Ensino Fundamental I em EaD no contexto da pandemia: uma trilha de aprendizagem usando metodologias ativas

Isabel Cristina Weisz

Licenciada e mestra em Língua Portuguesa (PUC-SP), pedagoga com múltiplas especializações, pós-graduanda em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem (PUC-RS)

Em meio ao turbilhão de incertezas coletivas trazidas pela covid-19 ainda no primeiro trimestre do ano de 2020, surgiu para nós, educadores brasileiros, a certeza irrevogável de que temos que nos reinventar, buscar todos os meios possíveis, tanto acadêmicos quanto tecnológicos, para tornar possível a realização de nosso trabalho de maneira remota, não presencial.

Nessa perspectiva, o presente artigo visa oferecer, de maneira objetiva e clara, uma proposta viável e eficaz de ensino a distância fundamentada em uma metodologia ativa: o tema gerador, também conhecido como “aprendizagem baseada em projetos”. Ele será trabalhado de maneira interdisciplinar; por meio de pesquisas (na internet e em todos os demais meios de que o aluno possa dispor) e do uso de materiais impressos diversos do cotidiano (tabloides de ofertas de supermercados, jornais e revistas usados e outros materiais do gênero). Sempre acompanhado e supervisionado por um familiar adulto, o educando será o protagonista na aquisição de seu conhecimento dentro de sua residência.

Situando as metodologias ativas no contexto da pandemia

Desde o início da pandemia da covid-19 em nosso país, com o subsequente confinamento imposto por ela, tornou-se bastante óbvio aos educadores, coordenadores e diretores de escolas de Ensino Básico que o currículo e as metodologias têm que ser frequentemente revistos e reestruturados para tornar possível a adaptação dos conteúdos à realidade de um ensino em EaD forçada, surgida sem maiores preparos e instrumentalizações técnicas.

Ao analisarmos esse cenário, torna-se bastante lógico que os alunos não devem ser avaliados de maneira rigorosa, com notas e menções taxativas de reprovação. Ao contrário disso, devemos estimulá-los a continuar tendo gosto pela aprendizagem. Por esse motivo, as atividades em EaD desenvolvidas nessa conjuntura de desalento e exaustão emocional coletivos causados pela pandemia não podem ser enfadonhas, tão fáceis ou superficiais a ponto de levar o aluno ao desinteresse por elas. Tampouco devem ser tão difíceis que o levem a abandoná-las depois de tentar realizá-las algumas vezes sem êxito. Em oposição a isso, precisamos buscar o engajamento dos alunos por meio de atividades estimulantes, divertidas e que propiciem o uso da criatividade.

Ademais, devemos nos lembrar de que esse ensino em EaD imposto pela pandemia é afetado por diversas situações sistêmicas desfavoráveis. A mais crítica delas é a falta de acesso dos brasileiros a uma conectividade constante com a internet. Apenas a título de exemplo, trazemos aqui um trecho do detalhado estudo realizado por Barberia et al. (2020) para a Fundação Getúlio Vargas (FGV) entre março e outubro de 2020 quanto aos programas de educação pública remota dos estados e capitais brasileiros durante a covid-19:

Ao fecharem escolas e migrarem para a educação remota, os governos e suas secretarias de educação enfrentam o desafio de oferecer acesso a grandes parcelas da população que correm risco de ficar desassistidas, o que levaria ao agravamento das já preocupantes desigualdades educacionais no Brasil. A Figura 1 mostra que, mesmo que a quase totalidade dos estados tenha decidido pela transmissão via internet, apenas cerca de 15% dos estados distribuiu dispositivos e menos de 10% subsidiaram o acesso à internet. Além disso, os estados que distribuiriam dispositivos o fizeram por meio de doações da população, que ocorreram em quantidades insuficientes em relação ao número de estudantes sem acesso. Os estados priorizaram a distribuição de apostilas específicas para o estudo em casa, mas esta opção foi adotada por apenas 50% dos estados.

Figura 1: Porcentagem de estados por meios de acesso (março-outubro 2020)

Fonte: FGV (2020).

Corroborando esses dados, temos a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC), que em abril de 2020 demonstrou que uma entre quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Em números totais, isso significa que 46 milhões de brasileiros não acessam a rede (Tokarnia, 2020).

