Tecnologia na Educação Infantil pública: a riqueza do brincar com ludicidade, adentrando e explorando a vivência da Creche Municipal Vila Progresso

Jessica Gomes de Souza

Formada professora da Educação Básica (Instituto de Educação Sarah Kubitschek), licenciada em Geografia (Faculdades Integradas Simonsen), especialista em Educação Tecnológica (Cefet/RJ), professora de Educação Infantil na Creche Municipal Vila Progresso

Lília Fernanda Gutman Tosta Paranhos Langhi

Graduada em Gestão de Carnaval (Unesa), especialista em Docência Superior (UGF), mestra em Letras (UERJ), professora da Educação Básica, líder Carioca

Úrsula Maruyama

Bacharel em Administração (Cefet-RJ), MBA em Gestão Pública (AVM) e em Gerenciamento de Projetos (UVA), mestra em Ciência, Tecnologia e Educação (Cefet-RJ), doutora em Ciência da Informação (Ibict/UFRJ), professora EBTT (Cefet/RJ), coordenadora da disciplina Gerenciamento de Projetos do curso de Tecnólogo em Gestão de Turismo (Cederj/Cefet-RJ)

Ensinar é possível, aprender é inevitável.
José Pacheco (2020)

No universo infantil, as aprendizagens se oportunizam nas interações e brincadeiras, sendo eixos estruturantes de todo o processo educativo. Nesse cenário, o educar, cuidar e o brincar precisam caminhar juntos, constituindo-se indissociáveis (Barros, 2009). Com isso, a realidade infantil deve ser cercada de muitas brincadeiras em ambientes propícios para o fazer acontecer (Kishimoto, 1994).

Dentro de uma realidade das brincadeiras na relação do desenrolar na primeira infância, baseado em pensadores e educadores como Vygotsky (1999), Piaget (1975), Winnicott (1975), Morchida (2010a; 2010b), Pacheco (2004; 2020), Freire (2001), Montessori (1914), Lapierre e Aucouturier (1986) e Cury (2003) que contribuíram para o processo infantil, a presente pesquisa tem seu contexto na relação da educação tecnológica (Grinspun, 2009) com a Educação Infantil e a importância do ato de brincar ludicamente envolto nessa perspectiva cada vez mais presente em nosso cotidiano, constituindo assim um aspecto norteador de questionamentos e relevância para um exercer na educação da primeira infância de qualidade. Ao relacionar os meios tecnológicos com o brincar na primeira infância, pretende-se atingir bebês e crianças no ambiente das creches ou espaços de desenvolvimento infantil, oportunizando aprendizagens construtivas e lúdicas atreladas aos campos de experiências a serem explorados e vivenciados em sua conjuntura no cotidiano.

Procura-se criar estratégias de promover o aprender de maneira a experimentar o máximo possível em espaços de descobertas, através de sua própria realidade, demonstrando pelas experiências a importância da ludicidade do brincar que abrange as múltiplas aprendizagens, valorizando cada vez mais esse ato prazeroso no processo fundamental do desenvolvimento infantil, sendo trabalhado também com meios atuais (Mauriuci, 2020).

Busca-se abordar a infância em seus momentos de brincar atrelados à cultura tecnológica: a aprendizagem das crianças e seus direitos numa Educação Infantil que preze as relações de creche e família, inserida na vivência da Creche Municipal Vila Progresso, onde se buscou ouvir relatos de toda a equipe, considerando que, na Educação, todos os envolvidos são extremamente importantes e atuantes.

Acima de tudo, procura-se a partir deste trabalho, ressaltar os direitos das crianças e promover passos de mudanças significativas na construção de uma Educação Infantil de qualidade, com meios de aprendizagens possíveis para o desenvolvimento integral infantil.

Breve histórico da Educação Infantil

Para começar a adentrar qualquer questão da Educação Infantil, precisamos iniciar com a centralidade dessa etapa, que se caracteriza por bebês e crianças. Por muito tempo os “pequenos” foram vistos somente como “seres passivos e dependentes, sem importância social”. Com o passar dos anos, essa mentalidade foi se modificando e abrindo espaços para uma nova visão, que

já foi interpretada por alguns historiadores como uma ignorância da infância. No entanto, devemos ver nelas o início de um sentimento sério e autêntico da infância, pois não convinha ao adulto se acomodar à leviandade da infância: este fora o erro antigo (Ariès, 1978, p. 162).

No Brasil, o ambiente das creches deu-se em um contexto histórico-social em que se observa, com base em “referências históricas da creche, são unânimes em afirmar que ela foi criada para cuidar das crianças pequenas, cujas mães saíam para o trabalho. Está, portanto, historicamente vinculada ao trabalho extradomiciliar da mulher” (Didonet, 2001, p. 12).

Vale ressaltar que houve avanços significativos ao longo do percurso, com leis, políticas públicas, materiais e documentos norteadores. Podemos conceituar o primeiro grande avanço sendo a Constituição Federal de 1988, que traz a definição de “creche e pré-escola, sendo direito das crianças e dever do estado” (Brasil, 1988).

