O uso do cinema no ensino

Paulo Cesar de Almeida Barros Lopes

Licenciado em História (UNIRIO/Cederj/Cecierj), pós-graduado em Ensino a Distância (Faculdade Internacional Signorelli), palestrante no II Encontro de História (UNIRIO/Cederj - Polo de Piraí)

Como ensinar a partir do cinema

Para Jairo Carvalho do Nascimento (2008), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), os filmes ainda não são usados de forma conveniente na sala de aula; no seu artigo ele destaca que o uso de filmes ainda é tímido no mundo acadêmico e na prática de ensino da História, tanto que na pesquisa ele identifica dois problemas: a ordem infraestrutural e a formação dos professores, em especial quando lecionam História e não são graduados na matéria; alie-se a esse fato que grande parte dos docentes resiste às existentes alternativas ao ensino tradicional. Não obstante, Nascimento destaca dificuldades inerentes à aplicação do uso do cinema no ensino da História: o acesso aos recursos tecnológicos por parte dos alunos e a formação do docente, que em muitos casos não possui treinamento adequado para manusear os equipamentos; por fim, as condições das escolas para o desenvolvimento de projeto. Tanto que a última edição da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) mostrou que os professores brasileiros acabam perdendo muito tempo durante as aulas com questões de disciplina, gastando aproximadamente um terço do período com questões não pedagógicas. Mesmo diante desse quadro, é válido ressaltar que Nascimento (2008, p. 13-17) delineia cinco passos essenciais cujo objetivo é guiar a prática docente ao usar filmes para ensinar História:

  1. ver o filme;
  2. organizar e redigir o plano de aula;
  3. apresentar plano de aula;
  4. fazer a análise propriamente dita; e
  5. articular o filme a outra frente.

Nascimento encerra o artigo enfatizando que o cinema não é o único instrumento metodológico à disposição do professor, mas sim uma prática a mais para a aplicação do ensino em conjunto com outras linguagens; logo, o tempo perdido com questões disciplinares poderia ser mais bem usado para a aplicação das sugestões.

O primeiro fórum Ler e Pensar, realizado pelo Instituto GRPCOM, no dia 30 de março 2019, na Universidade Positivo, em Curitiba, cujo tema foi “Conexões para uma educação transformadora”; teve como objetivo evidenciar práticas inovadoras em sala de aula que visam incentivar os professores a usar as mídias digitais dentro da sala de aula como instrumento pedagógico. Não obstante, é importante lembrar que as mídias digitais não irão substituir o processo de aprendizagem inserido no contexto da criação e do saber, pois esse recurso torna-se uma alternativa aos métodos tradicionais; no entanto, pode-se destacar que o uso de mídias é importante no processo de ensino- aprendizagem. É bem sabido que vários profissionais da Educação estão procurando se adaptar ao uso de mídias digitais no ensino e as escolas em geral têm feito adaptações para o uso de novas tecnologias. Todavia, vale ressaltar que ainda faltam muitos passos a serem dados para a efetivação do uso desse recurso alternativo pelos professores em sala de aula, tendo em vista que grande parte dos professores não possui treinamento ou não se interessa pelo uso desses recursos. Segundo Camila Fattori, psicóloga e coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac, “é necessário dar ao professor o mínimo de conhecimento, de treinamento”.

Com respeito ao acesso dos alunos à informação, poderíamos destacar o pensamento de Pierre Bourdieu, que trata do capital cultural. É imperativo afirmar que, segundo ele, esse capital é adquirido antes mesmo de o aluno ir para a escola, pois esse capital é fornecido pelo meio no qual a pessoa vive e é responsável pela desigualdade social. O capital cultural é um grande impeditivo para a mobilidade social, pela qual o indivíduo supostamente ascenderia de uma classe para outra, fato que, na sua análise, é praticamente improvável em virtude de a burguesia continuar sendo a mantenedora desse capital e não permite sua absorção pela classe dos trabalhadores, conforme destacou Manuel Hespanha (2006, p. 15-23) em seu artigo A mobilidade social no Antigo Regime. Maria da Graça Jacintho Setton (2010), professora de Sociologia na Faculdade de Educação da USP, registra:

Bourdieu argumenta que essas instituições seriam a família e a escola; seriam elas responsáveis pelas nossas competências culturais ou gostos culturais. De um lado, chamou a atençãopara o aprendizado precoce e insensível, efetuado desde a primeira infância, no seio da família, e prolongado por um aprendizado escolar que o pressupõe e o completa (aprendizado mais comum entre as elites). De outro, destacou os aprendizados tardio, metódico e acelerado, adquiridos nas instituições de ensino, fora do ambiente familiar, em tese um conhecimento aberto para todos

Tendo em vista essa linha de pensamento, podemos destacar que o capital cultural enfatizado por Bourdieu pode ser aplicado no tocante ao acesso à informação que nossos alunos possuem.