Além dessa importante contingência, devemos também considerar outras de cunho mais pessoal, como as relações familiares de nossos alunos, a perda de emprego de um (ou ambos) os pais ou responsáveis e as questões práticas e emocionais da vida que se tornam sensíveis a esse fato. Por todas essas razões, sabemos que o impacto dessa educação em EaD não será homogêneo naquilo que tange ao acesso a ela e, por conseguinte, na mensuração de resultados (notas).

Desse modo, não há como negar a conclusão de que o cenário criado pela pandemia é bastante restritivo quanto à nossa ação em EaD. Em tal situação, nossa opção terá que ser priorizar a qualidade em detrimento de grandes quantidades de tarefas e atividades que podem rapidamente se tornar monótonas, causando desmotivação e desinteresse no aluno.

Conceituação de metodologias ativas

Para levar a efeito uma metodologia que seja de fato ativa, é necessário partir de algo que o aluno já conheça, algo que esteja ambientado em sua realidade e faixa etária. Assim, em uma dada trilha de aprendizagem, as metodologias ativas contemplam atividades que caminham do “mais fácil em direção ao mais difícil”. Consequentemente, o educando começa a buscar soluções para os desafios que tais atividades propõem, sempre com a supervisão do professor. Nessa perspectiva, Morán (2015, p. 18) pontua que

Os desafios bem planejados contribuem para mobilizar as competências desejadas, intelectuais, emocionais, pessoais e comunicacionais. Exigem pesquisar, avaliar situações, pontos de vista diferentes, fazer escolhas, assumir alguns riscos, aprender pela descoberta, caminhar do simples para o complexo. Nas etapas de formação, os alunos precisam de acompanhamento de profissionais mais experientes para ajudá-los a tornar conscientes alguns processos, a estabelecer conexões não percebidas, a superar etapas mais rapidamente, a confrontá-los com novas possibilidades. Quanto mais aprendamos próximos da vida, melhor. As metodologias ativas são pontos de partida para avançar para processos mais avançados de reflexão, de integração cognitiva, de generalização, de reelaboração de novas práticas.

Tendo em conta essa elucidação, facilmente inferimos que a “aprendizagem por meio de projetos” (Project Based Learning) é uma metodologia ativa bastante efetiva e segura na obtenção de ótimos resultados de aprendizagem, visto que faculta a interdisciplinaridade. Ao lançar mão do uso de “projetos”, os professores polivalentes do Ensino Fundamental I encontram o benefício de trabalhar diversas disciplinas com base em único tema gerador.

Na aprendizagem por meio de projetos, a pesquisa tem papel essencial. O professor se torna um orientador, deixando de lado o tradicional papel de “transmissor” de conhecimentos já prontos e acabados para alunos que fazem o papel de meros espectadores. Nessa concepção de ensino, praticamente todos os saberes que as crianças e os jovens trazem de suas famílias, comunidades ou culturas têm que ser ignorados pelo professor para melhor serem esquecidos por eles e apagados; em seguida, são refeitos de acordo com os ideais estabelecidos por algum sistema (Harari, 2016).

No fulcro da importante questão suscitada acima sugerimos que o professor, sempre que possível, utilize como tema gerador de seus projetos de ensino algum elemento próprio da comunidade, bairro ou cidade, como festas folclóricas populares, pratos típicos ou outro evento que esteja diretamente relacionado à cultura local. O professor poderá também pedir que os alunos tragam sugestões para projetos e coloque em votação aqueles que verdadeiramente propiciem a elaboração de um projeto de aprendizagem.

Uma outra utilidade das metodologias ativas reside no fato de que a autonomia promovida por elas faz com que o aluno “aprenda a aprender” ao buscar conhecimentos de maneira espontânea, procurando fontes de informação e comparando-as. Nosso trabalho, em função do surgimento dessa habilidade no educando do Ensino Fundamental, é previsto pela LDB (nº 9.394/96) ao citar o “desenvolvimento da capacidade de aprender” (Art. 32 – I) como um dos principias objetivos desse grau do ensino oficial.

