Estudo de caso com gestores escolares: os desafios da comunicação em grupo por meio de plataformas digitais

José Sergio Dias Page

Professor do Ensino Médio (Seeduc/RJ), mestrando em Ensino (Infes/UFF)

Daniel Costa de Paiva

Professor universitário, líder do Grupo de Educadores Google (GEG – Pádua) e do TECGrupo (Infes/UFF)

Temos vivido um momento de reclusão social imposta pela pandemia da covid-19, que fechou os estabelecimentos comerciais, estádios, praias, salões de festas e escolas. Esse novo coronavírus intensificou o uso das tecnologias digitais ao construir novas relações econômicas, sociais, culturais e educacionais na sociedade.

Os caminhos percorridos para suprir a ausência física nos ambientes, antes frequentados, foi a criação das lives, uso dos filmes, celulares, computadores e a potencialização das ferramentas digitais. A pandemia também trouxe reflexos para os estabelecimentos de ensino, mudou as formas e atitudes de ensinar, aprender e gerir uma escola.

Professores e alunos têm buscado cumprir seus papeis sociais e culturais no ensino e na aprendizagem de maneira remota, modificando assim o ensinar habitual e o aprendizado. O ensinar e o aprender, hoje em dia, ficaram a cargo das estratégias e metodologias adotadas pelas escolas ao mediar os conteúdos básicos para os alunos, tendo as ferramentas digitais uma função ímpar no protagonismo colaborativo do processo educacional. Essa ideia é corroborada por autores que mencionam que

Em nosso cotidiano, a tecnologia tem sido um facilitador nas atividades exercidas pela sociedade, seja nas atividades primárias, secundárias e terciárias. [...] Continuar somente com as convencionais ferramentas de ensino e não procurar o uso da informática na sala de aula é ignorar este recurso de propagação e criação do conhecimento (Voges et al., 2009, p. 68).

Será que somente professores e alunos têm usufruído das ferramentas colaborativas digitais no ambiente escolar? Ao contextualizar a sociedade e a escola, temos os gestores escolares, que adquiriram novas responsabilidades funcionais em meio à pandemia. As ferramentas digitais usadas têm contribuído para as concretizações de etapas funcionais administrativas que não pararam. O gestor escolar, mesmo em tempos de pandemia, precisa ser organizado, produtivo, ágil e profissional para que a escola continue atendendo às exigências sociais, culturais e governamentais propostas pelo Estado.

Para mais, as propostas delegadas aos gestores escolares, como o ato de comunicar-se, continua imprescindível em suas execuções diárias. Eles já utilizavam o WhatsApp, os telefones e os e-mails para se comunicar. Agora, têm a oportunidade de entrar em contato com ferramentas complementares para cumprir suas tarefas e metas.

Diante do exposto, justifica-se um estudo que analise o espaço diário ocupado pelo Google Meet nas execuções dos gestores escolares em reuniões com o seu grupo, professores, pais, alunos e superiores da regional. Como objetivo, buscou-se analisar a utilidade do Google Meet nos trabalhos administrativos escolares.

Nesse trabalho vamos apresentar os resultados obtidos pela pesquisa em função das experiências dos gestores escolares em suas atividades relacionadas a comunicação em tempos de reclusão social, a fim de colaborar no enfrentamento aos desafios dos gestores escolares seja no âmbito da comunicação, das ações de gestão em equipe, recursos e, também, na motivação e garantia da melhor adaptação diante do cenário da pandemia da covid-19.  

Estudo de caso

A gestão escolar exerce um papel primordial na escola, cabendo a ela garantir as execuções das tarefas administrativas e pedagógicas existentes. O gestor escolar é um profissional que precisa exercer sua função pautado em habilidades e competências que tornam seu cotidiano mais dinâmico, usando instrumentos e ferramentas que o auxiliem nas execuções diárias.

Nessa perspectiva, buscou-se realizar uma pesquisa de caráter experimentativo, a partir da queixa dos respondentes, pautado em suas funções diárias, exclusivamente no que tange a “comunicação” escolar, principalmente, em tempos de pandemia. A pesquisa foi realizada através de entrevistas, indagando a utilidade do Google Meet em seus afazeres cotidianos. A coleta dos dados foi organizada segundo as questões do Quadro 1, onde os gestores apontaram sua prática sobre as perguntas realizadas vinculadas ao uso do Google Meet.

