A importância do uso de ferramenta digital para acompanhamento sistemático do processo ensino-aprendizagem em tempos de pandemia

Núbia Regia de Almeida

Doutora em Ensino de Língua e Literatura, membro do grupo de pesquisa multidisciplinar em Ensino, Educação, Química, Linguagens e Meio Ambiente (IFPA – Câmpus Paragominas)

Rogeane Correia de Sousa

Graduada em Pedagogia e Letras, especialista em Orientação Educacional e Psicopedagogia Institucional (Seduc/TO)

Janaína Cardoso dos Santos

Mestre em Ciências do Ambiente (Seduc/TO)

Isaquia dos Santos Barros Franco

Doutora em Ensino de Língua e Literatura, líder do grupo de pesquisa Educação, Sociedade e Práticas Linguísticas (IFPA – Câmpus Conceição do Araguaia)

O Colégio Militar do Tocantins acredita na formação integral da pessoa humana como fator indissociável à formação do cidadão ativo, responsável e preparado para as múltiplas demandas da sociedade atual. Dessa forma, por meio de sua prática educativa, propõe ir além do mero conhecimento cognitivo, buscando uma educação pautada em valores, procedimentos e atitudes que desenvolvam as competências necessárias para uma vida mais plena de significações.

Esse Colégio Militar constitui-se, ainda, em um importante instrumento de intervenção na realidade escolar em um cenário de descrença na educação como forma de ascensão social e necessidade de referenciar valores para a vida afora. Situado na zona periférica da cidade de Araguaína/TO, foi inaugurado no dia 21 de março de 1998, mediante a Lei nº 61, de novembro de 1997; desde 2016, por meio do Termo de Cooperação Técnica nº 008/15, entre Seduc e Polícia Militar do Estado do Tocantins, passa a contar em seu quadro de pessoal, com sete servidores militares e 36 servidores civis que atendem a um público de 828 alunos de Ensino Médio regular, nos turnos matutino e vespertino.

Por meio de um modelo de ensino diferenciado, procura atender aos anseios e reivindicações dessa coletividade, que ansiava por um ensino de qualidade e pelo resgate de valores tradicionais, como disciplina, respeito, proatividade e emancipação social, que instrumentalizassem o estudante para o acesso à universidade e para formar homens e mulheres de bem para atuar ativamente e de forma responsável no contexto social.

Dessa forma, configura-se como canal de diálogo e de participação dos diversos protagonistas da comunidade interna e externa na busca da tão almejada qualidade de ensino. Nesse cenário de pandemia, essa função tornou-se mais latente devido ao distanciamento social e ao cenário de insegurança, medo e incertezas. Em virtude da pandemia de covid-19, causada pelo novo coronavírus, o Governo do Estado do Tocantins suspendeu as aulas presenciais por tempo indeterminado. A Secretaria da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) determinou o retorno das aulas, em regime não presencial, aos alunos de terceiras séries do Ensino Médio no período de 29 de junho a 31 de julho de 2020.

Desse modo, ao planejar o retorno às aulas remotas após aproximadamente três meses sem aulas presenciais, foi necessário primar pela comunicação intensiva com os estudantes e pelo acolhimento, no sentido de mantê-los motivados e engajados no processo de aprendizagem, um processo totalmente novo para estudantes e professores, pois, apesar de lidarmos cotidianamente com as tecnologias, esse processo é, na maioria das vezes, apenas de reprodução ou manuseio, não de autoria. Por outro lado, as dificuldades de aprendizagem poderiam tornar-se maiores pela falta de contato com os professores e falta de interação com os colegas. Novas circunstâncias demandam também rever paradigmas. O trabalho da equipe da escola também precisou ser intensificado, no sentido de estreitar a comunicação e o apoio aos alunos e famílias.  

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa de caráter descritivo, com abordagem qualitativa. De acordo com Gil (2008, p. 28), as pesquisas com caráter descritivo têm como objetivo principal “a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. Este relato de experiências descreve o processo, as alternativas encontradas e os resultados alcançados a partir do trabalho da equipe durante as atividades remotas.

