Mediação didática lúdica: uma experiência com a produção de desenhos e reutilização de materiais reciclados

Gabriele Marisco

Pós-doutoranda em Educação (UFBA), doutora em Biotecnologia de Recursos Naturais, mestra em Genética e Biologia Molecular (UESC), licenciada em Ciências Biológicas, docente titular (UESB - Câmpus Vitória da Conquista), coordenadora do grupo de pesquisa Estratégias Ativas para o Ensino de Ciências e Saúde

Daiana Kelly Moraes Lisbôa

Licenciada em Ciências Biológicas (UESB), mestranda em Ensino (PPGEn/UESB)

Desde o início da formação da sociedade os humanos interagem com os demais animais. Esta relação proporciona uma série de benefícios quando estabelecida da maneira correta, e muitas pesquisas têm o objetivo de entender as vantagens desta interação (Faraco, 2008). Por sua vez, a escola é um importante local de construção de conhecimentos. Professores e estudantes conscientes de suas responsabilidades ambientais e cientes dos aspectos relacionados à boa interação entre os animais e o humano, podem atuar como multiplicadores de informações para toda a comunidade (Lima Júnior, 2014; Sousa; Guimarães, 2017).

Em decorrência dos avanços tecnológicos e científicos provenientes do último século, as instituições de ensino são desafiadas a proporem estratégias diversificadas, criativas, interativas e colaborativas, a fim de alcançar melhorias nos processos de ensino e aprendizagem. De acordo com Teixeira, Xavier e Cardoso (2020), a escola deve consistir em um espaço que promova a aprendizagem significativa e contextualizada e que estimule descobertas, curiosidades e relações afetivas. As autoras defendem o acesso à cultura, arte, imaginação, autonomia e outras atividades que visem o protagonismo dos atores que compõem o cenário escolar (Teixeira; Xavier; Cardoso, 2020). A ludicidade faz-se muito importante neste contexto.

Para Luckesi (2005), a ludicidade consiste num fenômeno que está intrínseco ao sujeito, e que pode se manifestar exteriormente. Nesta perspectiva, a ludicidade proporciona uma experiência plena para o indivíduo (Luckesi, 2005). Na concepção de Leal e D’Ávila (2013, p. 51), o conceito de ludicidade se articula em três dimensões:

  1. o brincar e, de forma mais ampliada, as atividades lúdicas são criações culturais, são atos sociais, oriundos das relações dos homens entre si na sociedade;
  2. a ludicidade é um estado de ânimo, um estado de espírito que expressa um sentimento de entrega, de inteireza, de vivência plena, e diz respeito à realidade interna do indivíduo;
  3. nesse sentido e pensando a ludicidade como princípio formativo, defendemos a ideia de que as atividades lúdicas se façam presentes na sala de aula como elementos estruturantes do processo de ensinar e desencadeadores de aprendizagens significativas.

Para os autores, uma prática educativa lúdica permite que o exercício docente se torne mais criativo. A mediação de conteúdos consiste no conjunto de ações organizadas por saberes que contribuem para os processos de ensino e aprendizagem de determinadas disciplinas. E D’Ávila (2014, p. 96) aponta:

Ludicidade como princípio organizativo, isto é, estruturador de atividades criativas articuladas aos conteúdos das disciplinas que levam os estudantes a vivenciarem a experiência pedagógica sugerida tanto externa quanto internamente.

Os eixos da mediação didática lúdica são a sensibilidade, a criatividade e a formação, e esta é baseada em uma prática docente permeada por uma linguagem lúdica, a fim de tornar a mediação cognitiva do estudante mais acessível (Mineiro; D’Ávila, 2020). Uma mediação educativa lúdica não se restringe ao desenvolvimento de atividades divertidas, ela propicia uma conexão harmônica e profunda entre o corpo, a mente e as emoções (D’Ávila; Popoff, 2018). Rau (2011) destaca que as experiências lúdicas são impactantes e significativas para o sujeito, pois evidenciam e evocam sentimentos e emoções.

A utilização da arte no ensino é uma maneira de inovar na sala de aula e contribuir para uma aprendizagem lúdica, prazerosa e significativa. Villaça (2014) ressalta que existem diversas linguagens na área das artes, e elenca a dança, o teatro, a música, fotografia, literatura, vídeo, artes plásticas (pintura, escultura etc.), dentre outras. Estas linguagens podem se desdobrar de diferentes formas e estilos, proporcionando inúmeras possibilidades de fazer artes.

