A importância da família e da tecnologia na Educação Especial

Vanderson de Sousa Silva

UNIRIO

Mônica Cristina Moura de Oliveira

UNIRIO

A inclusão digital democratiza o acesso às tecnologias assistivas e da informação, de forma a permitir a inserção na sociedade e na educação. Com isso, o cidadão que for adquirir conhecimentos capazes de permitir que ele se torne um usuário das tecnologias da informação, poderá agregar mudanças positivas em sua vida social e profissional. A educação a distância nos últimos anos facilitou a inclusão de várias pessoas, que antes não tinham acesso à educação e à informação.

Entre as estratégias de inclusão estão programas, projetos e ações que facilitam o acesso de pessoas de baixa renda, pessoas com deficiência, indígenas, idosos e dos professores às tecnologias assistivas, da Informação e Comunicação. Segundo o site Onid, no Brasil a inclusão digital entrou em prática, no final de novembro de 2005, com o projeto de inclusão digital do Governo Federal, chamado Computador para Todos (Projeto Cidadão Conectado).

A inclusão digital tem sido pauta obrigatória no cenário político nacional e internacional e motivação de várias ações, projetos e programas nas agendas sociais no Brasil e em diversos países do mundo. A exclusão digital nos últimos anos causada pela distribuição desigual do acesso aos computadores conectados à internet. A solução será democratizar este acesso a tais redes, sendo estas incluídas na educação, como forma de facilitar a aprendizagem através de recursos tecnológicos e na educação à distância. Dessa forma espalham-se centros de acesso público à internet, cursos de alfabetização tecnológica e outras iniciativas destinadas a minimizar a exclusão digital entre deficientes, idosos, analfabetos, indígenas, pessoas de baixa renda e professores.

A inclusão digital possui o papel de resgatar os excluídos e incluí-los na sociedade da informação, por meio de políticas que visem ao seu crescimento e autonomia. Consequentemente, inclusão digital remete à busca da reflexão crítica do mundo em que vivemos das condições de sobrevivência (emprego, alimentação, moradia, etc.), promovendo a diminuição das desigualdades sociais.

Inclusão digital dos professores

É importante que os professores estejam nessa inclusão. O livro A inclusão digital do professor: formação e prática pedagógica, de Maria Elizabeth Biancocini de Almeida (2004), relata tal inclusão, tendo em vista que os professores em décadas passadas não usavam o computador como hoje. O computador atualmente não é só uma ferramenta para os trabalhos escolares, mas uma maneira de se trabalhar o lúdico em sala de aula, como por exemplo, através de jogos educativos e interativos, onde tanto alunos como professores aprender juntos, construindo o ensino-aprendizagem brincando.

No Portal do Professor, no site do MEC, encontra-se material necessário para os professores incluir-se digitalmente, através da interação com outros professores por chats, blogs e fóruns. Além disso, os professores têm sugestões de aulas, recursos educacionais e dividem suas experiências. Na plataforma Paulo Freire, há o plano de formação de professores e educação continuada.

A alfabetização tecnológica constitui o maior desafio da educação e dos professores. Na era da informação, a educação é elemento de progresso e de exclusão social (Castells, 1999). Como falar de inclusão tecnológica dos alunos se os professores muitas vezes não a recebem? Os educadores em sua maioria têm que buscar cursos de qualificações fora das escolas em que dão aula, pagando altos preços, dificultando o acesso deste ao avanço, já que os salários são baixos.

Embora nestes vinte últimos anos ocorressem grandes avanços tecnológicos, ainda falta muito para as instituições ficarem modernas, muitas continuam presas ao tradicionalismo que rege até os dias de hoje nas escolas do Brasil. Nos últimos anos houve um investimento do governo federal, tanto na compra do computador pela camada mais pobre da população, como a inclusão desta ferramenta nas escolas em todo o Brasil. A Educação a Distância teve um grande avanço nestes últimos governos federais.

