O autista com dificuldade de leitura e escrita - métodos de aprendizagem

José Clécio Silva de Souza

Graduado em Matemática (Uninter)

Décio Oliveira dos Santos

Graduado em Matemática (Uninter)

Desde o primeiro instante de vida do ser humano há a necessidade de interação com o mundo. Logo no útero, estabelecem-se formas de comunicação únicas entre a mãe e o filho. Os primeiros sons, os primeiros gestos, as primeiras palavras, os primeiros rabiscos, os primeiros silêncios. Tudo é comunicação.

Porém existem crianças que desenvolvem formas de comunicação com o exterior completamente ininteligíveis. São indivíduos que não brincam, não se relacionam com as pessoas, revelando inabilidade para comunicar-se e exprimir suas emoções, não se aventuram na descoberta do mundo ao seu redor, preferindo isolar-se. Nesse caso, pode-se estar diante de um caso de autismo infantil. O autismo é definido como um transtorno do desenvolvimento que se manifesta geralmente antes dos três anos de idade, comprometendo todo o desenvolvimento psiconeurológico, afetando a comunicação, a interação social e o comportamento da criança.

A escola tem importante papel na investigação diagnóstica, sendo o primeiro lugar de interação social da criança separada de seus familiares, ambiente onde a criança vai ter maior dificuldade em adaptar-se às regras sociais, tarefa considerada muito difícil para o autista.

A interação da escola e família, nesse contexto, constitui elemento de suma importância para o desenvolvimento da criança autista, com currículos de atividades direcionadas para a singularidade do aspecto autístico, executando rotinas  específicas para ambos os ambientes.

Entretanto, a escola e a família precisam ser concordes nas ações e nas intervenções da aprendizagem, principalmente porque há grande suporte na educação comportamental. Isso significa dizer que a maneira como o autista come, veste-se, banha-se, escova os dentes, manuseia objetos e os diversos estímulos que recebe para o seu contato social precisa ser consoantes nos dois ambientes (Cunha, 2011, p. 89).

Este estudo objetiva abordar o conceito e características do autista; demonstrar a possibilidade de poder relacionar-se com a sociedade e ter potencial para aprender; levar o conhecimento sobre autismo ao maior número possível de profissionais envolvidos na Educação; permitir o conhecimento de metodologias utilizadas no ensino de uma criança autista.

Assim sendo, a escolha do tema se caracteriza pela análise de teorias que transmitem conhecimento e informações a respeito do autismo e suas particularidades, oferecendo suporte ao educador em suas relações com os autistas. Os professores, vistos como mediadores da transmissão do conhecimento, necessitam de maior aprofundamento das questões que dizem respeito a esses alunos, que, apesar de apresentarem distúrbios, podem desenvolver muitas habilidades quando conduzidos por uma intervenção adequada.

Desenvolvimento

O autismo constitui uma desordem global do desenvolvimento que envolve o comprometimento na comunicação, na interação social e na execução de atividades repetitivas, prejudicando o pensamento abstrato, os jogos imaginários e a simbolização. Esse tipo de transtorno possui diferentes níveis de gravidade e pode ser tratado, desde que diagnosticado, ainda na infância, quando os primeiros sintomas começam a ficar evidentes em comportamentos externos do individuo, que pode apresentar convulsões associadas a problemas neurológicos e neuroquímicos.

Estudos demonstram que a criança autista cria forma própria de relacionamento com o mundo exterior, isolando-se de tudo. Isso a leva a deter-se em detalhes específicos e em rotinas que lhe dão segurança, passando a ter uma relação singular com o mundo exterior. Assim, não interage com pessoas nem manipula objetos adequadamente, gerando problemas na cognição, com reflexos na fala, na escrita e em outras áreas. Para a criança autista, as informações adquiridas nem sempre geram conhecimento; os objetos não atraem por sua função e sim pelo estimulo promovido por eles.

Uma criança autista prefere estar só, não forma relações pessoais íntimas, não abraça, evita contato de olho, resiste às mudanças, sendo excessivamente presa a objetos familiares e repete certos atos e rituais. Ela pode começar a falar depois de outras crianças da mesma idade, usar o idioma de um modo estranho ou não conseguir – por não poder ou não querer – falar. Quando alguém fala com a criança, ela em alguns momentos tem dificuldade em entender o que foi dito, podendo repetir as palavras que são ditas e inverter o uso normal de pronomes, principalmente usando o tu em vez dos pronomes eu ou mim ao se referir a si própria.

