A educação é o melhor presente que podemos oferecer aos filhos

Adriane Silva de Abreu Oliveira

Graduada em Pedagogia (Unopar)

Cristiana Silva de Abreu

Graduada em Pedagogia (Unemat)

Neuzenir Silva de Abreu Oliveira

Graduada em Pedagogia (Ulbra)

Santino de Oliveira

Graduado em Geografia (Unemat)

Este projeto tem como finalidade contribuir no processo de ensino-aprendizagem dos educandos e apresenta uma proposta de articulação pedagógica que inclui família e filhos. Este trabalho se articula em função dos alunos que se encontram com defasagem escolar nos conteúdos de suas séries como: leitura, escrita, interpretação e Matemática. Assim sendo, o mediador utiliza uma sequência didática compatível com o estágio de desenvolvimento do discente.

Objetivo geral

Propor condições facilitadoras aos educandos em suas séries específicas, para assim favorecer o processo de ensino-aprendizagem em que o discente se sinta valorizado no meio em que está inserido. Desse modo, aplicam-se métodos e recursos pedagógicos voltados para o concreto, dando destaque ao contexto do aluno para que possa desenvolver suas potencialidades.

Objetivos específicos

Os objetivos específicos são: favorecer o processo de ensino-aprendizagem dos alunos com dificuldades no aprender; auxiliar os educandos com o emprego de metodologia e recursos compatíveis para os níveis e condições de cada um; estimular os alunos com propostas pedagógicas voltadas para o lúdico; contribuir com a aprendizagem e permanência escolar; elevar a autoestima dos alunos com desafios de aprendizagem.

Fundamentação teórica

O trabalho possui prática pedagógica em consonância com as diretrizes nacionais e as políticas públicas de forma clara e coerente, obedecendo aos conteúdos definidos, porém flexíveis às necessidades dos discentes respeitando os tempos de aprendizagem e assegurando o desenvolver de um trabalho de reconstrução básica em turnos diferentes, com uso de recursos didáticos e tecnologias de educação eficientes para atender a comunidade.

O planejamento é elaborado na busca de alternativas no desempenho metodológico e na forma de avaliação dos educandos, respeitando as dificuldades individuais de cada aluno. Uma realidade também vivenciada pelas escolas é a defasagem que está presente quando há reclassificação ou enturmação, pois sabemos que a qualidade do ensino está relacionada à qualidade do desempenho escolar e é evidenciada mediante índices que a avaliam. Porém, sabe-se que, para atingir a melhoria do desempenho escolar, deve sempre haver uma articulação, dentre elas a continuidade do apoio à articulação da aprendizagem.

Marion Welchamann afirma: “se uma criança não pode aprender da maneira que é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender, mas a aprendizagem só se efetiva quando faz uma real avaliação diagnóstica”, pois, segundo Abrams (apud Dilvo Ristoff, 1995), “a avaliação precisa ser espelho e lâmpada, não apenas espelho. Precisa não apenas refletir a realidade, mas iluminá-la criando enfoques, perspectivas, mostrando relações, atribuindo significados”. Assim, os resultados da avaliação não podem ser reduzidos apenas a tabelas, cifras ou percentuais. É preciso esforço interpretativo capaz de dar significado à infinidade de informações que a escola produz.

O objetivo deste trabalho é reforçar o que a criança já aprende na escola. No entanto, a maior parte dos especialistas acaba por concluir que o mais adequado a ser feito é enxergar o professor de reforço escolar como uma força auxiliar, que entrega uma ajuda importante para a formação e para o aprendizado da criança. Com a utilização do reforço escolar, uma criança passa a ter acesso a mais horas de aprendizado e de estudo para as matérias que lhe trazem mais dificuldades e mais problemas.

É nesse contexto que o projeto  Reforço Escolar Apoio à Aprendizagem propõe atividades com o objetivo de auxiliar e incentivar  alunos  que apresentam, entre outras defasagens, dificuldades na comunicação escrita. Matêncio (1994, p. 66) afirma: “em muitas das concepções tradicionais da leitura e da escrita que são veiculadas na escola, essas práticas são relacionadas a uma concepção de linguagem ingênua, segundo a qual haveria uma relação transparente e unívoca entre pensamento e linguagem”.

As interações, dessa forma, resultaram em conversações que deram espaço para que o aluno se expressasse, argumentasse e sentisse liberdade para colocar suas ideias e seus sentimentos, suas dificuldades e seus medos, num ambiente descontraído e natural, possibilitando, assim, a construção do seu conhecimento de forma prazerosa e natural. Por esse caminho, o presente trabalho foi proposto no sentido de avaliar a eficácia de desenvolver atividades lúdicas para desenvolver nos alunos o gosto pelos estudos.

Com base nesta consideração, propusemos o trabalho com o lúdico como uma das alternativas pedagógicas para motivar esses alunos ao aprendizado de forma espontânea, sem levar em consideração, nesse momento, a questão gramatical e ortográfica. É interessante apontar Piaget, Bruner e Vigotsky (apud Kato, 2005) como enfatizadores do papel do jogo e do faz de conta na aquisição da linguagem: para o primeiro, o pensamento lógico e a fala socializada devem ser necessariamente precedidos de capacidade lúdica e imaginativa da criança.