Apesar de investimentos feitos no setor educacional pela esfera do governo atual, e das inovações tecnológicas, a disseminação do seu uso do computador ou de qualquer outro recurso tecnológico, nas escolas, ainda é muito pouco. Se por um lado existe o interesse, a curiosidade do aluno, por outro lado apavora o professor mantido nos moldes tradicionais de metodologias e uso de recursos empregados durante seu percurso profissional, estes ainda presos nos modelos, no qual o quadro, giz e o livro são as únicas ferramentas de trabalho. A informática na educação ainda não impregnou as ideias destes educadores.

Segundo Sancho (2001), a tecnologia é um conjunto de conhecimentos que permite nossa intervenção no mundo, compreendendo ferramentas físicas, instrumentos psíquicos ou simbólicos, sociais ou organizadores. Trata-se de um saber fazer, alimentado da experiência, da tradição, da reflexão e das contribuições das diferentes áreas do conhecimento. As demais tecnologias com as TIC funcionam como meio rápido de comunicação, de interação, que leva som e imagem. Essas são ferramentas importantíssimas para os avanços tecnológicos, mas para isso os usuários desta ferramenta têm que filtrar as informações contidas no mundo virtual, pois muitas delas podem trazer alto rico ao usuário.

As inovações das TIC são constantes, a criação de novos materiais audiovisuais e informáticos, cada vez mais sofisticados e integrados, são resultados de muitas discussões sobre inclusão dos aparatos tecnológicos na escola. Segundo Delors (1998), o mundo contemporâneo exige que os profissionais estejam sempre em processo de formação, segundo a ideia de uma educação permanente, para que possam acompanhar o acelerado processo de desenvolvimento científico e tecnológico.

Para Cedivanes (2004), em seus estudos sobre o tema, as TIC contribuem para a dinamização da economia, possibilitando intercâmbio entre os povos e contribuindo para a globalização dos aspectos econômico, social, cultural e político. Permitem a aproximação entre pessoas e organizações com muito mais rapidez, superando barreiras de distância física, geográfica e pedagógica. As TIC são um grande desafio para a formação dos professores atuais e a capacitação e inclusão dos professores tradicionais, pois deve existir antes de tudo uma mudança no ambiente escolar, mudanças das diretrizes curriculares e o papel do professor no processo de inclusão tecnológica.

Para Brzezinski (1996), a formação continuada, no Brasil, tem sido concebida como forma de reparar as lacunas e deficiências da formação inicial. Contudo, deve ser regulamentada pelos dispositivos legais, possibilitando favorecer dinâmicas de atualização e aprofundamento do conhecimento necessário ao exercício da profissão docente (Silva, 2000). O Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo), que tem a coordenação do MEC, desde 1997 estabelece um elo entre os governos do município e do estado na formação dos professores de todo o país, principalmente aqueles do Ensino Médio são capacitados para lidar com os avanços tecnológicos.

Já não se pode questionar o uso do computador na educação, pois a escola não pode estar afastada do que acontece na sociedade, porém não se pode considerá-lo como um ser mágico que trará a solução de toda a educação. Ele deve ser visto como mais uma ferramenta educacional que por si só não tem a função de ensinar, mas de criar condições de aprendizagem, segundo Almeida (2000).

Inclusão digital de deficientes           

A deficiência não é o único motivo que limita as pessoas com deficiência, mas a própria comunidade em que o indivíduo está inserido. A falta de acessibilidade, de computadores adequados, entre outros recursos que facilitem seu aprendizado. Segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no censo do ano de 2000, vinte e cinco milhões de brasileiros apresentavam alguma deficiência, sendo 2.848.684 com deficiência mental permanente.

Conforme Werneck (1997) enfatiza que o mundo tem cada vez mais pessoas com deficiência. Pode-se afirmar que este aumento tem como causas, além do crescimento populacional mundial, fatores como guerras e consequências da violência, ausência ou situação precária de infraestrutura em questões como saneamento, educação e saúde neste aspecto, também se pode fazer referência às medidas de prevenção das deficiências e reabilitação de pessoas com deficiência, acidentes de trânsito e trabalho, entre outros.