Para Rangel e Rojas (2014, p.74), “associar arte e ciência na construção de saberes é o mesmo que associar razão e emoção, objetividade e sensibilidade, lógica, intuição e criação”. Não se pode romper os laços entre arte e ciência, como criações e expressões do ser humano e no mundo. Nesse sentido, para as autoras a arte e ciência se entrelaçam nas manifestações do ato criativo.

Neste contexto é possível destacar a didática sensível, que faz o uso de elementos de práticas lúdicas sensíveis, como sentir, ver, tocar, intuir, imaginar, permitir a visualização e criar, nos processos de ensino e aprendizagem. Para que a mediação didática do docente seja lúdica, não se utilizarão necessariamente jogos e brincadeiras. Uma aula expositiva pode ser lúdica, por exemplo, desde que a exposição do mediador seja criativa e provoque interação e o empenho em aprender. O que caracteriza a docência lúdica é a condição de estar integrado por inteiro à atividade de mediar o conhecimento, associando sensibilidade e razão, com criatividade, a inventividade, e instigando o engajamento, como aponta D’Ávila (2021, no prelo). A aprendizagem criativa por sua vez, está atrelada a um processo educativo que proporciona o protagonismo dos estudantes, permitindo que eles planejem, resolvam e reflitam sobre situações reais, além de se tornarem conscientes da construção dos conhecimentos (Santos; Galembeck, 2017).

A arte promove uma série de potencialidades quando é utilizada como metodologia ou estratégia para abordar assuntos voltados às diferentes disciplinas (Villaça, 2014). A arte como estratégia propicia uma reflexão para o estudante sobre suas percepções acerca de determinados assuntos (Silva; Batista, 2016). No contexto da mediação didática lúdica, os objetivos do trabalho foram conhecer a percepção dos alunos sobre a fauna urbana e sua relação com o humano e discutir a importância do respeito e do cuidado com os animais por meio de estratégias lúdicas e arte.

Procedimentos metodológicos

O presente trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida, localizada no bairro Nossa Senhora Aparecida, em Vitória da Conquista/BA. Os participantes da pesquisa foram 20 estudantes matriculados no 4º ano do Ensino Fundamental.

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, pois envolve seres humanos, suas concepções e perspectivas, e visa responder questões particulares em um nível de realidade que não pode ou que não deveria ser quantificado (Deslandes; Gomes; Minayo, 2009). A execução da pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UESB, sob o Parecer nº 3.668.680/2019.

As atividades aqui descritas são parte de uma sequência de estratégias didáticas sobre o respeito aos animais, que constitui uma pesquisa do tipo intervenção. No primeiro momento, foi realizada uma apresentação sobre a temática fauna urbana e a importância dos cuidados e respeito com os animais.

Em seguida, foi proposta a produção de desenhos individuais, usando como recurso didático cartolinas, lápis de cor, hidrocores e outros materiais que poderiam auxiliá-los. Os desenhos produzidos pelos alunos foram organizados em 3 categorias, de acordo com as ilustrações apresentadas.

Categoria 1: desenhos de animais, humanos, elementos da natureza (sol, grama, árvores, flores etc.) e elementos urbanos (ruas, casas etc.).

Categoria 2: desenhos de animais, elementos da natureza e elementos urbanos.

Categoria 3: desenhos de animais e elementos da natureza (Figura 1).

Figura 1: Descrição das categorias

No segundo momento, os alunos foram organizados em grupos de quatro ou cinco componentes, e cada um produziu animais e utensílios com materiais reciclados. Para esta atividade cada grupo recebeu moldes de desenhos, lápis de cor, rolos de papel higiênico, embalagem de produtos de limpeza, tinta, cola, pincéis, caixas de ovos, garrafas PET, EVA (espuma vinílica acetinada) entre outros materiais.

Apresentação e discussão dos resultados

Com a inspiração dos trabalhos de Barros e Tozoni-Reis (2009), Silva e Leite (2008) e Campos e Batistela (2004), foi proposta a produção de desenhos pelos estudantes, para que eles ilustrassem de preferência, os animais da fauna urbana de seu conhecimento e/ou animais de estimação da família. Araújo e Lacerda (2008) consideram que os desenhos são representações mentais do que a criança tem registrado na memória e do que ela conhece.

Ao longo do primeiro momento (produção de desenhos), foram feitas intervenções sobre a importância de estabelecer os cuidados necessários com os animais e sobre a valorização da fauna urbana que muitas vezes se encontra ameaçada pela sociedade. Foi um momento de reflexão sobre o respeito pelos animais que fazem parte do meio ambiente.

