Mapeando as principais dificuldades de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental: estudos na Revista Cefac

Cristiane Patrícia Rocha Gomes

Monitora de alunos na Prefeitura de Mariana/MG, licenciada em Pedagogia (UFOP), pós-graduada em Educação Especial e Inclusiva (Faculdade Dom Alberto) e em Docência com Ênfase na Educação Inclusiva (IFMG - Câmpus Arcos)

Pedro Xavier da Penha

Bacharel em Administração, licenciado em Matemática e em Pedagogia, especialista em Gestão Organizacional, pós-graduado em Tecnologia Educacional com ênfase em Comunicação e Educação Multimídia, psicopedagogo clinico e institucional, mestre em Administração, doutor em Ensino de Ciências e Matemática (Unicsul)

A educação escolar é de grande importância sociocultural. Seu trabalho está voltado para o desenvolvimento integral do indivíduo, preparando-o para o exercício da cidadania. Muito se espera da escola em relação ao desenvolvimento do ser humano em todos seus aspectos, mas nem sempre ela é capaz de suprir toda a demanda que lhe é imposta. Temos como exemplo os alunos que possuem dificuldade no processo de aprendizagem.

Essa dificuldade está relacionada a alguns problemas que alteram as possibilidades de aprendizagem. Estima-se que em uma sala de aula com trinta estudantes, haverá um, ou até mesmo dois alunos com dificuldade de aprendizagem específica. Desses alunos, alguns terão um plano pedagógico que englobe suas particularidades, mas para outros essa dificuldade não será identificada e permanecerá sem adaptações metodológicas e sem apoio pedagógico. Portanto, é importante identificar as causas do problema relacionado à dificuldade de aprendizagem a fim de minimizá-la e desenvolver um processo educacional de qualidade (Almeida et al., 2016).

O acesso à Educação Básica no Brasil tornou-se obrigatório e gratuito, garantido por lei, dos quatro aos dezessete anos de idade (Brasil, 1996), tornando a educação universal. Com isso, surgiram reclamações de insucesso escolar e as dificuldades de aprendizagem ficaram cada vez mais evidentes, iniciando a preocupação e o interesse por parte da família, da comunidade escolar e científica, que centrou seus estudos no processo de aprendizagem e em especial, da não aprendizagem (Inácio; Oliveira; Mariano, 2017).

De acordo com esses autores, o intuito dos estudos era compreender os problemas relacionados à dificuldade de aprendizagem escolar dos alunos. Com isso, a teoria crítica passou a fazer parte das grandes referências bibliográficas de ensaios e pesquisas, pois conhecer tais temas é necessário para o entendimento e para a intervenção pedagógica desses alunos que apresentam dificuldade na aprendizagem. Os resultados dessas pesquisas têm apontado que a prevenção é um fator importante para sanar essas dificuldades, pois quanto mais cedo se identificam suas causas mais sucesso esse aluno terá no desenvolvimento de sua aprendizagem.

Gonçalves e Crenitte (2014) destacam que é preciso discutir e refletir sobre as definições e manifestações das dificuldades e dos transtornos de aprendizagem, pois os professores possuem pouco repertório conceitual acerca desses assuntos. A partir dessa discussão, os professores que buscam aperfeiçoamento e conhecimento poderão ter acesso a conteúdos esclarecedores sobre as causas dos problemas de aprendizagem e educacionais e, assim, obter informações precisas que os impulsionem a elaborar práticas pedagógicas diferentes do tradicional, a fim de extrair o máximo de potencialidades desses alunos, sabendo respeitar suas limitações e diferenças. A orientação docente é crucial para conduzir o trabalho que será desenvolvido no meio educacional, já que as dificuldades de aprendizagem podem ter influência escolar, metodológica e afetiva, entre outras causas.

Com base no que foi exposto, o objetivo desta produção é identificar quais as dificuldades de aprendizagem estão sendo discutidas nos artigos científicos encontrados na Revista Cefac, nos últimos cinco anos. Essa revista possui trabalhos científicos conceituados, que auxiliam na produção e compreensão de novos conhecimentos; por isso ela foi escolhida.

Para alcançar melhor resultado, traçamos os seguintes objetivos específicos: (1) Mapear as principais dificuldades de aprendizagem apresentadas nos artigos identificados; (2) Identificar objetivos, metodologia de pesquisa e público-alvo dos artigos identificados na Revista Cefac.

Para compreender o que os estudos trazem sobre essa temática e responder aos objetivos acima, escolheu-se a pesquisa documental como delineamento metodológico, pois proporciona aprofundamento sobre o assunto, a partir da análise e interpretação das informações abordadas nos documentos analisados.

Este estudo é relevante, pois traz assuntos e informações importantes acerca das dificuldades de aprendizagem que alguns alunos apresentam nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Além disso, traz apontamentos sobre as possíveis causas dessas dificuldades, bem como algumas soluções para esse problema, tornando-se um trabalho de análise para os professores que estão em busca de aprimorar seus conhecimentos pedagógicos.