Nos últimos anos, cresceu a preocupação das instituições públicas e particulares em incluírem as pessoas com deficiência. A acessibilidade não está perfeita, porém está avançada, acessibilidade para além do espaço físico, mas também no espaço digital; incluindo a internet; recursos de acessibilidade na televisão; acesso a livros eletrônicos em formato digital, entre outros. O Brasil tem tudo o que é preciso para promover a inclusão social e digital: leis, produção tecnológica especializada, centros de pesquisa em acessibilidade. Porém, existem poucos pontos públicos de acesso à internet preparada para receber deficientes.

A acessibilidade é tema de uma exposição no Rio de Janeiro, promovida pela UFRJ, desde 2014, chamada de "Cidade Acessível, um desafio aos sentidos", esta exposição mostra os principais problemas encontrados pelos deficientes em uma cidade grande, como o Rio de Janeiro. A maioria dos museus ou outra instituição não elabora meios de acessibilidade para qualquer pessoa com deficiência. Borges (2003, p. 228) assinala que equipar a pessoa com deficiência para trabalhar e desenvolver suas potencialidades traz vantagens também para o governo. Mesmo que se necessite dar um suporte financeiro permanente a estas pessoas, o gasto será menor do que numa estratégia puramente assistencialista.

Conforme a pessoa com deficiência se torna consumidora, as empresas são realimentadas e podem gerar novos produtos. O acesso a itens de tecnologia pelas pessoas com deficiência, por exemplo, pode proporcionar uma vida mais confortável. A informática usada para estimular, aprimorar e potencializar as ideias, de pessoas com atraso no desenvolvimento cognitivo, vem sendo uma realidade no mundo atual.

A transformação do espaço físico, portanto, é a primeira coisa a fazer, de acordo com cada deficiência, o local deve ser modificado para atender bem a todos os alunos com deficiência, algumas mudanças são: instalação de rampas, elevadores e banheiros adaptados, pois todos os alunos devem estar matriculados na rede de ensino regular. Um exemplo de instituição que trabalha com deficientes mentais é a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), é uma associação que junto aos pais ajuda a prevenir e tratar a deficiência e promover o bem-estar e desenvolvimento da pessoa com deficiência.

As novas tecnologias deixam os pais em dúvidas ao deixar o filho deficiente ou não, as usar, mas têm aplicativos educativos gratuitos, que não necessitam de internet e ajudam a desenvolver a coordenação motora, o ritmo, criatividade, noções de matemática e noções de cuidados.

A inclusão e integração dos alunos nas escolas atualmente por ser obrigatória, estão sendo maiores, as modificações do espaço escolar para fazer com que este seja acessível também está sendo respeitado em algumas escolas. Que apresentam salas de recursos bem equipadas, claro que isso não é a realidade de todas as escolas do Brasil. As empresas tomam consciência dos talentos, isso faz com que o aumento de portadores de deficiência trabalhando aumente. Os estabelecimentos comerciais percebem que eles são consumidores a serem conquistados, pois nas últimas décadas os deficientes saem mais de casa, tornando mais independentes e autônomos.

A Rede SACI detecta as empresas que contratam pessoas com deficiência; a Avape é uma instituição sem fins lucrativos que atua na capacitação, colocação e contratação de pessoas com deficiência. Tem entre seus funcionários pessoas com deficiência física, mental, auditiva, visual e múltipla. Seu programa específico de contratação existe desde 1982, o que faz dela uma instituição com grande experiência na área. Na TV aberta, temos a TV Brasil, que apresenta o Programa Especial, que debate a inclusão de pessoa com deficiência, acessibilidade, leis, entre outros temas.

O projeto Livro nas Praças visita comunidades do Rio, levando mais de 60 livros em braile, alguns com ilustração e áudio para crianças. Além disso, tem um ônibus-biblioteca que foi totalmente adaptado para receber o público com necessidades especiais e uma cadeira de transbordo para cadeirantes e idosos foi implantada para facilitar o acesso de quem tem dificuldades para subir a escada.

