As tecnologias assistivas como forma de comunicação alternativa para pessoas com transtorno do espectro autista

Fabrício Crispim do Nascimento

Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica (ISEP)

Gardênia Santana das Chagas

Licenciada em Educação Física (UFRN)

Francinaldo Santana das Chagas

Licenciado em Educação Física (UFRN)

Em um mundo cada vez mais tecnológico, em que se objetiva a redução dos esforços de trabalhos manuais e de desgastes físicos e mentais, pensar em mecanismos para redução das dificuldades impostas pelas limitações causadas pelas deficiências que acometem os sujeitos é uma forma de melhorar o mundo e oportunizar que essa melhoria atinja a todos de forma igualitária.

Conhecer as tecnologias assistivas (TA) e especificamente as direcionadas às pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) possibilita a comunicação e, consequentemente, o atendimento, de qualquer natureza às pessoas que portam esse transtorno.

O presente estudo tem como objetivo principal revisar os estudos recentes acerca das tecnologias assistivas; os objetivos específicos são identificar as melhores possibilidades de utilização das tecnologias assistivas para as pessoas com TEA, conhecer as TA para as pessoas com TEA e proporcionar novos conhecimentos sobre as TA para as pessoas com TEA.

As tecnologias assistivas surgiram com o intuito de auxiliar as pessoas com quaisquer tipos de limitações a seguir dignamente suas vidas de forma a reduzir as dificuldades que possam apresentar no curso de suas vidas. E essas tecnologias assistivas podem ser recursos ou serviços, indo desde uma simples muleta até o ensinamento do uso dela por um profissional qualificado; a muleta é um recurso; o ensinamento, um serviço.

Para utilização com pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), as tecnologias assistivas geralmente são da categoria 2, de comunicação aumentativa e alternativa (CAA), devido ao fato de as dificuldades de comunicação serem uma característica do TEA, motivada pelo não desenvolvimento da fala em uma porcentagem considerável de pessoas com esse transtorno.

Este estudo tem relevância acadêmica e social, pois gera novos conhecimentos, a partir dos já existentes, acerca das TA, assim como poderá contribuir com sua leitura para que os profissionais da Educação e da Saúde em geral possam utilizar ferramentas que auxiliem na comunicação com as pessoas com TEA.

Para tanto, a seguir, serão dedicados três subtópicos dentro dos pressupostos teóricos para uma revisão das literaturas atuais que desenvolveram estudos sobre as tecnologias assistivas, sobre as formas de comunicação alternativa para pessoas com TEA e sobre a caracterização do TEA, na perspectiva da pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa.

Pressupostos teóricos

Segue uma revisão da literatura disponível nos repositórios online sobre as tecnologias assistivas, sobre as formas alternativas de comunicação para pessoas com TEA e um estudo sobre o TEA para entendimento das características do transtorno e possibilidades de comunicação.

As tecnologias assistivas

Tecnologia assistiva é um termo ainda muito novo; segundo Silva (2012, p. 36), "pode ser definida como suporte, equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minimizar as dificuldades a que as pessoas com deficiências estão sujeitas".

No Brasil, a sistematização do conceito de TA ainda é muito recente e está em fase de constituição e designa "todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão" (Bersch, 2008, apud Borges, 2015, p. 38).

Diante do excerto, se faz necessário entender o que são esses recursos e serviços para melhor compreensão das tecnologias assistivas. Segundo Bersch (2009, apud Nickel, 2012, p. 47-48),

Recursos: podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas, computadores, softwares e hardwares especiais, que contemplam questões de acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos para mobilidade manual e elétrica, equipamentos de comunicação alternativa, chaves e acionadores especiais, aparelhos de escuta assistida, auxílios visuais, materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente.