Para melhor compreensão e organização das ideias, este artigo foi divido em tópicos. O primeiro abrange o referencial teórico, que, para fundamentar os temas de forma mais clara, foi dividido em três subtópicos. O primeiro aborda os conceitos e tipos de dificuldades de aprendizagem. O segundo mostra o que os artigos trazem referente às dificuldades de aprendizagem; e o último subtópico dessa unidade traz informações sobre essas dificuldades e sobre os anos iniciais do Ensino Fundamental na Base Nacional Comum Curricular.A unidade três aborda a metodologia da pesquisa. No quarto tópico são apresentados os resultados obtidos a respeito da temática analisada na Revista Cefac. Por fim, foram feitas algumas considerações finais, que retomam analiticamente os resultados discutidos e sinalizam alguns apontamentos acerca da dificuldade de aprendizagem.

Conceitos e tipos de dificuldades de aprendizagem

A dificuldade de aprendizagem é classificada como um resultado abaixo do que se espera e está relacionada ao desenvolvimento da fala, escuta, leitura, escrita, raciocínio lógico e habilidades matemáticas (Garcia, 1998). A aprendizagem é um processo muito complexo, que envolve vários fatores e exige organização e estímulo de várias áreas cognitivas.

A dificuldade de aprendizagem pode estar relacionada a razões sociais, ambientais, psicológicas, cognitivas, familiares e culturais a que a criança está submetida. Isso se reflete no ensino, que, por sua vez, se torna falho, ou seja, incapaz de fazer com que o aprendiz avance no processo de aprendizagem. As dificuldades podem ser de ordem extrínseca, do ambiente, ou intrínseca, de ordem individual, mas podem ter mais de uma causa ou a confluência de fatores. Vale ressaltar que a dificuldade escolar (DE) é diferente do transtorno de aprendizagem (TA) (Siqueira; Gurgel-Giannetti, 2011).

O transtorno de aprendizagem é algo patológico, que está relacionado ao comprometimento neurológico, ao desenvolvimento das funções cerebrais e a alteração no processamento, ou seja, há uma disfunção neuropsíquica que pode alterar a forma como a informação chega e é processada, o que interfere no aprendizado. As pessoas com esses transtornos conseguem aprender, mas precisam de métodos de ensino apropriados (Siqueira; Gurgel-Giannetti, 2011).

Os transtornos da aprendizagem são vários; os mais estudados são os que causam prejuízo à leitura, à escrita e ao raciocínio matemático. São exemplos dislexia, disortografia, discalculia, dislalia, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), transtorno de desenvolvimento de coordenação (TCD), entre outros transtornos de ordem neuropsiquiátrica (Siqueira; Gurgel-Giannetti, 2011). Para um diagnóstico confiável, é necessária uma equipe de avaliação multidisciplinar, possibilitando a compreensão das falhas de processamento emitidas pela criança (Hudson, 2019).

Os transtornos que afetam a leitura e a escrita dos estudantes são a dislexia, a dislalia e a disortografia. A dislexia é uma dificuldade específica de aprendizagem que afeta os processos de decodificar e compreender a leitura (Inácio; Oliveira; Mariano, 2017). Alunos com dislexia manifestam dificuldade com a linguagem escrita, tendo problemas na leitura, escrita e ortografia. Geralmente, o aluno com dislexia possui ótima comunicação oral, mas o seu desempenho na escrita deixa a desejar. O cérebro de uma pessoa com dislexia processa as informações de forma diferente, tende a pensar mais em imagens do que em palavras (Tabaquim et al., 2016).

A disortografia é um transtorno de aprendizagem que afeta a linguagem escrita e a conversão de pensamentos em palavras escritas. O indivíduo com disortografia possui inteligência e capacidade de leitura normal, mas tem dificuldade na ortografia, caligrafia e para colocar os pensamentos no papel de forma clara e coerente. No transtorno, observa-se uma pobre construção frásica, com erros na escrita, caligrafia ilegível e/ou desorganizada, substituições de grafemas e dificuldade na conversão letra-som que interferem nas habilidades linguístico-perceptivas (Fernandez et al., 2010).

A dislalia é um distúrbio fonológico caracterizado pela inadequação dos sons e das regras fonológicas. A pessoa com desvio fonológico não tem bom desempenho em atividades relacionadas à memória; por isso, possui dificuldade em reconhecer as letras, o significado da mensagem e pouca habilidade em manter a informação fonológica. Crianças que têm alterações na fala têm 30% mais chance de repetir o ano, se comparadas com crianças sem alterações na fala (Goulart; Chiari, 2014).

A discalculia é uma dificuldade de aprendizagem que envolve números. Afeta a capacidade de adquirir habilidades matemáticas e compreender seus conceitos, comprometendo o desenvolvimento das atividades escolares e das tarefas cotidianas que envolvem cálculos. Os indivíduos com esse transtorno possuem dificuldade em assimilar senso numérico, cálculo, conceitos e operações matemáticas. Acredita-se que esse distúrbio é de origem genética e não tem cura, mas, com ensino eficaz, os estudantes podem dominar algumas aptidões matemáticas (Hudson, 2019).