A abordagem dos autores mencionados destaca a importância do papel de uma série de variáveis que se interpõem na produção de um filme, demonstrando toda a manipulação ideológica construída em tomo das imagens a partir de um contexto histórico. A questão da linguagem cinematográfica e de sua especificidade não encontra, assim, um lugar no esquema analítico para alguns, ao passo que para outros isso é comumente viável. Em vista disso, fica constatada a diversidade de questões que se colocam ao historiador que aceita o desafio de trabalhar com documentos visuais e lidar com a imagem cinematográfica. Mesmo reconhecendo que a sociedade contemporânea está absolutamente mergulhada num mundo de imagens, esta é uma proposta de trabalho inovadora e ousada que ainda não foi completamente absorvida pelo mundo acadêmico. Por esse motivo, é importantíssimo entender que a utilização do audiovisual na escola dá a possibilidade de trabalhar a visão e a narrativa do que é real, ou seja, apreciar a realidade via cinema, dando a oportunidade ao aluno e a todos os interessados de ter a possibilidade de poder ter seus pontos de vistas renovados. É mister que o fundamental em todo o processo educativo é usar intencionalmente todos os recursos disponíveis e que eles sejam integrados ao planejamento didático, dando assim a oportunidade aos alunos de aprender mais eficazmente e com qualidade. E isso pode ser feito em todos os níveis de ensino, porque consideramos que o vídeo pode ser, ou é, uma ferramenta importante e produtiva, desde que seu uso seja bem planejado. Em consonância com tais afirmações e observações, podemos fazer uma aplicação dos pontos abordados usando exemplos de como isso pode ser feito no ensino da História em todos os níveis.

Existe uma gama de filmes que poderíamos abordar para mostrar como pode ser feito um planejamento usando o audiovisual para o ensino da História: Príncipe do Egito, Príncipe da Pérsia, Rei Davi, Sansão e Dalila, Troia, Ulisses, Escorpião Rei, 300, Alexandre, Hannibal, o invencível, Cleópatra, Queda do Império Romano, Ben Hur, Spartacus, Gladiador, Átila, o Huno, A legião perdida, Pompeia, Marco Polo, Rei Arthur, Robin Hood, A cruzada, Arn, A máscara do Zorro, O último samurai, Resgate do soldado Ryan, Bom dia, Vietnã, Cartas de Iwo Jima, Em busca da honra, Pearl Harbour, Caçada ao Outubro Vermelho, Atrás das linhas inimigas, Códigos de guerra, Companhia de heróis, Patton: rebelde ou herói, Operação Chromite, 13 dias que abalaram o mundo, Máquina de guerra, O homem mais procurado do mundo, Sniper americano, B-17 a fortaleza e muitos outros, incluindo documentários disponíveis em vários sites e plataformas de streaming (como Netflix, Amazon etc.). De que forma poderíamos apresentar esses filmes como objeto de estudo? Podemos afirmar que essas obras são produtos coletivos de aprendizagem, pois contêm elementos comuns a uma coletividade e foram realizadas por uma equipe composta de diretor, produtores, financiadores, pesquisadores historiográficos e várias outras pessoas. Assim sendo, quando o cineasta analisou as obras, assumiu papel de historiador, semelhante ao carnavalesco de uma escola de samba quando prepara o desfile da agremiação. Apesar de o cineasta não usar um sistema metodológico rígido de trabalho historiográfico, sem perceber (ou percebendo), se torna um historiador.