Diante do contexto de pandemia em função da covid-19, as atividades escolares presenciais foram suspensas ao final do mês de março de 2020, seguidas por quase três meses de suspensão das aulas. Com o retorno às atividades escolares de forma remota para os alunos de terceiras séries do Ensino Médio, previsto para o dia 29 de junho de 2020, conforme orientações da Secretaria Estadual de Educação do Tocantins (Seduc), foi necessária a mobilização de esforços no sentido de planejar esse retorno com a qualidade necessária e de forma a atingir todos os alunos, mesmo aqueles que, porventura, não tivessem acesso à internet.

Assim, logo após receber as orientações por meio de formação continuada online ministrada pela Seduc nos dias 15 e 16 de junho, a equipe passou a reunir-se remotamente quase todos os dias, na busca de alternativas.

A semana que antecedeu o retorno (22 a 26 de junho) foi de trabalho intenso. Muitas dúvidas, reflexões, proposições. Mas, sobretudo, muita força de vontade e determinação no sentido de propiciar as condições necessárias, apesar das circunstâncias.

A direção da escola providenciou um encontro virtual com todos os docentes e a equipe pedagógica em 25 de junho, ocasião em que um professor universitário da Faculdade de Ciências do Tocantins – Facit e da Faculdade Católica Dom Orione ministrou uma oficina para uso das tecnologias e mídias digitais disponibilizadas pelo Google na oferta de aulas remotas. Foi um momento muito proveitoso, esclarecedor e que contribuiu no sentido de minimizar a ansiedade e instrumentalizar os professores e a equipe escolar para assumir os novos desafios. Alguns docentes ainda não tinham domínio dessas tecnologias, o que demandou da Coordenação Pedagógica a necessidade de fortalecer o apoio mútuo, em uma relação de parceria e cuidado. Nesse ponto, a equipe da Coordenação Pedagógica (CP) pôde contar com o apoio e a parceria das professoras de Biologia e História e do professor de Língua Portuguesa, que já possuíam experiência com o uso dessas ferramentas pedagógicas e ajudaram a orientar os colegas docentes que ainda não faziam uso delas. Foi um momento de muita aprendizagem para toda a equipe, no qual as trocas e o compartilhamento de saberes ocorreram intensivamente, inclusive inserindo os alunos nesse processo de trocas de saberes, pois alguns deles têm propriedade na utilização dessas ferramentas. Muitos docentes vislumbraram também a importância de ser autodidatas e perceberam a necessidade de buscar conhecimentos por si mesmos.

Uma das constatações iniciais foi de que nem todos os alunos possuíam acesso à internet de qualidade. A Orientação Educacional do colégio, em parceria com a professora Janaína, que detinha maior familiaridade no uso com as mídias digitais, na semana que antecedeu o retorno às aulas realizou um levantamento a partir da mobilização e incentivo aos alunos, conseguindo, então, que 100% dos nossos 215 alunos de terceiras séries (seis turmas) fizessem acesso à plataforma Google Sala de Aula, estando cadastrados nela por meio de e-mail pessoal. Isso denota que, felizmente, todos eles possuíam acesso à internet, ainda que, às vezes, não atendesse às necessidades exigidas para as aulas online, por terem que permanecer logados por muito tempo (às vezes o único recurso era o WhatsApp). Apesar disso, no início das aulas nem todos os alunos fizeram acesso, demandando da equipe pedagógica estratégias para integrá-los ao processo.

Após consentimento da professora Janaína, a equipe aproveitou as seis salas online das terceiras séries criadas e utilizadas por ela desde o início do ano letivo. Foram criados tópicos para cada componente curricular, e neles todos os professores e a equipe pedagógica postavam as atividades e orientações. Como forma de otimizar esses recursos disponíveis, os alunos foram orientados a imprimir, fazer download de vídeos e materiais, fotografar etc., para minimizar a dificuldade de permanência na sala online por longo tempo por alguns alunos que utilizavam a internet por meio de dados móveis.