A importância da leitura e da música na primeira infância, para ajudar no desenvolvimento cognitivo, é fundamental para pessoas com deficiência ou sem deficiência. Algumas mães acham perda de tempo ler para os bebês, pois eles ainda não aprenderam a falar. Mas não há idade para dar início à educação infantil, para a formação do leitor. Especialistas dizem que durante a gestação, a partir dos quatro meses, quando o bebê já pode ouvir, o ato da leitura pela mãe, já é o primeiro passo, pois ao nascer esta leitura pode ser intensificada.

A partir da vigésima semana de gestação, o aparato neurofisiológico auditivo já está pronto para receber vibrações sonoras, este é o melhor momento para a mãe conversar mais vezes com o feto, colocar músicas para ele ouvir. Segundo especialistas, é possível que depois do nascimento, o bebê reconheça as vozes que ouviu durante a gestação. A comunicação entre a mãe e o bebê é importante, seja contando histórias, falando, cantando, entre outros estímulos, pois pesquisadores comprovaram que os cinco sentidos estão desenvolvidos antes do nascimento.

É importante estimular o desenvolvimento cognitivo, a memória, a atenção, concentração, contato com a realidade, agilidade motora, linguagem, expressão corporal, interação social, motivação e o emocional da criança. A Musicoterapia pode ser aplicada durante a gestação. Também pode ser utilizada com as crianças que apresentam déficit de atenção/hiperatividade, déficit de aprendizado, portadoras de deficiência física e mental, distúrbios alimentares, dentre outros problemas.

Desde a Antiguidade, Aristóteles e Platão tinham a ideia de que a música poderia causar bem-estar às pessoas. Os médicos conseguiram estabelecer esta relação, apenas no século XX, usando a música para a recuperação de seus pacientes. No Brasil, o curso de Musicoterapia teve início somente em 1971 no Paraná e no Rio de Janeiro. A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir. Esse trabalho pode ser desenvolvido junto com a fonoaudiologia, fisioterapia e a terapia ocupacional param se conseguir um melhor resultado. A projeção, que trabalha com a audição de músicas e de sons, permite ao indivíduo se expressar através de desenho, da escrita ou da modelagem (massa de modelar).

Quadro 1: Os efeitos da Musicoterapia

Fisiologia: produz mudanças no ritmo cardíaco e respiratório e na tensão muscular;

Comunicação: estimula a expressão verbal;

Afetividade: favorece o desenvolvimento emocional e afetivo;

Sensibilidade: ajuda a percepção auditiva e táctil;

Movimento: estimula a atividade e melhora a coordenação motriz;

Sociabilidade: fomenta a interação social;

Educativas: ajuda na formação, desenvolvimento pessoal e na superação de dificuldades de aprendizagem;

Psicoterapêuticas: ajuda a resolver problemas psicológicos e a mudar condutas estabelecidas;

Médica: apoio psicológico e físico (pode reduzir a dor) à pacientes e aos médicos que enfrentam situações difíceis como a cirurgia, doenças terminais, cuidados intensivos, entre outros;

Psiquiátrica: melhora a autoestima e a capacidade de comunicação dos doentes.

Fonte: http://cursocertificado.com.br/principios-da-musicoterapia/

No ato de contar uma história, seja em voz alta ou em tom normal, a mãe estimulará o desenvolvimento da linguagem oral e escrita e o cognitivo do bebê, o que também fortalecerá a interação entre os pais, naquele momento da leitura. O ato de manusear o livro, seja de plástico, de papel ou de pano, seja no berço ou durante o banho, promove motivação na criança.

Segundo Werneck (1997), também foi a ONU que oficializou o conceito de sociedade inclusiva ao instituir 1981 como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes. Vários documentos da ONU refletem suas ações na busca pela melhoria contínua da vida das pessoas com deficiência e na construção de uma sociedade inclusiva global, onde todos possam ter o direito de participar igualmente. Outras entidades também se mobilizaram para garantir que pessoas com deficiência possam ter seus direitos assegurados, já as questões legislativas e direitos das pessoas com deficiências têm vários documentos em nosso país, porém está longe de ser um país inclusivo.

