Jogos e brincadeiras: interação social vivenciada pelos alunos do 6º ano da Escola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes

Tania Serpa Santos

Mestranda em Ciências da Educação (Iscecap)

Adriana Souza de Melo

Mestranda em Ciências da Educação (Iscecap)

Francinete Maria Dionísio Neves

Mestranda em Ciências da Educação (Iscecap)

Utilizar o conteúdo jogo em prol do aprendizado é uma das formas mais prazerosas de ensinar e aprender. O aprender aqui está relacionado à relevância dos limites impostos pelas regras, da interação e respeito para com o outro, das possibilidades de recriar novas vivências de um mesmo jogo e as diversas formas de contingência passadas pelo conhecimento do brincar. Muitos estudiosos ressaltam a importância dos jogos como enriquecedores no processo de ensino-aprendizagem.

Jean Piaget (1990) ao longo das suas pesquisas e obras sempre deu grande importância ao lúdico para o desenvolvimento infantil. Segundo o psicólogo, o jogo é fundamental para o desenvolvimento da criança, ao afirmar que a atividade lúdica é o berço das atividades intelectuais da criança, sendo por isso indispensável à prática pedagógica (Piaget, 1990, apud Baranita, 2012, p. 13).

Segundo esse pensamento, o aprendizado voltado para o jogo torna-se indispensável para o desenvolvimento da criança. Ou melhor, o uso do jogo como estratégia para o ensino é de grande relevância para um bom desempenho intelectual, social e moral do aluno. Isabel Baranita (2012) relata que, nos estudos de Vygotsky, o jogo é visualizado como instrumento de interação social; a autora entende que

podemos concluir que para a criança o jogo não é uma lembrança simples do vivido, mas uma transformação de uma nova realidade (mundo) que corresponde às exigências da criança, onde ela reproduz mais do que viu. Quando a criança joga, utiliza conhecimentos que já adquiriu e constrói outros (Vygotsky, 1989, apud Baranita, 2012, p. 44).

A construção do conhecimento é um dos principais elementos revisados nesse processo de reestruturação das aprendizagens adquiridas. O conhecimento prévio é recriado diante dos conhecimentos já aprendidos. E é pautado nesse pensamento que o presente trabalho intenciona a aprendizagem do aluno através dos elementos da vivência do jogo, almejando o desenvolvimento físico, intelectual e social dos estudantes. Para tal, vamos iniciar com uma explanação sobre o conceito de jogo e a função primordial da brincadeira.

Mais à frente iremos abordar a necessidade do uso das regras para uma boa convivência e a importância do seu aprendizado para a vida. Em seguida vamos discutir as questões que envolvem a interação social dentro da vivência do jogo e como essa interação é necessária para um desenvolvimento saudável. Por fim, vamos expor o resultado de duas semanas de aprendizado e prática dos jogos e brincadeiras e os elementos que circundam essa temática.

Jogos e brincadeiras

O jogo tem sido instrumento de estudo de muitos autores; vários deles se posicionam em relação ao seu conceito, mas em um aspecto todos concordam: o sentido do jogo sempre esteve voltado para a diversão, aproveitamento do tempo livre e como elemento ligado ao prazer das brincadeiras de infância. Murcia (2008) fala sobre o conceito de jogo e expressa que

a palavra jogar (do latim iocari) significa fazer algo com espírito de alegria e com a intensão de se divertir ou de se entreter. A palavra jogo provém etimologicamente do vocábulo latino iocus, que significa brincadeira, graça, diversão, frivolidade, rapidez, passatempo. Para seu estudo deve-se também considerar o significado do vocábulo ludus-i: ato de jogar, o prazer da dificuldade gratuita. Esse vocábulo latino dá mais um sentido ao jogo: ludus-ludere, ludus-us e ludicrus (ou cer-cra, crum). O aspecto lúdico do jogo (do latim ludicrus) é essa atividade secundária relativa ao jogo, que se cultiva unicamente pelo prazer (Murcia, 2008, p. 18).

Talvez seja pela sua influência lúdica que o jogo é tão utilizado em propostas pedagógicas durante a infância. O imaginário da criança necessita transcender a realidade do cotidiano, fazendo com que o jogo ou o brincar passe a ser esse elemento de transição dessa realidade. Sarmento (2002), em seus escritos, faz vários relatos em relação aos jogos e brincadeiras diante do contexto violento da guerra.