Para Bruner, a ação cooperativa entre os pais e a criança se dá principalmente em forma de jogos que estabelecem rotinas de comportamento a partir das quais os significados são negociados. Vigotsky, por seu lado, mostra que a criança é capaz de fazer um objeto representar outro, apenas simulando os gestos do objeto representado; por exemplo, um lápis se movimentando representa uma pessoa andando. Mostra ainda que, fora da brincadeira e já dissociado dos gestos, o lápis pode continuar a representar uma pessoa, constituindo, nesse caso, um simbolismo de segunda ordem.

Como a aprendizagem da escrita envolve esse tipo de capacidade, pode-se perguntar se um dos fatores que levam à dificuldade de alfabetização não seria a falta de estimulação para o jogo e a brincadeira, anterior à fase da alfabetização (KATO, 2005, p. 117). Atualmente, tem-se falado muito sobre a importância dos jogos e brinquedos para estimular o processo de aquisição do conhecimento na criança: os jogos e brinquedos são reconhecidos como meios de fornecer à criança um ambiente agradável, motivador, planejado e enriquecido, de forma a estimular na criança a curiosidade, a observação, a intuição e a atividade, favorecendo seu desenvolvimento pela experiência. Esse interesse e essa valorização do brincar na educação não são recentes; sua importância foi demonstrada já na educação greco-romana, com Aristóteles e Platão.

Muitos teóricos, como Montaigne, Comênio, Jean-Jacques Rosseau e Pestalozzi, frisaram a importância do processo lúdico na educação das crianças (Furtado, 2008, p. 56). A aprendizagem é tão importante quanto o desenvolvimento social, e o jogo, nesse sentido, constitui uma ferramenta pedagógica fundamental.

Na educação, o reforço é de suma importância, pois ele também cria as atividades de acordo com a necessidade de cada aluno, disponibiliza materiais e organiza brincadeiras, ou seja, contribui para construção do conhecimento; para isso, todavia, precisa estar preparado para contribuir para o desenvolvimento da criança.

Procedimentos metodológicos

Para o sucesso do projeto, é essencial trabalhar o reforço com o aluno para que ele alcance qualificação necessária a sua promoção ao término do ano letivo dentro da sala de aula; criar novas estratégias e métodos para trabalhar conteúdos nos quais os alunos apresentam dificuldades; guiar o aluno para identificar suas dificuldades a fim de superá-las; consentir ao aluno compreender seu potencial; reconhecer e diagnosticar a situação pedagógica inicial dos alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental; decidir por resolver a não alfabetização dos educandos com a implantação de decisões pedagogicamente acordadas; elaborar pesquisas e estudos para escolha das estratégias a serem implementadas individualmente conforme necessidade do aluno; confeccionar material pedagógico; trabalhar a autoestima por meio de mensagens e conversas individuais.

É válido também realizar reuniões com os pais dos alunos envolvidos no projeto do reforço, com o objetivo de relatar o progresso dos educandos; administrar as aulas com alunos previamente selecionados, aulas com duração de duas horas-aula semanais, de preferência buscando estratégias que garantam a aprendizagem daqueles alunos que, por motivos vários, apresentam dificuldades ou defasagem em seu desenvolvimento escolar.

Tem sido positivo também utilizar materiais concretos para melhor assimilação dos conteúdos, como jogos, alfabeto móvel, quebra-cabeça, alfabeto dinâmico, alfabeto silábico, dominó tradicional, dominó silábico e outros; empregar os livros da biblioteca pública para desenvolver as habilidades relacionadas à leitura, à escrita e à interpretação oral e escrita; promover a aprendizagem de todos os alunos atendidos por meio do uso de estratégias variadas de ensino-aprendizagem; organizar pedagogicamente o tempo e o espaço no sentido de assegurar o processo de ensino-aprendizagem dos alunos a serem atendidos, considerando seu estágio de desenvolvimento para o atendimento.

Cabe ainda investigar, avaliar e registrar continuamente as medidas adotadas durante o processo de desenvolvimento dos alunos atendidos e fazer da avaliação uma ferramenta pedagógica para realizar intervenções focadas na aprendizagem.

Resultados esperados

Espera-se que os educandos possam atingir os objetivos propostos, ao desenvolver as habilidades conforme a proposta e intervenção pedagógica, diminuindo a evasão escolar e elevando a autoestima dos alunos com desafios de aprendizagem; sempre utilizando o lúdico para que os alunos possam aprender de forma prazerosa.

Referências

KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. 7ª ed. São Paulo: Ática, 2005.

MATÊNCIO, Maria de Lourdes Meirelles. Leitura, produção de textos e a escola: reflexões sobre o processo de letramento. Campinas: Mercado de Letras, 1994.

RISTOFF, Dilvo I. Avaliação institucional: pensando princípios. In: BALZAN, Newton Cesar; DIAS SOBRINHO, José (Orgs.). Avaliação institucional: teoria e experiências. São Paulo: Cortez, 1995.

Publicado em 14 de setembro de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

OLIVEIRA, Adriane Silva de Abreu; ABREU, Cristiana Silva de; OLIVEIRA, Neuzenir Silva de Abreu; OLIVEIRA, Santino. A educação é o melhor presente que podemos oferecer aos filhos. Revista Educação Púbilca, v. 21, nº 34, 14 de setembro de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/34/a-educacao-e-o-melhor-presente-que-podemos-oferecer-aos-filhos