A Educação Especial e o ensino regular não deveriam estar separados, pois ela faz parte de todos os níveis de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Superior. Respeitando e fortalecendo uma sociedade democrática,

o princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças deveriam aprender juntas, independente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos, acomodando tantos estilos como ritmos diferentes de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos por meio de currículo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de ensino, usam de recursos e parcerias com a comunidade [...] dentro das escolas inclusivas, as crianças com necessidades educacionais especiais deveriam receber qualquer apoio extra que possam precisar, para que lhes assegure uma educação efetiva (Unesco, 1994, p. 6).

A Educação Inclusiva tem o objetivo centrado no educando, capaz de educar a todos, sem discriminação, respeitando suas diferenças; oferece ao educando uma escola que lide com a diversidade dos educandos e ofereça respostas adequadas às suas características e necessidades, sempre solicitando apoio e recursos de instituições e especialistas quando se fizer necessário.

Deficientes mentais – teste de inteligência (QI) e teste do pezinho       

A deficiência mental tem vários fatores, pois qualquer problema ocorrido durante a formação e desenvolvimento do cérebro pode levar a deficiência mental, como por exemplo: alteração genética, quando um dos pais é portador do gene causador da desordem ou anomalia nos cromossomos, que ocorre durante a divisão celular, a pessoa pode ficar com mais ou menos cromossomos. São casos de síndrome de Down, síndrome de Prader-Willi, síndrome de Patau, síndrome do X-Frágil e anencefalia.

As síndromes

A síndrome de Down provoca a deficiência mental, pela presença da trissomia do cromossomo 21, ou seja, há um cromossomo a mais. Alguns exames detectam a ocorrência de alterações no desenvolvimento do feto. Dentre eles estão: vilocorial, amniocentese, cordocentese, ecocardiografia fetal e doppler. Eles permitem ao médico diagnosticar se o bebê tem síndrome de Down, anomalias cromossômicas, doenças infecciosas, problemas cardíacos ou alterações da circulação sanguínea.

A síndrome de Prader-Willi é uma alteração genética, na qual a criança desenvolve uma fome insaciável, a hiperfagia, em decorrência do ato de comer sem parar, a criança acaba com obesidade mórbida, o que acontece entre os 2 e 5 anos de idade e causa também deficiência mental. Os bebês apresentam dificuldade de sugar, não conseguem ser amamentados, têm choro fraco, são poucos ativos, seu desenvolvimento neuromotor é lento, tardam a sentar, engatinhar e caminhar, causas do atraso nas fases típicas do desenvolvimento psicomotor, chamado de hipotonia. Apresentam ainda dificuldades de aprendizagem e fala, instabilidade emociona atraso no desenvolvimento sexual, baixa estatura, diminuição da sensibilidade à dor, pele mais clara que os pais, boca pequena com o lábio superior fino e inclinado para baixo nos cantos da boca, fronte estreita, olhos amendoados, estrabismo, tamanho reduzido de mãos, pés e genitais.

A síndrome de Patau provoca fissura no lábio e no palato, deficiência mental, causados por ter um cromossomo a mais, causado pela trissomia do cromossomo 13. Uma mãe disponibiliza na internet uma página falando como é ter um filho com síndrome de Patau: Meu Filho Júlio Cesar Tem Síndrome de Patau. A anencefalia se verifica quando o bebê não possui cérebro, calota craniana, cerebelo e meninges, que são estruturas muito importantes do sistema nervoso central, o que pode ser diagnosticado a partir da 11a semana de gravidez. As principais causas são carga genética, meio ambiente e má nutrição da mulher durante a gravidez, a falta do ácido fólico durante a gestação.

Há outras doenças cerebrais graves como aquelas que podem provocar deficiência mental quando os tumores a estas associadas se localizam no cérebro, ou desordens degenerativas. Alguns exemplos são neurofibromatose ou doença de Von Reckinghausen, esclerose tuberosa, doença de Huntington. Ainda há influências pré-natais desconhecidas que são caracterizadas por má-formação cerebral ou craniana presente no nascimento, que têm como exemplos a microcefalia, hidrocefalia e desordens psíquicas como desordem de Rett e certos casos de autismo e esquizofrenia.