Resultou também na elaboração de um documento orientador dessa fase educacional, denominado Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), entre outros que, com o passar do tempo, foram se formando e exercendo sua função. Em 1990, com a promulgação do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), firmam-se os direitos constitucionais em relação à Educação Infantil. No ano de 1994, o Ministério da Educação (MEC) estabeleceu, pela Política Nacional de Educação Infantil, a expansão em vagas e políticas de melhoria em atendimento as crianças.

Com a criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN (Brasil, 1996), a Educação Infantil passa integrar a Educação Básica (Brasil, 1998; 1999). Entretanto, em 2006 houve a antecipação ao Ensino Fundamental para os seis anos de idade, deixando a Educação Infantil com atendimento de 0 a 5 anos. Apesar de ser reconhecida como direito da criança e dever do Estado, essa etapa não era obrigatória, passando a ser somente depois, com a Emenda Constitucional nº 59/09, que reconhecia a obrigatoriedade da matrícula das crianças de 4 a 5 anos em instituições de Educação Infantil (Brasil, 2009).

Em tempos atuais, a Educação Infantil vem possuindo um novo olhar, valorizando cada vez mais a criança, considerando ativa e capaz de construir seu próprio conhecimento. Mais um grande passo no processo dessa etapa da educação se confere incluindo-a na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), reforçando e oportunizando uma rica contribuição das aprendizagens dos “pequenos” e do fazer entender o ato da prática dos educadores (Brasil, 2017).

A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (Brasil, 1996).

Nesse aspecto, e de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI), em seu Art. 9º, os eixos estruturantes das práticas pedagógicas dessa etapa são as interações e as brincadeiras, questão importantíssima e atual para ser estudada e principalmente tornar-se prática em toda a esfera infantil. Assim, a infância é reconhecida em um novo ângulo por meio da visão inovadora, inclusiva, que precisa ser mantida atualizada constante e tecnologicamente, sendo

sujeito histórico e de direitos que se desenvolve nas interações, relações e práticas cotidianas, [...] faz amizades, brinca com água ou terra, faz de conta, deseja, aprende, observa, conversa, experimenta, questiona, constrói sentidos sobre o mundo e suas identidades pessoal e coletiva, produzindo cultura (Brasil, 2013, p. 86).

Envoltos nesse novo olhar de reconhecimento do ser criança é que continuamos uma trajetória educacional em nosso país em que ainda temos muito que avançar. Entretanto, podemos considerar um desenrolar de passos importantes até aqui, com significados reais, aproximando-se da esfera infantil, oferecendo um pouco mais de respeito e da atenção devida.

Aprendizagem: direito das crianças e “o aplicar das tecnologias”

As tecnologias estão inseridas de forma cada vez maior em nossos cotidianos desde muito cedo. Essa conjuntura reforça um olhar de oportunidades de conhecimentos atrelados com os meios tecnológicos, em que podemos e devemos oferecer ocasiões favoráveis de explorá-los aliados as aprendizagens (Moran et al., 2000).

Dentro do direito das crianças de vivenciar explorando o meio e suas variedades se encontram também as formas tecnológicas presentes na sociedade, mas elas não devem ser apresentadas e vivenciadas isoladamente, como todas as aprendizagens na Educação Infantil. Em sintonia com as propostas pedagógicas, as competências e os campos de experiências apontados na BNCC (Brasil, 2017), são interligadas com os seis direitos de aprendizagem (conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se), como apresentado a seguir.

Ambiente propício de aprendizagem

A creche ou espaço de desenvolvimento infantil tem como objetivo trabalhar as diversas habilidades no desenvolvimento integral da criança nos seus aspectos físicos, psicológicos e sociais. Além disso, mais do que apresentar “conteúdos” ou inserir atividades, o espaço escolar precisa conhecer a realidade e a história das crianças e oportunizar momentos de troca, possuindo a sensibilidade de olhar para suas particularidades.

A construção de uma organização de qualidade significativa nos diversos ambientes da Educação Infantil deve também privilegiar, ressaltando e acrescentando, a importância das experiências trazidas pelas crianças. Assim, quando pensamos em determinado espaço infantil, é necessário

fornecer ou propiciar um meio adequado para brincadeiras, descobertas, crescimento. Esse meio facilitador permitirá à criança ser criança, usando seu corpo, seus movimentos, seus sentidos e sua intuição, para desfrutar da deliciosa liberdade de brincar e aprender (Batista, 2005, p. 287).

Com essa realidade construímos um processo em que a exploração do ato de brincar se desenvolve cotidianamente na creche, em que o aprender está sempre inserido, de forma natural e lúdica, mesmo com a pretensão dos educadores que observam, favorecendo condições para o provimento das interações com as aprendizagens. Criando esse tipo de espaço oportunizador, os “pequenos” desde muito cedo inseridos no ambiente da creche começam a se deparar com múltiplas habilidades a serem exploradas em um “cenário constante de conhecimentos” (Ronca, 1989).

Valorizamos o espaço devido ao seu poder de organizar, de promover relacionamentos agradáveis entre as pessoas de diferentes idades, de criar um ambiente atraente, de oferecer mudanças, de promover escolhas e atividades e a seu potencial para iniciar toda espécie de aprendizagem social, afetiva e cognitiva (Malaguzzi,1999, p. 157).