A entrevista foi realizada com gestores de escolas estaduais. Os dados foram analisados para a verificação do ponto de vista de cada gestor sobre a ferramenta Meet em sua execução na gestão escolar. Não foi feito o pedido para deixarem seus nomes, resguardando assim a identidade de cada profissional.

Quadro 1: Questões da entrevista realizada com os gestores

  1. Escola municipal (___)                                 Escola estadual (___)
  2. Tempo como gestor escolar:

    (___) até 5 anos.               (___) 6 a 15 anos.               (___) mais de 15 anos.

  3. Antes da pandemia da Covid-19, quais as principais ferramentas de comunicação utilizadas em sua escola?

    (___) Celular.                       (___) WhatsApp.                  (___) E-mail.

    (___) Telefone fixo.             (___) Facebook.        

    (___) Outras ferramentas.

  4. Você, gestor(a), já utilizava a ferramenta Google Meet em seus afazeres diários antes do isolamento social?

    (___) Sim.                                    (___) Não.

  5. Em quais momentos o Google Meet tem ajudado nas tarefas da gestão escolar durante a pandemia?

Fonte: Elaborado pelos autores.

Resultados e discussões: gestão escolar e comunicação

A gestão escolar é uma área estratégica no ambiente de ensino por executar as funções administrativas e pedagógicas na instituição de ensino e aprendizagem. O gestor escolar é o principal articulador dos interesses e motivações dos diversos grupos envolvidos com a escola. Para Teixeira (2003), o gestor é um administrador e, como tal, o principal responsável pela melhor alocação possível dos recursos disponíveis, humanos, materiais, financeiros, tecnológicos.

No fundo isso vale para todo gestor, pois o Diretor de Escola é um educador que administra, ou seja, é o educador que tem a responsabilidade gerencial de uma unidade específica. O significado pedagógico-educacional de seus atos está sempre presente.

Segundo Lück (2010), a gestão faz parte do processo que envolve a articulação entre a realidade e as propostas educacionais de modo a superar as limitações existentes no rumo da realização educacional, que por sua vez, sofrem ajustamentos e adequações no processo de sua implantação e implementação.

O gestor assim se torna um articulador interno e externo dos interesses dos múltiplos grupos envolvidos com a escola. Esse profissional é um educador que administra o espaço de aprendizagem vislumbrando o fortalecimento do significado educacional por seus atos, comunicações e atitudes. Seu papel de educador não se estabiliza somente nos discentes, como também na formação permanente da equipe escolar. Sua visão de futuro incorporada a um projeto pedagógico efetivo deve ser constantemente atualizada, como também, sua visão global e sistêmica é essencial.

O gestor escolar irá assim responder diretamente pela gestão de qualidade na tentativa de humanizar a Educação, ou seja, torná-la mais acessível a todos e dentro da realidade de vida de cada pessoa que frequenta a escola. Estamos tratando aqui mais uma vez de gestão democrática, ou seja, aquela em que há a participação ativa da comunidade escolar. Segundo Maria Vitória Benevides, o gestor escolar precisa ter uma visão democrática e humanizadora da sua gestão, destacando a

organização e a participação pela base, como cidadãos que partilham dos processos decisórios em várias instâncias, rompendo a verticalidade absoluta dos poderes autoritários. Significa, ainda, o reconhecimento (e a constante reivindicação) de que os cidadãos ativos são mais do que titulares de direitos, são criadores de novos direitos, fortalecendo-se a convicção sobre a possiblidade, sempre em aberto, da criação e consolidação de novos sujeitos políticos, cientes de direitos e deveres na sociedade (Benevides, 1998, p. 170).

Segundo essa visão da autora, adotar práticas democráticas na Educação resulta em uma gestão pautada no respeito e amor ao próximo nos ambientes de ensino. O ambiente de aprendizagem precisa ser formado por laços estabelecidos através do convívio pacífico, onde a “educação não pode se restringir a treinamentos ou apenas informações. É necessário repensá-la e fazê-la servir à vida, à realização humana, social e ambiental” (Sampaio, 2004, p. 34).

