Usando os vídeos do YouTube na pandemia: mudanças paradigmáticas no ensino de História

José Sergio Dias Page

Professor do Ensino Médio (Seeduc/RJ), mestrando em Ensino (Infes/UFF)

Daniel Costa de Paiva

Professor universitário, líder do Grupo de Educadores Google (GEG – Pádua) e do TECGrupo (Infes/UFF)

O mundo vive tempos de mudanças, em que tudo se transformou e as pessoas vivem um universo que não é mais o mesmo faz algum tempo. Tempo esse relativo, em que o ensinar e o aprender são essenciais para a formação do ser humano em seus aspectos sociais, religiosos, culturais, psicológicos e críticos.

Desde os primórdios, o homem necessita conhecer a terra, os plantios, o cuidado com os animais, os registros e estruturas para levantar suas residências. O homem conheceu a arte do questionamento e do fazer política, com as teocracias, tiranias, monarquias, ditaduras e repúblicas. O ser humano se tornou um aprendiz da vida em seus atos e atitudes constantes.

O ensino organizado em ambientes chamados de escola passou a fazer parte da elite, que tinha seus filhos à mercê de pessoas aptas ao conhecimento, o que em variados períodos históricos foi necessário. Esses acúmulos de conhecimentos passaram a fazer parte do cotidiano ao serem estudados pelos discentes nos currículos escolares, que foram organizados por conteúdos, disciplinas e tópicos do conhecimento histórico.

O ensino de História se consolidou no tempo ao quebrar barreiras paradigmáticas, ao sofrer perseguições políticas, mudanças estruturais nos ambientes de aprendizagem, com docentes retaliados em suas formações em licenciaturas denominadas “curtas”.

Durante décadas tivemos um ensino histórico pautado pelos grandes feitos e fatos político-religiosos, personalidades imponentes e elitistas da sociedade, emanados do positivismo, que seguia essa linha de transmissão histórica. Para mais, a partir da década de 1930, os trabalhos históricos produzidos começaram a ser questionados pelos historiadores da Escola dos Annales, ao produzirem e se preocuparem com outras fontes históricas até então deixadas de lado. Assim,

ao invés do estudo dos fatos singulares, procuram chamar a atenção para a análise de estruturas sociais (econômicas, políticas, culturais, religiosas etc.), vendo seu funcionamento e evolução. Aceitam uma história total, que veja os grupos humanos sob todos os seus aspectos e, para tal, uma história que esteja aberta às outras áreas do conhecimento humano (Borges, 1992, p. 38-39).

Nota-se, dessa forma, que o ensino de História não pode ser engessado, estático, mas aberto aos debates críticos, interdisciplinares, colaborativos e, em tempos de pandemia, auxiliados pelas novas tecnologias. O ensino remoto fez com que cada professor criasse estratégias para ministrar seus conteúdos da melhor maneira com o intuito de atingir o aprendizado dos alunos.

É sabido que a Secretária de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc/RJ) estabeleceu parceria com a empresa Google, que disponibilizou ferramentas que tinham como objetivo facilitar a comunicação entre escola e alunos. Sabe-se que em várias escolas aconteceram contratempos de ordem econômica e social que dificultaram a execução das tarefas escolares. No entanto, não se pode negar que a finalidade das ferramentas Google, como o Classroom, o Meet e Formulários, por exemplo, deram sustentação aos alunos que conseguiam ter acesso às plataformas Google.

Seja no Google Classroom ou pelo WhatsApp, os professores conseguiram estabelecer contatos com os discentes, buscando fornecer condições que levassem os conteúdos disciplinares e pudessem tirar as possíveis dúvidas decorrentes das leituras dos textos e vídeos compartilhados pelas tecnologias de comunicação.

O presente trabalho tem por objetivo geral investigar a importância dos vídeos com conteúdos de História para o ensino e a aprendizagem dos alunos em tempo de pandemia, mediante a observação prática e o levantamento bibliográfico que embasaram os estudos sobre o assunto no Ensino Médio.

Os questionamentos foram realizados por meio de perguntas que embasaram a hipótese sobre a importância das metodologias audiovisuais no ensino de História. Para sanar a hipótese teórica, foram utilizados os relatos de alunos e uma referência bibliográfica que atendia às necessidades em questão.