No espaço educador, as salas de aula precisam ser lugares propícios de aprendizagem e inseridos na realidade social. Atrelados à organização desse ambiente, os meios tecnológicos podem e devem ser incluídos de maneira a cooperar nessa função.

No cenário da sala de aula não é diferente, é de total importância a criação de espaços que levem às várias formas de aprender para possibilitar o atingir a todas as crianças nas suas particularidades (Oliveira, 2018). Com isso, ganham valia os diferentes cantinhos; entretanto sabemos da dificuldade atrelada à falta de espaço necessário.

Nessa estrutura, os educadores são chamados a buscar estratégias para o fazer pedagógico buscando um lugar de múltiplas possibilidades do aprender brincando; constituindo o fazer brincar nos variados cantinhos do ambiente educador, observa-se que

a criança é, antes de tudo, um ser feito para brincar. O jogo, eis aí um artifício que a natureza encontrou para levar a criança a empregar uma atividade útil ao seu desenvolvimento físico e mental. Usemos um pouco mais esse artifício, coloquemos o ensino mais ao nível da criança, fazendo de seus instintos naturais aliados e não inimigos (Rosamilha, 1979, p. 77).

E por que não também inserir o cenário tecnológico cada vez mais presente em nosso meio? Ótima oportunidade do “adentramento da Educação Infantil no quadro social tecnológico” em que estamos inseridos, atuando na promoção de um ambiente rico de possibilidades na contribuição do desenvolvimento integral dos bebês e crianças, colocando assim esses aparatos tecnológicos em prol da educação, favorecendo, em todos os ambientes desse espaço infantil, meios para as aprendizagens.

Conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se

As interações são importantes para o processo de desenvolvimento do bebê e da criança, fazendo parte de passos significativos em suas aprendizagens. É possível sim, conviver, brincar e participar por meio das tecnologias, porém essa relação precisa existir de maneira ativa. Não podemos deixar que nossas crianças sejam espectadoras de seu próprio desenvolvimento; elas precisam desde sempre se achar estimuladas a ser atores desse processo. Com esses direitos de aprendizagens e desenvolvimento na Educação Infantil, temos um norte de possibilidades a serem trabalhadas, possibilitando vivenciar essas interações de maneira significativa.

O primeiro ponto de partida é o conviver, que se apresenta como o essencial para todo tipo de relação. É pelo convívio que as crianças se relacionam com outras da mesma idade ou idades diferentes, com jovens, adultos, idosos, pequenos e grandes grupos, em diferentes contextos: no espaço da creche, em sua casa, com sua família, na rua e nos passeios, entre tantos outros.

Existe também a convivência tecnológica em que, sem a criança sair para outro lugar, tem a oportunidade de conviver tecnologicamente, como pela televisão, do celular e das redes sociais, porém essa não pode ser a principal convivência, principalmente na idade em que relações presenciais são extremamente importantes para o seu desenvolvimento. E para possuir relação é preciso ter troca mútua, como é difícil acontecer em alguns meios tecnológicos. Por isso a importância de ter atenção na inserção da tecnologia de maneira correta.

O conviver também se depara com os diferentes tipos de linguagens, o conhecimento de várias culturas, a noção de pertença e o respeito como meio norteador. Nesse aspecto, podemos resgatar esses aparatos tecnológicos para mostrar outras características que não estão em nossa realidade local, mas que é preciso ser introduzir. Assim, tecnologicamente podemos nos fazer presentes em todos esses pontos de forma consciente no melhor momento.

Ao entrar no ato do brincar, precisamos buscar estratégias para serem vivenciadas diariamente nas diversas formas, em variados espaços, sozinhos e nas relações de convívio, ampliando as possibilidades do brincar, despertando a imaginação e a criatividade e promovendo múltiplas experiências.

O participar se constitui ativamente com diferentes grupos, com outras crianças, adultos e todos que fazem parte do contexto educacional, trazendo atividades relacionadas à vida cotidiana, à escolha das brincadeiras, do uso de materiais, das formas de linguagem e de como se dará esse universo de exploração.

A criança em sua naturalidade é curiosa e quer sempre buscar algo além. Dessa forma, o explorar entra como uma maneira de descobrir movimentos, sensações, emoções, texturas, palavras, transformações, histórias, objetos, relacionamentos, elementos naturais na busca dos saberes em diferentes modalidades: nas artes, na escrita, na ciência e na tecnologia, explorando diferentes ambientes, constituindo suas próprias relações e fazendo cultura.

No ato de expressar-se, a criança possui a oportunidade de vivenciar seus questionamentos, descobertas, opiniões, sentimentos, necessidades e desejos, desenvolvendo diferentes formas de comunicação com suas linguagens. Expressar-se é estar aberto para o mundo, vivenciando suas experiências de maneira construtiva com significados.

O conhecer-se faz parte da construção de identidade que um indivíduo exerce sentindo suas experiências com o meio nas diversas interações e suas possibilidades. É entender quem é, o ser social e cultural que constrói e modifica constantemente a realidade em que está inserido.