O diagnóstico desses transtornos deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por neurologista, psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo e professor. Após esse diagnóstico, é necessária a elaboração de um plano de intervenção, composto por uma equipe disciplinar em conjunto com a família e o professor, cujo objetivo é desenvolver mecanismos, estratégias pedagógicas e recursos para minimizar as dificuldades e para aquisição de novas habilidades do indivíduo (Hudson, 2019).

O que os artigos apresentam sobre dificuldades de aprendizagem

A dificuldade de aprendizagem consiste em um grupo de manifestações heterogêneas que afetam o rendimento da leitura, escrita e cálculo matemático, resultando em baixo rendimento escolar. Os alunos que possuem essas dificuldades não conseguem acompanhar as atividades de leitura e escrita no ambiente escolar por motivos que estão relacionados ao próprio aluno, ao professor e aos conteúdos pedagógicos; essas dificuldades estão diretamente relacionadas aos fatores extrínsecos (Cunha; Martins; Capellini, 2016).

As dificuldades e o rendimento escolar podem estar relacionados a problemas afetivos ou ligados à própria escola. Os alunos podem apresentar algumas dificuldades por não se adaptarem à metodologia de ensino usada ou por não terem boa relação com os colegas ou com o professor. A dificuldade de aprendizagem está relacionada a fatores pedagógicos e não são classificadas como transtornos (Gonçalves; Crenitte, 2014).

Essas dificuldades aparecem durante a aquisição das competências e podem afetar a assimilação do conteúdo e, diretamente, a aprendizagem. Assim, é necessário identificá-las e minimizá-las o quanto antes, pois quanto mais tempo o aluno viver com a dificuldade escolar, mais seu processo de aprendizagem será afetado (Almeida et al., 2016).

Para Smith e Strick (2012), os problemas de aprendizagem estão relacionados a diversos fatores, como a inadequação pedagógica, o meio social desfavorável ou pouco estimulador para o desenvolvimento integral do indivíduo e causas relacionadas ao emocional. Tais fatores afetam diversas áreas da aprendizagem do aluno (Siqueira; Gurgel-Giannetti, 2011).

Estudos mostram que condições desfavoráveis, sejam elas socioeconômicas ou culturais, desfavorecem o desempenho acadêmico do aluno, ocasionando fracasso e evasão escolar. Diante disso, as crianças que estão inseridas nas classes com maior vulnerabilidade social podem desenvolver dificuldade na aprendizagem escolar, bem como, possuir algum transtorno de aprendizagem (Siqueira; Gurgel-Giannetti, 2011). Para desenvolver uma aprendizagem eficaz são necessárias várias habilidades cognitivas e um ambiente enriquecedor, que favoreça o desenvolvimento sensorial, as aptidões físicas e intelectuais dos indivíduos (Hudson, 2019).

Tais dados devem ser avaliados por todos os responsáveis pelo processo educacional para melhoria do desempenho escolar, já que cada indivíduo desenvolve o aprendizado em ritmo diferente. Muitas vezes, isso não é considerado e muitos alunos com dificuldade de aprendizagem são considerados crianças que têm algum transtorno prejudicial ao aprendizado, sendo diagnosticados com problemas biológicos, atribuindo à criança toda a responsabilidade por seu baixo desempenho (Stefanini; Cruz, 2006).

Fonseca (1995) diz que o aluno com dificuldade de aprendizagem não deve ser rotulado como criança incapaz, mas sim, como criança que tem uma forma de aprender diferente. Assim, o professor tem que estar ciente de que no ambiente escolar existem múltiplos estilos de aprendizagem e, com isso, buscar conhecimento para compreender como o cérebro processa as informações, adaptando o planejamento didático aos estilos de aprendizagem, tornando o processo de ensino mais satisfatório (Hudson, 2019).

É importante que o docente colete informações por meio de sentidos remanescentes, considerando que a audição, a visão e o tato são importantes canais de entrada de dados, que serão levados para o cérebro e transformados em conhecimento. Essa informação é crucial para o processo educacional, pois existe o aluno que aprende com mais facilidade quando visualiza imagens, filmes e até mesmo demonstrações, ao mesmo tempo que há outros que aprendem melhor quando as aulas são ministradas com argumentações verbais (Hudson, 2019).

Oliveira e Chadwick (2002, p. 75) ressaltam que

as crianças/alunos possuem diferentes formas de pensar, de aprender; leem, escutam, estudam de maneiras diversas. Sendo assim, cada aluno desenvolve formas próprias para receber e processar novas informações. Essas diferenças modelam os estilos de aprendizagem. Há pessoas que preferem estudar lendo; outras, ouvindo o professor; e outras, ainda, escrevendo. Algumas gostam de pensar por longos períodos de tempo sobre o que estão aprendendo, de maneira a relacionar a nova aprendizagem com o que já sabem a respeito do novo tema. Portanto, as preferências referem-se tanto à forma de receber quanto de processar a informação.