Serviços: são aqueles prestados profissionalmente à pessoa com deficiência visando selecionar, obter ou usar um instrumento de tecnologia assistiva. Como exemplo, podemos citar avaliações, experimentação e treinamento de novos equipamentos. Os serviços de tecnologia assistiva são normalmente transdisciplinares, envolvendo profissionais de diversas áreas, tais como: Fisioterapia; Terapia Ocupacional; Fonoaudiologia; Educação; Psicologia; Enfermagem; Medicina; Engenharia; Arquitetura; Design; e técnicos de muitas outras especialidades (Bersch, 2009, apud Nickel, 2012, p. 47-48).

O avanço tecnológico vem facilitando a vida dos humanos e possibilitando sua interação com o mundo à sua volta; logo, se tornou necessário pensar as formas como essa tecnologia poderia ajudar as pessoas com algum tipo de deficiência a ter o mesmo direito de interação; Galvão Filho (2009, p. 115) considera que "os recursos de tecnologia assistiva podem ser situados como mediações instrumentais para a constituição da pessoa com deficiência, como sujeito dos seus processos, a partir da potencialização da sua interação social no mundo".

Segundo Borges (2015, p. 34), "é possível, por meio do desenvolvimento tecnológico, propiciar a esses indivíduos a ampliação funcional de habilidades deficitárias ou a realização de funções almejadas que se encontram impedidas devido à deficiência".

Nos Estados Unidos, existe para as tecnologias assistivas legislação específica que elaborou uma série de categorias e suas devidas especificações, para melhor compreender as necessidades e possibilidades para cada tipo de limitação, como explicitado no Quadro 1.

Quadro 1: Categorias de tecnologias assistivas

Texto preto sobre fundo branco Descrição gerada automaticamente

Fonte: Adaptado de Ada (2010, apud Nickel, 2012, p. 48-50).

As tecnologias assistivas impactam tanto qualitativa como quantitativamente na vida das pessoas com deficiência, como destaca Silva (2012, p. 37):

Assim, a tecnologia assistiva é um recurso que contribui de forma qualitativa, ou quantitativa, às pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, pois promove maior independência pessoal, qualidade de vida, inclusão social, ampliação de comunicação, mobilidade e integração social. (SILVA, 2012, p.37)

A disposição destes recursos e serviços de tecnologia assistiva, de acordo com Filho (2009, p.116), "seria uma maneira concreta de neutralizar as barreiras causadas pela deficiência e inserir esse indivíduo nos ambientes ricos para a aprendizagem e desenvolvimento, proporcionados pela cultura".

Quanto ao cenário político em relação as tecnologias assistivas no Brasil, Bersch (2009, p.50) destaca que,

para a atual política, a intervenção em tecnologia assistiva se faz pela prática do atendimento educacional especializado, não se restringindo aos recursos tecnológicos em si, mas implicando uma ação educacional que promove a autonomia, a independência no exercício de atividades e a inclusão dos alunos com deficiência (Bersch, 2009, p. 50).

Tal concepção é importante de ser destacada, pois o termo tecnologia assistiva pode confundir os profissionais, conduzindo-os ao erro de enxergar o termo como tecnologias digitais.

As tecnologias assistivas na escola servem para os alunos com quaisquer necessidades educativas especiais, assim como aos professores que atuam no AEE e nas salas de aula regulares. De acordo com Fogarolo (2009, apud Bersch, 2009, p. 50), "ao aluno elas servirão como recurso específico, como ferramenta compensativa, ferramenta de acesso, como mediador de comunicação e facilitador. Para o professor, será um suporte didático e uma ferramenta para produção de material formativo que servirá às necessidades de seu aluno".

Ainda no contexto da Educação, Seeger (2019, p. 41) destaca que "as tecnologias assistivas na educação se referem à igualdade de oportunidades para aprender e à escolarização, independente das diferenças sociais, intelectuais, físicas, sensoriais, motoras, entre outras"; ou seja, é a garantia do direito à educação.

Comunicação alternativa para pessoas com TEA

Como exposto na Tabela 1, a categoria 2 diz respeito à comunicação alternativa; segundo Franco (2014, p. 20), "a área da tecnologia assistiva que se dedica especialmente à ampliação de habilidades de comunicação é denominada comunicação aumentativa e alternativa (CAA)".