Ele revela que os estudos sobre as crianças inseridas nesse contexto apresentam que elas conseguem criar um mundo imaginário dentro da vivência dos jogos que lhes propicia uma fuga momentânea da realidade vivida. Em uma citação do livro Baía dos Tigres, de Pedro Rosa Mendes, ele escreve que o autor:

Viu uma criança entre as ruínas da cidade do Bié, em Angola, jogando futebol, indiferente à desolação em sua volta. O esférico com que se entretinha – imaginando-se o Eusébio ou Pelé da época, como qualquer criança de qualquer outra parte do mundo – era, à falta de melhor, os restos de uma caveira humana: “não é por maldade. O crânio estava disponível, perto e seco. Tu e eu conhecemos as balizas da humanidade: crânios enterram-se, bolas são redondas”. (À criança) ninguém deu a oportunidade para tanto (Mendes, 1999, apud Sarmento, 2002, p. 7).

O jogo, para essa criança, tem o mesmo significado que para qualquer outra criança que brinca em paz. A ferocidade da guerra não tirou a ingenuidade, alegria, espontaneidade e emoções que uma criança expressa diante do prazer de jogar. Pensar numa definição para a alegria de brincar se torna fácil ao perceber a satisfação no olhar de uma criança que joga o jogo no seu sentido mais completo do brincar, e essa é uma forma de expressar a ludicidade que dá sentido ao jogo.
Lucena e Cória-Sabini, com base nos estudos de Huizinga sobre o jogo, também relatam essa característica que o jogo tem em seu sentido mais amplo de transportar a vida real em um imaginário próprio das atividades do jogar. As autoras descrevem que esse autor aponta três características fundamentais para o jogo:

a primeira característica fundamental do jogo apontada por Huizinga é a de ser uma atividade livre; a segunda é a de ser uma atividade que permite evadir da vida real para uma esfera com orientação própria; a terceira é a existência de regras, embora com duração e espaço limitados. Por permitir ao indivíduo transportar-se para um espaço distinto da vida cotidiana, colocando-o no mundo da representação, o jogo dá uma certa liberdade e um alívio de tensão, possibilitando que os participantes sejam envolvidos em uma espécie de magia que faz com que as pessoas fiquem na situação, mantendo a atenção fortemente centralizada nas atividades previstas pelo jogo (Lucena, Cória-Sabini, 2013, p. 56).

É exatamente essa atenção voltada para o jogo que permite ao jogador abstrair o mundo em sua volta, fazendo com que ele esqueça, mesmo que por um instante, da sua vida real. Entretanto, não se deve esquecer que a brincadeira faz parte do mundo da criança, mas não se resume apenas a essa fase da vida. Continuar vivenciando as experiências do jogar é importante, mas é preciso entender que, assim como o jogo, a sociedade é cheia de normas que controlam as nossas ações. E respeitar e colocar em prática essas normas é dever e direito de todos.

Respeito às regras

O jogo tem um jeito todo especial de despertar o que há de mais encantador nas crianças: a naturalidade. Do mesmo modo, é regido de limitações e regras, que devem ser executadas dentro do seu universo de imaginação, mas também concreto. Conhecer e saber respeitar as regras faz parte não somente do jogo, bem como de todo o processo de vida em sociedade. Vivemos em um mundo no qual saber respeitar o convívio com o outro é uma tarefa desafiadora. Matos (2001) fala sobre a importância da formulação e do estabelecimento das regras; ela lembra que

regras são úteis para a sociedade. Estabelecer e formular regras é um comportamento frequentemente reforçado entre e pelos mais velhos de uma comunidade; reforçado pela sua eficácia na instalação e manutenção de comportamentos desejados entre os mais jovens, que continuarão e perpetuarão as práticas culturais necessárias para a sobrevivência daquele grupo como um todo (Matos, 2001, p. 79).