De acordo com Gonçalves e Crenitte (2014), os docentes têm que estar cientes de como devem passar esses significados e analisar como os alunos vão retornando a esses conhecimentos, buscando sempre novas didáticas pedagógicas que valorizem as habilidades e entendendo os limites dos alunos. Se essa abordagem não for realizada no início da escolarização, pode gerar uma dificuldade acadêmica mais acentuada no futuro.

Deve-se pensar a instituição escolar como propulsora da diversidade e da pluralidade de sujeitos, já que esse ambiente permeia diversos tipos de cultura, relações político-sociais e econômicas, estrutura social e ideologias. O ambiente escolar e a equipe pedagógica atuam e influenciam a ação do aluno diante das dificuldades que lhe são apresentadas, interferindo na assimilação de informações e conteúdos (Santos; Dazzani; Zucoloto, 2019).

Dificuldades de aprendizagem e os anos iniciais do Ensino Fundamental na BNCC

As dificuldades de aprendizagem têm sido alvo de estudo constantemente. A criança, quando entra em contato com o ambiente escolar, traz consigo conhecimentos, habilidades, experiências e vivências decorrentes de seu meio social. A escola, como promotora do conhecimento, da formação moral e social dos alunos, auxilia no desenvolvimento desses indivíduos.

Geralmente, os professores são os primeiros a perceber as dificuldades escolares dos estudantes na fase inicial da alfabetização (Tabaquim et al., 2016). A alfabetização acontece nos anos iniciais do Ensino Fundamental, que é composto por cinco anos letivos (1º ao 5º ano). A faixa etária dos alunos desse ciclo é de seis a dez anos. Segundo a BNCC, é nessa fase escolar que o aluno amplia as experiências que viveu na Educação Infantil através de atividades lúdicas. A criança é inserida no mundo letrado tendo contato maior com livros e histórias, desenvolvendo suas habilidades de escrita, de leitura e os princípios matemáticos. A alfabetização desses estudantes deve acontecer até o final do 2º ano desse ciclo (Brasil, 2018).

Para que isso aconteça, é preciso estimular as habilidades cognitivas e as capacidades intelectuais, sociais, físicas, emocionais e culturais dessas crianças. Tais estímulos englobam os aspectos lexicais, morfológicos, sintáticos, semânticos, entre outros aspectos importantes para a aquisição do código escrito (Zuanetti et al., 2016). O aprendizado da leitura e escrita faz-se importante, pois se trata de um instrumento de comunicação. “A alfabetização não é um estado ao qual se chega, mas um processo cujo início é na maioria dos casos anterior à escola e que não termina ao finalizar a escola primária” (Ferreiro, 1999, p. 47). A autora afirma que as crianças são facilmente alfabetizáveis e estão em constante processo de aprendizagem.

Contudo, muitos alunos possuem alguma dificuldade escolar no processo de escrever e ler por se tratar de uma atividade complexa e ser uma habilidade que envolve muitos processos interdependentes (Salles; Parente, 2004), como a aquisição de vocabulário, a interpretação e compreensão das ideias do texto; essas habilidades levam o aluno a compreender a mensagem escrita (Cunha; Martins; Capellini, 2016).

Quando essa dificuldade se manifesta, afeta o domínio da linguagem, o aumento do vocabulário e escrita influencia na compreensão da mensagem escrita e no desenvolvimento de toda a aprendizagem. Assim, os estudantes que possuem problemas de compreensão não conseguem desenvolver suas atividades e acabam ficando atrasados no processo educacional. É necessário decodificar, compreender, interpretar e reter para aprender. Sem aquisição dessas habilidades, o ensino será repleto de barreiras, o que afeta o desempenho escolar e a capacidade de interação social, afetiva e motivacional (Zuanetti et al., 2016). Emília Ferreiro afirma que

há crianças que chegam à escola sabendo que a escrita serve para escrever coisas inteligentes, divertidas ou importantes. Essas são as que terminam de alfabetizar-se na escola, mas começaram a alfabetizar muito antes, através da possibilidade de entrar em contato, de interagir com a língua escrita. Há outras crianças que necessitam da escola para apropriar-se da escrita (Ferreiro, 1999, p. 23).

O professor precisa de uma didática diferenciada que ajude o aluno a assimilar as informações, já que as dificuldades de aprendizagem da escrita e da leitura, se não constatadas nos primeiros anos escolares, poderão prejudicar toda a trajetória escolar, por estarem diretamente ligadas a todas as áreas acadêmicas (Cunha; Martins; Capellini, 2016).

O ser humano nasce integrado à linguagem natural e ao uso dos números. Hans e Ginsburg (2001) dizem que a linguagem é importante para a aprendizagem da Matemática, pois é por meio dela que as ideias, os resultados e os conceitos matemáticos são expressos. Crianças com dez anos podem compreender 10.000 palavras e falar sua língua materna com perfeição, mas, quando alcançam onze anos, algumas crianças começam a apresentar dificuldade em compreender a Matemática, pois ela torna-se abstrata (Oliveira; Negreiros; Neves, 2015). Para os estudiosos da Educação, os alunos são capazes de aprender, mas possuem desempenho fraco devido ao ensino inadequado. Os alunos fracos nos primeiros anos irão permanecer fracos ao longo da vida escolar (Sousa, 2008).

O resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) mostra que a média de proficiência dos jovens brasileiros em letramento e em leitura, no ano de 2018, foi de 413 pontos; sendo assim, o Brasil está 74 pontos abaixo da média. Tratando-se de Matemática, a proficiência foi de 384 pontos – 108 pontos abaixo da média. Esse estudo ressalta que apenas 0,2% dos 10.961 alunos avaliados atingiram o nível máximo em leitura no país, que 0,1% apresentou nível máximo de proficiência em Matemática e 68,1% dos estudantes estão no pior nível de proficiência em Matemática; portanto, não possuem o mínimo para a cidadania (Brasil, 2018). Esses resultados vêm mostrando que a educação brasileira precisa de reestruturação e de mais investimento nas escolas e nos cursos de formação inicial e continuada dos professores.

As pesquisas mostram que os docentes, diante da dificuldade de aprendizagem, não têm recursos facilitadores integrados à metodologia de ensino. Isso dificulta o ensino, que necessita de estratégias pedagógicas que evidenciem suas capacidades e considerem suas particularidades (Gonçalves; Crenitte, 2014). “Formar o professor é muito mais que informar e repassar conceitos, é prepará-lo para outro modo de educar, que altere sua relação com os conteúdos disciplinares e com o educando” (Almeida et al., 2007, p. 336). Nessa perspectiva, é necessário refletir sobre a formação oferecida aos futuros professores no sentido de prepará-los para a diversidade dos alunos, respeitando as suas especificidades.

De maneira geral, os professores possuem dificuldade para definir os transtornos, atribuir suas causas e pontuar as suas manifestações devido à formação inicial e continuada deficiente e que não engloba os transtornos de aprendizagem. Portanto, esse educador pode, erroneamente, relacionar a dificuldade de aprender a causas intrínsecas (fisiológico, biológico), quando ela está diretamente relacionada a causas extrínsecas: ambiente escolar, familiar, método de ensino deficiente, ambiente linguístico restrito ou problemático. Isso limita oportunidades de aprendizado e a competência para a leitura e escrita, além de comprometer o momento certo para agir diante de um possível transtorno de aprendizagem (Gonçalves; Crenitte, 2014).

De acordo com Guimarães e Saravali (2006), os professores acreditam que problemas de aprendizagem são inerentes ao sujeito, o que pode desencadear consequências negativas na vida desse aluno, que pode estar sendo estigmatizado de forma preconceituosa pelo professor como “atrasado” ou que “não gosta de estudar”. Assim, o aluno pode sentir-se incapaz por causa do seu fracasso escolar. Vasconcelos (2008, p. 61) ressalta que

a dialética exclusão/inclusão escolar manifesta-se das mais diferentes e às vezes perversas maneiras e quase sempre o que está em jogo é o que falta ao aluno diante dos padrões descontextualizados do saber escolar. Excluindo dentro da escola os que “não aprendem” aquele conhecimento valorizado por ela e, assim, a democratização, a abertura da escola a todos se traduz em uma massificação de ensino, impossibilitando o diálogo entre as diferentes maneiras de ser, entre os novos conhecimentos que não couberam, até então, dentro dela.

De acordo com Goulart e Chiari (2014), os alunos com queixa escolar apresentam baixa autoestima e pior autopercepção. As repercussões que são geradas nesses sujeitos são difíceis de medir. Porém o estudo mostrou que esses transtornos influenciam as relações do sujeito com o meio que o rodeia e sua autoimagem, além de sua aprendizagem formal e informal.

A forma como o aluno vê seus erros, suas qualidades e a qualidade da relação com seus pais e professores influencia muito no desenvolvimento do aprendizado. A forma como os pais expressam seus sentimentos, o modo como corrigem e referem-se aos erros e acertos são fatores que colaboram para a formação da autopercepção do sujeito. A autopercepção positiva da aprendizagem e a participação eficaz da família na vida escolar do aluno está diretamente relacionada ao bom desempenho. É necessário que pais e educadores realizem um trabalho que evidencie os acertos e as qualidades desse aluno, a fim de elevar sua autoestima e o autoconceito, valorizando seu potencial, direcionando o seu aprendizado de forma positiva, reduzindo o fracasso e a evasão escolar (Moreira; Martins-Reis; Santos, 2016).

Quando os pais acompanham rotineiramente as atividades escolares dos filhos, estes apresentam desempenho melhor. Por isso, é importante que o professor busque informações sobre como é o envolvimento familiar (Santos; Dazzani; Zucoloto, 2019).

Metodologia da pesquisa

Para desenvolver este estudo segundo objetivos a serem alcançados, o delineamento metodológico escolhido foi a pesquisa básica de cunho qualitativo, com finalidade exploratório-descritiva, adotando como procedimento um estudo documental sobre o assunto escolhido, sendo realizada com base em levantamento bibliográfico (Fonseca, 2002).

