Educação Inclusiva: uma questão de ponto de vista, olhares diferentes... na mesma direção

Luciana dos Santos

Mestranda em Novas Tecnologias Digitais na Educação (Unicarioca), professora do Ensino Fundamental II da Secretaria de Educação de Nova Iguaçu, do Ensino Médio e Neja (Seeduc/RJ)

Alessandro Jatobá

Doutor em Engenharia de Produção (Coppe/UFRJ), mestre em Ciência da Computação

Marcos Antonio Silva

Mestre em Educação em Ciências e Saúde (Nutes/UFRJ), especialista em Design Instrucional para EAD (Facel) e em Psicopedagogia Clínica e Institucional (UCAM), graduado em Pedagogia (UERJ)

No decorrer da história antiga, podemos verificar como pessoas com deficiência eram tratadas de forma diferente do coletivo. O quanto suas necessidades e atendimentos foram ignorados em muitos momentos, e negados veementemente no decorrer de todo o contexto histórico.

Ao explorar de forma breve o panorama social em que se encontravam as pessoas com deficiência nos anais bibliográficos de diversas fontes fundamentadas, pode-se verificar o quanto essa parcela da sociedade era tratada de forma excludente e aquém de suas premências.

As pessoas com necessidades educacionais específicas foram vistas de diversas formas ao longo da História. O preconceito e discriminação foram historicamente construídos, e toda esta trajetória difícil para este público no decorrer do tempo, devem ser utilizadas na atualidade para fomentar ações que resultem na merecida valorização do ensino inclusivo dentro de nossas unidades de ensino.

Que os eventos ocorridos no passado incentivem a reflexão sobre os tratamentos pelos quais pessoas com deficiência recebiam em cada época histórica, e como estes eventos podem ser utilizados como premissa de melhoria da nossa prática profissional cotidiana.

E na esfera educacional, estes registros históricos possam nos encorajar a buscar subsídios que visem à melhoria no atendimento acadêmico deste público, para que o mesmo possa estar realmente incluído no contexto escolar e social de forma justa e com igualdade de direitos.

Na Roma Antiga, início da Era Cristã, as pessoas com deficiência eram mortas apesar das leis romanas não permitirem a morte intencional de crianças com menos de três anos de idade. Algumas crianças dessa época que nasciam consideradas anormais, eram abandonadas às margens do rio Tibre. “Essas mesmas crianças eram resgatadas por escravos e pobres que as criavam e mais tarde as utilizavam como pedintes em templos, praças e ruas de Roma” (Corrêa, 2006, p. 11).

Já na Roma dos césares, os indivíduos com deficiência eram humilhados e tratados como bobos. E na Grécia Antiga, o culto ao corpo não permitia que este fosse diferente, gerando assim o sacrifício destas pessoas, ou que fossem escondidas, como se encontra registrado na República de Platão: “Quanto aos filhos de sujeito sem valor e aos que foram mal constituídos de nascença, as autoridades esconderão, como convém, num lugar secreto que não deve ser divulgado” (Brasil, 1997, p. 9).

Felizmente, com o passar das eras, e com o advento de estudos e dos direitos humanos, atualmente, várias esferas da sociedade têm se movimentado em prol da pessoa com deficiência. E a Educação Especial Inclusiva, é uma importante ferramenta capaz de contribuir junto com a sociedade para que os direitos destas pessoas sejam respeitados. É possível promover uma vida humanizada e igualitária para todas as pessoas independentemente da sua condição.

Na área educacional especificamente, é importante que este movimento de luta seja constante; em se criar, divulgar e compartilhar possibilidades e caminhos acadêmicos que possam sugerir ações que resultem na estimulação das potencialidades presentes nos alunos com deficiência, incentivando suas habilidades individuais, que promovam a inserção destes alunos no contexto escolar e na própria sociedade.

Para isso, é necessário que as discussões sejam constantes, as pesquisas acerca do assunto se tornem contínuas, que o compartilhamento e troca de experiências bem-sucedidas estejam presentes em nosso ambiente educacional.

Uma importante ferramenta que se encontra a nosso favor é o uso de tecnologias digitais que têm a capacidade de aproximar pessoas que tenham interesses em comum, para trocar experiências e promover a ampla divulgação de avanços educacionais de forma mais rápida e eficiente.