A título de exemplo: no filme Alexandre, sabemos, de acordo com o roteiro do filme, que a narrativa é feita por Ptolomeu Lago, um dos quatro generais de Alexandre que depois da sua morte se tornaram um faraó no Egito. É interessante notar que no filme, mesmo não sendo bem aceito pelos gregos por eles acharem que ocorreram excessos na questão do homossexualismo, vários elementos históricos são evidenciados. A forma de combater de Alexandre, o Grande, a composição de seu exército, que inclusive serviu como base para a forma de combater das falanges romanas, pois sob a figura do pai de Alexandre, o Grande, Felipe II, o exército macedônio excluiu a figura do hoplita políada (o que combatia, sob a forma de soldado cívico, pela preservação de sua liberdade política), e passou adotar uma forma mais profissionalizante, que se torna uma marca dos posteriores exércitos gregos. Dessa forma, mais adiante na História, por conta da campanha de Pirro, os romanos entraram em contato direto com o modo de combater dos gregos; por esse motivo tiveram a oportunidade de implementar uma reforma tática na sua forma de combater, assemelhando essa tática às do mundo helenístico com uma “cultura militar pautada na defesa do militarismo cívico” (Modanez de Sant’Anna, 2008, p. 25-43). Destacam-se também as indumentárias gregas da época, bem como costumes e utensílios que eram usados naquele período, cujos sítios arqueológicos forneceram piamente materiais para tal projeto, bem como o costume dos gregos em relação aos povos dominados, que consistia na síntese das culturas. Nesse prisma, para montar toda a estrutura física da superprodução, houve a necessidade de vasta pesquisa histórica. Já enxergando o lado dos críticos, em especial os historiadores, pode-se observar também que o discurso do filme é anacrônico, pois “soa” mais para o nosso século do que para o período de Alexandre. A temática está mais voltada para a base do mundo ocidental, marginalizando o mundo oriental, destarte que historicamente uma das batalhas mais violentas que Alexandre enfrentou foi aquela travada com o monarca indiano Poros. Esse acontecimento denota que os povos do Rio Indo não eram tão inferiores, como o mundo ocidental achava. Em vista disso, o filme dá a oportunidade de entrar na outra temática: o questionamento. Logo, mesmo que as produções não sejam exatamente ou sistematicamente históricas, a importância da pesquisa se torna notória.

A possibilidade de fazer um bom uso dos filmes históricos é positiva; no caso de Alexandre, existem várias outras vertentes a serem exploradas; no entanto, para melhor visualização do que se pretende alcançar, é muito importante efetuar uma análise do que poderá ser discutido em relação ao filme: como trabalhar a Grécia Antiga, relacionando-a a temas históricos do presente? A que faixa etária e escolar o trabalho com esse filme é adequado? Que aspectos pode-se ressaltar no caso do filme? Quais valores morais e ideológicos constituem a obra? Podemos analisar a história do filme e relacioná-la aos conflitos mundiais significativos para o momento? Como elaborar a visão do aluno que tem o cinema unicamente como lazer e entretenimento? Como levar o aluno a ver um filme como fonte importante para a construção do conhecimento histórico? São fatores que devem ser levados em consideração ao realizar planejamento de aula com narrativa fílmica.

Tendo em vista as argumentações precedentes, é imperativo mencionar um exemplo de como o uso do cinema em sala de aula pode ajudar não só no ensino como na desconstrução de preconceito sobre uma raça ou etnia. Um exemplo clássico disso é a forma como o cinema ocidental, em especial o estadunidense, trata as pessoas oriundas do Oriente e do Extremo Oriente. Percebe-se, por assim dizer, a caracterização de um estereótipo de cunho negativo aos orientais, chamado pelo escritor Edward Said de “Orientalismo”. Em relação ao conflito árabe-israelense, ele declarou:

Passei boa parte da minha vida nos últimos 35 anos defendendo o direito do povo palestino à autodeterminação, mas sempre procurei fazê-lo mantendo-me totalmente atento à realidade do povo judeu e ao que ele sofreu em matéria de perseguição e genocídio. Mais importante que tudo é dar ao conflito pela igualdade na Palestina e em Israel o sentido de perseguir um objetivo humano, ou seja, a coexistência e não o aumento da supressão e da denegação. Não por acaso chamo a atenção para o fato de que o orientalismo e o antissemitismo moderno têm raízes comuns. Assim sendo, considero uma necessidade vital que os intelectuais independentes apresentem sempre modelos alternativos aos modelos redutivamente simplificadores, baseados na hostilidade mútua que há tanto tempo prevalece no Oriente Médio e em outras partes do mundo (Said, 2004, p. 20)

Em se tratando de estereótipos estabelecidos pelo mundo de Hollywood, pode-se destacar que o asiático é na maioria das vezes definido como um ser de natureza muito limitada; a visão hollywoodiana mostra também que existe pouco interesse sobre eles, pois é mister afirmar que conseguimos contar nos dedos quantos atores asiáticos tiveram o privilégio de ser usados e se destacado em filmes. Assim, por conta dessa questão, os professores podem explorar o uso de cinema para, além de ensinar a História dos povos asiáticos, também ajudar na descaracterização desse preconceito ocidental. Como isso pode ser feito? Frente às muitas exigências do ensino de História, dadas as muitas vertentes que ela abrange, como favorecer as questões de equidade e subjetividade em sala de aula?