Alguns aspectos a serem observados em crianças ou jovens autistas podem ser elencados como dificuldade em juntar-se com outras pessoas, insistência com gestos idênticos, resistência a mudar de rotina, risos e sorrisos inapropriados, não temer os perigos, pouco contato visual, pequena resposta aos métodos normais de ensino, brincadeiras muitas vezes interrompidas, aparente insensibilidade à dor, ecolalia (repetição de palavras ou frases), preferência por estar só; conduta reservada; pode não querer abraços de carinho ou pode aconchegar-se carinhosamente. O autista faz girar os objetos, aparenta angústia sem razão aparente, não responde às ordens verbais; atua como se fosse surdo, tem apego inapropriado a objetos, habilidades motoras e atividades motoras finas desiguais e dificuldade de expressar suas necessidades. Emprega gestos ou sinais para os objetos no lugar de dizer palavras.

Esses aspectos podem não se encaixar necessariamente em uma criança por existirem níveis diferenciados de autismo, que é diagnosticado em gradações como leve, moderado e grave.

A educação e o acompanhamento adequados para as crianças autistas englobam um trabalho multidisciplinar de médicos, fonoaudiólogos, terapeutas, psicólogos e professores apoiados pelos familiares, objetivando alcançar o desenvolvimento integral do individuo, tornando-o apto para viver em sociedade de forma autônoma.

O processo de aprendizagem da criança autista deve ocorrer em duas etapas: na primeira, necessita de um trabalho individualizado, utilizando a sala de recursos como suporte para o desenvolvimento de habilidades especificas, enfatizando a mudança de alguns comportamentos e aprendizado quanto às formas de comunicação e interação. Em seguida é importante trabalhar a socialização com a vivência em sala de aula regular, sendo fundamental para a interação e convívio social. Cabe ao professor uma postura investigativa, afetiva e mediadora, tendo a compreensão das necessidades e dificuldades do seu aluno, levando-o a desenvolver habilidades e competências por meio de atividades de caráter terapêutico, afetivo, social e pedagógico.

Segundo Cunha (2011, p. 66), “na exploração do concreto e do sensorial, os materiais outorgam ao aprendente a possibilidade de descobrir, conceito de linguagem, Matemática, Geometria e de exercitar rotinas da vida prática”; sendo assim, o espaço escolar precisa ser um ambiente pedagógico e lúdico com jogos de encaixe de diferentes espessuras, tamanhos e peso, livros de histórias com direcionamentos claros e objetivos, para que, ao ser explorado pelo aluno autista, este consiga descobrir a função e o manuseio adequado de cada objeto.

São utilizados atualmente métodos específicos para trabalhar a aprendizagem e autonomia de crianças autistas, devendo ser conhecidos pelos docentes. Dentre os métodos especificados por Eugênio Cunha, Chris Williams e Barry Wright destacam- se:

  • Tratamento e educação para autistas e crianças com déficits relacionados com a comunicação (Treatment and education of autisticand related communication handicapped children – TEACCH) – Este método utiliza uma avaliação chamada perfil psicoeducacional revisado (PEP-R), sendo um tratamento e uma educação para autistas e crianças com distúrbios referentes à comunicação. Baseia-se na organização do ambiente físico através de rotinas – organizadas em quadros, painéis ou agendas – e sistemas de trabalho, de forma a adaptar o ambiente para tornar mais fácil para a criança compreendê-lo, não permitindo ansiedade. O TEACCH, por um programa individualizado, leva em conta os pontos fortes e maiores dificuldades do indivíduo, visando desenvolver sua independência.
  • Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis – ABA) – O tratamento comportamental analítico do autismo visa ensinar à criança habilidades que não possui, pela introdução dessas habilidades por etapas. Cada habilidade é ensinada em geral em esquema individual, inicialmente apresentando-a associada a uma indicação ou instrução. Considera-se a repetição um ponto importante nesse tipo de abordagem, assim como o registro exaustivo de todas as tentativas e seus resultados.
  • Sistema de comunicação através da troca de figuras (Picture Exchange Communication System - PECS) – Esse sistema é utilizado primeiramente com indivíduos que não se comunicam ou que possuem comunicação, mas a utilizam com baixa eficiência. O PECS visa ajudar a criança a perceber que através da comunicação ela pode conseguir muito mais rapidamente as coisas que deseja, estimulando-a a comunicar-se e a diminuir drasticamente problemas de conduta.

