Google Lens como ferramenta de aprendizagem em Matemática

Gregson Barros da Silva

Professor, especialista em Ensino da Matemática (Projeto Fundão – UFRJ)

A sociedade contemporânea passa por processos dinâmicos em sua estrutura formativa. Sabemos que os mecanismos de funcionamento tecnológicos ou as TDIC (tecnologias digitais de informação e comunicação) vieram para ficar. A exemplo disso, percebemos que hoje não vivemos sem os aplicativos (apps) que auxiliam nos afazeres diários, como os aplicativos de bancos, que permitem que realizemos transações (Bacich e col., 2015, p. 14-17), como pagamentos de boletos, somente apontando a câmera do smartphone para o código de barras. E só de pensar que algumas décadas atrás todo procedimento era realizado no papel e as informações quase não se cruzavam... Estamos certos de que a tecnologia veio para ocupar espaço e facilitar todos os setores da nossa vida. E por que seria diferente na educação e com o processo de ensino?

Observamos cada vez mais a tendência de inserção de metodologias ativas de ensino alinhadas com as novas tecnologias e discentes que têm acesso ao conhecimento na palma da mão, podendo consultar em tempo real informações quando antes eram necessárias idas a bibliotecas e consultas às imensas enciclopédias. Quem lembra delas? 

Desse modo, para acompanhar toda esta nova metodologia, as propostas de trabalho que coloquem o aluno como protagonista do processo de aprendizagem têm ganhado força, seja pelo ensino híbrido, pela sala de aula invertida ou por projetos problematizados em grupos em sala de aula.

Segundo Valente (1999, p. 32), "a educação é um serviço e, como tal, sofre e se adéqua às concepções paradigmáticas que vive a sociedade. Portanto, ela passa pelas mesmas transformações que outros segmentos da sociedade passam". Nesse sentido, a educação começa a seguir essa tendência mediante o uso das tecnologias digitais, permitindo que os alunos deixem de ser meros receptores de informação e passem a ser participantes ativos do seu aprendizado; isso implica ser capaz de saber pensar, criar, aprender a aprender, tomar decisões e buscar soluções para resoluções de problemas, enquanto permite que o papel do professor deixe de ser o de simples entregador de informação para ser o de colaborador, facilitador, supervisor e consultor do aluno nessa nova concepção de construção do conhecimento (Valente, 1999).

Com o advento da pandemia, em 2020, a mudança para o ensino remoto veio ajudar nessa travessia de professores e alunos para um novo processo de aprender e ensinar. Percebendo a necessidade de adaptação à nova realidade, utilizei com meus alunos da 1ª série do Ensino Médio várias ferramentas de aprendizagem gratuitas para abordar conteúdos matemáticos, entre elas o Google Lens.

Para quem não sabe, esse aplicativo é uma ferramenta utilizada para reconhecer objetos físicos e lugares, escanear textos e buscar produtos em lojas online, a partir da câmera do seu celular. Recentemente, a ferramenta foi atualizada com um botão chamado "Dever de casa" (Figura 1), que permite que, ao posicionar o celular sobre alguma atividade, seja possível a busca por textos e soluções do problema.


Figura 1: Print de tela do smartphone

A proposta de uso desta ferramenta foi revisar os conteúdos que os alunos aprenderam através de um roteiro de aula que seguiram por meio de formulários eletrônicos, videoaulas e sugestões de leituras, sob mentoria docente. Durante a penúltima etapa, antes do feedback, realizaram listas de exercícios (ou deveres de casa) e usavam como ferramenta de suporte o Google Lens para obter ajuda; a pesquisa os conectava com possíveis explicações, com uma análise do passo a passo das situações-problema ou até mesmo com explicações sobre propriedades importantes da habilidade e competência matemática que era proposta naquele instante. Outra funcionalidade bacana dessa ferramenta é que ela democratiza a explicação com o passo a passo sem dar o resultado final, como é visto no exemplo a seguir.

Resolva a equação x2 - 12x + 35 = 0 e esboce seu gráfico.


Figura 2: Focando no título da atividade


Figura 3: Sugestões de estudo

Além disso, o uso da ferramenta durante as aulas remotas pode colaborar com os pais, que muitas vezes não sabem como auxiliar seus filhos nas explicações. Muitos responsáveis também relataram que o uso do app auxiliou seus filhos a entender alguns processos na solução dos exercícios matemáticos.

Referências

ANDRADE, M. C. F de; SOUZA, P. F. de. Modelos de rotação do ensino híbrido: estações de trabalho e sala de aula invertida. E-Tech: Tecnologias para Competitividade Industrial, Florianópolis, v. 9, nº 1, 2016.

BACICH, Lilian; TANZI NETO, Adolfo; TREVISANI, Fernando de Mello. Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

BERBEL, Neusi; NAVAS, Aparecida. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, v. 32, nº 1, p. 25-40, 2011.

BERGMANN, J.; SAMS, A. Sala de Aula Invertida – uma metodologia ativa de aprendizagem. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2016.

CHRISTENSEN, Clayton; HORN, Michael B.; STAKER, Heather. Ensino híbrido: uma inovação disruptiva? Uma introdução à teoria dos híbridos. E-book. Disponível em: https://goo.gl/Emk2nQ> Acesso em: 22 dez. 2020.

VALENTE, José Armando. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de aula invertida. Educar em Revista, p. 79-97, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/er/nspe4/0101-4358-er-esp-04-00079.pdf. Acesso em: 22 dez. 2020.

Publicado em 04 de maio de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

SILVA, Gregson Barros da. Google Lens como ferramenta de aprendizagem em Matemática. Revista Educação Pública, v. 21, nº 16, 4 de maio de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/16/google-lens-como-ferramenta-de-aprendizagem-em-matematica