A tecnologia representa um importante aliado nesta tarefa, que é de divulgar, transmitir e contribuir na propagação de informações e saberes relevantes que possam estar implementando o repertório de possibilidades pedagógicas junto aos seus pares. Segundo Kenski:

Estamos vivendo um novo momento tecnológico. A ampliação das possibilidades de comunicação e de informação, por meio de equipamentos como o telefone, a televisão e o computador, altera nossa forma de viver e de aprender na atualidade (2010, p. 24).

A articulação constante e a divulgação de ações positivas entre os profissionais de ensino que atuam no cotidiano inclusivo, colaboram para movimentar e dar vida a formação docente, fazendo com que esta categoria profissional se torne cada vez mais especializada, como destacam os autores Peter Mittler e Penny Mittler em seu artigo “Rumo à Inclusão”, publicado pela Universidade de Manchester, que diz:

Agora que as crianças com deficiência estão sendo incluídas na escola regular, há um sério risco de que suas necessidades específicas sejam negligenciadas. Por esta razão, é preciso vigilância e defesa contínuas para não deixar que isso aconteça. Uma maneira de se atuar nesse sentido é publicar todos os casos de inclusão bem-sucedida.

Em um mundo cada vez mais digital ao qual estamos inseridos, as ferramentas tecnológicas vêm contribuindo de forma significativa na disseminação de conhecimentos, e na esfera educacional não poderia ser diferente. Temos as ferramentas eletrônicas a nosso favor que facilitam a propagação de informações, e na articulação pedagógica mais proativa entre seus pares.

As tecnologias digitais podem apresentar um papel fundamental na inovação das funções dos docentes. “Mais do que nunca, como educadores, precisamos desenvolver, monitorar, transformar, inovar, substituir novos modelos mentais, arquétipos, hábitos, culturas, buscar o desconforto do produtivo, flexibilizar, aceitar, adaptar e ajudar a transformar (Fava, 2014, p. 69).

Com base nessa premissa, reforça-se a ideia do quanto a tecnologia vem a colaborar com o desenvolvimento de novas maneiras de pensar, articular ações pedagógicas, e dialogar com metodologias que representarão inovações na práxis docente, visando maiores possibilidades no exercício de ensinar e aprender. São movimentos como estes, que resultam na melhoria da qualidade de ensino, onde a busca contínua de melhores estratégias educacionais fomentará uma Educação mais eficaz e significativa.

Metodologia

O relato de experiência foi fundamentado em diversos autores, que serão citados no decorrer do texto, escritores estes, que suas contribuições vêm a corroborar com toda a proposta inicial, que visa o compartilhar de vivências que possam colaborar de forma positiva na práxis cotidiana docente, e como as ferramentas tecnológicas podem estar contribuindo nesta movimentação.

Trata-se de um relato de experiência vivenciado no início do ano de 2020 em uma das escolas que eu trabalho, pois sou professora de ciências desta unidade de ensino há vinte anos, (ocorrendo antes de iniciarmos o período de distanciamento social proveniente da pandemia instaurada em todo o planeta), localizada no município de Japeri, e pertencente à Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.

A escola é pública, pertence à rede municipal de Educação e conta com aproximadamente mil trezentos e cinquenta alunos, divididos nos turnos da manhã, da tarde e da noite, através da Educação de Jovens e Adultos. Porém a experiência relatada se deu em uma turma do 6º ano de escolaridade no turno da tarde, onde a aluna de codinome Y era devidamente matriculada.

A breve experiência relatada neste trabalho descreverá como podemos praticar a inclusão de forma prática, respeitando as especificidades do aluno com deficiência, praticando a empatia e valorizando sua maneira particular de compreender e internalizar os conteúdos trabalhados em sala de aula.

Que seu olhar diferenciado do mundo e do que está a sua volta não sejam impeditivos na inserção do aluno com deficiência às atividades propostas ao coletivo. É sabido que cada indivíduo tem seu tempo e sua forma individual de aprender, independentemente de sua condição.

Partindo do pressuposto que todos (sem exceção) têm o seu tempo cognitivo para aprender e assimilar conhecimentos, automaticamente podemos concluir que esta pauta não deveria ser um tema voltado especificamente ao aluno com deficiência, talvez esta parcela discente só deva ser vista com um olhar um pouco mais profundo e com mais detalhes.

Uma vez que determinada característica demande de metodologias e estratégias mais direcionadas e específicas para se atingir determinado objetivo.