Teste de inteligência (QI) e teste do pezinho

Capacidade intelectual, QI, sua redução, é uma característica da deficiência mental. A pessoa com deficiência apresenta, na maioria das vezes, dificuldades ou atraso em seu desenvolvimento neuropsicomotor, aquisição da fala e outras habilidades, um déficit no comportamento adaptativo, seja na comunicação, aquisições práticas da vida cotidiana (higiene etc.).

Os testes de inteligência têm seus problemas, pois durantes anos foram usados de forma discriminada, rotulando e classificando pessoas como deficientes, normais, superdotados, etc. Separando grande quantidade de crianças nas classes de alunos considerados menos capazes, e a elas foi ensinado um conteúdo igualmente medíocre, pois acreditava que não seriam capazes de aprender. Atualmente todos os alunos são incluídos e integrados em uma sala de aula regular, tendo os mesmos ensinamentos. Algumas escolas oferecem as salas de recursos e apoio individualizado ou em grupo para estes alunos com necessidades especiais, fazendo que estes alcancem ao mesmo tempo o que está sendo ensinado pelo professor em sala de aula.

O meio ambiente pode beneficiar ou prejudicar o nosso potencial hereditário, dependendo do tipo, da qualidade e da quantidade de interação que pode nos envolver ou limitar. O meio, lugar onde crescemos e vivemos, ambientes físico e social, meio familiar, podem influenciar no desempenho intelectual da criança. Sabemos que o lugar onde a criança cresce e convive, o tipo de estímulo que ela recebe e a forma como as pessoas interagem com ela podem ser determinantes para a inteligência.

Os estudos sobre a importância da estimulação sensorial no desenvolvimento cognitivo, atualmente sabermos que tiveram suas raízes na Teoria de Galton, em 1869, quando este lançou o seu primeiro trabalho, Gênio hereditário, que relata a importância da hereditariedade na determinação da inteligência. O autor e seus familiares acreditavam que a genialidade era um traço familiar. Na América, em 1916, Lewis M. Terman introduziu o conceito de quociente intelectual (QI). Esses testes mediam o desenvolvimento intelectual da criança em relação a sua idade. Entre as causas mais comuns da deficiência mental, estão os fatores os genéticos, as complicações ocorridas ao longo da gestação ou durante o parto e as pós-natais.

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) proclamou 3 de dezembro como o Dia Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência. Contribuiu para a tomada de consciência da população mundial sobre esse assunto e para a definição de iniciativas para melhorar a vida dessas pessoas, também com o objetivo de estimular a integração das pessoas com necessidades especiais na sociedade. As mulheres e idosos são maioria entre os portadores de deficiência, segundo o Censo 2010. Um meio para detectar e prevenir a deficiência mental é o teste do pezinho, que é realizado aqui no Brasil há mais de 10 anos. Esse teste é regulamentado pela Lei Federal n° 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), que determina, no Art. 10 - 111 "Proceder a exame visando ao diagnóstico e terapêutico as anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientações aos pais". Pelo teste do pezinho é possível triar doenças como: fenilcetonúria; hipotireoidismo congênito; deficiência de biotinidase; hemoglobinopatias e a fibrose cística.

A nova LDB e a inclusão dos alunos portadores de necessidades educativas especiais           

Os alunos com deficiências mentais chegam às classes regulares somente na década de 1990, porém o fracasso escolar impediu durante anos, que estes alunos ingressassem na rede pública, eram excluídos e vítima de preconceitos. Estes alunos eram atendidos por escolas especiais das redes de ensino e instituições como Helena Antipoff, APAE do Brasil, AACD e Sociedade Pestalozzi.

A inclusão dos alunos com deficiência não pode ser apenas a aceitação da matrícula de um educando na escola regular, porém uma integração deste ao meio escolar. Através das salas de recursos, elaborar com criatividade meios que facilitem o ensino-aprendizagem destes, respeitando à diversidade, valorizando os alunos, dando a estes acessos aos direitos básicos e fundamentais, que é a educação de qualidade.

