Reprodução Humana à categoria interessante (Quadro 16). Porém algumas categorias se repetiram entre os jogos didáticos. A categoria interessante foi mencionada tanto no jogo Caminho da Reprodução quanto no Esquematizando a Reprodução Humana. Entretanto, houve categorias particulares para cada jogo, como descontração no Caminho da Reprodução, categorias diferente e fácil no Baralho Reproduzindo e categorias ótimo, tirar dúvida e bom no jogo Esquematizando a Reprodução Humana. Isso reforça ainda mais a ideia de que cada aluno possui suas preferências e aprende de forma diferente. Enquanto um jogo ajudou no aprendizado de determinado grupo de alunos, pode ter sido mais divertido ou interessante para outro e vice-versa. Nesse sentido, “a aprendizagem deve ser coerente com o nível de desenvolvimento da criança” (Vygotsky, 2001, p. 111).

Quadro 14: Definição dos alunos sobre o jogo Caminho da Reprodução

Categoria

Discurso

Legal/Divertido/Educativo

Aluno 1 - “Muito legal.”
Aluno 3 - “Bem legal, ou seja aprendemos melhor a matéria de reprodução humana.”
Aluno 4 - “Muito divertido e contribui para ajudar várias pessoas da minha sala.”
Aluno 7 - “Divertido, legal e educativo.”
Aluno 10 - “Legal e criativo.”

Interessante

Aluno 2 - “Interessante.”
Aluno 5 - “Interessante, assim a gente pode entender melhor.”
Aluno 8 - “Muito interessante, gostei muito.”

Descontração

Aluno 9 - “Como sendo uma fonte de conhecimento bem descontraído, além de o jogo ajudar na mente e na coordenação motora, ele ajuda a matéria ser mais compreensiva e com certeza ajudou muito a quem quis aprender.”

Quadro 15: Definição dos alunos sobre o Baralho Reproduzindo

Categoria

Discurso

Aprendizado

Aluno 1 - “Uma boa forma de aprender o assunto dado pela professora.”
Aluno 3 - “Muito bom, porque a gente aprende melhor. E aprendemos a ter mais capacidade.”
Aluno 4 - “Muito bom, porque a gente aprende melhor.”

Tirar dúvida

Aluno 6 - “Um jogo bastante legal que tirava as dúvidas (tirou as minhas).”
Aluno 7 - “Um jogo excelente porque tirou todas as minhas dúvidas.”

Diferente

Aluno 2 - “Bom. Porque todos os alunos gostaram, achamos muito diferente.”

Legal

Aluno 10 - “Muito legal, gostei muito.”

Fácil/Educativo

Aluno 9 - “Fácil de jogar e educativo.”

Quadro 16: Definição dos alunos sobre o jogo Esquematizando a Reprodução Humana

Categoria

Discurso

Interessante

Aluno 3 - “Eu achei muito interessante.”
Aluno 4 - “Interessante. Bem desenvolvido e estimulante.”
Aluno 10 - “Um jogo fácil e interessante.”

Diversão

Aluno 5 - “Nos divertimos e aprendemos ao mesmo tempo.”
Aluno 8 - “Eu defino como uma maneira mais divertida de aprendizagem.”

Ótimo

Aluno 2 - “Ótimo. Poderia ter mais jogos como esse.”

Tirar dúvida/Legal

Aluno 6 - “Muito legal, e tirava muito as dúvidas.”

Bom

Aluno 7 - “Muito bom. Foi um dos melhores jogos que teve.”

Diante das categorias surgidas na avaliação do uso dos jogos didáticos, ficou evidente que eles fornecem aos estudantes um ambiente enriquecedor e motivador e que, além de divertir, auxiliam na criatividade e imaginação (Quadros 17, 18 e 19). Porém é importante ressaltar que os alunos estão deixando de relacionar o lúdico somente a momentos de descontração e como forma de fugir da rotina de sala de aula, reconhecendo-o a um promotor de aprendizagem que, além de aproximar o aluno do conteúdo, permite entender melhor alguns conceitos que antes não foram assimilados, tirar dúvidas, revisar e reforçar o que foi visto dentro da sala de aula.

Quadro 17: Avaliação dos alunos sobre o jogo Caminho da Reprodução

Categoria

Discurso

Interessante

Aluno 3 - “Achei bem interessante, e acho que devíamos ter esse momento mais vezes.”
Aluna 7 -“Achei superinteressante. Bem educativo.”
Aluno 2 - “Foi muito interessante, poderia valer nota.”

Aprendizado

Aluno 10 - “Sim, porque dá interesse e ajuda a entender as atividades passadas na aula.”
Aluno 8 - “Sim, é muito bom para os alunos aprender mais.”

Legal

Aluno 4 - “Achei o jogo legal, foi bem interessante.”
Aluno 5 - “Achei legal a forma como foi aplicado.”

Diversão

Aluno 9 - “Foi bem planejado, muito divertido e bastante educativo.”

Quadro 18: Avaliação dos alunos sobre o Baralho Reproduzindo

Categoria

Discurso

Interessante

Aluno 6 - “Foi interessante.”
Aluno 7 - “Sim, foi muito interessante.”
Aluno 8 - “Eu achei interessante o modo como o baralho foi feito.”
Aluno 9 - “Achei interessante, não precisa melhorar.”