A dedicação a essa área de estudos se deu desde o final da década de 1950, conforme explicita Lima (2008, p. 18): "no final da década de 50, início da década de 60 surgiu a necessidade de aprimorar a eficiência do atendimento a pacientes que, apesar de frequentarem terapia fonoaudiológica, não desenvolviam suas habilidades comunicativas".

Para vários autores (Thiers, 1995; Almirall, 2001; Von Tetzcnher, 2000; Manzini, 2001 e Drager et al., 2003), segundo Sameshima (2011, p. 19), "a comunicação suplementar e alternativa é uma área que tem por objetivo substituir e/ou desenvolver habilidades de comunicação de maneira permanente ou temporária".

Uma das formas de comunicação alternativa mais utilizadas na atualidade é a Pictográfica, descrita por Silveira (1996, p. 25) da seguinte forma:

    • Pictográficos, em que sua representação é muito próxima da realidade, com o uso de desenhos mais ou menos realistas e fotos. Esse seu alto grau de iconicidade (representação bem perto da realidade) torna fácil seu aprendizado e memorização. Sua desvantagem é a pouca flexibilidade na criação de novos significados, a partir da combinação de seus símbolos (Silveira, 1996, p. 25).

Essa forma de comunicação alternativa utiliza pranchas de comunicação alternativa, que podem ser de baixa e de alta tecnologia, como mostra a Figura 1.

Figura 1: Pranchas de comunicação alternativa
Fonte: Franco (2014, p. 21).

As diferenças entre as pranchas de comunicação alternativa de baixa tecnologia e as de alta tecnologia são descritas por Zaporoszenko e Alencar (2008, apud Avila, 2011, p. 51): como "exemplo de baixa tecnologia, têm-se os signos gráficos que constituem as pranchas de comunicação em papel. Já os recursos de alta tecnologia são aqueles mediados por artefatos tecnológicos computadorizados". A estrutura dependerá da possibilidade financeira de cada indivíduo.

Para entender como se dá o uso das pranchas de comunicação alternativa, Avila (2011, p. 53) descreve o processo da seguinte forma:

O processo de comunicação por meio de pranchas consiste em apontar para aquilo que se deseja expressar, comunicando através das imagens, palavras contidas na prancha, ou até mesmo formando palavras a partir do alfabeto, no caso de sujeitos letrados ou em processo de letramento. O ato de apontar pode variar segundo o grau de comprometimento motor do usuário da prancha. Em alguns casos utiliza-se CAA aliada a outras tecnologias assistivas, como apontadores, vocalizadores etc. (Avila, 2011, p. 53).

Os sistemas de CAA são os mais diversos, como: Sistema de Símbolos Bliss; Peabody Rebus Reading Program – Sistema Rebus; Pictogram Ideogram Communication System – PIC; Picture Communication Symbols – PCS. Conforme destaca Lima (2008, p.19), "cada sistema de comunicação alternativa/ampliada atende uma clientela específica".

É importante destacar uma diferença básica do termo comunicação aumentativa e alternativa: a comunicação aumentativa se dá pela necessidade de ampliar as possibilidades de comunicação; a comunicação alternativa deve ser ensinada e/ou disponibilizada quando as formas tradicionais de comunicação estão comprometidas, sendo necessário criar alternativas para que a comunicação ocorra.

Para trabalhar os símbolos gráficos com indivíduos que não possuem recursos financeiros favoráveis, se faz necessária a criatividade do profissional para confeccionar material similar às pranchas de CAA.

É importante salientar que as pranchas não são o único recurso para se trabalhar com símbolos gráficos: podem ser confeccionados também cartões de comunicação, agendas, álbuns de fotografias e tantos outros acessórios que venham a se adequar ao contexto comunicacional do sujeito (Avila, 2011, p. 53).

Vale frisar que a CAA não se dá apenas através das PCA, conforme expressam Glennen (1997) e Nunes (2003a), conforme Sameshima (2011, p. 20):

A comunicação alternativa inclui o uso de gestos manuais, expressões faciais e corporais, símbolos gráficos como fotografias, desenhos, figuras e alfabeto, assim como computadores, vocalizadores de voz digitalizada ou sintetizada, como meios de efetuar a comunicação face a face de indivíduos incapazes de usar a linguagem oral.