Segundo a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Por muitos anos, estes alunos portadores de necessidades educativas especiais foram excluídos, do convívio social, educacional, profissional, entre outros meios. A inclusão tem que começar primeiramente na família, depois na comunidade em que o deficiente vive, formando valores, como justiça, igualdade e democracia social.

Tecnologia assistiva e tecnologias da informação e comunicação

Tecnologia assistiva, termo que identifica os recursos e serviços que contribuem para ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover autonomia e Inclusão. A origem da expressão tecnologia assistiva está em 1988. O termo assistive technology, traduzido no Brasil como tecnologia assistiva, foi criado oficialmente em 1988 como importante elemento jurídico dentro da legislação norte-americana, conhecida como Public Law 100-407, que compõe, com outras leis, a ADA - American with Disabilities Act. Este conjunto de leis regula os direitos dos cidadãos com deficiência nos EUA, além de prover a base legal dos fundos públicos para compra dos recursos que estes necessitam. Houve a necessidade de regulamentação legal deste tipo de tecnologia, a TA, e, a partir desta definição e do suporte legal, a população norte-americana, de pessoas com deficiência, passa a ter garantido pelo seu governo o benefício de serviços especializados e o acesso a todo o arsenal de recursos que necessitam e que venham favorecer uma vida mais independente, produtiva e incluída no contexto social geral (Bersch, 2005).

Os recursos usados para facilitar a integração e inclusão do deficiente mental na sociedade vão desde jogos educativos manuais a um complexo sistema computadorizado (softwares e hardwares especiais), que contempla questões de acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, entre outros. Já os serviços são aqueles prestados por profissionais à pessoa com deficiência mental visando selecionar, obter ou usar um instrumento de tecnologia assistiva. Como exemplo, podemos citar avaliações, experimentação e treinamento de novos equipamentos, que facilite sua integração.

No Brasil, a tecnologia assistiva é utilizada na língua portuguesa ao lado das expressões “ajudas técnicas” e “tecnologia de apoio”: elementos que permitem compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de deficiência, com o objetivo de superar as barreiras de comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão social (Cedipod, 2007).

Os recursos de acessibilidade que utilizamos em três grupos: no primeiro, a adaptação física demonstrada por qualquer aparelho ou adaptação fixada e utilizada no corpo do aluno e que facilitam a interação dele ao usar computador, tablet e laptop. No segundo grupo, as adaptações de hardware, que são todos os aparelhos ou adaptações presentes nos componentes físicos do computador, nos periféricos ou mesmo quando os próprios periféricos, em suas concepções e construção, são especiais e adaptados, como, por exemplo, máscara de teclado (ou colmeia). Os alunos com dificuldades de coordenação motora associada à deficiência mental também podem utilizar a máscara de teclado junto com "tampões" de papelão ou cartolina, que deixam à mostra somente as teclas que serão necessárias para o trabalho, em função do software que será utilizado.

No terceiro grupo há softwares especiais de acessibilidade, como os componentes lógicos das TIC quando construídos como tecnologia assistiva, ou seja, são os programas especiais de computador que possibilitam ou facilitam a interação do aluno portador de deficiência com a máquina, tais como softwares especiais para a comunicação como as versões computadorizadas dos sistemas tradicionais de comunicação alternativa como o Bliss, o PCS ou o PIC.

Para acessar a web, as pessoas com deficiência na aprendizagem podem necessitar de diferentes modalidades ao mesmo tempo. Por exemplo, alguém que possui dificuldade na leitura pode usar um leitor de tela com sintetizador de voz para facilitar a compreensão do conteúdo da página, enquanto uma pessoa com dificuldade em processar a audição pode ser auxiliada por legendas para entender um áudio.

Principais barreiras que uma pessoa com deficiência pode encontrar ao usar o computador: ausência de texto alternativo que pode ser convertido em áudio, de imagens suplementares ou de legendas para áudio; elementos de áudio ou visuais que não podem ser facilmente desligados, ou ainda uso de imagens trêmulas ou sinais com certa frequência de áudio que podem causar desconforto a pessoa com deficiência mental; falta de consistência na organização das páginas e clareza; uso de linguagem complexa sem necessidade para o leitor; páginas com tamanhos de fontes, que não podem ser aumentadas ou reduzidas com facilidade.