Como vimos, na prática das aprendizagens ativas a curiosidade natural da criança deverá ser permanentemente apoiada e direcionada para que busque conhecimentos sólidos onde eles possam ser encontrados.

O papel afetivo do educador no ensino em EaD

O dever pungente e imediato de ministrar em aulas em EaD nos traz a necessidade de desenvolver habilidades diversas. Antes de tudo, devemos sempre ter em mente que nossa distância física não significa ausência. Em outras palavras: não precisamos ficar emocionalmente distantes de nossos alunos. Sempre que houver oportunidade, podemos realizar “encontros” ou “aulas síncronas” por meio do Google Meet, do Zoom ou outro aplicativo similar gratuito. Para tanto, sugerimos conversar de antemão com os pais e responsáveis para que sejam estabelecidos as datas e os horários mais convenientes para a maioria, além de orientá-los sobre a forma de utilizar o aplicativo escolhido para esses “encontros”, que devem ser utilizados para um propósito que vá além de levar conteúdos curriculares aos educandos. Pode ser um momento de acolhimento, de afetividade, de incentivo.

Longe de cobranças incisivas por resultados, o professor deve sempre mencionar o quão prazeroso é aprender algo novo a cada dia. A casa se tornou uma sala de aula ampliada e muitas coisas que eles encontram nela, como livros, revistas e jornais antigos, além de outros materiais comuns, como receitas culinárias, caixas vazias de papelão, restos de papel de presente etc. podem ser uma excelente fonte de aprendizagens espontâneas e fluência de ideias. É importante que o professor valorize cada etapa do trabalho que os alunos estejam realizando. Por isso, as exposições virtuais desses trabalhos são imprescindíveis. Sugerimos que seja criada uma ferramenta virtual cuja finalidade seja somente a de “galeria de exposição de artes”. O formato do Instagram favorece em muito a concretização dessa proposta.

Além disso, esses encontros também podem ser uma experiência de troca entre as crianças se as estimularmos a conversar sobre aquilo que estão aprendendo em casa com os pais, irmãos, avós, tios etc. ou como encontraram as soluções para determinada atividade escolar. Obviamente, as regras de participação nesses encontros virtuais precisam ser esclarecidas com antecedência por meio de um texto elaborado e enviado pelo professor.

Trilha de aprendizagem

Esta trilha de aprendizagem foi concebida para ser trabalhada com turmas do 3º ou 4° ano do Ensino Fundamental, podendo ser adaptada (ao inserir nela um maior nível de desafio) para o 5° ano.

O professor pode propor uma atividade, aguardar até o dia seguinte para que ela seja realizada e, em seguida, pedir aos alunos que a fotografem e publiquem no grupo exclusivo da turma no Facebook.

Essa exposição virtual estimulará nos alunos o sentimento de grupo.

Trabalhando com o conto infantil Cachinhos Dourados

Começamos este tópico explicando que, ao analisarmos a conceituação do gênero textual Conto de Fadas concebida pelo psicólogo Bruno Bettelheim (2004), depreendemos que a narrativa de Cachinhos Dourados e os três ursos não está atrelada a ele. Isso se dá porque a história não traz um “consolo”, a gratificação tradicional selada pela frase “...e viveram felizes para sempre” à personagem protagonista no final. Para mais informações sobre esse tema sugerimos a leitura do artigo de Weisz (2021), na revista Educação Pública.

Na realidade, a história original de Cachinhos pouco nos fala sobre a menina: não sabemos seu nome, de onde vinha, por que estava na floresta (será que fugia de algo?) ou sequer para onde possa ter ido após sair correndo, fugindo pela janela do quarto da casa da família urso. A grande maioria das versões atuais da história é deturpada, trazendo acréscimos tanto em seu início quanto em seu final com o objetivo de criar uma espécie de “lição de moral” no fechamento, como é característico das fábulas.

