O enfoque da memória e identidade no ensino de História

Wellington Ricardo Felix dos Santos

Mestrando em Culturas Africanas, da Diáspora, e dos Povos Indígenas (Procadi/UPE - Câmpus Garanhuns)

O ensino da História tem sofrido modificações ao longo das décadas; nessa perspectiva, novos conceitos foram sendo entendidos como de fundamental importância para o entendimento da História, como a memória, que é fundamental para a concepção da identidade de um grupo social. Sendo assim, analisar como são percebidos esses conceitos por parte dos professores do Ensino Fundamental é coerente, pois a oralidade – que é um instrumento utilizado pela memória – está presente em vários momentos na sala de aula.

Nesse sentido, este estudo poderá contribuir para que os docentes de História ampliem seus conhecimentos sobre memória e identidade, possibilitando-lhes o domínio de tais conceitos. Outro ponto de destaque se refere ao desenvolvimento, em sala de aula, do trabalho pedagógico associado à memória social, o que enriquecerá as aulas de História, possibilitando ao aluno a oportunidade de se sentir parte do processo histórico, e não simplesmente vê-la como algo construído pelos heróis que estão presentes nos livros didáticos. Partindo dessa explanação, surge a indagação: como os conceitos de memória e identidade são abordados no processo de ensino-aprendizagem na disciplina de História na escola? Uma vez que a História, como ciência e disciplina escolar, tem sofrido modificações ao longo das décadas, novos conceitos foram sendo entendidos como de fundamental importância para o estudo da História e para o entendimento da sociedade onde o aluno está inserido, percebendo que a história, em primeiro lugar, não seria mais entendida como uma “ciência do passado”, uma vez que, segundo Bloch, “passado não é objeto de ciência”. Ao contrário, era no jogo entre a importância do presente para a compreensão do passado e vice-versa que a partida era, de fato jogada (Bloch, 2001, p. 7).

Sendo assim, a memória é uma categoria que auxilia no processo de identidade e de saber de cada geração, pois

a memória dos velhos pode ser trabalhada como um mediador entre a nossa geração e as testemunhas do passado. Ela é o intermediário informal da cultura, visto que existem mediadores formalizados constituídos pelas instituições (a escola, a igreja, o partido político etc.) e que existe a transmissão de valores, de conteúdo, de atitudes, enfim, os constituintes da cultura (Bosi, 2003, p. 15).

Discernindo sobre o tema abordado, nota-se que o educador pode ser auxiliado pelas experiências dos velhos (lembranças, contos e parafraseamentos) para trabalhar com a história não de uma forma conteudista ou positivista, possibilitando assim um maior significado da história local, fazendo com que o aluno passe a sentir-se parte integrante da realidade vivenciada para o crescimento do processo histórico da sociedade na qual ele está inserido, em que ele perceba que o local interfere no processo histórico da sociedade de modo geral.

O objetivo geral é analisar como os conceitos memória e identidade são abordados no processo de ensino-aprendizagem na disciplina de História com os alunos. Nos objetivos específicos, busca-se averiguar como está sendo estudada a memória e a identidade no ensino de História; verificar como os docentes trabalham com questões relacionadas a memória e a identidade; investigar o conhecimento que o professor detém sobre a importância da memória e da identidade no ensino da História.

O desenvolvimento deste estudo será oportuno, visto que os conceitos abordados, memória e identidade, estão intrinsecamente ligados e analisados por acadêmicos em diversas universidades. Com este trabalho se poderá questionar a importância do estudo da memória no ensino de História, rompendo com a ideia conteudista da História.

Em 1928, [...] a edição dos Annales, publicação que daria origem a todo um processo de renovação na historiografia francesa e que está na base do que hoje é chamado de “História Nova", tratava-se de uma espécie de guerra de “trincheiras” contra a história exclusivamente política e militar; uma história até então segura e tranquila diante dos eventos e da realidade que buscava anunciar (Bloch, 2001, p. 8).