Por objetivo específico tinha-se a observação de como a tecnologia, se bem utilizada didaticamente nas atividades, pode trazer um aprendizado significativo para os discentes.

Sendo assim, convencionou-se analisar um trabalho executado por um professor de História e os retornos obtidos via postagens dos conteúdos históricos por meio de vídeos como subsídios auxiliares aos textos propostos durante a pandemia de 2020.

Ensino de História em tempos de pandemia: perspectivas e contextualizações

Ensinar é uma arte em todas as instâncias da vida, principalmente nas escolas, que são encarregadas de promover as ações e condições para que os alunos se instruam cotidianamente. Esse ato instrucional possibilita ao indivíduo receber uma formação intelectual ao desenvolver sua cognição através dos conhecimentos organizados.

Dentre os vários conhecimentos organizados, a História que se oficializou nas instituições de ensino no século XIX. Segundo Borges (1992, p. 37), “é no século passado que a história entra para a Universidade [...]. Ela se torna, então, uma disciplina acadêmica, ou seja, é produzida desde então sobretudo no âmbito das universidades”.

O ensino de História proporciona aos discentes a possibilidade de refletir sobre a construção da sociedade como um todo, sendo o ser humano o principal responsável pela formação cultural e da vida em sociedade. No ensino histórico, encontram-se pistas sobre a trajetória humana em sociedade, com destaque ao que os seres humanos faziam, sentiam e construíam. Por ser um ser sociável, o homem consegue, por intermédio do estudo da História, compreender suas ações como agentes da história, construindo seu tempo. Essa análise ajuda a perpetuar quem somos como seres sociais e culturais, numa possível reflexão das nossas atitudes.

Com isso, ao elaborar uma aula remota de História, o professor precisa estar atento aos detalhes do seu plano de curso, contemplando uma aula equilibrada para a execução dos alunos. Esse equilíbrio perpassa a colaboração, o tempo, a autonomia e s experiências decorrentes dos saberes do aluno. Todas as escolhas didáticas e pedagógicas precisam ser levadas em conta para o sucesso da aula, possibilitando assim que o aluno construa seu conhecimento de maneira crítica e autônoma em seu tempo.

Essa reflexão permite pensar um ensino de História mais dinâmico e atraente aos alunos, não mais pautado somente em livros didáticos e no conhecimento do professor, ao ter o aluno como um mero depósito de informações. Silva (2016, p. 10) corrobora essa ideia ao afirmar que “o livro didático foi, ao longo do tempo, utilizado como forma de consolidar uma espécie de história oficial, visto vincular-se às propostas de criação de um sistema educacional”.

Essa nova maneira de pensar o ensino de História vem ao encontro da sociedade integrada aos elementos tecnológicos de informação, do ensino articulado pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996 e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de 1997, que buscam “romper com modelos tradicionais, para que se alcancem os objetivos propostos para o Ensino Médio” (Brasil, 1999, p. 25).

Não dá mais para o docente de História vislumbrar em seus alunos a possibilidade de serem HDs (High Definition/Hard Disk) prontos para copiar os conteúdos do quadro, decorar o questionário e armazenar as informações obtidas sem que produza um trabalho significativo aos estudantes, dando-lhes a possibilidade de refletir, meditar e analisar os conteúdos que foram ministrados na escola.

O professor do século XXI ministra seus conteúdos tendo papel de mediador das informações contidas na internet e em livros, proporcionando essa aprendizagem significativa. Corroborando esse pensar, Seffner (2013, p. 59-61) afirma que

aula de História não pode ser apenas leitura e cópia. Embora fundamentais, leitura e escrita precisam estar acompanhadas de debates, projeção de filmes, visitas a locais históricos, atividades envolvendo desenho, montagem de jornais, pesquisas de campo, entrevistas, seleção de materiais para compor acervos etc. [...], uma proposta de trabalho que vise aprendizagens significativas precisa buscar o desenvolvimento de competências e habilidades, que se manifestam na formação de um aluno.

As tecnologias de informação conseguem contribuir para esse novo agir dos docentes de História. Segundo França e Simon (2008, p. 8), “o computador deve ser utilizado de maneira muito criativa, através de pesquisas em sites via internet, [...] transformando a disciplina de história dinâmica e atrativa”. As atividades dos alunos se tornaram significativas, visto que eles estarão construindo seu conhecimento pelas consultas em ambientes históricos diversos, vídeos e músicas.