As tecnologias da informação e comunicação (TIC) usam ferramentas tecnológicas para facilitar a comunicação, aprendizagem dos indivíduos. Na educação, é fundamental para auxiliar os professores em suas aulas, recursos como o computador com internet, com acesso a redes de relacionamento interativo, como redes sociais, blogs, bibliotecas virtuais, jogos educativos, softwares educativos, cadernos eletrônicos, telas sensíveis ao toque, teclados adaptados, acionadores, próteses para comunicação (deficientes mentais com vocabulário restrito), controle de ambiente entre outros.

No Rio de Janeiro, o Instituto Helena Antipoff utiliza e também distribui o software que permite o contato dos portadores de paralisia cerebral/motora com o computador, o ETM – Emulador de Teclado e Mouse –, que já estava sendo utilizado na Escola de Educação Especial Vivian Marçal, em Curitiba. A partir daí, o programa começou a ser difundido por todo o País. O ETM funciona acoplado a um equipamento que, conectado a sensores, permite ao usuário utilizar todos os recursos de teclado e mouse do micro. Esses sensores são ligados à cadeira de rodas ou ao corpo de um portador de paralisia cerebral – ou pessoa que tenha dificuldade motora. Por exemplo, para utilizar o software, o portador de paralisia que só move a cabeça pressiona um encosto colocado na cadeira de rodas. Com o movimento da cabeça, um sinal chega até o computador e o usuário navega pelo sistema de varredura.

Nas escolas, os terapeutas educacionais são treinados para essa função, mas quando atendemos alguém que não esteja na escola, é necessário ensinar os pais a fazer esse acompanhamento, o que não é impossível, mas um pouco mais complicado.

O Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ) criou o Motrix, software que permite que pessoas com deficiências motoras tenham acesso às vantagens que a microinformática oferece. O software é um grande benefício principalmente para tetraplégicos (que não movimentam braços e pernas), já que todos os processos do Motrix são executados por comandos de voz. Na prática, isso significa que o usuário fala e o computador faz. O software é gratuito e tem um reconhecedor de voz embutido, podendo ser acoplado também os dispositivos de home automation, que permitem ao usuário executar tarefas corriqueiras como acender ou apagar a luz, ligar a televisão etc. Tudo isso por meio de comandos de voz.

A informática educativa facilita as aulas; o recurso Logo é um exemplo disso: o computador é uma ferramenta cognitiva que viabiliza novas descobertas e ajuda no desenvolvimento das habilidades. Na Espanha, a empresa Barcelona Digital criou um protótipo que interpreta os sinais cerebrais de pessoas com deficiência mental, auxiliando na interação com o meio em que vivem. 

Conclusão

A inclusão digital de professores e alunos com deficiências, através de curso de capacitação para professores, o uso das tecnologias assistivas, de comunicação e da informação, nas aulas regulares e de apoio. Tudo isso, facilita o ensino aprendizagem dos alunos, a interação entre professor e aluno, inclusão deste ao sistema educacional, profissional e social. A inclusão não se limita a matriculá-los, mas dá apoio necessário para que esse se desenvolva ativamente, tanto cognitivamente, como na linguagem, na sua autonomia, habilidades, identidade e conhecimento contextualizado do mundo. Apresentamos nesta pesquisa alguns tipos de inclusão, tecnologias usadas, leis e direitos das pessoas com deficiência. Conclui-se que na parte referente à análise teórica os meios de inclusão digital são relevantes para solução dos problemas dos excluídos digitalmente. Os avanços tecnológicos ajudam na inclusão digital, social, educacional e profissional, mas recursos manuais ou artesanais também ajudam os alunos com deficiência mental ou outras deficiências.

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Publicado em 13 de julho de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

SILVA, Vanderson de Sousa; OLIVEIRA, Mônica Cristina Moura de. A importância da família e da tecnologia na Educação Especial. Revista Educação Pública, v. 21, nº 26, 13 de julho de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/26/a-importancia-da-familia-e-da-tecnologia-na-educacao-especial