Dentro dessa perspectiva, mais uma vez reforça-se o ato de brincar ludicamente proporcionando maneiras de lidar com esse conhecer de forma significativa e prazerosa. Em todo direcionamento das garantias nas aprendizagens dos bebês e crianças estão contidas as interações e brincadeiras, sendo eixos estruturantes e indispensáveis na vivência infantil.

Transversalmente com esses seis direitos de aprendizagem e desenvolvimentos descritos na BNCC (Brasil, 2017) e juntamente atrelados de maneira certa e oportuna às tecnologias, obtemos a oportunidade de estimular desde muito cedo diferentes habilidades importantes para as crianças.

Educação Infantil, brincadeiras e o uso das tecnologias

Dentro do contexto da Educação Infantil atrelada aos seus objetivos para o desenvolvimento integral das crianças, estão contidos dois eixos estruturantes das práticas pedagógicas propostos nas DCNEI e pela BNCC (Brasil, 2017): as interações e as brincadeiras, que devem perpetuar o trabalho pedagógico com os “pequenos”. Essas duas expressões são importantíssimas na vivência infantil, possibilitando uma aprendizagem significativa de qualidade (Rolim et al., 2008).

Nessa perspectiva, é necessário o entendimento da criança como centro dessa etapa e de todo o planejamento, vivenciando e experimentando ativamente todo o seu meio na busca de conhecimentos com diversas possibilidades na construção de habilidades e competências. De modo natural, os “pequenos” já começam a explorar o espaço que os cercam, procurando novas descobertas a todo instante.

Desde muito cedo, a criança busca estabelecer relações e se comunicar com o mundo físico e social. Essas primeiras tentativas envolvem o corpo todo; nesses movimentos corporais sempre ampliados pelo sentido que a mãe ou as pessoas próximas à criança lhe conferem, está contido o germe da constituição simbólica da realidade (Brasil, 2006, p. 16).

As interações e brincadeiras devem estar sempre em sintonia, sendo trabalhadas conjuntamente para uma melhor apropriação das aprendizagens. Quando isso acontece, o aprender se torna algo agradável e prazeroso para as crianças, despertando desde muito cedo o incentivo para a busca de conhecimentos. Ao se unir, elas promovem o aprendizado como eixos norteadores desse processo infantil em que, por meio dessa vivência, se desenrola o seu próprio desenvolvimento, constituindo assim grande participação na realidade inserida, devendo ser ressaltada cada vez mais como uma experiência.

Acerca dessa questão, os professores e os educadores são agentes fundamentais para a estimulação dessa realidade tão necessária na Educação Infantil, compreendendo como os bebês e crianças se desenvolvem para então partir no provimento de atividades que favoreçam a troca dessas aprendizagens. As interações se baseiam nas relações que desenvolvemos com o meio por meio das vivências oportunizadas. Em consonância, as brincadeiras também são formas de interações potencializando o desenvolver das crianças em diferentes áreas.

As crianças, os adultos e os elementos ao seu redor fazem parte dessas interações e formas de brincar em que existe o impulsionamento nas suas aprendizagens, evoluindo suas brincadeiras e construindo novas relações. Desse modo, torna-se um fio condutor para o processo dos conhecimentos a serem expandidos, fazendo uma ligação com os direitos da aprendizagem que bebês e crianças devem ter ao longo de toda a Educação Infantil.

É nesse cenário que devemos garantir esses meios dentro das nossas práticas pedagógicas, sendo atualizadas constantemente e reforçando a relevância de sua atuação ativamente.

Um olhar sobre a infância, brincadeiras e tecnologias: estudo de caso na Creche Municipal Vila Progresso

Uma das questões que nos acercam está contida em: como podemos assegurar as aprendizagens dos bebês e crianças durante o isolamento social? É uma reflexão em que não podemos pensar sem falar no uso das tecnologias e nas ferramentas digitais que ganharam mais relevância nesses tempos e debates sobre sua possível relação com a Educação Infantil; o que também não podemos desfocar nessa etapa é o uso das brincadeiras como melhor instrumento na busca dos conhecimentos a serem explorados e vivenciados.

Brincar não perdeu sua importância em tempos atuais; ao contrário, aumentou o planejar com essa perspectiva tão antiga e ao mesmo tempo atual na realidade infantil. Nesse contexto, a escola e a família se adentram no questionamento da possibilidade de uma Educação Infantil a distância em tempos de pandemia. Mas será que essa situação é possível?

É necessário mostrar para os responsáveis sua valia no desenvolvimento integral dos “pequenos” e que eles, como a escola, podem e devem proporcionar esse desenvolver nesse processo, sendo também fundamental que o educador esteja muito consciente do seu papel, ou seja,

estar disponível, saber esperar, não querer, numa preocupação de eficácia aparente, que não passa de uma projeção da ansiedade pedagógica, precipitar uma evolução que demanda tempos de integração suficientemente longos para permitir o investimento e a ultrapassagem progressivos do prazer ligado a cada etapa (Lapierre; Aucouturier, 1986, p. 23).