Ou seja, todas as formas de comunicação que se pode utilizar para aproximar os indivíduos do que desejam expressar são consideradas CAA.

Uma forma de comunicação alternativa para pessoas com transtorno do espectro autista é o uso do PECS (Picture Exchange Communication System), em que se utilizam as trocas de figuras para indicar o que se deseja, como observado na Figura 2.

Figura 2: PECS (Picture Exchange Communication System)
Fonte: https://www.climabajio.org/post/m%C3%A9todo-pecs

Quando se trata de pessoas com TEA, esse método deve respeitar algumas fases durante seu aprendizado, conforme explicitam Bondy e Frost (2001, apud Mizael; Aiello, 2013, p. 624):

1) Fazer pedidos através da troca de figuras pelos itens desejados; 2) Ir até a tábua de comunicação, apanhar uma figura, ir a um adulto e entregá-la em sua mão; 3) Discriminar entre as figuras; 4) Solicitar itens utilizando várias palavras em frases simples, fixadas na tábua de comunicação; 5) Responder à pergunta "o que você quer?"; 6) Emitir comentários espontâneos.

Os profissionais que atendem a pessoas com TEA necessitam aprender as formas de CAA, pois, segundo Walter (2007 apud Mizael; Aiello, 2013, p.624), "70 a 80% dos indivíduos autistas não demonstram qualquer tipo de comunicação verbal ou fala com funções comunicativas"; portanto, o aprendizado das ferramentas disponíveis para se comunicar com essas pessoas se mostra imprescindível.

Caracterização do TEA

De acordo com a APA (2014, apud Vieira; Baldin, 2017, p. 1),

o transtorno do espectro autista é uma desordem do neurodesenvolvimento com início precoce e curso crônico, não degenerativo. De etiologia ainda desconhecida, o TEA abrange prejuízos na interação social, alterações importantes na comunicação verbal e não verbal e padrões limitados ou estereotipados de comportamentos e interesses, dentre outros sinais e sintomas.

O TEA é caracterizado por desconformidades do indivíduo e sua interação social, pela dificuldade no uso da linguagem e por padrões estereotipados de comportamentos, conforme mencionado por Vieira e Baldin (2017, p. 2):

o transtorno do espectro autista é uma síndrome de início precoce, caracterizada por alterações marcantes no desenvolvimento da linguagem e da interação social. Há também a presença de comportamentos estereotipados e repetitivos, rituais, alterações sensoriais e interesses restritos. Essas características são essenciais para que ocorra o diagnóstico e estão presentes em todos os indivíduos com o transtorno, em maior ou menor grau.

Segundo Bó (2019, p. 17), "a gravidade do transtorno do espectro autista é determinada pelos prejuízos na comunicação social e nos padrões restritos e repetitivos do comportamento e podem variar com o contexto ou oscilar com o tempo", conforme veremos no Quadro 2.

Quadro 2: Níveis de gravidade para transtorno do espectro autista

Tela de celular com texto preto sobre fundo branco Descrição gerada automaticamente

Fonte: Adaptado de Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5.

Algumas características comportamentais são comuns em todos os níveis do TEA, como destaca Santos (2015, apud Lima, 2019, p.17):

Com grande frequência, essas crianças também possuem comprometimentos comportamentais, a exemplo da hiperatividade ou passividade incomum, resistência para mudanças de ambientes, execução de atividades repetitivas, estereotipias motoras, episódios de nervosismo ou risos sem causa aparente, agitação psicomotora, capacidade de atenção e concentração restritas, além de capacidade de manter a atenção restrita a partes específicas, ao invés do todo, atitudes impulsivas, agressivas, autodestrutivas e perturbadoras.

A fala com dificuldade ou a ausência total dela é uma das características que se notam desde muito cedo e compromete a vida social da pessoa com autismo, dificultando o processo educacional dela e sua inserção no mercado de trabalho.