É preciso repensar as nossas dinâmicas de como devem ser feitas as representações asiáticas sem preconceito. É muito difícil que essa equidade seja alcançada em curto espaço de tempo, tendo em vista que os alunos possuem capital cultural diferente. Assim, é importante entender que esse capital cultural precisa ser absorvido também pelos docentes. É válido ressaltar que essa subjetividade dentro da sala de aula pode ser alcançada usando alternativas para desenvolver as capacidades cognitivas dos alunos. Nesse sentido, podemos considerar que o uso do cinema no ensino de História seja importante para tal desenvolvimento.

Dentro desse escopo, a sugestão para os docentes conseguirem ensinar História e desconstruir estereótipos negativos com o uso do cinema em sala de aula seria realizar um “diálogo” com a BNCC, o PCN e com os inúmeros pensadores da Educação, tais como: Paulo Freire, Vygotsky e Piaget, procurando desenvolver alternativas com pesquisas e muito esforço para novas formas de aprendizagem, que incluem o uso do cinema no ensino de História, pois isso fará com que os alunos possam sentir prazer em realizar determinadas tarefas na aula de História, instilando neles o desafio para atingir determinado objetivo; em vista disso, os alunos terão a possibilidade de desenvolver a capacidade de criação, ampliando o conceito de dimensão simbólica do audiovisual em sala de aula e da capacidade de construção desses alunos em virtude da atividade pedagógica alternativa de elevada significância. Portanto, o uso do cinema no ensino de História pode ajudar os alunos a mostrar interesse mais aprofundado pela cultura oriental, desfazer os estereótipos negativos sobre ela e ampliar seu conhecimento nos mais variados campos da História de forma diferenciada.

Essa inserção do audiovisual de modo mais significativo pode ser feita da seguinte forma: digamos que uma pessoa tenha ficado muito tempo sem comer, chegando ao ponto de ficar subnutrida. Será que daríamos a essa pessoa uma feijoada, mocotó ou qualquer tipo de comida dessa estirpe? É lógico que não, pois poderíamos agravar a situação daquela pessoa! Assim, o interessante seria administrar uma refeição mais suave, provavelmente no estado líquido, e depois aos poucos ela voltaria a se alimentar normalmente. Essa ilustração pode ser aplicada àqueles que não têm contato com a cultura oriental. Pode-se aplicar tal informação de forma gradual, a fim de que eles possam absorver esse conhecimento aos poucos. Nessa lógica, seria interessante apresentar aos alunos os filmes ocidentais e depois levantar um debate sobre os estereótipos. Essa prática se demonstraria uma boa alternativa de mostrar os pontos negativos dos estereótipos dos filmes ocidentais. Isso poderia ser feito por meio de comparações; apresentar uma obra com a visão ocidental e outra obra do mesmo segmento com a visão oriental.

A título de exemplo, podemos usar os filmes Cartas de Iwo Jima e A conquista da honra, que relatam a mesma batalha sob pontos de vistas diferentes, apesar de ambos serem dirigidos por Clint Eastwood. O interessante nos dois é a visão de cada lado do conflito, que Clint conseguiu explorar. Logo, essa sugestão se torna aplicável para introduzir o conhecimento da cultura oriental pelo debate e a visão crítica das obras hollywoodianas. Dentro desse contexto, seria interessante também abordar o “whitewashing” (escalação de atores brancos para interpretar personagens de outras etnias).