O período de pandemia mostrou que há novas maneiras de trabalhar com o ensino de História, cabendo ao docente interagir e compreender as necessidades vinculadas às suas turmas. Bem se sabe que esse período também evidenciou as desigualdades sociais, com estudantes que possuíam um celular para todos os irmãos estudarem compartilhando-o com os pais para os contatos de serviço. Nesse período, quem não conseguiu acesso à plataforma Google utilizou as apostilas xerocadas na escola e se comunicou com os professores pelo WhatsApp.

Mesmo diante de tamanha dificuldade para todos em sociedade, a escola precisou criar alternativas que diminuíssem as desigualdades de seu cotidiano comunitário. Segundo Moreira, Henriques e Barros (2020, p. 354),

é, pois, fundamental criar uma boa estrutura de comunicação para gerar uma autêntica comunidade virtual de aprendizagem, em que o estudante se sinta conectado e motivado. É necessário comunicar com regularidade com os estudantes nos diferentes canais de comunicação para que eles sintam a presença do professor e dos seus pares.

Mediante as dificuldades enfrentadas, os vídeos foram se tornando instrumentos provenientes da tecnologia no auxílio complementar às aulas de História. Esses vídeos usados em aulas foram se adequando às estratégias significativas para a aprendizagem dos estudantes. O professor voltou suas atenções às metodologias aplicadas ao uso dos vídeos como instrumentos que dinamizassem as aulas, servindo de canais de fixação dos conteúdos estudados.

Os vídeos nas aulas de História durante o ensino remoto

Mesmo a internet sendo palco de questionamentos e desconfianças por alguns estudiosos do campo histórico como ambiente de pesquisa, ela produz vestígios que ampliam as possibilidades de aquisição das informações necessárias para contribuir na construção do conhecimento estudantil. Para historiadores, o uso das fontes primárias é essencial, sendo uma dádiva histórica que perpetua séculos, conforme aponta Aquino (2012, p. 798).

Essa situação possui uma explicação de caráter histórico: a importância do papel e, sobretudo, da documentação oficial, como objeto principal de estudo de historiadores durante muito tempo, contribui para a estranheza que ainda causa a internet e sua materialidade “virtual”, muito embora a chamada Escola dos Annales tenha, durante o século XX, contribuído de forma decisiva para a ampliação do conceito de fonte primária.

Aos poucos, coube ao professor se pautar no planejamento das aulas, utilizando o rigor metodológico e pedagógico para se beneficiar dos instrumentos tecnológicos existentes, para contextualizar suas aulas ao ambiente vivido pelos estudantes. O ensino remoto exigiu dos docentes práticas que elevassem a autoestima dos estudantes, dosando práticas de estudos que fossem além das reproduções bancárias, defasadas e tradicionais. Aquino (2012, p. 807) afirma que

isso não significa se valer dessa instrumentação como fiel da balança na construção de um novo paradigma pedagógico, mas sim aproveitar as potencialidades oferecidas por esse arcabouço tecnológico como forma de desencadear inovações – algumas bastantes necessárias – nas relações de ensino-aprendizagem que se produzem na prática de educadores e educadoras do nosso tempo.

Diante das potencialidades oferecidas pela tecnologia, os vídeos se destacam como instrumentos pedagógicos úteis à aprendizagem dos conteúdos ministrados, desde que sejam utilizadas as metodologias pedagógicas necessárias para a sua boa aplicação. Essa ideia é corroborada por Mandarino (2002, p. 3) ao citar que

vídeos têm a capacidade de mostrar fatos que falam por si mesmos, mas necessitam do professor para dinamizar a leitura do que se vê. [...] O vídeo só deve ser utilizado como estratégia quando for adequado, quando puder contribuir significativamente para o desenvolvimento do trabalho.

Ao pensar em vídeo, é normal atrelá-lo à televisão, tendo sempre o ambiente da videoteca congestionado pelo uso das disciplinas escolares. Na pandemia, o uso dos vídeos se intensificou pelas produções pessoais dos professores com correções ou composições explicativas sobre o conteúdo. Os vídeos do YouTube também fizeram parte desse momento de isolamento social causado pela pandemia da covid-19, expondo de forma explicativa e complementar aos materiais fornecidos para os alunos.