Para compreender o que os estudos trazem sobre as dificuldades de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental, estabeleceu-se como fonte de consulta o site SciELO. Foram utilizados os seguintes descritores: dificuldade de aprendizagem; anos iniciais do Ensino Fundamental; pesquisa documental. Após realizar essa busca, foi necessário filtrar para alcançar o objetivo específico da pesquisa, pois na primeira busca foram encontrados trabalhos que abordavam diversos assuntos, englobando vários campos de estudos, não estando restrito apenas ao objetivo inicial da pesquisa.

Restringiu-se a pesquisa ao período de 2014 a 2019. Foram encontrados 38 trabalhos; destes, 31 estavam em português. Dessa forma, investigou-se quais desses estudos se encaixariam na temática central estabelecida para compreensão da questão enunciada. Ao final da busca, foram selecionados onze trabalhos.

Para análise dos artigos selecionados foram consideradas três categorias de dificuldades de aprendizagem: dificuldade de escrita (C1); dificuldade de leitura (C2) e dificuldade de cálculo matemático (C3), conforme mostra o Quadro 1.

Quadro 1: Categorias de análise dos artigos

Dificuldades de aprendizagem

Conceitos para a análise

C1 – Dificuldade de escrita

Dificuldade com ortografia, caligrafia e na conversão do som em grafemas (Zuanetti et al., 2016).

C2 – Dificuldade de leitura

Dificuldade de interpretação da linguagem escrita, apresentando leitura lenta e imprecisa sem compreender o que leu (Hudson, 2019).

C3 – Dificuldade de cálculo matemático

Dificuldade em adquirir habilidades matemáticas. Dificuldade em realizar atividades envolvendo números e cálculos (Hudson, 2019).

Artigos analisados na Revista Cefac

Os artigos analisados trazem dados importantes sobre a dificuldade de aprendizagem. O estudo de Goulart e Chiari (2014) foi delineado com o objetivo de verificar a associação entre distúrbios de fala e repetência escolar. Para conseguir os resultados esperados, as autoras realizaram um estudo transversal. Participaram desse estudo 1.810 crianças matriculadas na 1ª série do Ensino Fundamental.

O distúrbio fonológico é uma alteração de fala; sua principal característica é a produção de sons inadequada e o uso impróprio das regras da linguagem. Esses erros afetam a retenção de informações fonológicas na memória de trabalho e o desenvolvimento de atividades que envolvam a consciência fonológica. O estudo mostra que crianças com desvio fonológico possuem mais chance de repetir a série se comparadas com seus pares. Entre dez repetências, seis são associadas aos distúrbios de fala. Com o passar dos anos, as crianças mostram melhora significante no desvio fonológico, porém ainda apresentam, na adolescência e na idade adulta, um desempenho abaixo do esperado na fala, leitura, escrita e na consciência fonológica, quando comparado a outras pessoas sem alterações (Goulart; Chiari, 2014).

Constatou-se por essa pesquisa que os distúrbios da fala podem ser indicativos de uma dificuldade de leitura/escrita posterior. Portanto, assim que uma criança com dificuldade for identificada, é necessário realizar uma intervenção adequada a fim de amenizar os problemas escolares futuros.

A pesquisa de Gonçalves e Crenitte (2014) foi desenvolvida com o intuito de analisar as concepções das professoras de Ensino Fundamental sobre as dificuldades escolares, o distúrbio de aprendizagem e a dislexia. As pesquisadoras utilizaram um estudo transversal, composto por um questionário dissertativo, envolvendo definição, causa e as manifestações dos transtornos de aprendizagem. Participaram do estudo 31 professoras do Ensino Fundamental de uma cidade do interior do Estado de São Paulo.

Segundo esse estudo, a dificuldade escolar relaciona-se ao baixo rendimento escolar e pode ter influência com problemas afetivos ou ligados à escola. Por outro lado, o distúrbio de aprendizagem é uma disfunção do sistema nervoso central; portanto, é um problema neurológico que afeta o processamento, a aquisição e o armazenamento das informações geradas. A dislexia é uma neurodisfunção que afeta o processo de decodificação e compreensão da leitura (Gonçalves; Crenitte, 2014).

Os resultados dessa pesquisa mostraram que os professores possuem pouca informação referente ao repertório conceitual no que tange às definições e manifestações em relação às dificuldades escolares e transtornos de aprendizagem. Portanto, necessitam de orientações e de cursos de formação continuada que envolvam essa temática. Dessa forma, o profissional estará mais preparado no âmbito teórico e metodológico para lecionar para alunos que possuem transtorno e dificuldade de aprendizagem.

Zuanetti et al.(2016) delinearam um estudo com o intuito de analisar as produções escritas de crianças com dificuldades em leitura/escrita. Participaram desse estudo 171 crianças matriculadas no 4º ou no 5º ano do Ensino Fundamental. Esses alunos foram divididos em dois grupos: o grupo G1, com 50 crianças que não tinham dificuldades na leitura e na escrita; e o grupo G2, com 121 crianças com dificuldades nas tarefas que envolviam leitura e escrita.

