A percepção docente sobre a Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental

Ellery Henrique Barros da Silva

Doutorando em Psicologia (UFPA), mestre em Psicologia (UFPI), licenciado em Pedagogia (UFPI), especialista em Gestão Educacional em Rede (UFPI), Educação Infantil (Uespi) e Tecnologias Educacionais (Fiocruz), professor universitário (UEMA – Câmpus Caxias/MA)

Fauston Negreiros

Pós-Doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), psicólogo, doutor, professor associado do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (UFPI)

Ravena Feitosa Gonçalves

Mestranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UFPI), licenciada em Ciências Biológicas (IFPI) e Educação Física (UESPI), pós-graduada em Ecologia e Biodiversidade (UCAM), professora da Educação Básica

A Educação Física é uma atividade ligada a elementos corporais desde o início da Humanidade, permitindo ao homem se movimentar, locomover, sustentar e estabelecer relações para sua saúde, formação humana e cidadã. No espaço escolar é perceptível que educadores ainda colocam como um componente curricular à parte, até menos importante que outras disciplinas. Porém, mesmo diante desses posicionamentos, várias reformulações foram realizadas no seu currículo e se constitui como disciplina essencial para o desenvolvimento do indivíduo.

Ao longo de sua história, a Educação Física priorizou os conteúdos gímnicos e esportivos, numa dimensão quase exclusivamente procedimental. Com uma concepção higienista, a prática de exercícios estava relacionada à saúde e higiene. No Brasil, sua inserção foi apenas na metade do século XIX, mais precisamente durante o período imperial, onde assegurava por lei a inserção da ginástica na grade curricular dos estudantes (Coletivo de Autores, 1992; Darido; Rangel, 2005).

No decorrer de sua trajetória, a disciplina veio obtendo modificações em seu contexto enquanto prática educativa, pois foram surgindo novas técnicas de ensino, novas modalidade, novos movimentos, novas políticas, em que a sociedade foi se moldando a essa nova era. Em suas particularidades e conceitos referentes à Educação Física, englobam diversas práticas onde muitas vezes a sociedade não está apta a desenvolvê-las (Soares; Carvalho, 2010).

Quando se fala no processo de ensino-aprendizagem em Educação Física nas escolas vêm logo ao pensamento atividades esportivas como vôlei, basquete e futebol, entre outras. Essa disciplina proporciona mais do que simplesmente momentos de lazer, uma vez que é o esporte que permite ao sujeito substanciar novos conhecimento sobre a ciência e o meio em que vive (Rigoni; Daolio, 2014). Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN),

O processo de ensino-aprendizagem em Educação Física, portanto, não se restringe ao simples exercício de certas habilidades e destrezas, mas sim de capacitar o indivíduo a refletir sobre suas possibilidades corporais e, com autonomia, exercê-las de maneira social e culturalmente significativa e adequada (Brasil, 1997, p. 27).

Para tanto, as discussões acerca do ensino e aprendizagem em Educação Física é necessária para a formação do educador, permitindo que ele possa através de uma prática educativa e formativa promover habilidades e competências nos alunos. A área da Educação Física fundamenta-se nas relações corpo e movimento. Em 2017, com o surgimento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ocorreu a inserção da área da Linguagem no âmbito da cultura. Assim, o aluno poderá ampliar os saberes além dos exercícios físicos, relacionando as práticas corporais com a história, a cultura e outras formas de linguagem (Brasil, 2017; Oliveira; Menezes, 2020; Trevisan, 2020).

Segundo a BNCC, é importante que os alunos experienciem o maior número de práticas existentes, para poder ressignificar e desenvolver outras habilidades a partir de suas próprias vivências. No ambiente educacional, a avaliação é um instrumento muito utilizado para medir, quantificar e classificar, uma discussão ainda recorrente até os tempos atuais. Na Educação Física, algumas instituições educacionais avaliam o aprendizado de seus alunos por meio de movimentos reproduzidos e padronizados, desconsiderando o contexto social do seu aluno, colocando em segundo plano as dimensões conceituais e atitudinais de cada indivíduo. Assim, a avaliação deverá ser um instrumento capaz de realizar uma análise do todo, agindo formativamente através de práticas transformadoras (Vasconcelos, 2003; Silva et al., 2018; Trevisan, 2020).

