Uno Celular: uma proposta de atividade de revisão dos conceitos da Biologia Celular

Andressa Antônio de Oliveira

Mestra em Ensino na Educação Básica (UFES/Ceunes)

Márcia Pinto Carrafa

Mestra em Ensino na Educação Básica (UFES/Ceunes)

O ensino de Ciências/Biologia ainda hoje se estrutura de modo a privilegiar o estudo de conceitos, de métodos científicos e de hipóteses. Essa prática é comumente considerada descontextualizada e desmotivadora pelo aluno, gerando a necessidade de novos encaminhamentos metodológicos no processo de aprendizagem (Zuanon et al., 2010).

Utilizar jogos no processo de escolarização é uma alternativa viável e interessante para substituir aulas que privilegiam essa estrutura escolar ultrapassada durante o processo de transmissão-recepção de conhecimentos, tornando-se uma ferramenta para melhorar o desempenho dos estudantes em alguns conteúdos de difícil aprendizagem (Campos et al., 2003; Zanon et al., 2008). Um aspecto relevante nos jogos é o desafio genuíno que eles provocam no aluno, que gera interesse e prazer. Por isso, é importante que os jogos façam parte da cultura escolar, cabendo ao professor analisar a potencialidade educativa dos diferentes jogos (Brasil, 2000).

Os jogos educativos com finalidades pedagógicas promovem situações de ensino e aprendizagem, além de possibilitar expansão do conhecimento por meio do desenvolvimento da iniciativa (Moyles, 2002). É importante que os jogos sejam utilizados como instrumentos de apoio e como reforço de conteúdos já apreendidos, fazendo com que o aluno se sensibilize na construção do seu conhecimento com oportunidades prazerosas para o desenvolvimento de suas cognições (Jann; Leite, 2010; Duarte et al., 2012).

Dessa forma, objetivou-se criar uma adaptação do jogo Uno, denominando “Uno celular”, com a finalidade de possibilitar uma melhor compreensão do conteúdo com uma ferramenta do cotidiano dos alunos. O jogo aborda o conteúdo de Biologia Celular de maneira lúdica e interativa.

Metodologia e regras

O jogo Uno Celular pode ser jogado por no mínimo dois e no máximo dez alunos (o professor pode organizar equipes, caso haja necessidade). Esse jogo pode ser realizado com alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio. É composto por 108 cartas (Figura 1):

  • 19 Cartas Célula Animal (azuis), numeradas de 0 a 9;
  • 19 Cartas Célula Vegetal (verdes), numeradas de 0 a 9;
  • 19 Cartas DNA (amarelas), numeradas de 0 a 9;
  • 19 Cartas Célula Procarionte - Bactéria (vermelhas), numeradas de 0 a 9;
  • 8 Cartas de Responda ou Inversão de sentido (duas de cada cor);
  • 8 Cartas de Responda ou +2 (duas de cada cor);
  • 8 Cartas de Responda ou Pular (duas de cada cor);
  • 4 Cartas de Responda ou troca de cor;
  • 4 Cartas de Responda ou troca de cor e +4.

O objetivo do jogo é que o aluno fique sem nenhuma carta na mão. Para isso, terá de jogar uma carta de cada vez que corresponda ao número ou célula/estrutura da carta jogada anteriormente. Quando tiver apenas uma carta na mão, deverá gritar “uno celular!”; caso não realize isso terá que comprar duas cartas. O jogo termina quando os jogadores ficarem sem cartas na mão.

Iniciamos com cada aluno tirando uma carta do baralho, numerada de 0 a 9. Caso tire uma das cartas com perguntas (cartas de ação), deverá colocar essa carta no baralho e voltar a tirar outra carta. A pessoa que tirar a carta mais alta fica responsável por embaralhar as cartas e dar sete cartas a cada aluno, de face voltada para baixo. A pilha de cartas não distribuídas fica ordenada ao lado da mesa, em pilha. O jogo inicia-se tirando uma carta de cima da pilha. Em seguida o aluno à esquerda pode dar início ao jogo.

Nessa fase do jogo pode sair uma carta com perguntas; caso isso ocorra, o aluno à esquerda terá de responder à pergunta; se não responder de forma correta, deverá seguir as regras indicadas na carta. A exceção é para o Responda ou +4. Caso saia essa carta, ela deverá ser reposta no baralho e retirada outra.