A situação vivida neste relato cria questionamentos e inquietações sobre o assunto, mostrando que é possível ter diferentes olhares acerca da Educação inclusiva, porém com a mesma finalidade: garantir que a inclusão educacional seja um movimento contínuo e verdadeiro dentro e fora dos muros da escola.

Na realidade, não existe um único caminho para se alcançar determinado objetivo; e sim vários caminhos, olhares, saberes e compreensões diferentes que podem convergir e complementarem-se, com o intuito de atingirem a mesma meta: o sucesso na aprendizagem respeitando as particularidades do indivíduo.

Neste relato, podemos observar alguns desafios ao se trabalhar a Educação Inclusiva, e que em alguns momentos, a empatia e a sensibilidade tão difundida nas habilidades socioemocionais deverão ser a palavra de ordem neste processo.

É importantíssimo que os profissionais da área da Educação tenham este entendimento, onde olhar o outro com um pouco mais de calma e de maneira mais meticulosa seja o diferencial para que determinados objetivos sejam alcançados pelo aluno com deficiência. Segundo Matias e Souza (2016), “transpor essa barreira é algo que só um docente comprometido com a mudança pode fazer”.

A primeira etapa, após verificar que iria receber esta aluna com deficiência em minha sala de aula, foi tentar conhecê-la melhor e mais profundamente, investigando seu histórico e procurando observar as suas formas de comunicação com todos dentro do espaço escolar.

A aluna em questão, que, por razões éticas e pela garantia da confidencialidade, chamarei de Y, é discente com síndrome de Down. A aluna faz parte de uma turma do 6º ano de escolaridade e desde o início sempre mostrou muito interesse em participar das atividades da escola, era muito comunicativa, alegre e interagia de forma satisfatória com os colegas de classe e professores.

A síndrome de Down (CID 10 - Q90) é uma condição genética que leva a características físicas singulares e propensão a algumas doenças. Ela é chamada de trissomia 21 e causada por um cromossomo extra no par 21.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), embora apresentem deficiências intelectuais e de aprendizado, pessoas com síndrome de Down têm personalidade única, estabelecem boa comunicação e também são sensíveis e interessantes.

A OMS ainda acrescenta que quase sempre, quanto maior o estímulo dado a essas crianças durante a infância, menor o "grau" das dificuldades, respeitando o histórico e todo o contexto ao qual o indivíduo está inserido.

A segunda etapa foi de refletir, à luz da literatura pesquisada, sobre métodos educacionais que pudessem ser empregados e sua aplicabilidade prática utilizando meios disponíveis, contando com muita criatividade e imaginação, de forma que o conteúdo trabalhado em sala de aula pudesse ser assimilado, e que de alguma maneira pudesse causar impactos positivos na vida da aluna contribuindo consequentemente para práticas inclusivas em Educação.

Panorama

A escola municipal onde ocorre a vivência deste relato de experiência é um espaço de Ensino Fundamental II, localizado do bairro de Engenheiro Pedreira, região central do Município de Japeri.

Sua característica é representada por uma infraestrutura predial que conta com dois andares; possui treze salas de aula, com turmas do fundamental II. Funciona nos três turnos (manhã, tarde e noite) onde o terceiro turno é voltado especificamente para EJA (Educação de Jovens e Adultos).

O prédio foi reformado a pouco tempo, as melhorias foram feitas de forma que garanta a acessibilidade, como a instalação rampas de acesso, construção de banheiros espaçosos com barras de apoio. A implantação destes componentes minimizou as dificuldades de adaptação para as novas demandas educacionais inclusivas que vêm surgindo atualmente nesta unidade de ensino.

A escola conta com uma pequena sala de informática, sala de recursos e biblioteca. Possui banheiros femininos e masculinos recentemente adaptados para cadeirantes e o refeitório.

Relato de experiência

Este registro é de uma aula que ministrei no início ano de 2020, antes de se instaurar a pandemia, sou professora de ciências naturais e, de acordo com o currículo, iria abordar naquele período, o conteúdo temático célula; sua função, particularidades biológicas e a importância da mesma na formação dos seres vivos, destacando também a ausência desta estrutura em seres não vivos. Este conteúdo foi trabalhado em uma turma do sexto ano do segundo segmento do Ensino Fundamental.

A turma contava com uma aluna com síndrome de Down que desde o início do ano letivo já demonstrava grande alegria em estar no convívio escolar, tinha interesse e muita curiosidade para aprender coisas novas.