A utilização da ludicidade permite que a criança possa aprender brincando, se divertindo, trocando experiências e estabelecendo outras relações. A brincadeira na Educação Física propõe favorecer no educando a formação de conceitos, o desenvolvimento de atitudes e a compreensão das múltiplas aprendizagens. A definição de jogo se torna algo amplo e complexo, uma vez que o jogo sempre está ligado à competição. Por isso, o educador, deverá dispor de muitas estratégias com o propósito de desenvolver um clima favorável e o estímulo ao aprender (Kishimoto, 2002; Moreira et al., 2017).

A Educação Física como prática social deve propor ao educando o estímulo ao raciocínio, ao questionamento, alicerçando nos ideais de coletividade dentro e fora dos muros escolares. Esta pesquisa se justifica devido aos pesquisadores observarem, em visitas nas escolas, que a disciplina de Educação Física ainda é colocada como um momento de descontração onde não é possível obter nenhum tipo de aprendizagem, não sendo complementar a outras disciplinas.

O presente trabalho possui como objetivo compreender como o professor dos anos iniciais do ensino fundamental utiliza a Educação Física em sua prática pedagógica no ambiente escolar.

Tipo de estudo

Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, e quanto aos objetivos de pesquisa é classificada como descritiva (Gil, 2008).

Cenário e participantes do estudo

O contexto compreendido da pesquisa foi o da Escola Municipal Céu Azul (nome fictício), localizada em um bairro de classe média do município de Floriano/PI. A escolha pela referida instituição foi em decorrência de um dos pesquisadores atuar como estagiário na escola pesquisada. A pesquisa é resultado de estudos empreendidos durante a disciplina de Metodologia da Educação Física no 2º semestre de 2019.

Foram contactados cinco docentes, porém apenas um aceitou participar da pesquisa. O participante é do sexo masculino, com 28 anos de idade, licenciado em Pedagogia e experiência docente de seis meses na instituição. Foram considerados critérios de inclusão dos participantes: ser professor do ensino fundamental nos anos iniciais; atuar como docente na escola pesquisada e aceite em participar da pesquisa. Enquanto critérios de exclusão, apenas a não contemplação dos critérios supracitados.

Instrumental

Quanto ao procedimento de coleta dos dados, foi utilizado um questionário semiestruturado, pois, conforme aponta Prodanov (2013), é considerado um instrumento objetivo na qual apresenta uma série de perguntas simples e diretas, a fim de serem respondidas pelo sujeito pesquisado.

Análise dos dados

Os dados foram tratados e analisados com a utilização da técnica de análise temática Hermenêutica de Profundidade (HP), segundo as suas três etapas: análise sócio-histórica; análise formal ou discursiva; e (re)interpretação (Veronese; Guareschi, 2006).

Resultados e discussões

A primeira pergunta foi realizada com o intuito de saber a sua visão a respeito da disciplina de Educação Física. Assim, como resposta, ele descreve que:

a disciplina é uma área de conhecimento que está relacionada às práticas corporais produzidas pela humanidade ao longo da história, também se refere a uma prática pedagógica cujo objetivo é formar indivíduos capazes de se conduzirem plenamente em suas atividades.

De acordo com a resposta do docente, a Educação Física é uma atividade ligada a práticas corporais e também pedagógicas. Ela é um componente curricular obrigatório em todas as escolas da Educação Básica. Os aspectos corporais são características associadas à atividade física. Por meio dela, o aluno desde o início da infância poderá desenvolver suas habilidades ligadas ao corpo e a mente através dos jogos, brincadeiras, danças, ginástica, além de expressar suas emoções e sentimentos, possibilitando melhor aprendizado (Rigoni; Daolio, 2014; Souza et al., 2019). A Educação Física não se trata de uma atividade isolada, pois melhora o condicionamento físico, intelectual e corporal, auxiliando na elevação da autoestima, transformando aptidões em outras potencialidades.

Quanto ao segundo questionamento, é sobre como ele avalia a Educação Física nos anos iniciais. Respondendo de forma sucinta, relatou:

aqui na nossa escola há um professor que trabalha especificamente com a disciplina de Educação Física, por isso não aplico avaliações sobre essa disciplina, vejo que essa disciplina precisa de alguns ajustes, porque geralmente ela é restringida nas escolas à prática do futebol ou voleibol.

A avaliação na Educação Física é um componente essencial para poder identificar os progressos e dificuldades dos alunos, bem como, um olhar do professor acerca de sua prática pedagógica aplicada. Assim, a Educação Física não pode ser restringida apenas a uma única forma de avaliação como o futebol e ao voleibol – conforme é descrito no resultado – é importante o professor assegura-se de meios diversificados que estimulem a problematização e a construção de novos conhecimentos (Oliveira, 2016; Silva et al., 2018).