Tudo deve ser bem explicado, com a máxima clareza e diálogo, respeitando os direitos das crianças e suas relações e interações tão essenciais nessa etapa. O ensejo atual é procurar os aparatos tecnológicos a serem aliados em uma circunstância voltada para um continuar de estímulos para o desenvolver infantil, apropriar-se dos seus recursos e investir em vídeos com fundos animados, atividades sonoras, gamificação, realidade virtual entre outros contribuidores nesse processo.

Entretanto, é preciso ter clareza de que as atividades remotas na Educação Infantil tão presentes nesse tempo devem se basear principalmente em uma relação de afunilar os laços afetivos dos pequenos com os educadores, e não colocando o lado cognitivo totalmente em foco.

Creche Municipal Vila Progresso

A Creche Municipal Vila Progresso é um espaço de Educação Infantil localizado na comunidade da Vila Kennedy, na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente atende à faixa etária de 1,5 aos 3 anos. Consiste em um espaço antigo, sem as modernas estruturas, mas com um ambiente acolhedor e prazeroso.

Os profissionais envolvidos procuram sempre exercer seu trabalho de excelência, buscando ser inovadores e criativos dentro de suas possibilidades. A creche está inserida numa comunidade dominada pelo tráfico de drogas, sofrendo os impactos proporcionados por tal situação. Assim, presencia constantemente trocas de tiros e confrontos policiais que muitas vezes atrapalham o fazer pedagógico. Não obstante, esforça-se para romper as barreiras e promover uma educação de qualidade para as crianças.

O trabalho proposto na Creche Vila Progresso visa o desenvolvimento da criança em todos os seus aspectos – físicos, sociais, cognitivos e afetivos –, trabalhados de forma conjunta, oportunizando as diversas habilidades. Acredita-se que para um melhor desenvolver das crianças é preciso criar laços de união com a família. Por isso o fazer pedagógico da instituição procura incluir os responsáveis em um contexto de aproximação da creche e do processo de desenvolvimento da criança.

Consideram-se as brincadeiras como ferramentas importantíssimas e indispensáveis para todos os campos de experiências, do ser criança e da contribuição aos objetivos pedagógicos. As atividades são construídas de acordo com essa perspectiva, observando e deixando as crianças expressarem o que desejam vivenciar. O planejamento pedagógico baseia-se em projetos que, em conjunto com todos os educadores, são discutidos e colocados em execução, sendo flexíveis à medida da ocasião. 

 A Creche Vila Progresso é uma instituição pública com grande dificuldade de recursos, porém procura desenvolver e estimular o corpo docente ao trabalho de qualidade. Assim, considera-se muito mais do que um ambiente de trabalho: caracteriza-se por ser um espaço de trocas de aprendizagem, de amizade e fazendo uma extensão do lar, uma família.

A Resolução SME nº 187, de 27 de janeiro de 2020 (DOU-RJ, 2020), que dispõe sobre a estrutura de atendimento, horário de funcionamento e matriz curricular das unidades escolares da rede pública de ensino da cidade do Rio de Janeiro, organiza dentro da realidade encontrada uma adaptação do desenrolar cotidianamente (Rio de Janeiro, 2020).

Figura 1: Página inicial do Facebook da SME

Fonte: Facebook (2020a)

Cercado dessa realidade educacional entra o ato de planejar, que se oportuniza como algo essencial e indispensável no processo de aprendizagem, atrelado ao desenvolvimento integral dos bebês e crianças. Possibilita, assim, aos educadores uma forma de nortear o trabalho a ser promovido, contribuindo também na sua própria autoavaliação.

Figura 2: Página inicial do Facebook da Creche Vila Progresso

Fonte: Facebook (2020b)

Para que o planejamento ocorra da melhor forma possível, atingindo os objetivos da creche, é preciso que esteja em sintonia e harmonia com o ideal estabelecido pela equipe educacional, visando sempre a criança como principal sujeito para o acontecimento das múltiplas aprendizagens. A avaliação consiste na observação diária das crianças, feita pelos educadores, com a participação nas atividades propostas com demonstração de interesse e entusiasmo.

A Educação Infantil não possui caráter avaliativo de promoção para uma próxima etapa, e sim analisar diariamente o percurso do desenvolvimento integral da criança mediante registros construídos pelos educadores. Cada atividade trabalhada deve ter atenção aos detalhes e às individualidades, destacando pontos relevantes. Com isso dá sentido ao ato de avaliar na primeira infância, sendo os profissionais sensíveis e observadores dos avanços no desenvolvimento infantil.

Relatos de profissionais que fazem parte da Creche Vila Progresso

Para promover essa pesquisa com embasamento prático da realidade educacional, foram convidados alguns membros da equipe escolar com suas diferentes funções, olhares e vivências próprias. A coleta dos dados das experiências profissionais dos entrevistados foi realizada a distância, de forma virtual, em conformidade com a situação de isolamento social em que nos encontramos. Dessa forma, a seguinte questão foi abordada: como o entrevistado vê a relação das brincadeiras com as tecnologias e a pandemia que estamos enfrentando?

Com essa pergunta norteadora, foi deixado o entrevistado relatar livremente suas considerações, que estão descritas a seguir:

Relato da Professora P1

Vim morar na Vila Kennedy em janeiro de 1988, procurei um espaço para o meu filho socializar com outras crianças e encontrei a Creche Vila Progresso, da SMDS. Em uma manhã, ao levar meu filho à creche, deparei-me com uma placa de que precisava de pessoas com formação de professor para fazer parte do quadro de funcionários, o qual teria que passar por um treinamento.