Paralelamente, foi feito um levantamento nos seis grupos de WhatsApp das salas de aula de terceiras séries acerca de quais alunos necessitariam de material impresso para realização das atividades. Apenas quatro alunos solicitaram; esses materiais eram entregues presencialmente no colégio no início da semana juntamente com os roteiros de estudo contendo direcionamentos, procedimentos avaliativos, atividades, sugestões de aprofundamento de estudos etc.

Esse processo novo trouxe muitos entraves em relação à dificuldade dos alunos no acesso às plataformas digitais (muitos sequer sabiam acessá-las) exigindo da equipe escolar o contato direto com eles por meio de ligações telefônicas, orientando, fazendo e disponibilizando tutoriais e monitorando até que, finalmente, esse primeiro acesso fosse realizado e o aluno estivesse, enfim, a postos para acessar às aulas e atividades.

A professora Janaína preparou um link para ensinar os alunos como acessar o Google Sala de Aula pelo Chrome: https://www.youtube.com/watch?v=d1wMIHc78WU&t=4s
Link do tutorial feito pela professora Janaína para ensinar aos alunos como alterar o nome na conta do Google: https://www.youtube.com/watch?v=-owV3Oe7Scs.

Esse primeiro momento era um descobrir-se contínuo: dificuldade de acesso às conferências virtuais, postura durante as aulas, pouco ou nenhum acesso à internet; dificuldade de muitos alunos em enviar e-mails ou postar atividades na plataforma Google Sala de Aula ou, até mesmo, localizar-se nas aulas propostas nesse ambiente virtual.

Isso demandou da equipe pedagógica, principalmente da Orientação Educacional, apoio contínuo a esses alunos, em período integral – manhã, tarde e noite, e até mesmo aos fins de semana, o que terminou sendo extremamente desgastante, pois tirava todo o tempo destinado às demandas e necessidades pessoais. Tem-se a ideia de que, se estamos a um clique, pode-se ser acessado a qualquer momento, a qualquer hora, e exigem-se retornos rápidos, quase imediatos. Tais situações foram minimizadas após um processo de autoavaliação, com a redistribuição dos membros da equipe e com a familiarização dos alunos aos novos recursos e formatos virtuais, bem como com o diálogo e sensibilização aos professores, no sentido de serem acolhedores, de posicionarem-se empaticamente e de serem flexíveis quando a situação assim o exigisse.

Como estratégia para assegurar o acompanhamento contínuo e constante da participação dos estudantes nas atividades não presenciais, distribuiu-se a equipe pedagógica (CP e OE) nos grupos de WhatsApp e nas plataformas Google Sala de Aula. Desse modo, cada um dos três coordenadores pedagógicos ficou responsável por duas turmas para assessoramento, orientações, repasse de informações em parceria com a OE, que, pela própria natureza do trabalho, permaneceu nas seis turmas, primando pelo incentivo, monitoramento da aprendizagem e frequência dos alunos, além do apoio na superação das muitas dificuldades de naturezas diversas que iam surgindo pelo caminho.

Figura 1: (a) Contato com aluna da Zona Rural; (b) Orientações aos alunos nos grupos de WhatsApp; (c) Busca de alternativas pedagógicas e operacionais junto aos docentes

Os professores adotaram um trabalho de recuperação continua e paralela da aprendizagem, relatando à CP e à OE, em tempo hábil, as ocorrências de não realização de atividades, baixo rendimento ou abstenção das aulas, permitindo a tomada de decisões junto aos alunos e famílias ainda durante o processo e o êxito delas.