Na terceira, o escopo era saber como o professor utiliza a Educação Física em sua prática pedagógica:

Na minha prática pedagógica utilizo a Educação Física através da realização de algumas atividades e/ou exercícios físicos, como: alongamento, dinâmicas, que estimulam a ação dos estudantes.

Estudos indicam que a Educação Física desenvolvida pelo professor de forma planejada, coordenada e com objetivos traçados para serem alcançados é possível alcançar o desenvolvimento do educando. Atividades ligadas ao descobrimento de novas sensações, novas trocas de experiência com outras pessoas e outros objetos permitem a construção de outros conhecimentos e a criança passa a ter domínio do seu próprio corpo. A privação da criança diante de novas descobertas pode acarretar em atrasos cognitivos (Clark, 2007; Gallahue; Donnelly, 2008; Oliveira, 2009; Gomes; Mello Lopes; Copetti, 2020).

Já na quarta pergunta objetivava saber se nos anos iniciais, ele se sentia capaz de utilizar a Educação Física como ferramenta de ensino. Obteve-se a seguinte resposta:

Eu consigo desenvolver algumas atividades, como: alongamento, dinâmicas, entre outras. Mas, sinto muitas limitações no momento de realizar tais atividades, porque não tive em meu curso de formação disciplinas especificas da área de Educação Física, exceto uma sobre a metodologia da Educação Física.

É evidenciado que cada profissional possui uma matriz teórica, na qual segue em base de pressupostos epistemológicos para o desenvolvimento de sua prática educativa. A Educação Física, enquanto componente curricular, propõe direcionar ao aluno o acesso à cultura e a saúde, além de promover o bem-estar e a motivação ao longo do seu cotidiano. Assim, o professor deverá utilizar-se de múltiplas propostas educacionais levando em consideração o contexto social de cada estudante, além de suas particularidades e limitações, desenvolvendo potencialidades (Moreira et al., 2017).

Sobre a quinta pergunta, se propôs saber a importância que a Educação Física traz para a aprendizagem dos seus alunos. Respondeu o seguinte:

Como a Educação Física visa desenvolver a dimensão biológica dos homens e mulheres por meio de atividades corporais, por isso ela ajuda os indivíduos a descarregarem suas energias físicas, que é fundamental para o equilíbrio emocional e melhor concentração dos estudantes durante as aulas. E, isso contribui para uma aprendizagem significativa dos educandos.

Sobre isso, a importância da Educação Física ainda está muito associada a fatores especificamente biológicos. A Educação Física deverá propor ao aluno vivenciar diversas práticas intrínsecas ao corpo, conexas a diferentes linguagens e manifestações culturais. A Educação Física, como uma prática social, deverá promover ao aluno a construção da autonomia, da cidadania, o estímulo de criação e as boas relações em sua vida cotidiana (Mendonça; Costa, 2016).

Considerações finais

A Educação Física é uma disciplina essencial para a formação escolar; além disso, proporciona o desenvolvimento integral do educando. Esse estudo teve como escopo a compreensão de como o docente nos anos iniciais do ensino fundamental utilizam a Educação Física em sua prática escolar no município de Floriano/PI.

Os resultados revelaram que a Educação Física ainda é colocada como uma disciplina associada à saúde do corpo; quanto aos métodos de avaliação, o docente diz que a avaliação, o futebol e o vôlei são os instrumentos que ele mais utiliza para avaliar seus alunos, e que em sua prática pedagógica, utiliza dinâmicas e alongamentos como estratégias didáticas.

Assim, diante dos resultados revelados, percebe-se que ainda existem concepções que fogem do o papel da Educação Física nos anos iniciais e com isso leva à reflexão sobre o tipo de formação a qual os alunos de hoje estão obtendo.

Apesar de este estudo trazer evidências sobre como o professor utiliza a Educação Física em sua prática educativa, é relevante considerar algumas limitações. Uma limitação que se apresenta é o recorte, pois este referiu-se a uma escola pública e somente um participante em um contexto-social específico. Por isso, sugere-se que este estudo não se encerre por aqui, uma vez que a Educação Física é uma disciplina necessária para o desenvolvimento cidadão de cada sujeito.