Eu tinha formação de professor, porém trabalhava como costureira autônoma. Apresentei-me [...], comecei no serviço com carteira assinada como recreadora por uma ONG prestadora de serviços para a prefeitura em 1998.

A creche pertencia à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, tudo para mim era novo, muitas crianças por turma, sempre visando o assistencialismo. Por mais que tentasse fazer alguma forma de aprendizagem, ficava inviável, pois o espaço e os recursos eram escassos. Por muitas vezes pensei em desistir [...], prestei vestibular do curso de Pedagogia e me formei em 2005. No próprio ano a SME assumiu as creches e começou a dar um suporte diferenciado. Ainda como recreadora, fazia o trabalho do professor. Prestei concurso para agente auxiliar de creche e tomei posse em 8 de julho de 2008.

Em 2012 teve outro concurso, no qual fui aprovada e tomei posse em 9 de janeiro de 2014 como PEI. Entretanto, percebi que na prática do meu trabalho não houve grandes mudanças, pois o educar e cuidar são indissociáveis. Continuo fazendo o que já realizava há anos como recreadora e agente auxiliar de creche. [...] Posso afirmar que durante esses anos houve avanços, como melhores condições de trabalho, e que posso atender de forma adequada o choro, acalentar e apreciar o sorriso dos meus pequenos.

Contudo, diante das tecnologias que perpassam os lares, muitas vezes não agrada às crianças essas práticas antigas, pois elas preferem um celular de “verdade” com joguinhos e não o mundo de faz de conta. Às vezes as crianças dizem “não é um celular, é uma caixinha”. Assim continuo o meu trabalho no mundo do faz de conta investindo na imaginação e na criatividade da criança, plantando e regando uma sementinha para o futuro. Sobre as tecnologias, acredito que essas ferramentas podem auxiliar, sim, no decorrer da Educação Infantil, porém sem ser o centro do processo e o desenrolar infantil.

No relato dessa professora se verifica como o pensar na criança foi se modificando ao longo dos anos, em uma esfera social, política e profissional.

Relato da Professora P2

No ano de 1993 iniciei como agente comunitária, quando participei de uma seleção na prefeitura pela associação de moradores, exigindo o antigo primeiro grau completo. Naquela época as crianças na Educação Infantil não eram vistas como prioridade e valorizadas, assistidas pela SMDS. Baseava-se na concepção de que precisava haver cuidado com as crianças quando as mães fossem trabalhar fora para completar a renda familiar ou até mesmo ser única fonte e necessitavam de um local para deixarem seus filhos.

Em 2007 participei do primeiro concurso da E.I. e passei a ser servidora do município com o cargo de AAC - agente auxiliar de creche, mudando a nomenclatura tempo depois para AEI - agente de educação infantil, em que tínhamos orientações com a coordenação pedagógica, estudávamos, recebíamos capacitações e alcançávamos cada vez mais a compreensão e o comprometimento com a Educação Infantil. Nessa época não havia PEI (professor de Educação Infantil).

Com o ingresso dos PEIs, a creche foi contemplada com o 14º salário, fazendo jus por alcançar a meta estabelecida nos objetivos propostos no PPA. Com a exigência da formação de professores, a Prefeitura do Rio de Janeiro, ofereceu aos servidores o ProInfantil - Formação de professor com habilitação em Educação Infantil. Nesse cenário já existiam estudos, planejamentos, oficinas, capacitações, recursos como material pedagógico, livros e jogos, entre outros. [...]

A tecnologia não pode jamais substituir as tradicionais brincadeiras, jogos e brinquedos, atividades com o corpo em movimento, o contato com a natureza e as interações sociais tão importantes. A brincadeira é uma linguagem natural da criança que, nas suas relações com o mundo, favorece o desenvolvimento da atenção, autoconfiança, curiosidade, criatividade, adquirindo habilidades importantes como a imaginação e imitação, se adaptando na construção da interação com o meio.

Com a experiência relatada, busca-se reforçar mais uma vez a trajetória da Educação Infantil no município do Rio de Janeiro, destacando os avanços da concepção de criança e o fazer exercer na prática educacional.

Relato da diretora geral

Tenho licenciatura em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e estou me pós-graduando em Gestão Integradora. Sou professora de Educação Infantil do Município do Rio de Janeiro desde 2011 e estou diretora geral de uma creche na comunidade da Vila Kennedy, chamada Creche Municipal Vila Progresso.

Acredito muito no lúdico como ferramenta para uma Educação Infantil de qualidade e principalmente significativa para as crianças. Nossos pequenos fazem parte da geração Alfa, já nascem inseridos no mundo tecnológico; logo, se faz extremamente necessário que as práticas educacionais levem em consideração a utilização de novas tecnologias, como vídeos, games, aplicativos, computadores e celulares, como outros tantos. Obviamente devemos traçar objetivos e metas educacionais específicas para a faixa etária em questão.