Figura 2: (a) Monitoramento permanente da aprendizagem; (b) Monitoramento a aluna evadida; (c) Apoio aos alunos para manuseio das tecnologias

Tivemos também especial cuidado e atenção aos alunos com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educacionais especiais ou em situação de vulnerabilidade; a OE e as professoras auxiliares mantiveram estreita comunicação e acompanhamento a esses alunos e suas famílias, a fim de que conseguissem êxito e evitar a evasão escolar e dialogaram com a CP e professores sempre que necessário, na busca de alternativas. Incluem-se nesse grupo os alunos de zona rural, que não têm quase acesso à tecnologia; alguns não estavam nem com os materiais escolares, inicialmente; até nesse aspecto, foi preciso orientá-los a buscar meios para superar essas e outras dificuldades.

Aliou-se às dificuldades de aprendizagem dos alunos a dificuldade de alguns docentes na elaboração de roteiros de estudo claros e eficazes, de forma a assegurar a autonomia do discente e atender ao trabalho na perspectiva de formação de habilidades e competências. Todos os planejamentos e atividades avaliativas dos professores foram encaminhados ao coordenador pedagógico de sua área para análise, apreciação e contribuições, caso necessário. Só após eram aplicados aos estudantes.

Por outro lado, o uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino-aprendizagem possibilitou um ensino mais voltado ao interesse do público jovem ao oferecer múltiplas possibilidades ao trabalho do professor em sala de aula, saindo de uma postura tradicional e estimulando a criatividade, uma postura ativa, de indagação. Possibilitou também trazer curiosidades, aprofundar o conhecimento, aumentar a interação com os alunos e o conhecimento, ligar vários vídeos e textos com descobertas e aprofundamento, tornando a aprendizagem mais real, significativa. Essa geração de hoje é muito conectada às tecnologias e tais ferramentas são muito dinâmicas, atualizadas e versáteis, dando ao professor muitas possibilidades para adequar e sincronizar com a sala de aula virtual, tornando o trabalho mais interessante.

Links de aulas que os docentes gravaram utilizando diversos recursos tecnológicos e disponibilizaram para os alunos assistirem:

Aula de História sobre a Reforma Protestante: https://drive.google.com/file/d/1BWAAwdOHNHyndp0SzsN45LH3z-LEnua4/view

Aulas diversas de Biologia:

https://www.youtube.com/watch?v=ea3fHBGmcao&t=4168s; https://www.youtube.com/watch?v=pwg48r4smes&t=317s; https://www.youtube.com/watch?v=DgLjF9mwQnc&t=8s; https://www.youtube.com/watch?v=DgLjF9mwQnc&t=8s; https://www.youtube.com/watch?v=eTFhukXc97g&t=76s.

Assim, foi possível trazer a realidade invisível, distante, tornando-a visível e real aos alunos, o que é fundamental na construção dos conceitos e das conexões de aprendizagem. Essas descobertas foram muito estimulantes e contribuíram inclusive para assegurar que os alunos realizassem as atividades propostas; alguns docentes afirmam que perceberam maior empenho e envolvimento dos alunos na realização delas, resultando em mais aprendizagem.

Resultados e discussão 

O contexto de pandemia e isolamento social trouxe à tona uma série de fatores a serem considerados no processo educativo. Tornou-se necessário, ainda mais, um olhar para o outro, para suas necessidades e possibilidades, e para dentro de nós mesmos para atribuir um novo sentido ao fazer pedagógico e às relações sociais nesse tempo tão fluido e de incertezas.

Nesse sentido, foi preciso repensar a validade do que é trabalhado no currículo escolar, já que não seria possível resgatar todo o conteúdo planejado no início do ano letivo. Nem mesmo poderíamos continuar com as metodologias de ensino e de avaliação da aprendizagem presencial, porque nesse contexto de pandemia, mais que antes, faz-se necessário olhar o sujeito de aprendizagem como um todo.

Nossas escolhas hoje, certamente não são as mesmas que faríamos meses atrás, em tempos de normalidade. Há agora um novo normal, que se impõe em todas as áreas e setores de nossas vidas, exigindo um processo de repensar, refletir, renovar e transformar a realidade.