Daí uma das relevâncias de reforçar o uso das regras por meio das práticas dos jogos. Mas não só por isso; para que essa manutenção de comportamentos desejados venha a acontecer de forma contínua e crescente é preciso fortalecer a pertinência de conhecer e pôr em prática os efeitos que as regras têm para uma boa convivência. Temos conhecimentos de que tudo que nos cerca é movido por regras, elas estão por todos os lados: na família, na escola, no programa de televisão do cotidiano. Flores (2014), em seu estudo sobre o que Skinner escreve sobre as regras, relata que

Skinner (1969) adota o termo regra para se referir a casos que normalmente chamamos de regra no dia a dia, mas também inclui numerosos casos que vão além desse uso cotidiano. Assim, ele lista no tópico “Alguns tipos de regras” (p. Estudos de Psicologia, v. 9(2), p. 279-283 280 162-166, 2004), fenômenos muito diversos, como leis científicas, máximas e provérbios, resoluções e planos, modelos a serem imitados, instruções, padrões a serem seguidos (por exemplo, um padrão para bordado) e textos (ele considera qualquer texto como sendo, ele próprio, uma regra de como deve ser lido). Em outras partes do mesmo texto, cita a gramática, as normas religiosas, as normas éticas e leis governamentais, conselhos, avisos, comandos ou ordens, mapas, pedras deixadas como marcas no caminho e relógios, entre outros. Os exemplos são citados para mostrar quão amplo é o conceito de regra proposto por Skinner e como ele se constitui numa extensão do uso cotidiano (Flores, 2014, p. 26).

Essa ideia de que as regras estão em tudo que compõe a nossa vida diária, abordada por Skinner, nos estudos de Flores, remete à percepção de que o seu conceito, assim como cita o autor, nasce da necessidade de comunicação que as pessoas têm para se desenvolver. Pensar um mundo sem regras seria conceber uma sociedade sem limites. Portanto, é de extrema relevância estabelecer e disseminar a importância acerca das normas que regem a nossa vida em sociedade.
Gomide (2017) expõe que é importante se estabelecer normas não somente na família, mas na relação com o outro almejando convívio adequado entre as pessoas que:

devemos considerar a importância de estabelecer regras em nossa relação com os nossos filhos ou alunos. Sim, devemos estabelecer regras. Elas devem ser criadas para permitir um relacionamento adequado entre os membros da família, respeitoso em relação aos valores e hábitos daqueles que convivem em um determinado lugar (Gomide, 2017, p. 19).

Segundo essa autora, as regras são necessárias para a preservação do respeito aos valores desde o seio da família. Os pais, em sua função de primeiros educadores, devem ser os encarregados de criar e pôr em práticas as regras não somente do convívio familiar, mas dentro de todo um contexto social e cultural em que os filhos estão inseridos. Daí a importância do ensino pela prática dos jogos, pois os jogos e as brincadeiras estão inseridos na vida das crianças desde muito cedo.

Com os jogos é possível tratar de forma lúdica e consciente a utilização das regras na resolução dos possíveis conflitos que venham a surgir durante as aulas. Assim, podemos transmitir àqueles que jogam a importância de respeitar e fazer valer as regras em nossa vida. Afinal, são elas que regem e controlam as ações em nossa sociedade, criando um ambiente organizado no qual se estabelece a relação e a interação social.

As regras permitem, portanto, a compreensão da vida em sociedade e a importância de regras socioculturais, assim como a sua importância quando se joga um jogo de forma lúdica, pois são as regras que vão guiar a ação dos jogadores durante o jogo (Sobreira, 2014, p. 53).

Interação social

Relacionar a interação social à prática do jogo é de grande relevância quando consideramos que a interação social se refere a todas as ações recíprocas entre dois ou mais indivíduos durante as quais há compartilhamento de informações. Duran, ao citar Dürkheim, descreve que fato social consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem determinada força sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptar às regras da sociedade em que vivem.

Assim como os fatos sociais, a interação exprime esse sentimento de comunicação entre pessoas que é vivida durante a prática dos jogos e que pode trazer benefícios para o desenvolvimento cognitivo de crianças, como mostram Cavalcante, Ortega e Rodrigues (2005). Esses autores, pelos estudos de Perret-Clermont, revelam que,

em determinadas condições, a interação social de crianças pode contribuir para o desenvolvimento das estruturas cognitivas. O processo da interação social pode possibilitar aos sujeitos a coordenação das ações entre si ou o confronto de opiniões divergentes, o que poderia ocasionar conflitos cognitivos, que, por sua vez, produziriam progressos na estrutura cognitiva dos indivíduos (Perret-Clermont, 1984, apud Cavalcante; Ortega; Rodrigues, 2005, p. 91).