A relevância social deste trabalho é poder disponibilizar para toda a sociedade que nos anos iniciais o professor pode trabalhar atividades que favoreçam o desenvolvimento integral dos alunos, consolidando a partir de atividades lúdicas como os jogos, as brincadeiras, e o uso do brinquedo para a efetivação de uma aprendizagem mais elementar e significativa para a criança.

Referências

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, MEC/Consed/Undime, 2017.

______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasília: MEC/SEF, 1997.

CLARK, J. E. On the problem of motor skill development. Joperd, v. 78(5), p. 39-45, 2007.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia de ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2005.

GALLAHUE, D.L.; DONNELLY, F.C. Educação Física desenvolvimentista para todas as crianças. 4ª ed. São Paulo: Phorte, 2008.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GOMES, F.; MELLO LOPES, J.; COPETTI, J. Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental: relato sobre sua importância e contribuição. SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. Anais... v. 9, nº 3, 14 fev. 2020.

KISHIMOTO, T. M. Bruner e a brincadeira. In: KISHIMOTO, T. M. (Org.). O brincar e suas teoriasSão Paulo: Pioneira, 2002. p. 139-153.

MENDONÇA, B.; COSTA, L. C. O olhar do pedagogo sobre a Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Revista Kinesis, Santa Maria, v. 34, nº 2, p. 24-39, jul./dez. 2016.

MOREIRA, A. C. A.; GIRALDO, M. F.; NOGUEIRA, R. S.; SCOSS, D. M. A importância do lúdico na Educação Física para o desenvolvimento integral e inclusivo. Revista Gestão Universitária, 2017. Disponível em: http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/a-importancia-do-ludico-na-educacao-fisica-para-o-desenvolvimento-integral-e-inclusivo. Acesso em: 23 maio 2020.

OLIVEIRA, G. C. Avaliação psicomotora à luz da Psicologia e da Psicopedagogia. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

OLIVEIRA, José Mauro de Sá. Caminhos e descaminhos da avaliação em Educação Física escolar: afinal, o que mudou? Temas em Educação Física Escolar, Rio de Janeiro, v. 1, nº 1, p. 30-52, jan./jun. 2016.

PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. Metodologia do trabalho científico [recurso eletrônico]: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2ª ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.

RIGONI, Ana Carolina Capellini; DAOLIO, Jocimar. Corpos na escola: reflexões sobre Educação Física e religião. Revista Movimento, Porto Alegre, v. 20, nº 3, p. 875-894, jul./set. 2014.

SILVA, V. T.; SILVA, B. A. T.; MELO, L. F.; NISTA-PICCOLO. A avaliação na Educação Física escolar: um estudo com professores da rede pública do Estado de São Paulo. Conexões: Educ. Fís., Esporte e Saúde, Campinas, v. 16, nº 1, p. 1, jan./mar. 2018.

SOARES, Sandra Teresa Souza; CARVALHO, Marina Tereza Soares. Conteúdo e metodologia da Educação Física. Teresina: Ed. UFPI/UAPI, 2010.

SOUZA, Diego Soares et al. A importância da prática da Educação Física no Ensino Fundamental - anos iniciais nas escolas públicas do Distrito Federal. Revista Com Censo, Brasília, v. 6, nº 4, p. 44-51, nov. 2019.

TREVISAN, R. Saiba o que mudou no ensino de Educação Física. Nova Escola, São Paulo, 2020. Disponível em: https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/110/saiba-o-que-mudou-no-ensino-de-educacao-fisica1/. Acesso em: 20 maio 2020.

VASCONCELOS, Celso dos Santos. Avaliação da aprendizagem: práticas de mudança por uma práxis transformadora. 6ª ed. São Paulo: Libertad, 2003.

VERONESE, M. V.; GUARESCHI, P. A. Hermenêutica de Profundidade na pesquisa social. Revista de Ciências Sociais Unisinos, São Leopoldo, v. 42, nº 2, p. 89-93, maio/ago. 2006.

Publicado em 17 de agosto de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

SILVA, Ellery Henrique Barros da; NEGREIROS, Fauston; GONÇALVES, Ravena Feitosa. A percepção docente sobre a Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Revista Educação Pública, v. 21, nº 31, 17 de agosto de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/31/a-percepcao-docente-sobre-a-educacao-fisica-nos-anos-iniciais-do-ensino-fundamental

Este artigo ainda não recebeu nenhum comentário

Deixe seu comentário

Este artigo e os seus comentários não refletem necessariamente a opinião da revista Educação Pública ou da Fundação Cecierj.