O desenho produzido pela criança envolve sua imaginação, sua percepção e o que ela tem como real. Ao ponderar estes elementos, o desenho é estimado como um objeto que permite a investigação do pensamento da criança (Araújo; Lacerda, 2008). Com base nos desenhos produzidos, foi possível observar que a maioria dos estudantes incluiu os animais como integrantes do ambiente urbano. No total, oito desenhos foram incluídos na Categoria 1, oito desenhos na Categoria 2, e dois desenhos na Categoria 3. A seguir são apresentados e descritos alguns desenhos produzidos pelos estudantes.

No desenho de um dos estudantes (Figura 2) é possível identificar uma grande casa com cores e traços bem definidos, que parece representar o seu lar. Ao lado da casa notam-se quatro humanos, que representam o estudante e sua família. Ele escreve seu nome e de seus familiares (pai, mãe e irmã). Próximo à família, ele desenha os seus animais de estimação e cita o nome de cada um deles (um periquito, dois cachorros e um gato). O estudante complementa o desenho com uma grande árvore, com um sol e nuvens. Ele representou um dia de sol, com ele e sua família, junto com seus animais. Com esse desenho pode-se observar que, na percepção desse aluno, os animais estão próximos à sua família, refletindo a afeição da família em relação aos animais. Por apresentar os animais, os humanos, elementos da natureza e urbanos, este desenho está incluído na categoria 1.

Figura 2: Desenho de um estudante (Categoria 1)

No próximo desenho (Figura 3), produzido por uma estudante, pode-se observar outra percepção sobre os animais. Ela ilustra um ambiente com uma casa, que aparenta ser uma moradia de humanos, e uma pequena casa marrom, que aparenta ser uma casa para animais. Ela ilustra três animais (coelho, gato e cachorro) com seus respectivos nomes, e tamanhos desproporcionais em relação aos tamanhos reais dos animais. É importante ressaltar que ela destaca um inseto (abelha) como sendo um animal da fauna urbana, e demonstra que os outros animais têm uma casa separada da casa dos humanos, refletindo que em sua percepção, os humanos não compartilham a mesma moradia com animais de outra espécie. A estudante complementa a imagem com nuvens e um sol sorridente no céu, que reflete sua imaginação e criatividade. Considerando que o desenho apresenta animais, elementos urbanos e da Natureza, sem a presença de humanos, a ilustração está incluída na Categoria 2.

Figura 3: Desenho de uma estudante (Categoria 2)

No próximo desenho (Figura 4), a estudante ilustrou um ambiente com grama, árvore com frutos, uma flor, e um estabelecimento com o nome “veterinário”, que indica seu desejo de representar uma clínica veterinária. A estudante também representa uma aranha, borboletas, aves, um gato, um cachorro e um tigre, e registra um nome para a maioria deles. A presença do tigre próximo aos outros animais é ecologicamente incomum, visto que se trata de um animal selvagem. Entretanto, na percepção da estudante, todos estão em perfeita harmonia no ambiente ilustrado. Aparentemente, os mamíferos representados estão se deslocando em direção ao veterinário, o que remete a ideia de que os animais precisam de cuidados veterinários, a fim de garantir uma vida saudável. O desenho apresenta animais, elementos urbanos e da Natureza, sem a presença de humanos, por isso está incluso na Categoria 2.

Figura 4: Desenho de uma estudante (Categoria 2)

Na Figura 5, observa-se um ambiente com sol e uma nuvem. Os animais apresentados são um gato e um cachorro com seus respectivos nomes. A estudante representou um cenário que remete a natureza, e não inseriu a figura do humano neste contexto. Este desenho foi inserido na Categoria 3, pois apresenta animais e elementos da natureza.

Figura 5: Desenho de uma estudante (Categoria 3)

Com base nos desenhos apresentados é possível inferir que os estudantes apresentam percepções distintas no que diz respeito à relação entre o humano e os animais, e sobre a fauna urbana. No primeiro desenho (Figura 2), o estudante ilustrou os animais como componentes de sua família, expressando a afetividade que ele e seus familiares nutrem por seus animais de estimação. Nos outros desenhos (Figuras 3, 4 e 5) não foi identificado nenhum humano, por isso nessas ilustrações não ficam evidentes relações entre o humano e os animais. Entretanto, a expressão facial dos animais, o ambiente alegre, o desenho das casas e de uma clínica veterinária para cuidado dos animais, refletem a ideia de bem-estar para os animais.