Há também o método montessoriano, que tem alcançado resultados mais significativos no ensino de crianças autistas no ambiente escolar, sendo utilizado pelo autor Eugenio Cunha em sua atuação como educador, fazendo uma abordagem clara sobre o assunto em seu livro Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade. Esse método apoia-se em uma série de materiais didáticos organizados em cinco grupos: material de exercícios para a vida cotidiana; material sensorial; de linguagem; de matemática; e de ciências. Ao mesmo tempo que avalia a criança, é iniciado o trabalho sensorial, ao ritmo dela. O objetivo principal é mostrar a ela como chegar a determinada conclusão, fazê-la entender o porquê das coisas, as razões pelas quais, por exemplo, 2 x 2 = 4. A criatividade da criança autista é extremamente estimulada, com a utilização de materiais didáticos próprios e com turmas de alunos reduzidas.

Reportando-nos aos aspectos históricos de resolutividade diante dos casos de autismo, pode-se destacar um estudo de caso ocorrido no início da década de 1970 nos EUA, com a criação do Programa Son-Rise pelo casal Barry e Samahria Kaufman, na tentativa de ajudar seu filho, diagnosticado com autismo severo. O programa é centrado no indivíduo autista. Inicia-se uma profunda compreensão e apreciação da pessoa autista, como ela se comporta, interage e se comunica, assim como seus interesses. Oferece uma abordagem prática e abrangente para inspirar a pessoa com autismo a participar espontaneamente de interações divertidas e dinâmicas com outras pessoas, tornando-se aberta, receptiva e motivada para aprender novas habilidades e informações, oferecendo assim três técnicas simples:

  • 1ª técnica – passar 30 minutos por dia com uma criança autista em um quarto, com pouca distração visual e auditiva, tendo como acompanhamento uma caixa de brinquedo, aumentando aos poucos a permanência no ambiente;
  • 2ª técnica – junte-se a essa criança, fazendo exatamente o que ela está fazendo, concentrando-se em se divertir nesse momento “no mundo dela”; se a criança, por exemplo, estiver correndo de um lado para o outro, o adulto deve fazer o mesmo; e
  • 3ª técnica – O adulto deve concentrar-se no contato visual com a criança autista: quanto mais ela olhar, mais aprenderá e aumentará o contato visual. Nesse momento deve se entusiasmar e agradecer pelo contato visual, em outros deve tornar seu rosto mais interessante com uso de chapéus, óculos divertidos, adesivos, pinturas etc. É importante se posicionar no nível ou abaixo dos olhos da criança autista, tornando mais fácil para ela dirigir-lhe o olhar.

Os métodos TEACCH e ABA são os que sofrem críticas, por sua metodologia mecânica de ensinar, sendo muitas das vezes entendidos como um processo de robotização das crianças, além de serem caros e precisar de profissionais devidamente capacitados para o ensino específico. Na verdade, esses métodos buscam a independência e autonomia o mais cedo possível dos indivíduos autistas.

O método PECS é bem aceito por se tratar de materiais de fácil aquisição e aplicação, não necessitando de profissionais especializados para tal. Porém nas residências das crianças autistas recomenda-se a utilização do Programa Son-Rise, em que os pais aprendem a interagir de forma prazerosa, divertida e entusiasmada com as crianças, encorajando-as a altos níveis de desenvolvimento social, emocional e cognitivo.

Em relação aos métodos mencionados, Cunha (2011) enfatiza que o uso ideal dessas técnicas, mais uma vez, dependerá da sensibilidade do educador. Como já falamos, o período de concentração de uma criança com autismo é muito pequeno, e é muito difícil ela se dispor a fazer o que não quer. Ainda que fique apenas durante um minuto trabalhando, será preciso paciência e perseverança para repetir as atividades quantas vezes forem necessárias, porque, aos poucos, o tempo de trabalho aumentará (Cunha, 2011, p. 72).

A abordagem pedagógica deve libertar a criança autista das limitações comportamentais, sendo fundamental que o ser humano passe a ser o centro da educação e da prática pedagógica rica em experiências educativas, proporcionando ao aluno autonomia e identidade.

A paciência e a espera são virtudes fundamentais no processo de ensino- aprendizagem da criança autista; portanto, o foco da educação escolar deve estar no processo de aprendizagem e não nos resultados apresentados, os quais podem ocorrer de forma mais lenta que o esperado. Cabe ao educador considerar a carga afetiva do aluno e aquilo que possui significado para ele. Deve atrair o olhar da criança para si, tendo que se posicionar na mesma altura dela, olhando-a nos olhos e atraindo sua atenção.

No cotidiano da criança autista, pela observação e o estímulo constante e direcionado, o professor precisa detectar quais objetos e atividades são mais atrativos ao aluno, fazendo uso deles nas tarefas, conduzindo-o à aprendizagem sobre a função de cada objeto e seu manuseio adequado, fato que proporcionará a construção do conhecimento, conduzindo a um desenvolvimento significativo para a vida pessoal e social da pessoa autista.