Tivemos que pensar e eleger o que é realmente essencial trabalhar no currículo nesse período de reposição de aulas e de trabalho remoto. Muitas foram as palestras e lives a que assistimos e muitas foram as discussões e tomadas de decisões para dar conta dessas novas respostas. Assim, procurou-se assegurar os objetivos mínimos necessários para a concretização da etapa escolar em curso levando em consideração o contexto atual, de distanciamento social, aulas não presenciais, dificuldade no acesso e na utilização das tecnologias, questões socioemocionais etc.

De uma coisa tínhamos certeza: parafraseando o poeta Antônio Machado, o caminho se faz caminhando. Não se encontram respostas prontas, e cada realidade é única, diferenciada. Conforme defende Carbonell (2002, p. 25),

As inovações se centram mais no processo que no produto; mais no caminho do que no ponto de chegada. De fato, não se ocupam tanto do resultado em si como dos múltiplos pequenos resultados, objetivos e subjetivos, que vão se sucedendo e desencadeando.

Sabíamos que para alcançar grandes resultados teríamos que cuidar dos pormenores, dos detalhes. Assim, por meio de um trabalho dialógico, participativo e integrador, recebíamos feedbacks permanentes dos diversos segmentos, desde professores a pais e alunos, acerca dos pontos que estavam dando certo e de situações que precisavam ser contornadas ou revistas, o que era atendido prontamente. Esse contato permanente se fez por meio dos canais de comunicação (contatos telefônicos, grupos de WhatsApp ou mensagens de textos) e por meio das reuniões virtuais.

Um momento privilegiado para esse fim foi o conselho de classe pedagógico participativo não presencial (por meio de reunião via Google Meet), ocorrido em 11 de julho, em que, a partir da criação de instrumentos de escuta aos diversos segmentos (pais, alunos e professores) pudemos dar vez e voz a eles e perceber os fatores que estivessem dificultando o processo de ensino-aprendizagem, bem como os fatores de êxito nesse novo formato não presencial, resultando em um diagnóstico bastante significativo acerca do trabalho realizado e dos nossos resultados.

Primeiramente, a direção e a equipe pedagógica (orientação e coordenação) reuniram-se para tratar das diretrizes gerais para o conselho de classe pedagógico, subsidiadas pelas diretrizes propostas pela Seduc/DRE. Nesse momento, foram elencadas as questões norteadoras que deveriam ser objeto de avaliação e apreciação para o conselho de classe. A Orientação Educacional, partindo desses pressupostos, elaborou os Instrumentos para escuta aos professores, pais e alunos do Colégio Militar do Tocantins (CMT).

Como afirma Perrenoud (2000, p. 49), “é necessário não apenas competência, mas também energia e, às vezes, coragem para se questionar constantemente por que se faz o que se faz”. Assim, durante dois dias, alunos, pais e professores foram mobilizados pela OE no sentido de darem suas contribuições (feedback) em relação a esse período de aulas remotas e à conclusão do I bimestre de 2020. Os questionários foram preparados pelo Google Forms. Tivemos boa participação dos pais (46), dos alunos (70), num percentual bastante significativo, se considerarmos que totalizamos 215 alunos nas terceiras séries e todos os professores e equipe pedagógica se fizeram presentes. O feedback foi rápido e satisfatório, possibilitando uma visão abrangente e significativa de todo o processo.

As respostas foram tabuladas pela OE e disponibilizadas para consulta, antes mesmo do momento de realização do conselho de classe, aos demais membros da equipe gestora e aos professores, por meio de postagem nos grupos de WhatsApp. Para o conselho de classe não presencial, as respostas foram disponibilizadas por meio de slides, contendo as principais conquistas, os avanços, dificuldades e necessidades de melhorias, propiciando a reflexão de toda a equipe escolar durante o conselho de classe. 

Participaram do conselho de classe o diretor da UE, os coordenadores pedagógicos, a Orientação Educacional, a supervisora da Diretoria Regional de Ensino de Araguaína (DREA), os professores regentes das terceiras séries do Ensino Médio e as professoras auxiliares. Como medida pós-conselho, a equipe pedagógica dialogou acerca das principais medidas propositivas e os coordenadores pedagógicos reuniram-se com os professores, remotamente, para traçar os redirecionamentos necessários.