Esse momento pandêmico serviu para desmistificar um pouco as relações de lazer existentes entre aulas e vídeos; para muitos professores, alunos e a gestão escolar, quando se passava um vídeo era um momento de entretenimento ou descanso para os estudantes. Moran (1995) destaca a necessidade de nós, educadores, buscarmos levar aos alunos o entendimento da importância dos vídeos para as aulas como instrumento pedagógico que estabelece

novas pontes entre o vídeo e as outras dinâmicas da aula. Vídeo significa também uma forma de contar multilinguística, de superposição de códigos e significações, predominantemente audiovisuais, mais próxima da sensibilidade e prática do homem urbano (Moran, 1995, p. 28).

Esse autor ainda destaca que

O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, do próximo, que toca todos os sentimentos. [...] Pelo vídeo sentimos, experienciamos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos. [...] O vídeo explora também e basicamente o ver, o visualizar, o ter diante de nós as situações, as pessoas, os cenários, as cores, as relações espaciais. [...] O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita (Moran, 1995, p. 28).

Mediante as citações do autor, os vídeos no ensino de História podem se tornar instrumentos de forte ganho para o ensino e a aprendizagem dos estudantes, desde que bem organizados, com finalidades e propostas definidas em planejamentos pedagógicos. Ele aponta que os vídeos são importantes quando são usados para sensibilizar, ilustrar e simular uma temática dos conteúdos a serem discutidos durante o período.

Moran (1995) ainda acrescenta que os vídeos com conteúdo de ensino, como produções de documentários e intervenções, interações com outras mídias, trazem sucesso e despertamento aos discentes.

Muitos destaques de insucessos com o uso de vídeos estão relacionados aos momentos em que o professor os utiliza de maneira inadequada, como apenas um passatempo para os seus alunos. Moran (1995) faz esse destaque no seu texto, corroborando que os vídeos não podem ser usados para tapar buracos na falta de professores, só ter vídeos nas aulas, enrolações das aulas e sua utilização em todas as aulas.

Dessa forma, nota-se que os vídeos podem contribuir de maneira significativa com as aulas presenciais, destacando nesse caso o seu uso e a produtividade no período de pandemia, sempre exigindo do docente uma aplicação adequada dessas ferramentas tecnológicas aliadas a um trabalho de planejamento didático-metodológico para alcançar o objetivo, que será sempre a aprendizagem dos alunos.

Resultados e discussões

Da análise nota-se que o uso dos vídeos em aulas de História durante a pandemia como instrumentos pedagógico-didáticos pode ser excelente se for bem organizado pelos professores no planejamento das aulas. Essas aulas organizadas e dirigidas de maneira adequada fornecem subsídios para que a aprendizagem dos estudantes aconteça, gerando hábitos e habilidades para que eles desenvolvam suas aptidões cognitivas (Libâneo, 1994). O autor relata que o trabalho do professor só terá sentido quando o “ensino dos conhecimentos e dos métodos de adquirir e aplicar conhecimentos se converte em conhecimentos, habilidades, capacidades e atitudes do aluno” (Libâneo, 1994, p. 105).

Assim, durante a pandemia, os professores buscaram superar barreiras para levar uma aproximação dos conteúdos aos alunos, na tentativa de diminuir as distâncias existentes entre escola, aluno e ensino. Ao analisar uma turma de Ensino Médio de escola pública, observam-se dificuldades de alunos na utilização tecnológica voltada para a condução do ensino. Essas dificuldades foram sendo superadas com o tempo, na medida em que iam utilizando o sistema Google, mas também se observa que vários alunos não possuíam uma tecnologia que comportasse tais sistemas.

A utilização dos vídeos se tornou uma saída para o ensino e o aluno poderia acessá-lo no Google Sala de Aula ou pelo link enviado no WhatsApp. Os vídeos de História estão sendo de grande auxílio na complementação dos conteúdos ministrados durante a pandemia. Ao analisar um grupo de 38 alunos, observou-se, pelos dados obtidos, que a experiência de incluir os vídeos históricos como ferramenta pedagógica foi positiva.