Enfim, o uso do cinema como ferramenta pedagógica é realmente importante, pois vivemos em um período no qual muitos alunos são incluídos digitalmente, possuem acesso à internet e foram beneficiados com a renovação da indústria do cinema e com uma gama de filme dita “histórica” para serem explorados. O mais importante é como os docentes farão esta exploração junto ao alunado. Faz-se necessária uma transformação na forma de pensar daqueles que possuem a responsabilidade de impetrar tal mudança. O maior problema dessa sistemática, infelizmente, são os governantes, porque eles não incentivam políticas públicas mais acentuadas para o uso dos filmes como metodologia de ensino, não existe investimento significativo para tal implantação nem existe política de esclarecimento e massificação de tal metodologia, pois sabemos que uma boa propaganda consegue, e muito, tornar visível uma ideia ou procedimento; vide a Coca-Cola, que investe milhões ou bilhões (Souza, 2017) para inserir sua marca no mercado; não precisamos nem falar do retorno que isso daria! Logo, identificamos o primeiro problema. Quais são os outros? A má-formação dos profissionais da Educação, que na sua grande maioria não se interessam por esse sistema metodológico, não possuem habilidade nem treinamento para o manuseio de sistema audiovisual, são resistentes à implantação desse método eficaz ou são acomodados com o sistema convencional de ensino; assim sendo, não almejam mudanças; alie-se a isso a falta de interesse dos alunos pelo que é novo e diferente, acostumados e acomodados com o ensino tradicional; muitos deles não dispostos a um envolvimento maior na absorção de tal iniciativa de metodologia de ensino (Nascimento, 2008).

É importante destacar que o nosso problema é que não conseguimos enxergar algo que está além do nosso alcance visual. A comunidade acadêmica poderia “enxergar” um pouco mais nesse sentido porque é plausível que não só os filmes de História podem ser usados para a implantação do ensino da matéria, mas várias outras produções; por isso existe o construtivismo: a palavra por si só denota seu verdadeiro sentido. Apelemos para o imaginário, para a capacidade de criação e desenvolvimento de um procedimento, usemos a nossa capacidade e perspicácia. Isso acarreta um pouco de trabalho, sabemos; no entanto, o resultado final será bastante prazeroso. Então, como podemos ampliar a metodologia de ensino e não a restringi-la somente a filmes históricos? Exemplificando: o longa-metragem Star Wars aparentemente é um filme de ficção científica; não obstante, se aguçarmos a nossa visão em relação a ele, ou à longa série de filmes, perceberemos elementos históricos de forma bem implícita ou até mesmo explícita. Definindo: quando observamos a cena da reunião do Senado e aquela questão de República versus Império, o que nos vem à mente? Roma! E os cavaleiros Jeri? Provavelmente inspirados no hinduísmo! E as guerras cônicas? Extrema semelhança ou mera coincidência com as guerras púnicas no início da ascensão do Império Romano? E isso é só uma visão superficial de um filme de ficção!

Lógico que não podemos abandonar o sistema tradicional de ensino, que inclui o uso de livros, mas sim criar uma síntese com os métodos já usados por muito tempo, agregando continuamente novos valores ao programa educacional com o envolvimento de todos objetivando atingir um sistema com um ensino de qualidade em que permeia a formação depessoas que não sejam reprodutoras de ideias, mas sim seres que possuam autonomia e que usem suas capacidades cognitivas para o pleno desenvolvimento da sociedade.

Aplicando a teoria - planejamento pedagógico

Vera Lúcia do Nascimento (2008), em seu artigo, destaca:

‘Não há fórmula mágica nem receita teórica que substituam a reflexão e a perspicácia do professor em relação aos alunos’ (Napolitano, 2003, p. 21). Portanto, planejamento é a alma do sucesso para qualquer aula, e quando há esse preparo os alunos percebem. É bom que fique claro que ao professor não serão permitidas negligências, pois do contrário será taxado de desorganizado ou, pior ainda, perderá o respeito de seus alunos (Nascimento, 2008, s/p).

A importância do planejamento para a aplicação de uma aula faz parte do processo de formação pedagógica do docente; a título de exemplo, na grade curricular do curso de licenciatura da UNIRIO/EAD existem cinco disciplinas que tratam diretamente do planejamento pedagógico: Prática de Ensino, que é subdividida em três partes; Fundamentos da Educação, subdividida em quatro partes; Seminário de Pesquisa no Ensino de História, subdividida em duas partes; Estágio Supervisionado, subdividido em quatro partes; e Metodologia no Ensino de História. Essa quantidade de disciplinas deixa bem evidente que existe preocupação no desenvolvimento da capacidade de planejamento do docente para que tenha capacidade de usar aulas a fim de que os alunos possam ter oportunidade de agregar o máximo de valores possíveis dentro do conteúdo apresentado; por esse motivo, com um bom planejamento e um material de qualidade, o uso do audiovisual não ficará restrito ao sistema “tampão”, no qual se colocam filmes com o objetivo de passar o tempo dos alunos, caracterizando um uso errado do cinema no ensino de História.