Por meio da elaboração dos desenhos os estudantes conseguiram expressar suas percepções sobre a fauna urbana e a relação entre humanos e animais. A criança utiliza o desenho como forma de representação. Conforme Araújo; Lacerda (2008), a produção do desenho permite que as crianças materializem registros de sua memória associados à sua imaginação e evidencia sua percepção sobre o que é representado.

“Ao desenhar, a criança define um universo muito próprio, um universo simbólico” (Santos, 2013, p. 74). A produção de desenhos pode ser destacada como uma atividade lúdica, considerando que envolve a arte e a expressão de concepções, sentimentos e emoções intrínsecas ao indivíduo. Como apontam D’Ávila e Popoff (2018), a mediação educativa lúdica proporciona uma conexão entre corpo, mente e emoções. As experiências lúdicas são marcantes para os participantes, pois evocam e trazem à tona sentimentos e emoções, como alegria, ansiedade, companheirismo, entre outras (Rau, 2011).

No segundo momento, com a intenção de que os alunos desenvolvessem sua criatividade e conscientização em relação à reutilização de materiais, os estudantes foram convidados a produzirem utensílios e animais com materiais reciclados. A utilização da reciclagem está presente em diversos trabalhos, como nos de Araújo, Jorge e Pereira (2015) e Nogueira et al.(2015), que abordaram temas como Cidadania e Educação Ambiental, respectivamente. 

Medeiros et al. (2011) descrevem a reciclagem como um conjunto de técnicas desenvolvidas pelo humano com o intuito de aproveitar os restos acumulados pela humanidade, diminuir os acúmulos de lixo e poluição, poupar recursos naturais, gerar renda e movimentar a economia. Para isso, é necessário que o lixo seja coletado e destinado adequadamente, para que possam ser reutilizados como matéria prima para fabricação de produtos novos.

A Figura 6 apresenta as produções feitas pelos alunos utilizando diferentes materiais reciclados; com embalagens de amaciante foram feitos cofrinhos semelhantes a gatos (Figura 6A); com caixa de ovos os alunos fizeram uma lagarta (Figura 6B), que corresponde à fase jovem da borboleta. Com rolos de papel higiênico, EVA e palitos de dente, foram produzidos porta-lápis semelhantes a abelhas, joaninhas e borboletas (Figura 6C), que são insetos que fazem parte da fauna urbana e são muito importantes para a polinização e equilíbrio do ecossistema. Com a utilização de caixas de leite, suco e EVA, foram feitos porta-lápis parecidos com cachorro (Figura 6D) e com fundo de garrafas PET e EVA foram feitas tartarugas para decoração (Figura 6E).

Figura 6: Materiais produzidos pelos estudantes

A partir do desenvolvimento dessa atividade, foi possível observar a participação ativa dos estudantes, associado a uma expressiva emoção de empolgação, pois puderam assumir-se como verdadeiros artistas que estavam produzindo utensílios por meio da reutilização de materiais descartados por outras pessoas. Como afirma Bacelar (2009, p. 75-76):

As atividades de desenho, pintura, a dança espontânea, os jogos protagonizados, são excelentes atividades que, além de expressões da arte, podem ser vivenciadas ludicamente pelas crianças e/ou por elas e o educador concomitantemente. Nesse sentido, a arte pode configurar um meio de expressão e comunicação muito rico para o processo educativo.

Tal como nessa experiência, Nogueira et al. (2015) desenvolveu um trabalho com reciclagem a fim de despertar a consciência dos estudantes, em relação aos impactos de suas ações cotidianas no meio ambiente, e incentivar uma postura reflexiva pautada em valores e atitudes de preservação e sustentabilidade. As autoras afirmam que a escola é um importante local de promoção da educação ambiental, e formação do cidadão para atuar de maneira positiva no contexto social, e destacam que atividades lúdicas contribuem para conscientizar os estudantes a melhorar a qualidade da vida ambiental, como praticantes de bons hábitos e multiplicadores de conhecimento. 

Desenvolver a reciclagem estimula a criatividade e o bom gerenciamento do lixo, além de influenciar no comportamento humano e na cultura.  Ao promover uma aula sobre reciclagem, o educador trabalha em um contexto interdisciplinar que envolve artes, educação ambiental, cidadania, ciências e outras áreas do conhecimento, como apontam Araújo, Jorge e Pereira (2015). Bortoli e Castman (2020) realizaram oficinas de arte com sucata eletrônica com enfoque na reutilização do e-lixo (lixo eletrônico), pautadas na Aprendizagem Criativa, as oficinas incentivaram o trabalho em equipe, socialização e construção de conhecimentos de forma criativa e autônoma.