Atualmente, com o impacto do isolamento em virtude da covid-19, ficou claro que as tecnologias podem e devem ser aliadas da educação. Com os trabalhos remotos os professores estão se reinventando e construindo interações com as crianças. Na minha realidade, que é a modalidade de creche, é possível brincar, criar jogos, trabalhar a psicomotricidade por meio dos vídeos gravados ou videoconferências (dependendo da disponibilidade do professor e dos alunos). Mas, mesmo distante, é possível notar uma evolução das crianças, além de estreitar os laços de afetividade tão importantes nas relações humanas.

Nesse relato, reafirma-se a visão do cenário existente, em que as crianças estão inseridas na geração Alfa. Ele também valida o momento de pandemia atual com a relação entre creche, criança e família, tão importante no processo do desenvolvimento infantil, podendo ser auxiliada pelas tecnologias.

Relato da agente de Educação Infantil

Trabalho na Creche Municipal Vila Progresso desde outubro de 1989, quando ela foi inaugurada. Na época eu já tinha formação de professora e comecei a trabalhar como recreadora, hoje sou AEI e tenho um prazer enorme de desenvolver o meu trabalho com as crianças, acompanhar o desenvolvimento delas, criar atividades que proporcionem alegria, prazer e ludicidade. Possuo a opinião de que as crianças devem acompanhar o crescimento da tecnologia, mas não devem ser influenciadas por ela.

Nessa época que estamos vivendo, com esse distanciamento social, eu vejo a oportunidade para os pais estarem mais próximos das crianças, criando em casa brincadeiras que vão oportunizar as diferentes aprendizagens. Brincadeiras de esconde-esconde, cabra-cega, desenvolvendo laços afetivos. Com essa pandemia atual, espero que os responsáveis possam se aproximar de seus filhos para brincar, dar carinho e amor.

Verifica-se nesse contexto que ato de educar se perpetua por caminhos de escolha responsável na busca do fazer acontecer de qualidade.

Relato da Professora P3

Uma breve história de minha vida profissional: eu ingressei na educação ainda no final do meu Curso Normal, como voluntária da Creche Municipal Vila Kennedy, e assim que eu me formei fui contratada por uma ONG, depois prestei o concurso para agente auxiliar de creche e com a graça de Deus fui abençoada e entrei na prefeitura, entretanto o meu sonho era ser regente de turma.

[...] Vejo a relação das brincadeiras com a tecnologia e essa pandemia como um instrumento de diversão e aprendizado, em que estamos presenciando um momento em que as crianças não podem se socializar nas escolas, nos cursos, nas ruas; entretanto, elas estão de alguma forma interagindo via tecnologia. Um exemplo dessa realidade é minha filha, que não tem irmãos nem primos que moram perto, então ela tem estado mais sozinha, somente com os familiares dentro de casa, e isso tem sido um grande desafio, pois a linguagem da criança muitas vezes é diferente do adulto e em nossos afazeres diários acabamos deixando de lado a relação com as brincadeiras.

Se nós não priorizarmos um momento de relacionar de forma lúdica com o filho, essa criança não vai ter alternativa se não a tecnologia. Sendo assim, acredito que os meios tecnológicos em tempos atuais estão se apresentando de extrema valia. Estamos em um tempo de grande interação tecnológica precisando de um direcionamento, pois essas ferramentas não substituem a relação física. Entretanto, nesse cenário, a relação com a tecnologia tem sido fundamental para auxiliar as crianças, favorecendo seu desenvolvimento psicológico e emocional.

Reforçou-se a importância dos laços afetivos familiares, que muitas vezes se perdem no cotidiano. Houve a oportunidade também de olhar a tecnologia como aliada nos tempos presentes, contribuindo para a continuidade das relações e interações.

Relato da auxiliar de serviços gerais

Sobre a minha relação com as crianças dentro do horário de trabalho, é como estar em um conto de fadas. Cada bom dia dos pequenos, cada sorriso ou até mesmo cada choro a pedido de um colo é gratificante. Trabalhar no local onde é preciso estar ao lado dos pequenos é ser abençoada todos os dias.

Agora, com essa pandemia, claro que não é a mesma intensidade, mas vejo que as professoras fazem o máximo para ver o rostinho deles, mesmo que seja através de uma chamada de vídeo ou um recadinho pelo WhatsApp pra deixá-los animados e os trabalhos feitos por elas para que eles possam assistir em casa.

Mesmo com a pandemia, mantendo a distância, se cuidando e usando máscara, vejo que estamos conseguindo manter o trabalho de qualidade que realizamos na creche. O carinho por eles só aumentou e não vejo a hora de podermos retornar e estarmos juntos novamente.

Mostrou-se no descrito a relação de amor com o trabalho desenvolvido, reafirmando a forma de trabalhar na creche de estudo, onde todos são educadores.

Relato de uma merendeira

Tenho um prazer enorme de fazer uma comida gostosa, um “papá delicioso”, como as minhas crianças falam. É muito gratificante receber o retorno dos pequenos, de algo que faço procurando sempre dar o meu melhor, pois afirmo que tudo que fazemos com amor fica muito bom. Eu amo cozinhar, mas acima de tudo amo as crianças.