Para a turma de 1º ano analisada, dos 38 alunos, 10 alunos utilizavam o Google Sala de Aula, possuíam computadores ou celulares com internet ilimitada para usos exclusivos da aprendizagem escolar diária; 28 alunos estavam recebendo as apostilas impressas para a realização das atividades, por não possuírem computador, celulares e internet que viabilizassem o acompanhamento das aulas no tempo necessário. Muitos dividiam os equipamentos (celular ou computador) com irmãos e pais, além de não terem internet com capacidade suficiente para o atendimento das demandas escolares, como as aulas no Google Meet.

O grupo do WhatsApp reuniu os 38 alunos da turma. Isso ocorreu pelo fato de o WhatsApp ser uma ferramenta instalada em qualquer celular, seja da família ou algum parente, além de ser livre na maioria dos pacotes ofertados pelas operadoras de telefonia, até mesmo para pré-pagos. Foi uma forma de manter contato com a escola, sabendo das programações e eventos escolares on-line.

Essas informações sobre o uso do celular e da internet por parte dos alunos foram determinantes na elaboração do plano de ensino e na determinação de quais instrumentos pedagógicos seriam usados na aula de História. Para isso, foram realizadas perguntas, que constam na Tabela 1, com as respectivas frequências de respostas positivas obtidas.

Quadro 1: Perguntas e frequência de respostas positivas

Como é a divisão do celular que usa?

Frequência de respostas positivas

 

Como é sua internet?

Frequência de respostas positivas

Celular do aluno

14

Internet ilimitada

11

Celular familiar

15

Internet compartilhada

15

Celular de parentes

06

Internet  de vizinhos, parentes etc.

09

Não responderam

03

Não responderam

03

Total

38

Total

38

Com esses dados, a formulação das aulas foi pautada em textos históricos, atividades de múltipla escolha e questões abertas para as produções de textos. Outro instrumento usado foram os vídeos selecionados para que os alunos pudessem refletir sobre os conteúdos ministrados, tendo a possibilidade de observar a fala do professor, mapas e as imagens auxiliares para a complementação na aprendizagem histórica, sendo justificada a importância do seu uso por Machado e Meirelles (2018, p. 79): “O vídeo é uma das tecnologias que mais se têm destacado nos últimos anos por ter uma linguagem dinâmica e a capacidade de estimular os sentidos”.

Outro levantamento obtido durante o uso dos vídeos de História na turma está relacionado ao tempo de duração dos vídeos. Ficou registrado que quanto mais longo menor será o interesse dos alunos em acompanhar os conteúdos, conforme apontam os resultados da Tabela 2.

Tabela 2: Questões e frequência de respostas positivas

Quando você assiste aos vídeos das aulas de História?

Frequência de respostas positivas

 

Qual o tempo ideal dos vídeos para você?

Frequência de respostas positivas

Assistem no dia das aulas

11

Até 5 minutos

05

Assistem em momentos posteriores

20

De 5 a 10 minutos

16

Não assistem

04

De 10 a 15 minutos

13

Não responderam

03

Não responderam

04

Total

38

Total

38

Além de registrar a variação ideal de duração dos vídeos para os alunos, a tabela registra a impossibilidade do acompanhamento das aulas em tempo real por vários alunos, devido aos aparelhos tecnológicos (celular e computador) e internet indisponíveis no momento das aulas (conforme aponta a Tabela 2).

Dos 38 alunos pesquisados, 29% conseguem assistir aos vídeos no dia das aulas, 53% assistem em momentos posteriores, 10% não assistem e 8% não responderam essa questão.

Pode-se observar que, na introdução dos vídeos pedagógicos de História produzidos pelo professor ou retirados do YouTube, os alunos tiveram melhor aproveitamento nas correções das atividades escritas, sendo na primeira etapa (divisão interna da escola) 63% de aproveitamento geral. Na 2ª etapa, o aproveitamento foi de 72%, e na 3ª etapa o resultado foi de 76% de aproveitamento.

Ao usar o vídeo como instrumento pedagógico, as atividades de fixação se diversificaram, podendo incluir produção de charges e de textos e verificações de possíveis incoerências históricas existentes nos vídeos e os textos impressos fornecidos.