Esse tipo de visão crítica – oposta aos modelos mais tradicionais de historiografia, que acreditavam naquilo que Le Goff chamou de “imperialismo dos documentos” – marcou Marc Bloch e toda a primeira geração dos Annales (Bloch, 2001, p. 8-9). Além disso, eleva a autoestima dos alunos, já que estes poderão se sentir agentes da história, visto que todos têm memória e que ela pode ser ampliada com a história contada pelos velhos que fazem parte do entorno social em que estes jovens estão inseridos e que a história “oficial” não valoriza:

Os velhos, as mulheres, os negros, os trabalhadores manuais, camada da população excluída da história ensinada na escola, tomam a palavra. A história, que se apoia unicamente em documentos oficiais, não pode dar conta das paixões individuais que se escondem atrás dos episódios. A literatura conhecia já esta prática pelo menos desde o Romantismo: Victor Hugo faz surgir Notre Dame de Paris num quadro popular medieval que a história oficial havia desprezado (Bosi, 2003, p. 15).

Este estudo poderá contribuir para que os docentes de História ampliem seus conhecimentos sobre memória e identidade, possibilitando-lhes o domínio de tais conceitos, bem como vislumbrar uma pedagogia associada à memória social que poderá ser trabalhada em sala de aula para o enriquecimento das aulas de história, além de o aluno se sentir parte do processo histórico, não vendo a história como sendo apenas construída pelos heróis que estão presentes nos livros didáticos.

Além de colaborar para que os velhos sejam vistos como autores e/ou protagonistas de uma sociedade mais historicamente formada, eles se transformaram em agentes contribuidores da História do seu entorno social, bem como elevar a sua importância para a educação na escola, onde seus filhos e netos são estudantes, ampliando, portanto, a importância dos conceitos de memória e identidade. A necessidade de um estudo que reflita sobre os conceitos que a sociedade capitalista exclui das suas discussões, demonstrando que o jovem e o novo são pautas permanentes nos discursos do capital, tem relevância no entender da relação entre os velhos e o discurso imposto pelo capitalismo.

Diálogo no ensino sobre o contexto histórico

As concepções de ensino de História têm mudado devido ao modo de vida da contemporaneidade, sendo necessária a compreensão do mundo em que se vive, não ensinando uma história “positivista”, cheia de dados e datas, que não é atrativa para o alunado que deverá apenas absorver o que o professor diz, mas ensinar a fazer história. Sendo assim, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio apontam que “a produção historiográfica no momento busca estabelecer diálogos com o seu tempo, reafirmando o diálogo de que toda história é filha do seu tempo” (Brasil, 1997, p. 300).

Nesse direcionamento, a produção nesse campo tem sido renovada e se revisa, na tentativa de encontrar novas abordagens, novos rumos e novos problemas; portanto, novos pontos para investigação. Esse tema, que até então não era privilegiado pela historiografia, tornou-se objetivo de reflexão dos historiadores das demais ciências sociais, imprimindo mudanças na compreensão do que seja história.

Assim, a introdução de estudos que buscam desvendar as múltiplas relações dialógicas incorporadas às obras humanas amplia a oportunidade dos alunos no contexto histórico complexo de se expandir em ressonância no tempo, deixa escapar de explicações causais e simplistas, indo de encontro à construção de olhares substanciais, recheados de referências culturais e contextos históricos, investindo em estudos que abordam uma concepção de tempo não linear, já que a busca dessa construção viabiliza localizar as vozes que falam, orientando-se em fundamentações e contextos que emergem de muitos recantos, de muitas gerações que ressoam, ainda no presente, já que é no presente que os alunos estão falando, dialogando, construindo uma nova obra.  

Nesse sentido, o entendimento de mundo de que o jovem necessita deverá estar sendo trabalhado nos conteúdos e discursos que o professor aborda em sala de aula para que ele possa compreender as linguagens e formas de expressões que a sociedade lhe mostra ao longo do tempo.

Identidade social do educando na relação com a História

Na atualidade, a História tem contribuído para uma abordagem de certas indagações sobre a realidade atual que em outros momentos poderiam até existir, mas não eram discutidos como hoje, refletindo sobre o funcionamento da sociedade, na análise do tempo, da economia e da cultura. Atualmente o ensino de História desempenha importante papel na identidade dos educandos ao refletir sobre a atuação dos indivíduos nas relações de grupo em que vivem, em que viviam seus antepassados e em que viverão seus descendentes.