Para Duran (1993), é possível mesmo dizer que as experiências que tiramos da nossa interação com os outros são o nosso meio de desenvolvimento e de contato social porque o homem é, enquanto pessoa, constituído por essa pluralidade de interações com os outros indivíduos nos diferentes contextos em que essa interação ocorre. Na Sociologia, a interação social é um conceito que determina as relações sociais desenvolvidas pelos indivíduos e grupos sociais, sendo uma condição indispensável para o desenvolvimento e constituição das sociedades, visto que é por meio dos processos de interação que o ser humano se transforma num sujeito social. Segundo Freire, a interação se dá no momento em que o professor e o aluno buscam por meio da transformação uma interação em conhecimentos, na qual ambos ensinam e aprendem por meio do diálogo.

O diálogo é o encontro entre os homens, intermediado pelo mundo, para nomear esse mundo. Se é por meio da palavra, ao nomear o mundo, que os homens o transformam, o diálogo se impõe como o caminho pelo qual os homens encontram o significado de serem homens. Logo, o diálogo se constitui como uma necessidade existencial (...), não pode se limitar ao fato de uma pessoa “depositar” ideias em outra, como também não pode se tornar uma simples troca de ideias, que “seriam consumidas” por aqueles que estão conversando. Também não consiste numa discussão hostil (...), na imposição da própria verdade (Freire, 2016, p. 135).

O diálogo é parte importante do agir entre professor e aluno; essa interação deve ser construída de maneira que todos possam entender seus saberes na melhor forma de aprendizado. No contexto familiar, em que as relações afetivas são desenvolvidas e envolvem a todos é de grande importância que haja essa interação.
Assim sendo, no campo familiar, educacional ou mesmo cognitivo o processo de interação é relevante à medida que proporciona benefícios para aqueles que se relacionam, assegurando um ambiente harmonioso e um desenvolvimento saudável entre as relações, utilizando os elementos dos jogos para potencializar as interações entre os alunos.

Procedimento e realização da sequência didática

Após realizar uma pesquisa bibliográfica sobre os temas de interesse deste trabalho, elaboramos e colocamos em prática uma sequência didática voltada para a relação do ensino dos jogos e brincadeiras com a interação social dos alunos durante a vivência dos jogos. Ao visitarmos a escola percebemos que seria pertinente destacar a necessidade do respeito às regras. Com isso, a importância do conteúdo tratado fica evidente diante do contexto em que aqueles alunos se encontram.

Ao relatar os procedimentos e metodologia usados para a aplicação da sequência didática, adotamos a nomenclatura de profissionais e não professoras, visto que a equipe é composta por uma professora de Educação Física e uma assistente social, áreas distintas, porém com um mesmo objetivo. No primeiro contato com os alunos, fizemos uma explanação do que tínhamos planejado e abrimos uma discussão acerca dos conteúdos que seriam abordados; combinamos ainda os encontros posteriores e estabelecemos os materiais necessários para confecção dos jogos. Os encontros posteriores aconteceram conforme o planejado e a sequência didática:

Módulo I: As profissionais farão uma exposição das imagens dos jogos e brincadeiras, pedindo para que os alunos identifiquem os jogos e as brincadeiras que eles conhecem ou que já vivenciaram. Algumas perguntas deverão ser realizadas:
Existe algum jogo ou brincadeira aqui que vocês já vivenciaram ou conhecem?
Se a resposta for sim, como se joga? Quais as regras?
Que tal construirmos alguns desses jogos?
Após as discussões sobres as perguntas levantadas, o grande grupo será dividido de acordo com os interesses dos alunos. Cada grupo escolherá um jogo que deverá ser construído no próximo. Sempre considerando o posicionamento e interesse dos alunos.
Módulo II: Nesse segundo módulo os alunos deverão partir para a construção dos jogos escolhidos. De acordo com a divisão dos grupos, cada um deverá confeccionar seus jogos, sempre subsidiado pelas profissionais. A cooperação entre os alunos e a partilha dos materiais devem acontecer durante todo o processo de construção. A construção do outro deve ser respeitada e tudo precisa ser considerado como válido por todos, ressaltando a importância da dedicação de cada um.
Módulo III: Nesse módulo acontecerá a vivência dos jogos e das brincadeiras escolhidas pelos alunos com orientação das profissionais. Durante essa etapa os alunos serão estimulados a conversar sobre as regras e a possibilidade de inovação sobre o mesmo jogo. As variações e flexibilização das regras devem ser colocadas e os alunos serão estimulados a fazer seus posicionamentos.