Ao final da atividade descrita, os estudantes foram convidados para responder um breve questionário, com o objetivo de conhecer a opinião dos alunos sobre as atividades desenvolvidas. Quando questionados sobre a importância do assunto trabalhado, a maioria dos alunos (89%) que participaram dessa pesquisa afirmaram que o assunto é importante e relataram terem gostado das estratégias desenvolvidas. Os resultados obtidos apontam que as estratégias propostas tiveram uma boa aceitação entre os estudantes e contribuíram para a construção do conhecimento sobre o respeito aos animais.

Nesse contexto, pôde-se conhecer a percepção dos estudantes sobre a fauna urbana e a relação entre o humano e os animais, e no decorrer das atividades foi possível estimular a criatividade dos estudantes, a socialização, o diálogo e a troca de experiências sobre o cuidado e o respeito com os animais entre os colegas. Corroborando Mineiro e D'Ávila (2020), a sensibilidade, a criatividade e a formação que permearam esta experiência, caracterizam uma mediação didática lúdica que se baseia em uma prática docente envolvida por uma linguagem lúdica.

Considerações finais

A produção dos desenhos permitiu conhecer a percepção dos estudantes sobre a fauna urbana e sua relação com os animais, pois as ilustrações refletem suas perspectivas e sentimentos com os animais e seu bem-estar. O desenvolvimento dos desenhos permitiu que os estudantes utilizassem recursos simples como folhas de papel, lápis e canetas coloridas, oferecendo autonomia e criatividade individual, elementos que refletem numa aprendizagem significativa.

Associada a isso, a reutilização dos materiais reciclados também estimulou a interação, o diálogo entre os colegas e o desenvolvimento da conscientização ambiental em relação ao reaproveitamento de materiais, com o intuito de criar utensílios semelhantes a animais, que podem ser utilizados para diferentes finalidades.

O desenvolvimento da mediação didática lúdica, explorando a criatividade, a sensibilidade, e o envolvimento da arte no ensino foi estimulante, pois as crianças se divertiram e cultivaram suas habilidades, imaginações e percepções por meio das estratégias propostas.

É importante destacar que desenvolver atividades potencialmente lúdicas é um desafio, pois muitos fatores estão envolvidos, como espaço físico, recursos para materiais didáticos, número de alunos, tempo e planejamento. Entretanto, associar a arte com o ensino em uma perspectiva lúdica é uma possibilidade que proporciona ótimos resultados para reflexão e aprendizagem sobre diferentes temas.

Referências

ARAÚJO, C. C. M.; LACERDA, C. B. F. Examinando o desenho infantil como recurso terapêutico para o desenvolvimento de linguagem de crianças surdas. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, v. 13(2), p. 186-12, 2008.

ARAUJO, M. S. T.; JORGE, D. M.; PEREIRA, T. D. Jogos e brinquedos com sucata: reciclagem. Intraciência Revista Científica, 2015.

AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. v. 1. Lisboa: Plátano, 2000.

BACELAR, V. L. E. Ludicidade e educação infantil. Salvador: EDUFBA, 2009.

BARROS, V. A.; TOZONI-REIS, M. F. C. Reinventando o ambiente: Educação Ambiental na Educação Infantil. Cadernos de Educação, p. 153-182, 2010.

BORTOLI, L. A.; CASTAMAN, A. S. Oficina de arte com sucata eletrônica: uma alternativa para a Educação Ambiental baseada na reutilização e aprendizagem criativa. Remea - Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 37, nº 4, p. 61-80, 2020.

CAMPOS, L.; BATISTELA, M. Ensinar e aprender sobre o comportamento animal na Educação Infantil: a elaboração e produção de materiais didáticos. Botucatu: Instituto de Biociências da Unesp, 2004.

D'ÁVILA, C. M. Didática lúdica: saberes pedagógicos e ludicidade no contexto da educação superior. Revista Entreideias: Educação, Cultura e Sociedade, v. 3, nº 2, 2014.

______. Didática sensível: Contribuição para a Didática na Educação Superior. São Paulo: Cortez, 2021 (no prelo).

______; POPOFF, S. C. A construção do perfil do professor e a mediação didática lúdica no Ensino Fundamental II. Revista Entreideias: Educação, Cultura e Sociedade, v. 7, nº 1, 2018.