No entanto, produzir uma fábula não foi a intenção dos autores originais desse conto infantil. Inclusive, sobre essa questão, somente após uma busca cuidadosa nos vídeos disponíveis no YouTubepudemos encontrar um que retrata a história de maneira quase fiel à que foi popularizada ao ser publicada pelo escritor britânico Robert Southey em 1837. Aqui, abrimos um parêntese para explicar que Southey escreveu sua história com base em um manuscrito datado de 1831 cuja autoria é creditada a Eleanor Mure. Segundo registros, Mure teria composto uma história infantil a partir de um conto popular escrevendo-a em um livro artesanal para presentear um sobrinho de quatro anos de idade. Sua narrativa fala sobre três ursos cuja casa fora invadida por uma senhora já idosa. No desfecho, os ursos se vingam matando a velha mulher.

Voltando ao conto publicado por Southey e confrontando-o com a versão mais idêntica existente dentre os vídeos do YouTube, verificamos que a alteração apresentada por ela relata que Cachinhos voltou “correndo de volta para sua mãe e aprendeu a nunca mais xeretar na casa de uma outra pessoa”. Southey não menciona originalmente se Cachinhos tinha mãe e se aprendeu alguma lição com o ocorrido. No conto publicado por ele, nada se sabia ou se deduzia sobre a protagonista da ação da história além da narração do breve incidente na residência dos ursos.

Em nosso trabalho prático com os alunos, usamos a versão original presente no livro em pop up publicado pela editora Ciranda Cultural. Para a realização dessa trilha em EaD disponibilizamos um link para o vídeo citado e outro para uma versão escrita da história em material de apoio. Sugerimos que o professor forneça os links a seus alunos ao invés de ler para eles (ou com eles) a história, pois fazer com que o educando busque o material e o processe sozinho, segundo seus conhecimentos prévios, faz parte de uma metodologia ativa.

Finalizamos este tópico ressaltando a importância de orientar os alunos quanto ao uso da web como fonte de pesquisa. Ao pesquisar um determinado tema em um site, o aluno, com a ajuda de uma pessoa adulta, deverá verificar se a fonte de sua pesquisa é confiável. Nem sempre as informações que constam na Wikipédia estão corretas, pois trata-se de uma plataforma de uso coletivo e anônimo, na qual pessoas mal-intencionadas podem propositalmente acrescentar informações falsas. Para merecer credibilidade, é imprescindível que uma informação cite seu autor. Nesse sentido, deve-se explicar aos alunos que popularidade não é o mesmo quecredibilidade. Para assuntos escolares, o ideal é utilizar sites profissionais como fonte de pesquisa.

O passo a passo da trilha de aprendizagem

Atividade 1: Leitura e entendimento do texto

Em uma metodologia ativa, o professor deve partir de conteúdos e/ou habilidades que o educando já domina. Sendo assim, na trilha de aprendizagem aqui apresentada a primeira atividade consiste em oferecer aos alunos os links dos locais onde encontrarão o material a ser processado, sem mais explicações ou comentários.

Dessa forma o professor poderá enviar um texto dizendo: “Faremos algumas atividades a partir do conteúdo que vocês encontrarão nesses dois links” e, em seguida, disponibilizar o link do vídeo e o do texto do conto Cachinhos Dourados e os três ursos (vide “Material de Apoio”).

Atividade 2: Pesquisa

Na atividade seguinte, o professor poderá gravar uma mensagem de voz ou enviar um texto dizendo que, como os alunos viram, trata-se de uma história infantil que eles já conhecem. Embora possam ser encontradas versões diferentes, essa é a original. Explicar que Cachinhos Dourados não é considerada um conto de fadas. Em seguida, pedir aos alunos que, com a ajuda de alguém (pais ou responsáveis), pesquisem na internet sobre a autoria, o ano e o país no qual Cachinhos Dourados foi publicada pela primeira vez. Eles deverão escrever essas informações no caderno, fotografar a atividade e postar no grupo do Facebook.

Atividade 3: Arte e diversidade étnica (tema transversal sobre respeito e cidadania)

Prática de Artes (fazer download da imagem disponível no tópico “Material de Apoio”). Caso a família tenha dificuldade para imprimi-la, orientar a criança a fazer a atividade à mão livre seguindo os critérios que serão explicados mais à frente.

Sugerimos que o professor realize essa atividade antes de disponibilizá-la aos alunos para poder experienciar as habilidades de coordenação motora requeridas por ela.