No último dia de encontro, após a vivência dos jogos, realizamos uma roda de conversa na qual os alunos apresentaram suas experiências com o aprendizado e se encantaram ao descobrir que a peteca é de origem indígena, um dos jogos escolhidos para vivência e confecção. Não somente foram tratados os objetivos propostos como também as inquietações que surgiram durante o processo de aplicação dos módulos. Procurou-se esclarecer todas as dúvidas que foram levantadas para que os alunos não ficassem sem respostas às suas necessidades de conhecimento.

Metodologia

O presente trabalho se caracteriza como um estudo de cunho qualitativo, fazendo parte de um relato de experiência vivenciado na Escola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes, no Rio Grande do Norte. Ele é fruto da elaboração e aplicação de uma sequência didática voltada para o ensino de jogos e brincadeiras como instrumento de interação dentro do seu contexto social. Os sujeitos da pesquisa foram 32 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental da escola.

A princípio fizemos uma pesquisa bibliográfica sobre o tema, em seguida fomos à busca de uma escola que se propusesse a aceitar o nosso trabalho com os seus alunos; após encontrar a escola e conhecer a turma em que seriam aplicadas as atividades, construímos uma sequência didática. Marcamos os dias de exposição e detalhamento do trabalho e combinamos como deveria acontecer a aplicação dos módulos. Após a realização das atividades, coletamos os dados das experiências vivenciadas e partimos para a construção deste artigo.

Nosso principal propósito foi entender a importância dos jogos e brincadeiras como forma de interação dentro do contexto social vivenciado no cotidiano dos alunos, além de destacar a relevância das regras dos jogos para a vida desses alunos, dentro e fora da escola. Durante a aplicação dos módulos, surgiram também algumas curiosidades, como a origem do jogo “peteca”, que foram logo explicadas e causaram interesse aos estudantes.

Conclusão

A prática dos jogos e brincadeiras é uma experiência natural do universo da criança, mas dentro do ambiente escolar é necessário relacionar os conhecimentos existentes aos educacionais. Entender cada elemento dentro de um simples jogo, dando a ele sentido e significado, é uma tarefa que precisa de suporte profissional.
Dentro da sala de aula, o professor muitas vezes precisa se desdobrar para criar métodos atrativos aos alunos.

Acredita-se que mediante a vivência dos jogos e brincadeiras, elemento de conhecimento dos alunos, é possível proporcionar uma aprendizagem prazerosa, pois, além de serem instrumentos facilitadores para a prática das regras, seja no ambiente escolar, no familiar ou mesmo no social, os jogos são acessíveis a todos. Consideramos ainda que eles proporcionam relações de respeito e interação entre aqueles que jogam, uma vez que necessitam de cooperação e incentivo na sua realização.

Com base na vivência das atividades durante a aplicação da sequência didática, podemos mencionar que a utilização dos jogos como estratégia para o ensino é um instrumento motivador no qual se transmite o conhecimento de forma prazerosa tanto para quem ensina como para aqueles que aprendem. Portanto, os jogos podem ser uma boa alternativa para o professor explorar o potencial do aluno, possibilitando uma melhor compreensão dos conteúdos; assim, é possível tornar o aprendizado mais eficiente, buscando estimular o pensamento e desenvolvendo a criatividade dos alunos.

Referências

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MURCIA, Juan Antonio Moreno et al. Aprendizagem através do jogo. São Paulo: Artmed, 2008.

SARMENTO, Manuel Jacinto. Imaginário e culturas da infância. Instituto de Estudos da Criança, Universidade do Minho, Projeto Procti/CED, 2002.

SOBREIRA, Maria Teresa da Silva. O jogo: entre o movimento e as regras. Dissertação (Mestrado), Instituto de Educação, Universidade do Minho, Braga, 2014.

Publicado em 06 de outubro de 2020

Como citar este artigo (ABNT)

SANTOS, Tania Serpa; MELO, Adriana Souza de; NEVES, Francinete Maria Dionísio. Jogos e Brincadeiras: interação social vivenciada pelos alunos do 6º ano da Escola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes. Educação Pública, v. 20, nº 38, 6 de outubro de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/28/jogos-e-brincadeiras-interacao-social-vivenciada-pelos-alunos-do-6-ano-da-escola-municipal-brigadeiro-eduardo-gomes