O conselho de classe não presencial contou com três momentos:

Antes:

1. Observância das diretrizes para a realização do conselho de classe não presencial, proposto em ofício pela SEDUC;

2. Reunião presencial com a equipe escolar a fim de decidir acerca das questões norteadoras do conselho não presencial;

3. Elaboração de questionários de escuta no Google Forms para possibilitar a contribuição de pais, alunos e professores nas discussões e proposições;

4. Participação da equipe escolar em reunião online com a equipe de assessoria da DREA;

5. Envio dos formulários a pais, alunos e professores;

6. Análise e tabulação das questões;

7. Disponibilização desses dados aos professores e equipe gestora e pedagógica, para análise prévia.

Durante:

1. Essas informações foram organizadas em slides, com critérios pedagógicos, a fim de facilitar a visualização e interpretação dos dados e informações apresentadas e viabilizar as proposições;

2. Os dados foram apresentados e analisados coletivamente durante reunião online via Google Meet;

3. Toda a reunião do conselho de classe foi lavrada em ata pela secretária da escola, enquanto a equipe pedagógica também fazia registros dos apontamentos.

Após:

1. A chefe da Coordenação Pedagógica reuniu-se com os coordenadores e a Orientação Educacional, a fim de discutir fragilidades e possibilidades;

2. Cada coordenador reuniu-se com seus professores, a fim de analisar os pontos de êxito bem como as dificuldades e estabelecer diretrizes para o próximo bimestre;

3. A Orientação Educacional e a Coordenação Pedagógica empenharam-se em oportunizar aos alunos com notas abaixo da média ou àqueles que, por motivos diversos não haviam concluído o processo avaliativo, meios para que recuperassem a aprendizagem, recorrendo a incentivo, motivação, contatos telefônicos, mediações, enquanto os professores propiciavam aos estudantes mecanismos para a reavaliação da aprendizagem, no sentido de resgatá-los e reinseri-los no processo de ensino-aprendizagem. Foram elaboradas atividades substitutivas aos alunos que não possuíam acesso à internet, no caso de atividades como seminários via Google Meet, por exemplo, que impossibilitava essa participação online, ou aos ANEE. Aos alunos com dificuldade de aprendizagem, foram oportunizados maior tempo e maior apoio por parte dos docentes e da equipe pedagógica, tudo devidamente registrado em cadernos ou relatórios ou mesmo por meios virtuais;

4. Reorganização do planejamento das estratégias de ensino e de trabalho, a partir das necessidades detectadas, o que consta em relatórios ou atas.

Fazendo uma breve síntese em relação às questões de natureza pedagógica, percebeu-se a necessidade de reduzir a quantidade de atividades ou avaliações, tendo em vista que boa parte dos alunos afirmava que tais atividades estavam sendo excessivas, dificultando a sua realização e gerando ansiedade, alertando-nos acerca do cuidado com a saúde mental deles.

Alguns alunos pontuaram que estavam tendo dificuldades em encontrar avisos ou atividades na plataforma Google Sala de Aula devido ao excesso de informações em um mesmo local; então, para o segundo bimestre, a CP criou três plataformas digitais para cada turma, sendo uma para cada área de conhecimento, sanando essa problemática.

De forma geral, os pais e alunos mostraram-se muito satisfeitos com o empenho, a dedicação e o comprometimento dos professores e de toda a equipe pedagógica do CMT em ofertar a melhor qualidade possível apesar das dificuldades e do contexto social. E destacaram o zelo de toda a equipe do colégio em assegurar que todos os alunos tivessem seu direito à aprendizagem, assegurado com sucesso. Ao final do bimestre, conseguimos a aprovação de todos os 215 alunos, evitando inclusive que alguns alunos desistissem durante o processo.