O Uno Celular apresenta, assim como o jogo original (Uno), cinco tipos de cartas de ação. Nessas cartas há uma pergunta referente ao conteúdo de Biologia Celular e somente caso o aluno não responda é que a ação na carta deverá ser executada. Para melhor resultado, é preciso entender o que significa cada carta:

  • Carta Responda ou troque de cor: Esta carta pode ser jogada a qualquer altura do jogo e por cima de qualquer carta em cima da mesa. Ela tem como objetivo que o aluno responda a uma pergunta relacionada ao conteúdo e, caso não saiba, ocorre a alteração de cor que está a ser jogada no momento.
  • Carta Responda ou +2: Esta carta permite que quem tirou responda a uma pergunta; caso acerte, obriga que o aluno seguinte a jogar tire mais duas cartas e perca a vez de jogar. Essa carta só pode ser jogada caso esteja na mesa uma carta com a mesma cor ou com um símbolo igual. Caso o aluno que retirou não saiba responder à pergunta, ele sofre a punição.
  • Carta Responda de troca de cor e +4: Esta é a carta mais valiosa do jogo. Pode ser jogada a qualquer altura e por cima de qualquer carta; tem a tripla função de alterar a cor que está a ser jogada no momento, de interditar o aluno seguinte de jogar e de obrigá-lo a retirar quatro cartas da pilha. Mas a funcionalidade dessa carta só é permitida caso o aluno que for jogá-la tenha conseguido responder à pergunta presente na carta.
  • Responda ou Carta Pular: Caso o aluno consiga responder à pergunta presente na carta, ele destrava a funcionalidade da carta, que tem como objetivo interditar o aluno seguinte de jogar. Esta carta só pode ser jogada caso esteja na mesa uma carta com a mesma cor ou com um símbolo igual.
  • Responda ou Carta Inversão do sentido:  Caso o aluno consiga responder à pergunta presente na carta, ele destrava a funcionalidade da carta, que tem como objetivo trocar o sentido do jogo. Caso deseje (e tenha a carta na mão), o aluno seguinte poderá voltar a inverter o sentido do jogo.

Figura 1: Cartas do Uno Celular

Referências bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação/SEMTec, 2000.

CAMPOS, L. M. L.; FELICIO, A. K. C.; BORTOLOTO, T. M. A produção de jogos didáticos para o ensino de Ciências e Biologia: uma proposta para favorecer a aprendizagem. Cadernos dos Núcleos de Ensino, p. 35-48, 2003.

DUARTE, V. S.; SANDOS, M. L.; SOUZA, E. J. C.; BORGES, G. F. Brincando com a fisiologia humana: relato de uma extensão universitária. Rev. Ciênc. Ext., v. 8, nº 1, p. 105, 2012.

JANN, P. N.; LEITE, M. F. Jogo do DNA: um instrumento pedagógico para o ensino de Ciências e Biologia. Ciências & Cognição, v. 15, nº 1, p. 282-293, 2010.

MOYLES, J. R. Só brincar? O papel do brincar na Educação Infantil. Trad. Maria Adriana Veronese. Porto Alegre: Artmed, 2002.

ZANON, D. A. V.; GUERREIRO, M. A. S.; OLIVEIRA, R. C. Jogo didático Ludo Químico para o ensino de nomenclatura dos compostos orgânicos: projeto, produção, aplicação e avaliação. Ciências & Cognição, v. 13, nº 1, p. 72-81, 2008.

ZUANON, A. C. A.; DINIZ, R. H. S.; NASCIMENTO, L. H. Construção de jogos didáticos para o ensino de Biologia: um recurso para integração dos alunos à prática docente. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, v. 3, nº 3, 2010.

Publicado em 19 de outubro de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

OLIVEIRA, Andressa Antônio de; CARRAFA, Márcia Pinto. Uno Celular: uma proposta de atividade de revisão dos conceitos da Biologia Celular. Revista Educação Pública, v. 21, nº 38, 19 de novembro de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/38/uno-celular-uma-proposta-de-atividade-de-revisao-dos-conceitos-da-biologia-celular

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