A aprendizagem deve ocorrer tanto na sala de recursos como na regular, favorecendo a sociabilidade, com atividades lúdicas e agradáveis, de maneira repetitiva, aproveitando os poucos momentos de concentração do aluno autista.

Normalmente, a criança autista irrita-se com facilidade quando não compreendida ao tentar se expressar, demonstrando ansiedade por não saber a sequência de rotinas que deve seguir. Para evitar esses momentos, o professor deve utilizar alguns recursos como sequências visuais de rotina; dar um tempo ao aluno para ir a um lugar tranquilo; e usar música, caso esse estímulo não desagrade a criança. Alguns hábitos e rituais devem ser permitidos, se não forem prejudiciais a ela, se forem reconfortantes para o aluno em questão.

Diante desse universo, as crianças autistas têm suas descobertas de mundo influenciadas pelas sensações com pouca interferência da compreensão. Portanto, ao estimular a percepção de uma criança autista o profissional irá ajudá-la no desenvolvimento de abstrações, pensamentos e ideias, tendo que compreender alguns aspectos para melhorar o aproveitamento das propostas pedagógicas; dentre eles podem ser evidenciados:

  • a capacidade sensorial, englobando a sensibilidade auditiva: os autistas, muitas vezes, não suportam barulho ou são atraídos por ruídos, sendo necessário falar baixo e manter o ambiente o mais equilibrado possível;
  • a percepção tátil: a criança autista tem grande interesse em tocar objetos e coloca-los em contato com a pele, cabendo ao professor mediar a realização de descobertas através de matérias de desenvolvimento ou brinquedos pedagógicos;
  • o campo visual: por ficarem presos à observação de um pequeno detalhe no ambiente, os autistas não atentam para o todo, precisando o professor constantemente mostrar os objetos e dizendo seus nomes, além de conduzir seu olhar para a tarefa que a criança está realizando;
  • a capacidade espacial em que as atividades devem ser focadas, trabalhando a inteligência espacial, quanto à lateralidade e ao direcionamento, explorando todo o espaço do ambiente, levando o aluno autista a participar de tarefas e brincadeiras em conjunto com os demais;
  • a capacidade de cognição – o autista possui limitação de alguns processos cognitivos devido à dificuldade de interação social e de comunicação, não sendo possível reconhecer a utilidade das coisas, simbolizar e nomear, ocasionando prejuízos na linguagem. Cabe ao educador promover atividades que estimulem a imaginação e a criatividade, como copiar e recopiar desenhos, contar e recontar histórias inserindo sempre modificações, desenvolvendo novas habilidades;
  • a linguagem – crianças com autismo costumam desenvolver uma linguagem repetitiva e desprovida de qualidade social. Geralmente não entendem a essência da linguagem, tendo somente a compreensão literal. Para desenvolver o relacionamento na aprendizagem, o professor deve usar expressões claras e objetivas, falar de maneira suave, sem pressa e claramente, olhar sempre para o aluno, chamá-lo pelo nome, identificar-se, apontar, dizer os nomes dos objetos, dos sentimentos, expressar verbalmente e distinguir desejos, vontades e necessidades. Tal postura é fundamental para direcionar a construção de habilidades;
  • a psicomotricidade – a motricidade é bem comprometida no autista, acarretando prejuízos na coordenação motora fina, na coordenação visório-motora, na fala, na manutenção do equilíbrio do corpo e na lateralidade, devido à dificuldade de interação com o meio e com outras pessoas. O professor deve trabalhar a coordenação motora fina com materiais pedagógicos que estimulem o raciocínio e os movimentos. Também são importantes atividades lúdicas de educação física que explorem o equilíbrio, o manejo de objetos e exercícios com o corpo, auxiliando a coordenação motora global; e
  • finalmente o afeto – normalmente o autista tem dificuldades de expressar sentimentos, assim como reconhecê-los em outras pessoas, não conseguindo compreender expressões afetivas, faciais, gestuais ou vocais, evidenciando ausência do mundo exterior e dos limites do eu. Cabe ao professor estar atento ao interesse do aluno e aos seus desejos na prática pedagógica, entendendo que a carga afetiva é fundamental para a superação das dificuldades de aprendizagem. Assim, estarão se comunicando com o seu afeto e contagiando-os com amor.

Conforme relato de Cunha (2011), o ambiente escolar é surpreendentemente progressivo no estímulo de vivências quando preparado e adequado à diversidade discente. Educar na diversidade e para a diversidade é um desafio que nós, professores, teremos de suplantar nesse contexto plural de interesses, de afetos e de conhecimentos (Cunha, 2011, p. 55).