Diante de tais responsabilidades gerenciais, o gestor escolar estabelece comunicações diárias com mestres, pais, alunos, agências bancárias, prestadoras de serviços e regional. Muitas conversas eram realizadas pessoalmente sem o auxílio de ferramentas tecnológicas. Já em outras, os celulares e e-mails, possuíam uma eficácia considerável aos resultados almejados. Nas salas de aula, as relações eram diretas, tendo os alunos suas dúvidas tiradas pessoalmente com as explanações dos docentes durante o tempo de aula.

Com o advento da pandemia, novas relações sociais se estabeleceram nas escolas, tendo a necessidade de novas práticas comunicacionais para o ensino, aprendizagem e práticas administrativas. Ao analisar a primeira questão proposta aos gestores, nota-se que pertence a administração estadual. Como gestores escolares estaduais têm enfrentado vulnerabilidades inerentes ao cargo. Assim,

as situações de vulnerabilidade social podem vir a comprometer as condições de educabilidade, pois o contexto social em que a escola está inserida exerce uma influência no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, as ações externas à escola devem ser enfrentadas por uma rede de ações que envolvem o poder público quanto por possibilidades de parceria com diversas organizações da sociedade civil. É papel do gestor educacional, principalmente no processo de gestão em uma escola que está imersa em um contexto socioeconômico desfavorecido, buscar a redução das desigualdades através da busca por uma melhor equidade nos processos de ensino-aprendizagem (Moraes, 2014, p. 18).

Nesse sentido, percebe-se que os gestores têm vivenciado momentos sociais e econômicos difíceis, tendo que lidar com a falta de equipamentos, a baixa qualidade de internet e a impossibilidade de acesso dos discentes. A experiência no cargo é algo que contribui na criação de estratégias para sanar os obstáculos que são postos no dia a dia do profissional.

O tempo de pandemia acirrou o planejamento das escolas, fazendo dos gestores uma peça articuladora do ambiente de ensino. Essa liderança é aperfeiçoada com o tempo, mostrando ao gestor os melhores caminhos a serem percorridos na solução dos impasses gerenciais. Ao corroborar com essa ação, Moraes afirma que

quase todos os estudos de eficácia escolar mostram a liderança como fator- chave, tanto na escola primária quanto na secundária. Gray (1990) diz que “a importância da liderança dos diretores é uma das mensagens mais claras da pesquisa em eficácia escolar” (Sammons, 2008, p. 351, apud Moraes, 2014, p. 46).

Nossa segunda questão indagou dos gestores o tempo que cada um exercia a função. Como resultado obtivemos um gestor com menos de cinco anos e os demais apontavam mais de quinze anos de experiência na função. Esse tempo de experiência pode ajudar os gestores nas tomadas de decisões, buscando solucionar os problemas oriundos pelo tempo. Essa experiência educativa do gestor, em conjunto com os educadores, tornam o ambiente escolar apto a receber os estudantes, educando-os para a vida. Ao mesmo tempo, cabe ao gestor direcionar a mobilização necessária, desenvolvendo um processo de liderança a partir de ações conjuntas nas quais a gestão se associa aos liderados (Reis; Raymundo; Pacheco, 2012).

Já na terceira questão apontada, os gestores relataram que as respectivas escolas já utilizavam a tecnologia para se comunicarem cotidianamente. As principais ferramentas de diálogos apontadas pelos gestores eram o telefone fixo, celulares e WhatsApp. Os e-mails também figuravam nas ferramentas usadas pelos gestores, tanto em âmbito administrativo, quanto no pedagógico para os docentes. A comunicação diária com a Regional Noroeste Fluminense ocorria pelo recebimento de e-mails e mensagens de WhatsApp.

Gráfico 1: Principais ferramentas de comunicação usadas antes da pandemia

Ao observar o Gráfico 1, encontra-se a representação de quais ferramentas eram usadas pelos gestores escolares em sua administração antes da pandemia.  