Procurei abordar o conteúdo de forma simples e direta para todos, com falas curtas e objetivas, utilizando de materiais visuais como gravuras e esquemas de tamanhos grandes e bem coloridos, de forma a chamar atenção e despertar o interesse de todos.

No final do processo, fiz uma atividade com os alunos, de forma que eles pudessem expor o que entenderam sobre o que estudamos. Uns fizeram textos, outros cartazes com desenhos feitos por eles, retirados da internet ou de livros.

A aluna Y me trouxe um desenho onde ela representou as células de um organismo em forma de bolinhas bem pequenas. Ao ver o desenho, fiquei intrigada e perguntei:

Eu: Y, o que são essas bolinhas?

Y: São as células que você me falou, tia; fiz pequenas porque você me disse que nem dá pra gente ver, né?

Eu: Sim, isso mesmo.

Eu: Mas por que você pintou só a bola e o boné da criança?

Y: Porque você me disse que só quem tá vivo que tem célula, ué!! Aí como a bola e o boné não têm vida, eu quis pintar só eles...

Eu: Entendi... mas você não vai pintar as roupas e nem o sapato da criança que você fez?

Y: Não!! Você não tá vendo que ele tá descalço? Está descalço e pelado! Por isso eu botei célula em tudo! Se ele estivesse de roupa e sapato; roupa e sapato não têm vida... aí eu pintava!

Eu: Ah, tá... eu sou muito distraída, né?

Y: É... é sim, tia...muito distraída você!

Eu: Verdade...

(Muitos risos)... Nós duas...

Figura 1: Trabalho de Y – Célula

Figura 2: Bilhete que Y me deu, com intervenções que fiz na ortografia

Corrigi e expliquei a ela o porquê dos ajustes, informei à professora de Língua Portuguesa que o conteúdo envolvendo separação silábica poderia ser um bom tema a ser trabalhado com toda a turma. E a troca de bilhetinhos entre os colegas de classe seria uma boa oportunidade para explorar esse assunto.

A fala de Y me mostrou o quanto ainda estamos atrelados a estereótipos e padrões de resposta a determinados estímulos. Pude perceber como nos prendemos a determinadas amarras conceituais que engessam e paralisam a visão sobre diversas formas de internalizar conhecimentos, de ensinar e de aprender...

Nesta situação especificamente, aprendi mais do que ensinei; pois pude verificar que determinados conceitos e “tabus pedagógicos” que inconscientemente foram internamente construídos, precisam ser eliminados, e no lugar deles construir uma forma mais abrangente de olhar e trabalhar a Educação inclusiva na minha prática cotidiana.

Esta experiência construiu, no meu interior, uma visão pedagógica muito mais livre e holística... livre de amarras estereotipadas que limitavam a minha visão sobre o que é de fato, avaliar minhas ações pedagógicas que promovam a verdadeira inclusão.

Talvez Y, com sua simplicidade, tenha aprendido sobre células muito mais que todos os outros alunos; e eu, com minha “deficiência pedagógica” não tinha percebido de forma tão clara esse aprendizado se não fosse a colocação da aluna em questão.

Conclusão

Torna-se essencial o processo de compartilhamento de reflexões a respeito da formação, dos saberes docentes e de suas práticas pioneiras que possam estar surtindo algum efeito positivo na formação do discente com deficiência.

Temos a tecnologia e os dispositivos digitais a nosso favor para nos auxiliar nesta tarefa tão relevante: de propagar os pensamentos e ações que possam contribuir para aprimorar a nossa prática profissional de forma continuada.

Repensar constantemente novas formas de abordagem de conteúdos e todo o processo de desenvolvimento e aplicabilidade dos mesmos em sala de aula é um importante movimento pedagógico que resulta na concretização da perspectiva inclusiva no cotidiano escolar.

A valorização da perspectiva singular do aluno em relação aos conteúdos trabalhados, e a forma particular que o mesmo apresenta e manifesta na internalização dos assuntos abordados em sala de aula possam nos encorajar a criar ou reproduzir ações pedagógicas que proporcionem a verdadeira inclusão no contexto acadêmico.

Ter a consciência que não existe um olhar apenas quando o foco é a inclusão escolar, e sim olhares diversos que dentro de suas concepções, podem agregar novos princípios que nortearão o sucesso no caminhar didático e inclusivo.