Para realizar essa análise, foi feita uma avaliação individual com todas as crianças. Após essa avaliação, pôde-se constatar que crianças com dificuldades na leitura e na escrita apresentam diversas alterações na elaboração escrita relacionadas à grafia, aos erros ortográficos, à dificuldade de acentuação, à dificuldade em conjunção verbal. Com isso, essas crianças apresentam textos com conteúdo restrito, com vastos erros, sem sequência lógico-temporal dos fatos e sem coerência. Essas alterações afetam negativamente a inteligibilidade do texto, resultando em grandes prejuízos na comunicação escrita e no desenvolvimento acadêmico (Zuanetti et al., 2016).

Nos artigos selecionados na Revista Cefac (Quadro 2), pode-se constatar que os alunos vêm apresentando dificuldade de aprendizagem na leitura e na escrita; essa dificuldade pode estar relacionada às práticas pedagógicas inadequadas, devido à falta de informação dos professores sobre transtornos e dificuldade de aprendizagem. As causas podem estar relacionadas, também, aos problemas de ordem fonológica, que afetam tanto a leitura como a escrita e a interação com o meio.

Quadro 2: Artigos analisados da Revista Cefac

Ano

Artigo

Autores

Objetivo

Metodologia da pesquisa

Público-Alvo

2014

Distúrbios de fala e dificuldades de aprendizagem no Ensino Fundamental

Bárbara Niegia Garcia de Goulart;

Brasília M. Chiari

Verificar a associação entre distúrbios de fala e repetência escolar

Estudo transversal

1.810 Crianças regularmente matriculadas na 1ª série do Ensino Fundamental de escolas

públicas

2014

Concepções de professoras de Ensino Fundamental sobre os transtornos de aprendizagem

Thaís dos Santos Gonçalves;

Patrícia Abreu Pinheiro Crenitte

Investigar as concepções de professoras

do Ensino Fundamental sobre as dificuldades

escolares e os transtornos de aprendizagem

Estudo transversal

(realizou-se levantamento por meio de questionário com questões dissertativas)

31 professoras do Ensino Fundamental de uma cidade do interior do Estado de São Paulo

2016

Principais alterações encontradas nas narrativas escritas de crianças com dificuldades em leitura/escrita

Patrícia Aparecida Zuanetti;

Carolina Bernardi de Novaes;

Kelly Silva;

Fabíola Mishima Nascimento;

Marisa Tomo;

Hebihara Fukuda

Analisar as produções escritas de crianças com dificuldades de leitura/escrita

Estudo de coorte

171 crianças, matriculadas no 4º e 5º anos do Ensino Fundamental

As dificuldades de aprendizagem apresentadas nesses estudos podem ser de ordem intrínseca ou extrínseca; o quanto antes constatada a ordem desses problemas, melhor, pois através das informações o professor pode elaborar conteúdos pedagógicos que deem suporte para o aluno desenvolver suas atividades e avançar no seu processo educacional de forma eficaz.

Os artigos encontrados no site da SciELO (Quadro 3), em sua maioria, foram elaborados como estudo de campo. Esse estudo se faz importante, pois se trata de uma pesquisa que busca investigar um grupo ou pessoas a fim de coletar dados e alcançar resultados mais satisfatórios referentes a uma problemática que se pretende compreender.

Quadro 3: Artigos analisados no site da SciELO

Artigo

Objetivo

Metodologia da pesquisa

Público-Alvo

Distúrbios de fala e dificuldade de aprendizagem no Ensino Fundamental

Verificar a associação entre distúrbios de fala e repetência escolar

Estudo transversal

1.810 Crianças regularmente matriculadas na 1ª série do Ensino Fundamental de escolas

públicas

Concepções de professoras de Ensino Fundamental sobre os transtornos de aprendizagem

Investigar as concepções de professoras

de Ensino Fundamental sobre as dificuldades

Escolares e os transtornos de aprendizagem

Estudo transversal

(realizou-se levantamento por meio de questionário com questões dissertativas)

31 professoras do Ensino Fundamental de uma cidade do interior do Estado de São Paulo

Condicionantes da aprendizagem da Matemática: uma revisão sistêmica da literatura

Compreender as interações que se estabelecem no processo ensino-aprendizagem da Matemática

Revisão bibliográfica

Trabalhos bibliográficos

Concepção de professores do Ensino Fundamental sobre a dislexia do desenvolvimento

Caracterizar o nível de informação sobre a dislexia que professores de Língua Portuguesa

possuem

Estudo transversal, desenvolvido mediante pesquisa de campo descritiva e quantitativa e método dedutivo.