A comunicação é um fator primordial no desenvolvimento escolar nas questões administrativas (internas e externas) e pedagógicas. Ademais,

o desenvolvimento das novas tecnologias da comunicação e informação está se dando por um movimento de aproximação entre as diversas indústrias (equipamentos, eletrônica, informática, telefone, cabos, satélites, entretenimento e comunicação). Esse movimento é a condição objetiva para o aperfeiçoamento dessas tecnologias fazendo com que, potencialmente, aumentem as possiblidades de comunicação entre as pessoas. No entanto, como em todo momento de transição, ainda estão juntos tanto as realidades desse mundo em transformação com os antigos paradigmas da sociedade moderna. [...] A democratização da comunicação, objetivo perseguido por todos os povos desde a Revolução Francesa, em função disso, é ainda algo a ser conquistado por muitos (Pretto, 2013, p.  41).

Esse autor ainda relata que, “nesse universo, o sistema educacional somente tem razão de ser e encontra justificativa se levar em conta, em seus processos didático-pedagógicos, a natureza e as especificidades da comunicação audiovisual” (Pretto, 2013, p. 42). Assim, mediante o novo cenário que se estabeleceu em nossa sociedade, as “antigas” ferramentas de comunicação continuam sendo úteis aos envolvidos no ambiente escolar, com as mesmas garantias de eficiência de antes.

Com o fechamento das escolas, foi apresentada aos gestores e professores estaduais a possibilidade de continuar os trabalhos de ensino e aprendizagem com os alunos, mantendo uma comunicação colaborativa. As ferramentas Google surgem como um subterfúgio para amenizar as distâncias entre os alunos e professores, não permitindo que os discentes ficassem desligados por completo da interação com o ensino.

Dentre as principais ferramentas Googleapresentadas aos gestores, professores e alunos aparecem o Google Classroom (Sala de Aula), documentos, formulários, planilha, agenda e o Meet. Sobre isso, Bottentuit Júnior argumenta que

os aplicativos desenvolvidos pela Google permitem aos seus utilizadores o desenvolvimento de várias competências em diferentes níveis tais como: a escrita online (pessoal ou colaborativa), o estímulo visual através de imagens e por fim o auditivo através da gravação e reprodução de arquivos em formato de som. Todos estes recursos são gratuitos e encontram-se à disposição do professor e dos alunos através da internet. A variedade de ferramentas que a Google oferece é tamanha que permite aos utilizadores realizarem praticamente todas as atividades de criação, edição, gravação, divulgação e armazenamento de arquivos diretamente a partir da Web (Bottentuit, 2011, p. 3).

Para mais, ao analisar a questão 4 sobre o uso do Google Meet, os gestores pesquisados não utilizavam a referida ferramenta. Era uma ferramenta desconhecida no ambiente escolar, não sendo usada por gestores e professores locais. A partir do isolamento social, juntamente com o fechamento da parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc/RJ) e a empresa Google, as escolas tiveram acesso ao conjunto de ferramentas educacionais da referida empresa, sendo disponibilizadas aos professores, alunos e gestores para administrarem suas demandas burocráticas e educacionais.

Não se pode negar que, ao usar essas ferramentas em sala de aula, conseguiu-se observar uma lacuna social e econômica entre os alunos que possuíam aparelhos, que conseguiam instalar as ferramentas e outros não. Obteve-se como experiência aqueles que não tinham aparelhos celulares, internet ou computadores para acompanharem as aulas remotas e outro grupo que dividia o celular do pai ou mãe com dois ou mais irmãos para estudarem.

Corroborando essa situação de disparidades sociais e econômicas, Santos afirma que

a quarentena não só torna mais visíveis, como reforça a injustiça, a discriminação, a exclusão social e o sofrimento imerecido que elas provocam. Acontece que tais assimetrias se tornam mais invisíveis em face do pânico que se apodera dos que não estão habituados a ele. [...] As respostas que os estados estão a dar à crise variam de estado para estado, mas nenhum pode disfarçar a sua incapacidade, a sua falta de previsibilidade em relação a emergências que têm vindo a ser anunciadas como de ocorrência próxima e muito provável (Santos, 2020, p. 21-28).