Sobre as tecnologias, penso que são legais, porém precisam ser utilizadas sem excesso. As crianças devem brincar mais, fazer bagunça, jogar bola, pular, brincar de boneca, fazer um bolo com a vovó, um biscoitinho. Em meio a esse tempo que estamos passando, fiquei muito triste por estarmos separados, atrapalhando muito nosso trabalho. Tivemos muitas perdas de amigos, mas creio que tudo vai passar. Houve o lado ruim, mas também proporcionou um lado bom, em que as famílias estão tendo mais tempo com os seus entes queridos. Acredito que sairemos dessa situação renovados de amor.

Com base nos relatos, observa-se uma consciência da utilização dos meios tecnológicos na realidade infantil com as aprendizagens, entretanto, sem autenticar a relevância do ato de brincar como o principal meio dos conhecimentos a serem explorados. Todos os funcionários da creche são conscientes de que contribuem na promoção de um desenvolvimento integral das crianças.

Levam assim, pelas suas profissões, o cuidar, o educar e o brincar como eixo estruturante de toda vivência nesse ambiente, com o desenrolar das suas aprendizagens e múltiplas habilidades a serem exploradas.

Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática (Freire, 1991, p. 58).

Como afirma Augusto Cury (2003), “Bons professores educam para uma profissão, professores fascinantes educam para a vida”. É nessa centralidade que todo o fazer pedagógico se perpetua, procurando o fazer acontecer com significação na Educação Infantil dentro da Creche Municipal Vila Progresso.

Considerações finais

Por meio desta pesquisa, buscou-se apresentar a importância do brincar ludicamente na primeira infância, podendo ser atrelado aos meios tecnológicos tão presentes em nosso cotidiano, constituindo-se em mais uma oportunidade do pensar real na Educação Infantil como primeira etapa escolar de um indivíduo, possuindo a extrema necessidade de desenrolar em uma estrutura com maiores condições de oportunidade do fazer acontecer.

A ideia inicial da pesquisa era apresentar a prática da creche, exposta por meio de propostas de atividades com os pequenos, utilizando registro de fotos das diferentes oportunidades que podemos proporcionar do brincar e as tecnologias. Todavia, não foi possível devido ao isolamento social ocasionado pela covid-19. Por conseguinte, buscou-se realizar uma pesquisa que contemplasse uma análise da realidade infantil, considerando sua grande importância para a contribuição de um cidadão participativo, consciente de seus valores e suas opiniões, em que esse cidadão pudesse ser atuante em toda a sua vida, pois foi desde muito cedo estimulado para tais ações.

No que se observou através da teoria com a prática desenvolvida na Creche Municipal Vila Progresso foi o critério de sua escolha como objeto de estudo por conveniência e oportunidade em consonância com a proposta desta pesquisa. Considera-se que o brincar é um ato de extrema relevância, sendo processo norteador em todas as ações da área infantil. Devemos, portanto, valorizá-lo, respeitando seu lugar e sua atuação na vida dos pequenos, oportunizando nos diferentes espaços da creche, promovendo assim as interações e relações tão importantes nessa faixa etária.

Sabemos o quão difícil é a situação, em âmbito mundial, que estamos enfrentando, de uma pandemia; logo, os meios tecnológicos mais uma vez estão a serviço dessa relação que pode ser mais interativa, dependendo do interesse em oportunizá-las. É nesse contexto que os aparatos contribuem – no caso da Educação Infantil, para a continuidade dos laços afetivos e das relações entre creche, criança, família. Entretanto, mesmo quando isso tudo passar, eles continuarão fazendo parte do nosso meio, cabendo usá-los de maneira significativa no cotidiano.

Conclui-se que os aparatos tecnológicos podem e devem estar inseridos no contexto infantil. Eles devem proporcionar o aprendizado lúdico sem retirar a importância e a vivência do ato de brincar. Esse processo se constitui em enxergar a criança com centralidade, buscando adaptar-se ao meio social resgatando também, quando possível for, ações antigas de eficácia. Possuir a ideia de sempre replanejar é o alvo que este trabalho buscou incentivar.

Não obstante as perspectivas acerca do uso ou não dos meios tecnológicos na Educação Infantil, o que é importante ressaltar como contribuição deste estudo são os direitos que os pequenos têm de explorar o meio que os cerca. Espera-se que, na prática, o ato de brincar, educar e cuidar sejam integrados e aplicados realmente de forma indissociável. Baseada nessa conjuntura, a tecnologia se faz presente e deve ser embarcada com responsabilidade, garantindo o ato do brincar ludicamente em todo o âmbito infantil.

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Publicado em 23 de março de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

SOUZA, Jessica Gomes de; LANGHI, Lília Fernanda Gutman Tosta Paranhos; MARUYAMA, Úrsula. Tecnologia na Educação Infantil pública: a riqueza do brincar com ludicidade, adentrando e explorando a vivência da Creche Municipal Vila Progresso. Revista Educação Pública, v. 21, nº 10, 23 de março de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/10/tecnologia-na-educacao-infantil-publica-a-riqueza-do-brincar-com-ludicidade-adentrando-e-explorando-a-vivencia-da-creche-municipal-vila-progresso