Logo, tendo em vista essa argumentação, foram separados alguns planejamentos didáticos com filmes selecionados que fazem uma abordagem de conteúdos que são aplicados no Ensino Médio, os quais poderão ajudar alunos de escolas técnicas, que possuem pouco tempo disponível para as disciplinas de Ciências Humanas, em especial para História. O mais interessante dentro do currículo de História destacado na UNIRIO/EAD é que está ocorrendo maior aplicação do uso do cinema no ensino de História nas matérias pedagógicas, bem como na maioria das disciplinas, aplicação esta que abre caminho para que a próxima geração de docentes formada por essa universidade tenha maior compromisso na aplicação desse recurso pedagógico, pois vem demonstrando que possui aplicabilidade, facilitando o desenvolvimento do docente e, na sequência, dos alunos que serão atendidos por esses docentes.

Filme O homem que viu o infinito

Em face dos argumentos apresentados, é interessante a demonstração dos planejamentos de aula para melhor sintetizar, e se possível corroborar, os argumentos apresentados. No primeiro planejamento didático, a discussão foi abordada em uma turma de 3º ano do Ensino Médio concomitante com o técnico na ETE JLN. Como nas escolas técnicas da rede Faetec as turmas nesse modelo de ensino só possuem dois tempos de aula por semana, a proposta de abordagem do tema foi realizada no máximo em quatro tempos. A aula foi sobre Primeira Guerra Mundial, com derivação para os efeitos da guerra no Império Britânico; a opção escolhida para a abordagem do tópico foi o filme O homem que viu o infinito.

Objetivo do planejamento

O planejamento visa fazer o aluno entender o fundo histórico do filme O homem que viu o infinito, que tem a Primeira Guerra Mundial como pano de fundo; especialmente o momento social e econômico de quem vivia tanto na Europa no início do século XX como na Índia. É possível compreender o preconceito que fora praticado pelos ingleses ao jovem matemático Ramanujan e a influência do Império Britânico na Índia durante esse período histórico e, além de tudo, definir e compreender o sistema educacional e a sua importância nas sociedades em questão fazendo aplicação das questões para os dias de hoje. Tem também o objetivo específico de fazer com que o aluno seja capaz de identificar qual o ano em que Ramanujan mudou-se para a Inglaterra; sua estada nesse país; que evento importante para a História aconteceu no ano seguinte; qual era a classe social de Ramanujan e como ele foi tratado na Inglaterra inicialmente; de que maneira Ramanujan fazia os ingleses se sentirem inferiores; como eram as sociedades britânica e indiana daquela época; o que os intelectuais da Trinity, em Cambridge, achavam da guerra; e em que contexto a religião era importante nas decisões dos cidadãos de ambas as sociedades.

Conteúdo vertical a ser trabalhado

Quais foram os motivos identificáveis da Primeira Guerra Mundial; em que sentido a guerra afetou a economia da Europa e do resto do mundo; qual foi a mudança no quadro social, político e econômico ocasionada pela guerra; por que se pode afirmar que a Segunda Guerra Mundial foi sequência da Primeira; quando a Índia se tornou independente do Império Britânico; existe alguma diferença ou semelhanças entre as sociedades inglesas e indianas de hoje em relação à época de Ramanujan e G. H. Hardy; como Ramanujan contribuiu para a ciência hoje e qual o seu legado para o mundo.

Conteúdo horizontal a ser trabalhado

Como a Primeira Guerra afetou os países da América, em especial o Brasil; como fazer uma relação da vida social na Índia com a vida social no Brasil; entender como a história individual de Ramanujan é parte da história coletiva dos indianos e por que isso pode interessar aos brasileiros; compreender como Ramanujan superou a diferença cultural existente entre ele e os britânicos e como sua atitude pode beneficiar a atitude das pessoas no Brasil; mesmo em solo estrangeiro, Ramanujan valorizou seu patrimônio cultural, o que pode servir como aprendizado com ele nessa questão.