O primeiro passo na execução dessa atividade é recortar a folha de sulfite de acordo com o modelo demonstrado na Figura 1. Essa parte do desenho representa o cabelo da Cachinhos e deverá ser pintado em cores/tons de cabelos humanos.

Figura 1: Modelo a ser trabalhado

Fonte da imagem: Web

A Figura 2 mostra a região dos cabelos já colorida.

Figura 2: Cabelos já coloridos

Ao explicar a questão da escolha do tom dos cabelos aos alunos, podemos dizer que a figura da Cachinhos que eles vão criar não precisa necessariamente ter cabelos louros como a da história. Cada um pode interpretar a “sua Cachinhos” como quiser. Ela pode ser morena, parda, ruiva, negra ou loura. Isso fica a critério de cada um. A Cachinhos poderá também ter mechas de cabelos com variações de tons (mais claros ou mais escuros) da cor escolhida. Nesse caso, deve-se orientar que as mechas (ou fios em tons variados) sejam pintadas no sentido vertical para que o efeito saia correto ao recortá-las e cacheá-las.

Ao considerarmos a possibilidade de essa “Cachinhos” ser diferente da personagem da história europeia, estaremos trabalhando a diversidade étnica, tão presente na formação do povo brasileiro.

Explicar aos alunos que o tom escolhido para colorir a parte da frente dos cabelos deverá ser utilizado na parte de trás.

Figura 3: A parte de trás da cabeça da Cachinhos

Após colorir o restante do desenho nas cores escolhidas, o aluno deverá recortar na parte pontilhada de modo a separar as mechas uma a uma, como mostra a Figura 4.

Figura 4: Recortando para marcar as mechas

Com o auxílio de um lápis, modelamos cada mecha de cabelo em forma de cacho, como ilustram as Figuras 5 e 6.

Figura 5: Preparando os cachinhos

Figura 6: Continuando a preparar os cachinhos

Ao terminar a etapa de modelagem, ajeitamos os cachos de maneira visualmente harmoniosa entre si, conforme mostra a Figura 7.

Figura 7: Cachinhos ajeitados

A atividade está terminada e pronta para ser postada no grupo do Facebook!

A exposição desse trabalho é muito importante: nós, educadores, sabemos que os alunos do Fundamental I gostam de exibir seus trabalhos artísticos e apreciar e comentar os trabalhos dos colegas de sala.

Atividade 4: Ortografia – trabalhando palavras com CH

A atividade de ortografia pode ter um enunciado como:

“Cachinhos se escreve com CH! Não sabemos o nome próprio da personagem. Destacando uma característica de sua aparência física, Southey decidiu chamá-la de ‘Cachinhos’. Vamos pesquisar outras palavras que se escrevem com CH?”

Para a execução dessa atividade, o professor irá pedir aos alunos que reúnam em casa diversos materiais impressos, como folhetos de supermercado, jornais e revistas antigos. Em seguida os alunos devem pesquisar neles e recortar quinze palavras escritas com CH. As palavras devem ser coladas na parte superior de uma folha de sulfite, de modo a ocupar somente a primeira metade dela no sentido horizontal, pois o espaço restante será utilizado para a conclusão da atividade.

Palavras como chocolate, achar, cheio, chegou etc. estão entre aquelas que são mais comumente encontradas por eles. Após terminarem essa fase do exercício, pedir que escolham cinco palavras e escrevam, na segunda metade do papel, uma história curta (porém que tenha sentido) usando cada uma delas. Essa atividade é sugerida para alunos do 4° ano. Para os do 3°, pode ser simplificada pedindo que formem uma frase para cada uma das palavras escolhidas. Em qualquer uma das versões dessa atividade, o professor deverá pedir que os alunos sublinhem a palavra escolhida na história (ou frase) que criaram. Deve pedir também que, ao término da atividade, eles fotografem a folha e publiquem a foto no grupo do Facebook. Os alunos podem comentar todas as atividades que desejarem, sempre agindo com respeito e cordialidade.

Atividade 5: Pesquisa - Geografia e Ciências

Nessa atividade, o professor poderá gravar um vídeo ou áudio breve, seguindo basicamente este roteiro: “Como vocês sabem, a história se passa na casa de uma família composta por três ursos que vivem na floresta. Você já viu um urso pessoalmente? Será que nas florestas brasileiras nascem ursos? Há alguns tipos diferentes de ursos, como o panda e o urso polar. Mas e quanto aos ursos como os da história, em que região do mundo eles nascem? Vamos pesquisar sobre isso?”