Há uma inevitável necessidade de pensar, em nossos dias, a própria condição da história; isto implica indagar a forma pela qual ela estabelece e produz seus conceitos e, simultaneamente, como trata e discute o evento. Inquire-se como a história produz uma explicação e disciplina o acontecimento. Em si, nossa atualidade vem atravessada por um esgotamento e abandono de um conjunto de certezas e/ou conceitos que, durante bom tempo, pautaram a história: origem, unidade, finalidade, consciência, natureza humana, totalização e outros mais. Logo, nesse “esgotamento surgiria ou a anulação impreterível da história ou a necessidade premente de pensar a sua formulação de modo que provisoriedade, indeterminismo e diferença não constituam a negação do conhecimento histórico (Schiavinatto, 1993, p. 105).

Em suas emoções e em suas participações no coletivo, valorizando gerações do passado e do futuro, Ricardo Oriá faz a seguinte afirmação:

A inovação do passado constitui uma das estratégias mais comuns nas interpretações do presente. O que inspira tais apelos não é apenas a divergência quanto ao que ocorreu no passado e o que teria sido esse passado, mas também a incerteza se o passado é de fato passado, morto e enterrado, ou se persiste, mesmo que talvez sob outras formas (Bittencourt, 2003, p. 28).

Então, o passado pode estar resistindo na identificação que cada aluno tem ao refletir sobre esse passado e a participação de grupos que vivem em outros estágios diferenciados de acordo com avanços tecnológicos que o capitalismo pode influenciar nas transformações sociais, apesar das resistências em que alguns grupos humanos persistem até os dias atuais.

A percepção do outro, hoje em dia, e do eu está relacionada à possibilidade de identificação das diferenças e das semelhanças, sendo necessário entender e enfrentar a heterogeneidade e seus valores de identidade, questionando esses valores. Portanto, tem que se tomar cuidado para não criar uma barreira e preconceitos de dominação entre grupos sociais, auxiliando na construção e valorização de ambos sem perda, e sim ganhos de contatos e trocas de conhecimentos de grupos humanos que possam ter singulares formas de analisar e entender o mundo, sem perder a identidade do grupo ao qual pertence cada ser humano.

A memória no ensino de História

É inegável o valor da memória para o entendimento da História nas novas perspectivas do estudo como ciência em construção, pois “a memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia” (Le Goff, 1990; Bittencourt, 2003).

A preservação da memória histórica é um fenômeno que vem se caracterizando com numerosas instituições, e segmentos sociais estão cada vez mais se preocupando com esse campo de estudo. A todo momento se ouve falar da criação de bancos de dados acerca desse assunto, como criação de bancos de memória; programas de história oral; elaboração de vídeos e documentários.

Apesar de falar que o Brasil é um país sem memória, já é possível perceber que os livros didáticos estão dando um enfoque maior a esse assunto e nota-se um interesse crescente por parte do alunado que quer investigar o passado dos seus familiares mais idosos, não só acerca da sua família, mas também em relação à cidade na qual se vive, sendo trabalhada nesse sentido a História de vida e a História local.

Não deixa de ser verdade que o tema da memória está em alta; hoje mais que nunca se fala da memória da cidade, do bairro, da família, sendo apoiado por forças políticas com reconhecimento público. Entre a década de 1970 e 1980, foram percebidos movimentos sociais de caráter popular protagonizados por negros, mulheres, homossexuais, índios que reivindicam o direito à cidadania, sendo necessário fazer o resgate da memória desses grupos que lutam pela afirmação da sua identidade étnico-cultural, que era reprimida, sobretudo nesse momento em que o pais estava passando por repressão, devido ao regime militar que foi instaurado em meados da década de 1960 e foi encerrado durante a década de 1980.

É necessário discutir em sala de aula questões relacionadas com a possibilidade de trabalhar com bens culturais históricos no processo de ensino-aprendizagem, com fins de estimular nos alunos o senso de preservação da memória social coletiva, como condição indispensável à construção de uma nova cidadania e identidade nacional plural, considerando que a História tem papel fundamental nesse processo de construção do entendimento acerca do assunto.