O educador precisa aprender a lidar com a realidade do mundo da criança autista, atraí-la para educar e desenvolver sua capacidade de concentração.

É preciso ser perseverante para conduzir e ensinar a forma adequada de expressar sentimentos e desejos, redirecionando a atenção para atividades e não para reações de comportamento.

O entendimento da dificuldade de aprendizagem do aluno autista implica um olhar extensivo à família, ponto crucial a ser evidenciado devido aos impactos que o autista traz para todos ao seu redor, necessitando de cuidados ininterruptos, atenção constante, atendimento especializado, gastos financeiros. Esse olhar resulta de forma singular em uma implicação da evolução e avanços dos estágios de aprendizagem adequados pelo aluno autista. A escola poderá planejar um currículo funcional para a vida prática, trabalhando tarefas em conjunto com a família, em rotinas as quais poderão ser modificadas, criando processos especiais de ensino-aprendizagem. Entretanto, precisam concordar nas ações e nas intervenções desse processo, significando que a maneira como o aluno se comporta em casa deve ser o mesmo que na escola.

Nem sempre as crianças ou adolescentes com autismo fazem divisão de comportamento entre família e escola, sendo preciso criar momentos afetivos para estimular o comportamento adequado, com atividades lúdicas e prazerosas. Nesse sentido, Alves (2005, apud Cunha, 2011, p. 87) considera que é de fundamental importância o trabalho conjunto entre família e profissionais e também que sempre haverá necessidade de que essa família esteja presente em todos os momentos. A presença dela ajudará e muito na progressão, pois muitas vezes a família é o gancho que o profissional precisa para começar e poder terminar (Alves, 2005, apud Cunha, 2011, p. 87).

Entende-se que a interação de família e escola auxilia de forma indispensável no desenvolvimento da autonomia e aprendizagem do aluno autista, proporcionando condições favoráveis para o convívio em sociedade.

Considerações finais

Conclui-se que o autismo é uma falha no simbólico. Crianças com autismo têm como principais características aspectos que estão diretamente vinculados às relações interpessoais – como linguagem, comunicação e interação social.

Para ajudar os portadores desse transtorno a adaptarem-se em nossa cultura, concebem-se programas específicos que têm como base os pontos fortes e déficits fundamentais do autismo que afetam o aprendizado e a interação no seu dia a dia. O trabalho do educador de pessoas com autismo é mudar o foco de ver o mundo, ou seja, ver através de seus olhos. Deve-se usar essa perspectiva para inseri-los em nossa cultura da forma mais independente possível, enquanto não se puder curar os déficits cognitivos subjacentes ao autismo. Na busca pela compreensão da leitura do mundo autista, torna-se possível planejar programas educacionais efetivos na função de vencer o desafio desse transtorno do desenvolvimento tão singular que é o autismo.

Fazem-se necessárias classes especiais de verdade, com metodologia própria para suprir as particularidades individuais. O diagnóstico é apenas o primeiro desafio que o Brasil está começando a utilizar e está dando um novo olhar para educação da década. O progresso do autista depende muito, também, da participação da família. Uma das principais metas é conseguir a interação da família e do trabalho na escola para estimular a criança a alcançar total progresso. O trabalho com a criança autista impõe ao profissional desafios contundentes, dentre os quais o de lidar com a questão do tempo e a sua articulação com a emergência do sujeito. As relações socioafetivas na família, em grupos e na escola na fase de latência serão importantes para a construção da autoestima e da identidade, construindo o autoconceito e facilitando a vivência do portador de autismo. O trabalho clínico demanda do profissional, em primeiro lugar, tolerância com respeito à temporalidade singular que caracteriza o mundo dessas crianças. Quando existe informação, a família e a escola ajudam o autista, pois trabalhando juntos chegam a um resultado singular, diante do fato de que todo autista é único. Tem-se consciência de que o tratamento não cura, começando assim um trabalho que será para a vida toda.

Referências

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WILLIAMS, C.; WRIGHT, B. Convivendo com autismo e síndrome de Asperger: estratégias práticas para pais e professionais. São Paulo: M. Books do Brasil, 2008.

Publicado em 08 de junho de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

SOUZA, José Clécio Silva de; SANTOS, Décio Oliveira dos. O autista com dificuldade de leitura e escrita - métodos de aprendizagem. Revista Educação Pública, v. 21, nº 21, 8 de junho de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/21/o-autista-com-dificuldade-de-leitura-e-escrita-metodos-de-aprendizagem