Considerações finais

A trajetória percorrida nesse período inusitado, complexo, de incertezas e profundas mudanças trouxe-nos também muitas aprendizagens. Percebemos que todos nós, hoje, somos certamente melhores do que éramos antes. Crescemos como profissionais e como pessoas humanas. Fortalecemo-nos como equipe, como instituição e desvelamos habilidades que muitas vezes nem sabíamos que possuíamos ou estavam adormecidas.

Destaca-se dentre os mecanismos mais importantes utilizados nesse momento o fato de que os colegas professores se uniram em cooperação a fim de promover interação e compartilhar experiências válidas; esse apoio foi muito exitoso, favorecendo a rápida divulgação e aplicação de propostas metodológicas que possibilitassem o trabalho e a interação com os alunos.

Essa troca de experiências na busca de alternativas aos desafios e o papel ativo dos professores e equipe na busca do aprender a aprender foi um importante diferencial.

A utilização das tecnologias, além de atribuir maior significação ao trabalho, possibilitou também maior interação e aproximação do professor e da equipe escolar com os alunos, dando um ar mais pessoal nesse cenário de distanciamento em que tudo se torna impessoal. Esse fator certamente contribuiu para o fortalecimento do trabalho e o maior engajamento dos alunos com a proposta pedagógica da escola.

Primamos também pela identificação subjetiva dos alunos com o ambiente escolar, procurando envolver os alunos na gestão, nas tomadas de decisões e nas ações da escola; durante todo o processo os alunos foram também protagonistas, como os assessores pedagógicos das turmas, que foram importantes parceiros e líderes, constituindo-se como elos entre os alunos e a equipe pedagógica e professores, e os ascons (assessores de Comunicação), que, por meio dos aportes tecnológicos, se responsabilizavam pela divulgação das informações à comunidade interna e externa.

O monitoramento contínuo e sistemático da aprendizagem e de todo o processo possibilitou apoio individualizado, cuidadoso e interventivo em tempo hábil, zelando por todas as variáveis que poderiam interferir no processo, o que assegurou a permanência dos alunos e o sucesso da aprendizagem.

O trabalho desenvolvido é coerente com a BNCC, que propõe que, para assegurar as aprendizagens essenciais, faz-se necessário que as equipes escolares adotem estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem.

Por outro lado, o sucesso de todo o trabalho se deve, sobretudo, à atitude proativa e comprometida de toda a equipe escolar do CMT, no sentido de superar os desafios de naturezas diversas e assegurar a aprendizagem para a maioria dos seus alunos, pois, ao final do ano letivo de 2020, não tivemos nenhuma desistência (evasão escolar) por parte dos alunos e apenas três alunos das terceiras séries ficaram reprovados.

Referências

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília: MEC/Consed/Undime, 2017.

CARBONELL, Jaume. A aventura de inovar: a mudança na escola. Porto Alegre: Artmed, 2002.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2008. Disponível em: https://ayanrafael.files.wordpress.com/2011/08/gil-a-c-mc3a9todos-etc3a9cnicas-de-pesquisa-social.pdf. Acesso em: 20 fev. 2021.

PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

TOCANTINS. Decreto nº 6.065, de 13 de março de 2020. Determina ação preventiva para o enfrentamento da covid-19 - novo coronavírus. Diário Oficial do Tocantins, Palmas, ano 33, nº 5.563, p. 1, 13 mar. 2020. Disponível em: https://central3.to.gov.br/arquivo/499568/. Acesso em: 01 ago. 2020.

Publicado em 29 de junho de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

ALMEIDA, Núbia Regia de; SOUSA, Rogeane Correia de; SANTOS, Janaína Cardoso dos; FRANCO, Isaquia dos Santos Barros. A importância do uso de ferramenta digital para acompanhamento sistemático do processo ensino-aprendizagem em tempos de pandemia. Revista Educação Pública, v. 21, nº 24, 29 de junho de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/24/a-importancia-do-uso-de-ferramenta-digital-para-acompanhamento-sistematico-do-processo-ensino-aprendizagem-em-tempos-de-pandemia

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