A visão dos professores de História na relação com a memória e a identidade

O espaço de professores na sala de aula faz revelar lócus de excelência para o estudo de memória e identidade no ensino-aprendizagem, apontando a memória direta ou indireta como questão trabalhada e que por ventura é percebida nas entrelinhas da fala dos alunos adolescentes ou jovens, em sala de aula de diferentes grupos, pois existe

uma memória estruturada com suas hierarquias e classificações, uma memória também que define o que é comum a um grupo e o que o diferencia dos outros. Neste sentido os professores sentem na sala de aula o distanciamento dos grupos que se identificam como os “iguais” (Pollak, 1989, p. 8-10).

Isso, muitas vezes, na contradição pode, como decorreu neste trabalho, revelar espaço novo ao processo de ensino, ser desafiador à prática do professor, como iremos perceber com a análise das entrevistas.

Com a construção da História e produção de novos contextos nos quais os alunos estão inseridos, vai-se percebendo que a categoria Identidade, ao sugerir nessas vozes que estão fincadas nos lugares, pois, segundo Bosi (2001, p. 13), está inter-relacionada à memória, ela reforça a identidade, pois esta está relacionada à cultura na qual a memória também existe. Todavia, o professor coloca em seus ensinamentos conceitos que dão margem a indagar o papel de mediador na construção e reflexão sobre memória e identidade; isso é bem perceptível, mas pouco discernido entre os teóricos.

O professor, por ser um mediador, como trata Vygotsky (Bittencourt, 2003, p. 96), “no espaço de cultura é que ele encontra sentido para a aprendizagem”. Observa-se que a problemática é bem complexa, podendo o docente e o discente compreenderem mudanças e permanências, já que o processo depende de cada ser que o recebe e pratica a partir de sua cultura, sem perder de vista a memória local ou distante.

Percebendo não apenas os problemas políticos e sociais, mas também problemas que ultrapassam esses poderes, como a memória coletiva e individual e a identidade, o professor se permite ampliar a dimensão de aprendizagem e de ensino, até porque ele aprende bem mais sobre a cultura do aluno.

Em relação à pergunta sobre a memória que os alunos trazem da História, o que se percebe sobre a vontade de conhecer está vinculada à História que precede o aluno. O ser humano por si já é um agente histórico, além de não poder confundir memória histórica com a memória coletiva, como afirma Verdum (1994, p. 146): “se, por memória histórica, entendermos a sequência dos acontecimentos dos quais a história nacional conserva a lembrança, não é ela, não são seus os quadros que representam o essencial daquilo que chamamos memória coletiva”. Em outras palavras: as diferenças fazem perceber que, apesar das discussões teóricas que se multiplicam, pode-se entender que falta maior aprofundamento teórico-prático.

Metodologia

O levantamento exploratório existente nas pesquisas realizadas com os professores permite realizar o estudo e direcionar a formação conceitual necessária para que os objetivos deste estudo sejam alcançados de forma linear e consensual, deixando em evidência a necessidade ou não de transformações necessárias aos futuros planos curriculares na disciplina História, que está voltada à prática do conceito de memória e identidade.

Tendo essa formulação conceitual, esta pesquisa fez uma abordagem utilizando entrevista e questionário semiestruturado com cinco docentes de escola pública da rede estadual de ensino, em que, com o discernimento relacionado à pesquisa, objetivar a construção do perfil e de análises dos conceitos de memória, identidade e ensino de História.

O suporte teórico deu-se com leituras acerca do assunto a ser pesquisado, como também de fontes documentais oficiais e não oficiais. Por a pesquisa estar articulada à História Nova, a conceitos como memória e identidade, ela é qualitativa, visto que

a história é uma arte, história é literatura. Frisa: a história é uma ciência, mas uma ciência que tem como uma de suas características, o que pode significar sua fraqueza, mas também sua virtude, ser poética, pois não pode ser reduzida a abstrações, a leis, a estruturas (Bloch, 2001, p. 19).

É importante destacar que o processo quantitativo também faz parte deste trabalho, pois, mesmo com um número total de integrantes existentes no ambiente da pesquisa, pôde-se identificar resultados contraditórios aos condizentes a este tipo de investigação.

Esta pesquisa está dentro de uma abordagem qualitativa e quantitativa, em que se trabalha a metodologia interativa de Oliveira (2008, p. 124), que a define como “um processo hermenêutico-dialético que facilita entender e interpretar a fala e depoimentos dos atores sociais em seu contexto [...], em direção a uma visão sistêmica da temática em estudo”. Por se tratar de um processo dialético e sistêmico, se aplica a qualquer área de conhecimento e pode ser trabalhada com os mais variados e complexos temas de pesquisa.