Atividade 1: Alunos são orientados a assistir ao filme e formar grupos

Os alunos terão de assistir ao filme individualmente ou em grupo e formar grupos de no máximo seis alunos para a realização das atividades. Isso inclui propostas de questionamentos para atividade sequencial, objetivando que o aluno chegue à sala de aula com questionamentos e propostas definidas; dessa forma poderá fazer uma pesquisa mais apurada usando os recursos disponíveis no sentido de absorver o máximo de informação possível para que ela possa ser transformada em conhecimento dentro da sala de aula junto com as pesquisas de outros, os debates e o que for acrescentado pelo docente para ajudar no direcionamento do saber, incentivando assim a pesquisa, bem como o trabalho em equipe com intuito de desenvolver a inteligência coletiva. Inicialmente é importante deixar claro que iremos aplicar a história do filme em nossa matéria específica vendo que valor histórico essa narrativa possui.

Dessa forma, a proposta gira em torno de conhecer o fundo histórico da narrativa, o tipo de sociedade em que vivia aquele jovem matemático, qual era a relação entre a Inglaterra e a Índia nesse contexto histórico, como era o tratamento dos ingleses em relação ao povo indiano, como os ingleses enxergavam os indianos intelectualmente e como os indianos enxergavam os ingleses, porque no decorrer da narrativa fílmica existe este questionamento por parte da mãe de Ramanujan, deixando evidente o conflito cultural entre essas nações. Deve-se solicitar aos alunos que destaquem a importância da vestimenta nas duas culturas e como ela pode influenciar até mesmo a saúde da pessoa; esse tipo de análise daria a oportunidade para uma pesquisa mais profunda de caráter cultural, se estendendo, é claro, para o aspecto socioeconômico. É importante também incentivar os alunos a prestar atenção a um dos momentos históricos mais importantes para a humanidade, que foi a Primeira Guerra Mundial, e pedir que eles façam uma relação da vida de Ramanujan com esse evento; tentar fazer com que os alunos, pela narrativa fílmica, entendam como os intelectuais ingleses enxergavam a guerra, qual o contexto religioso daquele momento e pesquisar se esse contexto influenciou ou não o direcionamento daquela sociedade; a proposta também incluiria a análise econômica, pois o filme mostra como ficou a situação da economia após o início da guerra, refletindo até mesmo na alimentação na faculdade e do próprio Ramanujan, porque ele era vegetariano. Uma forma de não tornar o processo repetitivo e maçante para os alunos é dividir por grupos, para que a variedade de assuntos pudesse permear este tipo de atividade.

Atividade 2: O trabalho deverá ser apresentado durante as aulas

Diante do exposto, essa divisão ajudaria a entender a segunda atividade, que consistiria na apresentação desses grupos durante as aulas seguintes, ou seja, as apresentações poderiam substituir as aulas convencionais, em que só o professor fala e os alunos ouvem. Seriam separadas perguntas para esses grupos explicarem; seria exigida a participação de todos os alunos, em especial na apresentação do trabalho, na tentativa de evitar que a atividade ficasse sob a responsabilidade de um só aluno, porque essa é uma prática que infelizmente até hoje ocorre também nas faculdades. Em cima da temática em discussão, fora proposta também a aplicação em termos práticos do exemplo do filme para os alunos e a sociedade na qual vivem hoje, fazendo com que eles consigam observar quais foram as influências da vida daquele matemático para a nossa sociedade na época atual, se semelhanças existem entre a visão europeia em relação aos latino-americanos com a relação aos indianos externada no filme. Dentro desse ambiente, permitimos o questionamento por parte dos próprios alunos aos grupos que farão a apresentação sob a mediação do docente.