Junto a esse áudio/vídeo, o professor poderá enviar um texto mais ou menos assim: “Com a ajuda de um adulto, faça uma pesquisa na internet sobre o tipo de urso da história da Cachinhos. Sua pesquisa deve dizer em que região do mundo eles nascem e vivem, do que se alimentam, quanto pesam em média e quantos anos costumam viver. Escreva um texto bem caprichado no caderno de Ciências e, depois que terminar, fotografe-o e o publique em nosso grupo do Facebook”.

Atividade 6: Produção de texto – Criando um novo início para a história

Como dissemos, na história original não se sabe de onde Cachinhos veio. Ao que parece, estava com fome (pois devorou o mingau do bebê urso) e cansada (já que adormeceu na cama dele após comer).

A produção consistirá em pedir que os alunos criem um começo para a história com a perspectiva da Cachinhos. Deverão contar o que uma menina pequena foi fazer sozinha em uma floresta e por que decidiu entrar em uma casa sem saber nada sobre quem morava nela.

O professor pode pedir que os alunos gravem vídeos curtos (de, no máximo, dois minutos) lendo o texto que produziram e o publiquem no grupo da turma.

Atividade 7: Identificação e gerenciamento de emoções – Tema transversal (saúde psíquica)

Essa atividade deverá ser feita em uma aula síncrona. A proposta é fazer com que os alunos identifiquem emoções básicas como medo, alegria, tristeza, raiva, nojo, surpresa (Eckman, 2011) a partir das ações das personagens. Por volta dos seis anos de idade, uma criança já é capaz de reconhecer essas emoções por meio de expressões faciais e linguagem corporal (Gondim; Loiola, 2015).

O professor fará perguntas sobre as emoções sugeridas pela história e deixará que os alunos se manifestem. Estas são algumas sugestões de perguntas:

Sobre raiva:

  • Como o bebê urso se sentiu ao ver que alguém tinha tomado o seu mingau e quebrado sua cadeira?
  • Como você se sente quando alguém mexe em suas coisas sem sua autorização? Qual deve ser a maneira certa de reagir quando isso acontece?

Sobre medo:

  • Por que você acha que a Cachinhos fugiu pela janela sem nem tentar conversar com a família?
  • Além do susto, o que você acha que ela sentiu quando foi acordada pelo bebê urso?
  • Como você sabe que está sentindo medo de alguma coisa? O que você faz?

Sobre surpresa desagradável:

  • Como você imagina que o papai e a mamãe urso se sentiram ao entrar em casa e perceber que havia algo estranho?
  • O que você faria no lugar deles?

Conclusão

Ao longo deste artigo, que trouxe uma trilha de aprendizagem com aplicabilidade no Ensino Fundamental I, discorremos sobre a aprendizagem facultada por metodologias ativas e a utilização delas no contexto atual das aulas em EaD, que tem como pano de fundo a pandemia do covid-19.

O conteúdo aqui apresentado é fruto de nosso trabalho, estudo e pesquisa nas áreas de Didática e Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Com este texto, esperamos ter oferecido alguma inspiração aos valorosos professores do primeiro segmento do Ensino Fundamental, mormente aqueles que trabalham nas redes públicas brasileiras e que, desde o início deste triste e dramático capítulo da história da humanidade, vêm heroicamente enfrentando incontáveis dificuldades materiais (sejam elas relacionadas a questões tecnológicas ou instrumentais da web ou a questões de ordens diversas) para continuar com a realização de seu trabalho de importância ímpar.

Material de apoio

1 - Imagem base para a execução do trabalho de Artes com a Cachinhos Dourados

2 - Vídeo com a história original de Cachinhos Dourados e os três ursos:versão disponível em: https://youtu.be/wk1bSv2GYpw

3 - Versão escrita da história Cachinhos Dourados e os três ursos: disponível em: http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=33.