Ao gestor escolar, o Google Meet pode alcançar objetivos que se propôs nas perspectivas esperadas, com bons resultados em reuniões. Sabe-se que a ferramenta Meet auxilia na aproximação entre docentes e alunos, facilitando o processo de ensino e aprendizagem escolar, mediante o distanciamento geográfico atual. Para a sala de aula, o Google Meet é uma ferramenta colaborativa de interação do ensino, necessitando de uma metodologia apropriada para o momento remoto vivido por nós. Conforme apontado por Lynn Alves,

uma certeza nós temos, não é passando e corrigindo tarefas, usando uma plataforma como o Google Meet, por exemplo, que vamos motivar os nossos estudantes neste momento de confusão e incerteza. As atividades devem desafiar os alunos para que possam criar, se autorizar, participar e interagir com seus professores e pares, pensando e discutindo o momento que estão vivendo, escutando-os. As práticas docentes que vêm sendo realizadas reproduzem o que tem de pior nas aulas presenciais, utilizando um modelo de interação broadcasting, no qual os professores transmitem informações e orientações para um grupo de alunos que nem sempre consegue acompanhar o que está acontecendo nesses encontros virtuais e participar (Alves, 2020, p. 360-361).

Com isso, ao analisar a ferramenta Meet e sua empregabilidade na gestão escolar, nota-se um maior aproveitamento comunicativo, colaborativo e interacional entre os envolvidos na gestão educacional. Segundo as respostas dos gestores na questão 5, o Meet tem sido relevante nas reuniões pedagógicas com os professores, colegiado escolar e com os representantes da Coordenadoria Regional Noroeste Fluminense para tratar das questões de viés pedagógico, financeiro e político. Os conselhos de classe, as reuniões de pais e do colegiado também foram realizados de forma virtual, utilizando o Meet, tendo como resultado uma boa impressão, conforme se observa no quadro a seguir.

Quadro 2: Respostas dos gestores quanto à questão 5 da entrevista

Em quais momentos, o Google Meet tem ajudado nas tarefas da gestão escolar durante a pandemia?

Gestores

Respostas

A

Reuniões didáticas e pedagógicas, reunião de pais, conselho de classe e ministrações de aulas.

B

Reunião com os representantes do colegiado, reuniões pedagógicas, reunião com a regional e conselho de classe.

C

Reunião de pais, conselho de classe, reuniões com os funcionários da escola, reunião com o colegiado, reuniões pedagógicas e Coordenadoria Regional Noroeste Fluminense para tratar das questões pedagógicas, financeiras e políticas.

D

Utilizado pela escola pelos professores para dar aula, reunião de pais, conselho de classe, conversas com a regional, reunião do colegiado e reuniões pedagógicas.

Diante do exposto, o Google Meet encontrou espaço diário na gestão escolar, auxiliando os gestores na comunicação e reuniões escolares. Os gestores continuaram realizando suas comunicações por veículos como e-mail, WhatsApp e telefone, mas agora há, com o auxílio do Meet, como intermediar a colaboração interativa entre gestores, coordenadores, regionais, docentes e discentes na continuidade dos laços de afetividades e administração que são estabelecidos socialmente.     

Conclusão

O trabalho buscou analisar as contribuições proporcionadas pelo Google Meet aos afazeres diários dos gestores escolares. Ao analisar os dados obtidos pela pesquisa, observa-se que a ferramenta Meet não fazia parte do uso diário dos gestores escolares pesquisados.

Através da parceria estabelecida entre Seeduc/RJ e a empresa Google, os gestores escolares, professores e alunos passaram a fazer uso das múltiplas ferramentas Google na educação estadual. O processo de ensino-aprendizagem foi norteado por essas ferramentas colaborativas, que auxiliam os professores na hora de enviar os conteúdos e tarefas aos alunos, como é o caso do Google Classroom. Paralelo à ferramenta citada, vieram a Agenda, o Google Forms, documentos, apresentações e o Meet.

Essa ferramenta síncrona tem a finalidade de permitir que professores e alunos dialoguem, façam conferências e apresentações online instantaneamente dos conteúdos ministrados. Com isso, sabe-se que vários estudantes não têm acesso à internet na hora das aulas, ficam retraídos e não estabelecem diálogos interativos com os participantes da conferência marcada. Mas, esse assunto deve ser pesquisado e debatido em novos trabalhos.

Como reflexões das respostas obtidas, pode-se notar que o Google Meet vem atendendo às expectativas dos gestores escolares em suas atribuições relacionadas às reuniões didáticas, pedagógicas e burocráticas no órgão de ensino. Os gestores conseguem expor textos, vídeos e imagens, que se façam necessários na reunião com a ferramenta de comunicação do Google, o Meet.