27 professores de Língua Portuguesa da 5ª à 8ª séries do Ensino Fundamental

Principais alterações encontradas nas narrativas escritas de crianças com dificuldades em leitura/escrita

Analisar as produções escritas de crianças com dificuldades em leitura/escrita

Estudo de coorte

171 crianças matriculadas nos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental

Prevenção e remediação das dificuldades de aprendizagem: adaptação do modelo de resposta à intervenção em uma amostra brasileira

Adaptar e colocar em prática no contexto brasileiro um dos modelos mais aceitos de prevenção e remediação das dificuldades de apren­dizagem, a resposta à intervenção (RTI)

Pesquisa quali-quantitativa

Duas professoras e 51 alunos do 1º ano do Ensino Fundamental

Autopercepção das dificuldades de aprendizagem de estudantes do Ensino Fundamental

Verificar a autopercepção das dificuldades de leitura e escrita de estudantes do Ensino Fundamental de uma região de alto risco social e elevado índice de vulnerabilidade à saúde, bem como a percepção de seus pais sobre essas dificuldades

Estudo de campo

Pesquisa qualitativa

65 alunos (de ambos os gêneros), do 4º ao 7º ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal e seus responsáveis

Estilos intelectuais e estratégias de aprendizagem: percepção de professores do Ensino Fundamental

Averiguar a percepção dos professores acerca dos estilos intelectuais e das estratégias de aprendizagem em alunos do Ensino Fundamental com diagnóstico de dislexia e TDAH e sem dificuldade escolar

Pesquisa de campo

23 professores de escolas públicas

Renomeando o fracasso escolar

Investigar o significado atribuído por alunos, pais e professores ao termo fracasso escolar e apontar outros que poderiam substituí-lo

Estudo exploratório e transversal de abordagem mista

65 alunos adolescentes matriculados nos últimos anos do Ensino Fundamental, 66 pais e 58 professores de duas escolas da rede de ensino do município de São Leopoldo/RS

Relação entre fluência e compreensão leitora em escolares com dificuldades de aprendizagem

Comparar a fluência e a compreensão de leitura de escolares do 2º para o 5º ano do Ensino Fundamental com e sem dificuldades de aprendizagem

Pesquisa de campo

80 estudantes do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental

Narrativas de familiares sobre as dificuldades no processo de escolarização

Compreender as narrativas dos familiares dos estudantes acerca das dificuldades no processo de escolarização

Estudo qualitativo

10 familiares de estudantes do Ensino Fundamental

Constatou-se que participaram dessas pesquisas alunos matriculados no Ensino Fundamental e professores; três desses estudos envolveram as famílias e/ou os responsáveis dos alunos, evidenciando que as pesquisas estão buscando envolver e compreender a importância da família no desenvolvimento escolar dos alunos. Moreira et al.(2016) afirmam que a qualidade das relações entre pais e filhos, as relações professor-aluno e a relação família-escola são de suma importância para o desenvolvimento educacional e emocional desses alunos. Portanto, faz-se necessária a valorização da participação e o diálogo entre a família e as intuições escolares.

Em onze artigos, só dois investigavam as concepções dos professores sobre as dificuldades e os transtornos de aprendizagem. Os resultados desses estudos mostram que os professores possuem pouca compreensão acerca desse tema (Gonçalves; Crenitte, 2014). A falta de conhecimento torna árduo o ensino e intensifica as dificuldades de aprendizagem, uma vez que a educação proposta nas escolas não é adequada ao ensino que os alunos com transtorno e dificuldade necessitam, e os professores não possuem experiência nesse assunto (Tabaquim et al., 2016).

Considerações finais

As pesquisas neste estudo indicam que os alunos vêm apresentando dificuldades de aprendizagem na leitura, escrita e no cálculo matemático. Essas dificuldades podem ser de ordem intrínseca ou extrínseca, podendo ter mais de uma causa, sendo uma confluência de fatores. Entre eles estão as lacunas de formação dos professores, a falta de motivação deles, a inadequação pedagógica e o meio social desfavorável.

Os problemas educacionais não estão relacionados só ao aluno, mas também à formação inicial e continuada dos professores ao longo dos anos, a necessidade de estudos das disciplinas específicas que englobem as dificuldades e os transtornos de aprendizagem; sendo assim, é de suma importância a atualização profissional. É preciso que haja novas modalidades de ensino, inovações nos currículos, novas habilidades na atuação profissional e um novo fazer pedagógico. É importante que esse fazer pedagógico e metodológico esteja aliado às descobertas científicas para uma melhora na educação.

Pelos artigos analisados nesta pesquisa, dos anos de 2014 a 2019 publicados no SciELO e Google Acadêmico, foi possível identificar e responder as questões problema levantadas no início da pesquisa. Constataram-se as dificuldades de aprendizagem que a produção científica retratava na Revista Cefac, identificando as metodologias, os objetivos principais e o público-alvo desses artigos, facilitando a escrita deste trabalho.

Contudo, faltaram algumas informações importantes sobre as dificuldades de aprendizagem, sendo necessário buscar outros referenciais teóricos que discutam essa temática, a fim de complementar os elementos que faltavam. Com o intuito de ampliar o conhecimento cientifico, considera-se fundamental compor mais pesquisas acerca desse tema.

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Publicado em 30 de março de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

GOMES, Cristiane Patrícia Rocha; PENHA, Pedro Xavier da. Mapeando as principais dificuldades de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental: estudos na Revista Cefac. Revista Educação Pública, v. 21, nº 11, 30 de março de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/11/mapeando-as-principais-dificuldades-de-aprendizagem-nos-anos-iniciais-do-ensino-fundamental-estudos-na-irevista-cefaci