A importância do gestor educacional no papel de líder da instituição de ensino

Aline Borges Pires

Especialista em Gestão Educacional e Práticas Pedagógicas, Licenciada em Pedagogia, servidora pública no município de Rio das Ostras/RJ

O presente trabalho discorre sobre a importância do gestor educacional no papel de líder da instituição de ensino e como essa liderança interfere no processo educacional da escola.

Nessa perspectiva, surgiram questões que nortearam este estudo:

  1. Qual é o papel do gestor educacional na instituição de ensino e quais os desafios que ele enfrenta?
  2. Quais características o gestor deve ter para ser um bom líder?
  3. Como esse papel interfere no andamento educacional e na elaboração do projeto político-pedagógico?

Quando se fala em gestão educacional, presume-se a participação efetiva do líder à frente dos processos educativos na escola, que precisa adotar mecanismos capazes de suplementar essa liderança. Daí a necessidade de investigar a importância do papel do gestor educacional na instituição de ensino, expor os desafios enfrentados nesse papel e caracterizar suas atribuições. Além disso, faz-se necessário discutir a importância da liderança do gestor na construção do projeto político-pedagógico (PPP).

“Em linhas gerais, podemos elencar atribuições que perpassam desde o cumprimento das funções técnico-administrativas, até o bem-estar dos sujeitos que fazem parte do processo ensino-aprendizagem” (Godoy et al., s/d).

Nesse sentido, o objetivo central desse trabalho é analisar a importância do papel de líder que o gestor educacional deve ter dentro da Unidade Escolar (UE). Com o intuito de abarcar os objetivos propostos, realizou-se um estudo bibliográfico, a partir da análise de artigos científicos publicados no meio eletrônico e materiais impressos da literatura, fundamentando as contribuições dos autores referenciados.

Em síntese, este artigo discorre sobre os desafios que o gestor, no papel de líder educacional, enfrenta na instituição de ensino e como sua intervenção afeta os resultados desejados.

Desenvolvimento

"O gestor educacional é o principal responsável pela escola" (Silva, 2009) e em decorrência disso deve pressupor a adoção de mecanismos capazes de favorecer o bom desempenho da comunidade escolar, pois um líder eficaz faz com que o programa de trabalho caminhe sem muitos imprevistos, onde os professores são dedicados, os alunos motivados e os funcionários atuam com boa vontade (Godoy et al., s/d).

É importante, então, caracterizar a ação do gestor educacional, situando-o em um contexto democrático, que preze pela participação de todos os envolvidos na comunidade escolar, atuando como corresponsáveis na elaboração do projeto pedagógico da escola. Além disso, a atuação do gestor deve eliminar qualquer prática considerada autoritária.

Para que se entenda a importância do gestor na escola, é necessário compreender o conceito de gestão educacional, que é um processo de articulação entre a dinâmica do ensino e as atuações práticas que acontecem na Unidade Escolar. Tal conceito é pautado nas diretrizes e políticas públicas educacionais (Lück, 2015). Isso quer dizer que a gestão permeia todo o processo pedagógico e o gestor deve conhecê-lo bem, estando a par de todas as tarefas realizadas na sua escola, não para controlar as decisões, mas para articular os aspectos que envolvem tal processo e atuar como elo entre os atores educacionais.

Sendo assim, a gestão como processo precisa ter legitimidade, levando em conta o sujeito como ser histórico, com particularidades, e deve propiciar os esforços necessários para que o aluno se eduque, pois ele aprende sendo sujeito (Paro, 2013).

Tomando como referência as ideias de Paro (2013), a legitimidade da gestão educacional é um dos desafios que o gestor encontra na instituição de ensino. Outros desafios são: estimular frequentemente a equipe, buscar a participação dos pais e/ou responsáveis, manter a qualidade do ensino-aprendizagem, gerir bem os recursos, acompanhar as mudanças no âmbito educacional, estimular a formação continuada do corpo docente, manter-se atualizado, entre outros. Os desafios são muitos, e a cada dia surgem novos, que demandam diferentes atitudes e tomada de decisões com base em seus diversos aspectos.

Tais desafios devem servir de incentivo para que o gestor perceba que ele sozinho não é capaz de "administrar" a instituição de ensino, pois, geralmente, a chave do sucesso das instituições escolares é imputada ao gestor educacional, porém esta se deve a toda a comunidade escolar, que abarca os processos educativos e trabalha em prol do triunfo escolar.

E vale citar que sua autoridade não pode ser confundida com a autoridade do chefe, que só fica ditando ordens. Ele precisa caminhar lado a lado com sua equipe, estimulando-a e encorajando-a.

Segundo Silva (2009),

o gestor educacional, também, deve ter disciplina para superar os desafios que são encontrados nas funções de sua responsabilidade. Ao realizar suas funções, deve manter em evidência a necessidade da valorização da escola, dos funcionários e, principalmente, de seus alunos, para que os mesmos se sintam estimulados e incentivados para aprender e assimilar novos conhecimentos.

Nesse sentido, o gestor como líder educacional deve construir um ambiente escolar adequado, autônomo, de participação e compartilhamento e transparente (Lück, 2015), que favoreça uma comunicação eficiente, para que as decisões e ações a serem tomadas sejam em prol da coletividade. Portanto, essa construção, em conjunto com o corpo docente, funcionários e comunidade externa, deve objetivar o alcance de "uma educação de qualidade para todos, validando assim a dimensão democrática da educação" (Cabral; Sousa; Nascimento, 2015).

Percebe-se que a gestão democrática da educação compreende um processo de tomada de decisões na construção de instrumentos que viabilizam o processo educacional e que completam as atribuições do gestor democrático. Esses instrumentos são responsáveis pelo bom desenvolvimento pedagógico e guiarão a prática pedagógica. 