Sendo assim, como futuras propostas de atividades, os alunos podem produzir as seguintes tarefas de fixação: resumos críticos sobre o assunto estudado, resenhas, mapas mentais ou conceituais e apontamentos sobre os desacordos existentes entre os vídeos e materiais escritos, citados anteriormente.

Considerações finais

Usar vídeos nas aulas presenciais sempre esteve presente em práticas pedagógicas do professor de História, mas marcado por empecilhos de ordem espacial e tecnológica, como uma sala de vídeo, um só aparelho datashow e uma única televisão nos ambientes escolares. Para ser mais preciso, quando havia o espaço e os equipamentos, era possível usar de quando em quando, atendendo as necessidades dos demais professores da escola.

Com a pandemia da covid-19, gerada pelo SARS-CoV-2, os planejamentos foram reformulados, aderindo a uma prática mais extensiva com seleção e uso dos vídeos gravados pelos professores com aulas explicativas, correções de atividades ou selecionados no YouTube, podendo dar ao aluno maior apoio pedagógico.

Nas aulas de História registradas, observa-se um ganho expressivo com os vídeos que foram submetidos aos alunos durante o ano de 2020. Alunos que teriam somente apostilas para ler e executar suas atividades receberam o auxílio dos vídeos pelo WhatsApp ou Google Sala de Aula, levando-os ao despertar dos sentidos audiovisuais.

Nota-se que o uso de vídeos pedagogicamente planejado pelo professor, como fonte de informações e construção do conhecimento, pode render bons resultados. Outra percepção do trabalho consiste na observação do tempo estimado dos vídeos, que, se não analisado no ato da seleção e planejamento das aulas, pode acarretar desinteresse dos alunos.

Dessa forma, observa-se que a tecnologia está na sociedade para ser utilizada levando em consideração os planejamentos necessários para a sua execução. Nas escolas, gestores, pedagogos e professores precisam estar atentos à funcionalidade pedagógica das tecnologias, podendo utilizá-las na quebra dos paradigmas do trabalho educacional no ensino de História, conforme apontado pela pesquisa realizada e nos referenciais teóricos utilizados na composição deste estudo cientifico.

Referências

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LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 18ª reimpr. São Paulo: Cortez, 1994.

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MANDARINO, Mônica Cerbella Freire. Organizando o trabalho com vídeo em sala de aula. Revista Morpheus – Estudos Interdisciplinares em Memória Social, v. 1, nº 1, 2002. Disponível em: http://www.seer.unirio.br/index.php/ morpheus/article/view/4014/3582. Acesso em: 02 jan. 2021.

MORAN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação, São Paulo, nº 2, p. 27-35, jan./abr. 1995. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ comueduc/article/view/36131/38851. Acesso em: 02 jan. 2021.

MOREIRA, José Antônio Marques; HENRIQUES, Susana; BARROS, Daniela. Transitando de um ensino remoto emergencial para uma educação digital em rede, em tempos de pandemia. Dialogia, São Paulo, nº 34, p. 351-364, jan./abr. 2020. Disponível em: https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/ 10400.2/9756/1/2020_Transitando%20de%20um %20ensino%20remoto%20emergencial%20para %20uma%20educa%c3%a7%c3%a3o %20digital%20em%20rede%2c%20em %20tempos%20de%20pandemia.pdf. Acesso em: 05 jan. 2021.

SEFFNER, Fernando. Aprendizagens significativas em História: critérios de construção para atividades em sala de aula. In: ______. Jogos e Ensino de História. Porto Alegre: Evangraf, 2013. p. 48.

SILVA, Jorge Everaldo Pittan da. Ensino híbrido: possíveis contribuições para a qualificação do ensino de História no Ensino Médio. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de História), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. 2016. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/ 1/12722/DIS_PPGEHRN_2016_SILVA_JORGE.pdf ?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 20 jan. 2021.

Publicado em 28 de setembro de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

PAGE, José Sergio Dias; PAIVA, Daniel Costa de. Usando os vídeos do YouTube na pandemia: mudanças paradigmáticas no ensino de História. Revista Educação Pública, v. 21, nº 36, 28 de setembro de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/36/usando-os-videos-do-youtube-na-pandemia-mudancas-paradigmaticas-no-ensino-de-historia