É possível também ocorrer variação quanto às alterações de linguagem compatíveis, associadas com o grau de severidade do quadro clínico, ocorrendo situações de crianças serem desprovidas de linguagem oral, não terem necessidade de se comunicar ou apresentarem "atipicidades, como ecolalia, inversão pronominal e dificuldades na prosódia" (Gomes; Nunes, 2014, apud Lima, 2019, p. 18).

Uma característica do TEA é sua incidência ser maior entre os meninos, conforme mencionam Vieira e Baldin (2017, p. 3), "afetando cerca de quatro meninos para cada menina acometida", mas também vale destacar que "casos de autismo em meninas costumam ser mais graves, comprometedores e incapacitantes"; portanto, tal situação explica o fato relatado por Sigman e Capps (1997, apud Bó, 2019, p. 18), quando descobrem que, entre as pessoas com autismo, "os meninos apresentam melhor desempenho com relação ao quociente de inteligência".

Metodologia

Gerhardt e Silveira (2009, p. 31), destacam que "a pesquisa é um processo permanentemente inacabado. Processa-se por meio de aproximações sucessivas da realidade, fornecendo-nos subsídios para uma intervenção no real". Este estudo contou com uma pesquisa do tipo bibliográfica, que buscou reunir o mais atualizado acervo de teses e dissertações e de artigos científicos publicados nos repositórios institucionais por todo o país relacionados ou correlacionados à temática cerne.

A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc. até meios de comunicação orais: rádio, gravações em fita magnética e audiovisuais: filmes e televisão. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas, quer gravadas (Marconi; Lakatos, 2003, p. 183).

Este estudo conta com a pesquisa de natureza qualitativa, que, segundo Gerhardt e Silveira (2009, p. 31), "não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização etc.". Para Gerhardt e Silveira (2009, p. 32),

os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito, mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não métricos (suscitados e de interação) e se valem de diferentes abordagens.

A base para a reunião do acervo utilizado para a construção deste estudo se deu na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, e os filtros utilizados possibilitaram a reunião de produções atuais sobre as tecnologias assistivas e sobre as formas de comunicação alternativa e para caracterização do TEA.

Considerações finais

As tecnologias assistivas servem para auxiliar as pessoas com deficiências a superar as dificuldades do dia a dia. Podem ser recursos como equipamentos – um exemplo são as PCA –, mas também podem ser serviços, como os prestados pelos profissionais, para ensinar o uso dos instrumentos de TA.

Nos EUA, a legislação específica para TA regulamentou 11 categorias. Todas essas TA impactam diretamente a vida das pessoas que dependem delas para uma vida com menos dificuldades. A categoria 2, CAA (CSA) comunicação aumentativa (suplementar) e alternativa, é muito comumente utilizada por pessoas com TEA, que tem como objetivo facilitar a comunicação, haja vista que essa é uma característica muito comum em pessoas com TEA, a dificuldade em desenvolver a fala.

A TA de CAA muito comumente utilizada com pessoas com TEA são as PCA, tanto as de baixa quanto as de alta tecnologia, que se dá pela troca de cartões que informam o que se deseja.

Quanto às características do TEA, sabe-se que existem três níveis de gravidade, que exigem diferentes níveis de apoio. O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que compromete a interação social e a fala e gera estereotipias comportamentais.

A partir deste estudo, é possível inferir que as tecnologias assistivas de comunicação alternativa são excelentes mecanismos para contornar as dificuldades de comunicação enfrentados por pessoas que apresentam as características do TEA e para as pessoas com TEA.

Referências

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Publicado em 04 de maio de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

NASCIMENTO, Fabrício Crispim do; CHAGAS, Gardênia Santana das; CHAGAS, Francinaldo Santana das. As tecnologias assistivas como forma de comunicação alternativa para pessoas com transtorno do espectro autista. Revista Educação Pública, v. 21, nº 16, 4 de maio de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/16/as-tecnologias-assistivas-como-forma-de-comunicacao-alternativa-para-pessoas-com-transtorno-do-espectro-autista