O instrumento mais importante, que mobiliza toda a comunidade escolar, é o projeto político-pedagógico, que é um documento de orientação das atuações pedagógicas e deve ser realizado juntamente com a comunidade escolar, para que todos participem ativamente da sua estruturação, considerando todas as demandas da realidade da escola. Além disso, o projeto deve propor soluções para os problemas encontrados, de modo a atender as demandas da comunidade externa.

O PPP, quando discutido minimamente, torna-se o diferencial da escola, sendo o documento de identidade dela, que vende refletir a "questão da educação de qualidade" (Veiga, 2009), articulando significantemente a proposta pedagógica e o plano de trabalho. E, também, visa planejar e acompanhar as atividades dentro da instituição escolar, mostrando os possíveis caminhos para atingir os objetivos.

De acordo com Turíbio, o projeto político-pedagógico deve ser um instrumento sustentado pelos diferentes segmentos da instituição, com o propósito de superar as antigas mazelas do sistema de ensino e buscar a verdadeira autonomia escolar.

Sendo assim, a estruturação do PPP começa com a discussão dos pontos a serem analisados, como condições física, pedagógica e material da instituição; depois definem-se os objetivos, escolhem-se as estratégias e estabelecem-se os cronogramas. Em seguida, esses dados são apresentados ao órgão superior, como a Secretaria de Educação, que pode sugerir alterações ou aprovar a implementação. Após a implementação, o PPP é apresentado à comunidade escolar, que junto com o gestor, administrá-lo-á, realizando as ações previstas, em prol da melhoria da qualidade da educação da UE.

Ao atuar democraticamente, o gestor educacional estará obedecendo aos preceitos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e do Plano Nacional de Educação (PNE), que citam a gestão democrática do ensino, com a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolares e locais em conselhos escolares.

Por conseguinte, administrando de forma democrática e em conjunto com a comunidade escolar nas ações e implementações da instituição de ensino, o gestor estará agindo como líder educacional, democrático e participativo, que prioriza as ações coletivas e garante a qualidade da educação, resultando no sucesso da instituição.

Conclusão

O presente trabalho objetivou analisar a importância do gestor educacional à frente da unidade escolar e os desafios enfrentados enquanto líder da instituição. Dessa forma, tomando por base os autores referenciados, conclui-se que o gestor educacional tem uma importância fundamental na organização e funcionamento da instituição escolar e o seu foco deve ser a gestão democrática. Sua importância é também primordial para o bom andamento da instituição e, para liderar, precisa ser inovador, estar aberto ao diálogo e disposto a ouvir e sempre buscar melhorias para a instituição e, consequentemente, melhorias para a educação.

Além disso, sua liderança implica a elaboração do projeto político-pedagógico, que deve ser construído coletivamente, assegurando os aspectos pedagógico-democráticos.

Em suma, a importância do gestor enquanto líder da instituição de ensino é caracterizada pelas ações desempenhadas nesse papel, como ser participativo, superar os desafios encontrados no ambiente escolar, unir os envolvidos no processo educacional, prezar por educação de qualidade e assumir a postura democrática.

Referências

BRASIL.  Lei nº 9.394/96. Lei de diretrizes e bases da educação nacional – LDB. 2ª ed. Brasília: Senado Federal, 2018. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/544283/lei_de_diretrizes_e_bases_2ed.pdf. Acesso em: 06 nov. 2019. 

BRASIL. Lei nº 13.005/14. Plano Nacional de Educação - PNE. Brasília: Senado Federal, 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13005.htm. Acesso em: 06 nov. 2019.

CABRAL, M. S. N.; SOUSA, M. T. C.; NASCIMENTO, A. F. Estilos de liderança no contexto da gestão escolar democrática: algumas apreciações. Revista Signos, v. 36, nº 2, 2015. Disponível em: http://univates.br/revistas/index.php/signos/article/view/800. Acesso em: 25 set. 2019.

GODOY, V. A. et al. A gestão escolar e as características necessárias para a tomada de decisões. s/d. Disponível em: https://docplayer.com.br/8408486-A-gestao-escolar-e-as-caracteristicas-necessarias-para-a-tomada-de-decisao.html. Acesso em: 26 set. 2019.

LÜCK, Heloísa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis: Vozes, 2015. Série Cadernos de Gestão.

PARO, Vitor Henrique. Gestão escolar democrática. Vídeo Youtube. Disponível em: https://youtu.be/WhvyRmJatRs. Acesso em: 15 nov. 2019.

SILVA, Eliene Pereira. A importância do gestor educacional na instituição escolar. Revista Conteúdo, Capivari, v. 1, nº 2, jul./dez. 2009. Disponível em: https://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/45041217/21-83-1-SP.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A&Expires=1553537733&Signature=eLVl3XoQOZzAzXyCNWElfXwWhWo%3D&response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DA_IMPORTANCIA_DO_GESTOR_EDUCACIONAL_NA_I.pdf. Acesso em: 25 set. 2019.

TURÍBIO, Aline Cambui. O projeto político-pedagógico na gestão escolar. Portal Educação, s/d. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/idiomas/o-projeto-politico-pedagogico-na-gestao-escolar/42453. Acesso em: 07 nov. 2019.

VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico e gestão democrática: novos marcos para a educação de qualidade. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 3, nº 4, p. 163-171, jan./jun. 2009. Disponível em: http://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/download/109/298. Acesso em: 8 nov. 2019.

Publicado em 22 de junho de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

PIRES, Aline Borges. A importância do gestor educacional no papel de líder da instituição de ensino. Revista Educação Pública, v. 21, nº 23, 22 de junho de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/23/a-importancia-do-gestor-educacional-no-papel-de-lider-da-instituicao-de-ensino