Ferramentas tecnológicas gratuitas para produzir aulas em EaD

  • Google Docs

Serve para criar, editar e visualizar documentos de texto e compartilhá-los. Nele também podemos transformar os arquivos em pdf, doc, txt e html. Uma das possibilidades de uso dessa ferramenta para nosso alunado é a realização de trabalhos em grupo.

Link: https://www.google.com/intl/pt-BR/docs/about/

  • Whiteboard

É uma ferramenta disponível gratuitamente no Google Jamboard. Consiste em uma lousa branca na qual podemos dar explicações e fazer anotações em tempo real durante uma aula em EaD.

Link: https://edu.google.com/intl/pt-BR/products/jamboard

  • Podcasts

Podem ser usados para apresentar resumos ou fazer comentários sobre determinada obra ou atividade feita pelos alunos. O conteúdo deve ser dividido em episódios curtos, sempre motivando os alunos a buscar mais informações e indicando leituras sobre o tema apresentado. Como não dispomos de estúdio de gravação em casa, devemos escolher um lugar e horário em que haverá menor interferência de ruídos externos, como sons da rua, latidos de cães, gritos de crianças etc. Para maior agilidade e economia de espaço da memória do celular, podemos usar o próprio gravador de áudio do smartphone/iphone.

  • Google Meet e Zoom

São aplicativos gratuitos e seguros destinados à realização de videoconferências. Podemos usá-los para realizar aulas síncronas com nossos alunos. Esses aplicativos estão disponíveis na Google Play Store.

  • Redes sociais

Constituem o modo mais simples, rápido e ágil de interagir a distância com os alunos.

O Facebook é indispensável para a realização da metodologia ativa aqui apresentada. O professor deve criar um grupo particular para sua turma. Em seguida, pedir aos pais e responsáveis que criem um perfil juntamente com a criança (caso ela ainda não o tenha) e monitore todos os usos que ela fizer desse e de outros aplicativos que dão acesso a perfis públicos.

No Instagram, o professor poderá abrir um perfil particular (cujo acesso seja permitido apenas aos alunos e seus responsáveis) e nele criar uma “Galeria de Artes” com a finalidade de expor os trabalhos artísticos realizados pelos alunos.

Referências

BENTO, Dalvaci. A produção do material didático em EaD. São Paulo: Cengage, 2017.

BERBEL, Aparecida Navas. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. UEL, v. 32, nº1. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/9458. Acesso em: 05 abr. 2021.

BARBERIA, Lorena G. et al. Uma avaliação dos programas de educação pública remota dos estados e capitais brasileiros durante a pandemia do Covid-19. Fundação Getulio Vargas, 2021. Disponível em: http://fgvclear.org/pt/publicacoes/#:~:text=Uma%20avalia%C3%A7%C3%A3o%20dos%20programas%20de,a%20pandemia%20do%20COVID%2D19&text=Os%20indicadores%20produzidos%20informam%20sobre,de%20indicadores%20quantitativos%20e%20%C3%ADndices. Acesso em: 04 abr. 2021.

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

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ECKMAN, Paul. A linguagem das emoções. Lisboa: Casa de Papel, 2011.

GAROFALO, Débora. Chegou a hora de inserir o podcast na sua sala de aula. Nova Escola, 24 de setembro de 2019. Disponível em: http://novaescola.org.br/conteudo/18378/chegou-a-hora-de-inserir-o-podcast-na-na-sua-sala-de-aula. Acesso em: 07 abr. 2021.

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HARARI, Yuval Noah. Homo Deus. Uma breve história do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

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WEISZ, Isabel Cristina. Os contos de fadas no Ensino fundamental: uma proposta piagetiana. Revista Educação Pública, v. 21, nº 11, 30 de março de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/11/os-contos-de-fadas-no-ensino-fundamental-uma-proposta-piagetiana. Acesso em: 7 abr. 2021.

Publicado em 20 de abril de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

WEISZ, Isabel Cristina. Ensino Fundamental I em EaD no contexto da pandemia: uma trilha de aprendizagem usando metodologias ativas. Revista Educação Pública, v. 21, nº 14, 20 de abril de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/14/ensino-fundamental-i-em-ead-no-contexto-da-pandemia-uma-trilha-de-aprendizagem-usando-metodologias-ativas