Essas plataformas digitais, antes nos cursos e eventos da Educação a Distância (EaD), agora estão sendo apropriadas pelas escolas presenciais e seus profissionais. O gestor escolar em tempos de pandemia e pós-pandemia terá que continuar investindo seu tempo nos processos de aprendizagem contínua enveredando-se pelos novos instrumentos digitais utilizados no EaD.   

Contudo, o gestor escolar não precisou abandonar os demais meios de comunicação (como telefone fixo, e-mails, WhatsApp), mas pode aperfeiçoar sua interação com o corpo docente e pedagógico diante das modificações dos hábitos sociais para a preservação da integridade dos cidadãos envolvidos no processo educativo em geral.

Referências

ALVES, Lynn. Educação Remota: entre a ilusão e a realidade. Interfaces Científicas-Educação, v. 8, nº 3, p. 348-365, 2020. Disponível em: https://periodicos.set.edu.br/index.php/educacao/article/view/9251/4047. Acesso em: 08 ago. 2020.

BENEVIDES, Maria Victória. Educação para a cidadania e em direitos humanos. In: ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO. 1998. Águas de Lindóia. Anais II: Olhando a qualidade do ensino a partir da sala de aula. Águas de Lindóia: FEUSP, 1998. v. 1, p. 165-177.

BOTTENTUIT, João Batista Júnio; LISBÔA, Eliana Santana; COUTINHO, Clara Pereira. Google Educacional: utilizando ferramentas web 2.0 em sala de aula. Revista Paideia, v. 3, nº 5, dez. 2011. Disponível em: http://revistapaideia.unimesvirtual.com.br. Acesso em: 22 mar. 2020.

LÜCK, Heloísa. Gestão da cultura e do clima organizacional da escola. Vol. V. Petrópolis: Vozes, 2017. (Série Cadernos de Gestão).

MORAES, Denise Alessandra Palhares Diniz. Gestão escolar eficaz: o diferencial de uma escola em contexto de vulnerabilidade social. 2014. 95f. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública, Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2014. Disponível em: http://repositorio.ufjf.br:8080/jspui/bitstream/ufjf/633/1/denisealessandrapalharesdinizmoraes.pdf. Acesso em: 30 jun. 2020.

PRETTO, Nelson De Luca. Uma escola sem/com futuro: educação e multimídia. 8ª ed. rev. e atual. Salvador: Ed. UFBA, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/15033/1/escola-sem-com-futuro_RI.pdf. Acesso em: 25 maio 2020.

REIS, Rita Aparecida dos; RAYMUNDO, Rosana Salles; PACHECO, Márcia Maria Dias Reis. O trabalho do gestor escolar dentro de uma prática interdisciplinar. Revista Ciências Humanas, v. 5, nº 1-2 – Especial, p. 175-189, jan./dez. 2012.

SAMPAIO, Dulce Moreira. A Pedagogia do Ser: educação dos sentimentos e dos valores humanos. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A cruel pedagogia do vírus. Coimbra: Almedina, 2020. Disponível em: http://www.cidadessaudaveis.org.br/cepedoc/wp-content/uploads/2020/04/Livro-Boaventura-A-pedagogia-do-virus.pdf. Acesso em: 05 ago. 2020.

TEIXEIRA, Hélio Janny. Da administração geral à administração escolar: uma revalorização do papel do diretor da escola pública. São Paulo: Edgard Blucher, 2003.

VOGES, Magnun S.; OLIVEIRA, Kênya N. de; NOGUEIRA, Ruth E.; NASCIMENTO, Rosemy da S. Explorando o Google Earth e atlas eletrônico para o ensino de Geografia: prática em sala de aula. In: NOGUEIRA, Ruth E. (Org.). Motivações Hodiernas para Ensinar Geografia. Florianópolis: Nova Letra, 2009. p. 67-79.

Publicado em 13 de julho de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

PAGE, José Sérgio Dias; PAIVA, Daniel Costa de. Estudo de caso com gestores escolares: os desafios da comunicação em grupo por meio de plataformas digitais. Revista Educação Pública, v. 21, nº 26, 13 de julho de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/26/estudo-de-caso-com-gestores-escolares-os-desafios-da-comunicacao-em-grupo-por-meio-de-plataformas-digitais