Aprendizado

Aluno 1 - “Sim, com esse jogo eu aprendi muito.”
Aluno 3 - “Com o jogo me deu vontade de aprender.”

Bom

Aluno 10 - “Sim, ficou muito bom.”
Aluno 4 - “Foi muito bom, só isso que tenho para falar.”

Interesse

Aluno 2 - “Porque aumentou mais meu interesse pela matéria.”

Criatividade

Aluno 5 - “Sim, pois o jogo foi feito de uma forma muito criativa.”

Quadro 19: Avaliação dos alunos sobre o jogo Esquematizando a Reprodução Humana

Categoria

Discurso

Interessante

Alunos 5 e 6 - “Achei interessante.”
Aluno 7 - “Sim. Foi da melhor maneira possível.”
Aluno 8 - “Eu achei bem interessante.”
Aluno 2 - “Foi interessante, gostei muito da ideia.”
Aluno 3 - “Foi interessante aprender jogar.”
Aluno 1 - “Sim, acho que o jogo foi bem bolado e não acho que poderia ser de outra maneira.”

Aprendizado

Aluno 9 - “Achei muito bom, boa forma de aprender.”
Aluno 4 - “Sim, foi ótimo para nosso aprendizado.”

Fácil/Legal

Aluno 10 - “Sim. Eu achei o jogo legal e fácil.”

Alguns professores relacionam os jogos didáticos à perda de tempo, consideram pouco importantes, desnecessários e algo insignificante. Porém, para Moreira e Masini (2006, p. 19), “uma das condições para ocorrência de aprendizagem significativa é que o material a ser aprendido seja relacionável (ou incorporável) à estrutura cognitiva do aprendiz, de maneira não arbitrária e não literal. Um material com essas características é dito como potencialmente significativo”.

Os jogos didáticos podem ser considerados potencialmente significativos, como Moreira e Masini (2006) citaram, pois permitem essa relação entre o material a ser aprendido e a estrutura cognitiva do aluno, possibilitando que as informações adquiridas sejam significativas para o aluno. Porém "o bom êxito de toda atividade lúdico-pedagógica depende exclusivamente do bom preparo e liderança do professor" (Almeida, 2003, p. 123).

Nesse sentido, a utilização dos jogos tornou-se uma alternativa importante para colaborar na prática pedagógica do professor, principalmente ao ministrar o conteúdo de reprodução humana. Ao utilizar os jogos, a aprendizagem da matéria foi facilitada, permitindo ao professor mediar o processo de ensino-aprendizagem de forma mais enriquecedora, motivando o aluno a ter mais vontade de aprender e contribuir para que a aprendizagem seja realmente significativa.

Considerações finais

O desenvolvimento do presente estudo possibilitou uma reflexão acerca dos benefícios dos recursos didáticos para uma aprendizagem significativa a partir da análise de como esses recursos são recebidos e utilizados pelos alunos. Além disso, a elaboração e a aplicação de novos recursos na Educação Básica auxiliam os professores a repensar suas práticas pedagógicas, buscar, arriscar e inovar novas ferramentas de trabalho

Diante das falas dos alunos, ficou evidente que os objetivos de cada recurso didático foram realmente alcançados. O debate tira dúvidas conseguiu criar um ambiente em que os alunos puderam argumentar e, pela troca de ideias coletivas, tirar suas dúvidas e curiosidades sobre o tema. Já os vídeos exibidos possibilitaram reforçar o conteúdo que era transmitido pela professora em sala de aula; com a discussão ao final de cada vídeo, os alunos tiravam dúvidas e debatiam o tema. Os vídeos permitiram que os alunos entendessem e memorizassem melhor a matéria, por apresentar uma linguagem fácil e aproximar o aluno ao cotidiano. O trabalho em grupo Cronologia da Vida, que utilizou cartaz, que é material de baixo custo e bem acessível, permitiu aos alunos usar a criatividade para apresentar suas fases de vida e, assim, conhecer todas as fases pelas quais já passaram, estão passando e que ainda irão passar. Os jogos didáticos forneceram aos estudantes um ambiente enriquecedor e motivador que, além de divertir, passou a ser visto como promotor de aprendizagem, permitindo aos alunos entender melhor alguns conceitos que antes não foram assimilados, tirar dúvidas, revisar e reforçar o que foi visto na sala de aula.

Dada a importância do tema, torna-se necessário o desenvolvimento de projetos que visem à formação continuada dos professores, que possam desencadear competências e habilidades para garantir um ensino de maior qualidade, que atenda as diferentes necessidades dos alunos e, assim, efetivar uma prática pedagógica diferenciada. Nesse sentido, a utilização de recursos didáticos nas escolas permite aos professores mediar o processo de ensino-aprendizagem de forma mais enriquecedora, motivando o aluno a ter mais vontade de aprender, e contribuem para que a aprendizagem seja realmente significativa.

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Publicado em 29 de setembro de 2020

Como citar este artigo (ABNT)

LUCAS, Larissa Fracalossi; PIROVANI, Juliana Castro Monteiro; TEIXEIRA, Marcos da Cunha; CORRÊA, Camila Galletti. Uso de diferentes recursos didáticos no ensino de reprodução humana no Ensino Fundamental II. Educação Pública, v. 20, nº 37, 29 de setembro de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/37/uso-de-diferentes-recursos-didaticos-no-ensino-de-reproducao-humana-no-ensino-fundamental-ii