Independentemente do olhar voltado à inclusão ou dos caminhos que trilharmos para atingir objetivamente esta temática, é na sala de aula que se tem o real indicador das propostas e técnicas defendidas por pensadores, é nela que são avaliados se tais conceitos são, de fato, viáveis.

É na ação direta com os discentes que se tem a validação de todas as metas planejadas e organizadas de forma conceitual e teórica que estudamos com tanto afinco utilizando as mais diversas fontes bibliográficas.

Informações estas, que bem estruturadas e sendo colocadas em disponibilidade a outros mediadores com os mesmos interesses, auxiliarão no desenvolvimento de novas concepções profissionais dos agentes de ensino, mais especificamente voltadas ao público de Educação Inclusiva.

Entender que a Educação Inclusiva tem como essência reconhecer que o aluno com deficiência tem seu tempo particular de assimilação como todos os outros alunos ditos “normais”, porém na sua realidade específica, este tempo, a forma de ver o mundo ao relacionar os conteúdos apresentados a ele poderá ser manifestada de formas diferentes dos demais, porém esta diferença não deve, de forma alguma, invalidar seu progresso educativo e sua evolução pedagógica de aprendizado.

Tomando como base alguns destes critérios, como o compartilhamento de saberes e práticas bem-sucedidas, estas ações poderão ajudar no preenchimento de certas lacunas existentes na formação de educadores, para que os mesmos realmente possam atender a esta demanda de forma mais eficiente e construtiva.

A Educação escolar destina-se ao desenvolvimento das faculdades intelectuais do ser humano, e que deve, obrigatoriamente, incentivar as potencialidades individuais de cada um dentro do seu perfil, emocional, físico e cognitivo.

Graças ao potencial educacional, e sua vertente socializadora, a escola é constituída como um dos direitos mais importantes da cidadania, e um atendimento que fomente a inclusão no ambiente escolar, que tenha como um dos seus principais objetivos olhar atentamente as demandas oriundas dos discentes com deficiência, certamente irá resultar em uma Educação que proporcione mais qualidade nas ações de ensinar e aprender.

Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou. Pela sua capacidade de me olhar devagar, já que nessa vida, muita gente já me olhou depressa demais... (Mello, 2018).

Vemos na atualidade um ritmo tão acelerado de informações e interações, onde resultados imediatos e respostas automatizadas estão sempre presentes em nossas vidas. E, na esfera educacional, temos as habilidades socioemocionais, que estão presentes em dez competências gerais da BNCC.

Com isso, vemos, em tais competências, a referência ao processo de entendimento e manejo das emoções, como a empatia e tomada de decisões responsáveis, onde o objetivo principal seja a missão de olhar o aluno da forma mais global possível, tendo a consciência que somos seres únicos, com potencialidades individuais, que se bem trabalhadas, poderão ser desenvolvidas de forma positiva.

Atrelado às tecnologias digitais, que nos dão suporte na implementação de ferramentas que resultarão em atendimentos mais eficazes, as habilidades socioemocionais nos convidam a articular ações que envolvam o cuidado, e a compreensão que todos os alunos são capazes de aprender, e que o discente com deficiência deverá ser visto apenas com um pouco mais de detalhes e profundidade, levando sempre em conta as variedades dos sujeitos e promover ações tecnológicas e pedagógicas voltadas a estes contrastes.

A Educação Inclusiva favorece a diversidade, pois nos mostra que todos os alunos podem ter especificidades individuais em algum momento da vida escolar e o convívio diário com todo o grupo docente pode ser benéfico para todos.

A inclusão visa educar todas as crianças em um mesmo ambiente escolar, e a parceria com as tecnologias digitais pode auxiliar de forma positiva todo esse processo, através do compartilhamento de práticas docentes de sucesso, auxiliando na disseminação de ações bem-sucedidas que certamente contribuirão para melhoria constante da ação docente e da qualidade do ensino.

Referências

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Publicado em 13 de julho de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

SANTOS, Luciana dos; JATOBÁ, Alessandro; SILVA, Marcos Antonio. Educação Inclusiva: uma questão de ponto de vista, olhares diferentes... na mesma direção. Revista Educação Pública, v. 21, nº 26, 13 de julho de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/26/educacao-inclusiva-uma-questao-de-ponto-de-vista-olhares-diferentes-na-mesma-direcao