Desdobramento interdisciplinar da atividade

Em virtude da temática apresentada pelo filme O homem que viu o infinito, o desdobramento didático da produção pode ser direcionado para as disciplinas de ciências exatas, por quê? Pode ser levada em consideração a atividade do jovem Ramanujan, que inicialmente trabalhava como contador, mas tinha uma habilidade maior com os números, tanto que foi convidado para estudar na Inglaterra para publicar sua teoria sobre números primos e partições por um famoso matemático de nome G. H. Hardy, professor do Colégio Trinity, na Universidade de Cambridge, que mais tarde, além de se tornar o seu tutor, passou a ser seu amigo. Nessa saga, Ramanujan, mesmo sendo um gênio na Matemática, não possuía a formação acadêmica exigida para publicar seus trabalhos, tanto que isso se torna um grande empecilho para a compreensão dos catedráticos ingleses com respeito à sua genialidade. Para os ingleses, era inconcebível a situação de Ramanujan, até porque para eles os indianos eram inferiores intelectualmente; por isso ele sofreu enorme resistência em Cambridge, mas não impediu o progresso de seu trabalho, já que, além de ter excepcional inteligência, pôde contar como seu mentor, um dos mais renomados professores daquela universidade, que o ajudou a direcionar seu talento para os padrões exigidos para aqueles que desejassem ter suas publicações conhecidas; na verdade esse jovem foi além do esperado, pois teve suas obras publicadas, resolveu vários problemas de partições cuja resolução mais tarde contribuiu e contribui até hoje para a realização de cálculos espaciais. Logo, a contribuição do jovem matemático para o mundo científico é imensurável e digna de pesquisa, pois seu modo de vida intrigou os mais renomados cientistas daquela época porque até então ele não havia cursado as famosas escolas inglesas, no entanto tinha um conhecimento que não se podia mensurar, porque com o pouco tempo em que viveu conseguiu deixar um legado positivo para a humanidade, em especial na área de ciências exatas, cujos estudantes podem pesquisar mais sobre ele e seus trabalhos e a contribuição desses trabalhos em várias outras aplicações.

Enfoque do PCN no planejamento didático com o uso de audiovisual para o filme

Segundo as orientações encontradas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) nessa faixa de idade, os alunos já adquiriram tanto na escolaridade anterior quanto no convívio social um conjunto de informações e reflexões de caráter histórico; assim sendo, é importante para o aluno ter a oportunidade de distinguir suas vivências pessoais dos hábitos de outras épocas, como do período em que ocorrem os filmes escolhidos para o trabalho da classe. Dessa forma, é possível destacar a maneira de as pessoas trabalharem, vestirem-se, pensarem, conviverem, evidenciando relações sociais, econômicas e políticas mais amplas que caracterizam o modo de vida das sociedades. Além disso, é imperativo afirmar que os alunos já possuem alguma noção temporal; logo, é importante que o docente possa, além de identificar tal capacidade do aluno, desenvolver trabalhos mais aprofundados com o objetivo de ajudar a tornar o aluno um ser autônomo, tendo a capacidade de desenvolver a construção das relações entre os eventos para que esse mesmo aluno possa contextualizar eventos históricos, bem como dimensionar a duração desses eventos, identificando os indícios e ritmos das suas transformações e das suas permanências no tempo. É importante também incentivar o aluno a utilizar as diversas ferramentas tecnológicas disponíveis para uma pesquisa mais ampla do conteúdo a ser estudado, possibilitando assim acesso a uma gama maior de informação; destarte, a sua capacidade de reflexão no tema proposto será ampliada, ajudando-o a enfrentar os desafios da prática pedagógica. Essas confrontações de ideias sobre vários fatos históricos mencionados com certeza enriquecerão o coletivo no conhecimento dentro do âmbito escolar e posteriormente em toda a sua vida, quer seja ela acadêmica, secular, profissional, religiosa etc.

Tendo em vista o planejamento mencionado, é imperativo destacar que o filme não é apenas de um elemento voltado para a diversão, é de fato um complemento significativo que permite a análise, a reflexão e uma aprendizagem qualitativa. Dentro dessa visão, é importante destacar que de fato o cinema desperta o interesse dos alunos; no entanto, é necessário que haja uma busca objetivando fazer com que o cinema possa ser oferecido de forma institucionalizada e com uma visão crítica dentro da Educação, pois é inegável o interesse dos alunos por filmes e principalmente porque os filmes fazem com que os estudantes tenham a oportunidade de olhar para outra representação de realidade. Levando em consideração que o cinema é um recurso didático que potencializa o conhecimento histórico, é imperativo que todos os setores da Educação e os profissionais neles incluídos busquem o desenvolvimento de metodologias aplicáveis no uso do cinema no ensino de História e no ensino em geral, considerando como base a BNCC e também os PCN.

Referências

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Publicado em 12 de janeiro de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

LOPES, Paulo Cesar de Almeida Barros. O uso do cinema no ensino. Educação Pública, v. 21, nº 1, 12 de janeiro de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/1/o-uso-do-cinema-no-ensino