DESLANDES, S. F.; GOMES, R.; MINAYO, C. S. M. (Orgs.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 28ª ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

FARACO, C. B. Interação humano-animal. Ciência Veterinária nos Trópicos, v. 11, p. 31-35, 2008.

LEAL, L. A.; D’ÁVILA, C. M. A ludicidade como princípio formativo. Interfaces Científicas – Educação, Aracaju, v. 1, nº 2, p. 41-52, fev. 2013.

LIMA JÚNIOR, A. R. et al. Educação Ambiental e bem-estar animal: atuação de professores da vila florestal em Lagoa Seca/PB. CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2014. Disponível em: http://www.editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/Modalidade_1datahora_14_08_2014_11_07_55_idinscrito _33094_8a5e162a03b5bf93548dc418aad8ef2f.pdf Acesso em: 1 abr. 2019.

LUCKESI, C. C. Ludicidade e atividades lúdicas: uma abordagem a partir da experiência interna. Ludicidade: o que é mesmo isso, p. 22-60, 2005. Disponível em: http://portal.unemat.br/media/files/ludicidade_e_atividades_ludicas.pdf. Acesso em: 15 abr. 2020.

MASETTO, M. T. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo: Summus, 2012.

MEDEIROS, A. B. et al. A Importância da Educação Ambiental na escola nas séries iniciais. Revista Faculdade Montes Belos, v. 4, nº 1, p. 1-17, 2011.

MINEIRO, M.; D’ÁVILA, C. Construindo pontes: a mediação didática lúdica no Ensino Superior. Práxis Educacional, v. 16, nº 37, p. 146-172, jan. 2020.

NOGUEIRA, E. C. et al. Projeto de Educação Ambiental: reciclar brincando. Univap/FCSAC – Curso de Turismo. 2015. Disponível em: http://www. inicepg.univap.br/cd/INIC_2008/anais/arquivosEPG/EPG01428_02_A.pdf. Acesso em: 02 dez. 2019.

PIEDADE, H. M. Caderno de Educação Ambiental: fauna urbana, São Paulo, v. 1, nº 17, 2013.

RANGEL, M.; ROJAS, A. A. Revista Entreideias, Salvador, v. 3, nº 2, p. 73-86, jul./dez. 2014

RAU, M. C. T. D. A ludicidade na educação: uma atitude pedagógica. Curitiba: Ibpex, 2011.

SANTOS, S. Estudo de caso – a interpretação do desenho infantil. Educareducer, ano XV(1), 2013.

SANTOS, V. G.; GALEMBECK, E. Aprendizagem criativa e significativa como estratégias para trabalhar ciências com as crianças: investigar, criar, programar. XI ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS – ENPEC. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – 3 a 6 de julho de 2017.

SILVA, M. M. P.; LEITE, V. D. Estratégias para realização de Educação Ambiental em escolas do Ensino Fundamental. Remea - Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 20, 2008.

SILVA, R. P.; BATISTA, M. S. S. Arte e Educação Ambiental como possibilidades de desenvolvimento da consciência crítica. Educere et Educare, v. 11, nº 22, jul./dez. 2016.

SOUSA, M. C.; GUIMARÃES, A. P. M. O ensino da saúde na educação básica: desafios e possibilidades. XI ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS – ENPEC. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – 3 a 6 de julho de 2017.

TEIXEIRA, M. C. D.; XAVIER, A.; CARDOSO, M. C. Formação docente em rede: o olhar de professores sobre o brincar livre através de dispositivos móveis e novas reconfigurações formativas. Interfaces Científicas – Educação, v. 8, nº 3, p. 113-128, 2020.

VALADARES, J. A teoria da aprendizagem significativa como teoria construtivista. Aprendizagem Significativa em Revista, v. 1, nº 1, p. 36-57, 2011.

VILLAÇA, I. D. C. Arte-educação: a arte como metodologia educativa. Cairu em revista, v. 3(4), 2014.

Publicado em 20 de abril de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

MARISCO, Gabriele; LISBÔA, Daiana Kelly Moraes. Mediação didática lúdica: uma experiência com a produção de desenhos e reutilização de materiais reciclados. Revista Educação Pública, v. 21, nº 14, 20 de abril de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/14/mediacao-didatica-ludica-uma-experiencia-com-a-producao-de-desenhos-e-reutilizacao-de-materiais-reciclados