Resultados e discussão

Entre muitos aspectos que ocorreram no desenvolvimento da pesquisa, foram encontrados conflitos ideológicos e confrontos entre a realidade e os conceitos existentes sobre o tema abordado.

No levantamento exploratório de campo identificaram-se acontecimentos em que as indagações que persistiram em não ser solucionadas demonstraram a cada momento maior preocupação sobre o entendimento do(a) professor(a) de História no que se refere à memória e identidade dos aspectos históricos no ensino da História.

O entendimento sobre o tema abordado demonstrou, em particular, a cada situação no desenvolvimento das questões abertas que o público não atingia o objetivo da pesquisa, e que por mais houvesse argumentos sempre falhavam em discernir o significado e/ou valor do papel da memória e identidade no espaço da sala de aula.

Na estatística sobre a forma quantitativa que se apresentou no decorrer da pesquisa encontrou-se a demonstração de individualismo, tal como o corporativismo, desenvolvendo-se de forma particular; embora o tema abordado seja memória e identidade, os respaldos deixados no levantamento fazem introduzir uma linha de pensamento em que o papel quantitativo deve ser aberto para outros trabalhos, pois a questão delimitada por alguns professores trouxe à tona reflexões que de certa forma somente poderiam ser visíveis na forma e no decorrer das particularidades de cada um, ou seja, há casos de professores que demonstram maior base teórica, mas demonstram pouco interesse na relação do conjunto das ações necessárias para encontrar respostas da prática da memória e identidade no espaço da sala de aula. 

É importante lembrar que cada situação, a partir dos dados descritos, trouxe os resultados para identificar e relacionar as causas e efeitos da aplicação ou não do tema memória e identidade no espaço de sala de aula. Ressalta que o processo para a integração entre a temática disciplinar está voltado a transformar o processo de ensino objetivando a identidade do indivíduo, embora ainda exista nos professores que lecionam História uma enorme contradição a esse respeito.

Considerações finais

O desenvolvimento para o processo de ensino pressupõe uma linha de pensamento em que os conteúdos devem estar relacionados à vida cotidiana de cada um dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, como educador ou como educando, mas o que se pode encontrar com o levantamento exploratório sobre os objetivos desejados para este estudo são as reflexões, ainda em crescimento filosófico de que os momentos de transições existentes melhoram a qualidade do ensino.

Especificamente este estudo demonstra que há dificuldade por parte dos professores para trabalhar memória e identidade e a evolução da praticidade relacionada à História de mundo e de particularidades existentes no processo de ensino de História, concluindo assim que os objetivos específicos previamente relacionados neste estudo ficam à margem para que o processo de interação entre a História e os conceitos de memória e identidade possam intervir na realidade social.

Além de estar objetivando e direcionando o universo acadêmico, a solução das questões no que refere-se à ciência e aos questionamentos sociais que ainda encontram-se sem discernimento coerente e coeso na desenvoltura do ensino de História que contenham a necessidade da busca dos conhecimentos sociais de cada educando, os conteúdos não aplicados a eles não dão transparência por parte dos professores, que, embora muito preocupados com a necessidade de trabalhar valores com os seus alunos, não conseguem a essência da memória e identidade conforme é necessário para o processo de ensino-aprendizagem.

A objetividade dos resultados, como também o confronto entre teoria e prática, no que se refere à prática dos conceitos de memória e identidade, é determinante ao processo da evolução do homem; com os pressupostos apresentados com o estudo, pode-se dizer que a grande tarefa do professor ainda está em proporcionar aos seus alunos a possibilidade de produzir soluções para problemas e os que foram resolvidos possam ecoar no lugar onde os alunos vivem, passando o professor a ser mediador entre o estudante e o conhecimento, um grande problematizador do desafio intelectual, visto que a ausência de situações percebidas pelos alunos pode ser também para educadores, para melhorar as condições na prática do ensino.

Tendo a consciência de que os professores da Escola pesquisada utilizam os conhecimentos culturais que os alunos trazem da sua realidade vivida nas suas aulas e em conversas durante a exposição delas, apesar de que em alguns momentos do estudo interpessoal se nota esta particularidade, há professores da escola que não dominam os conceitos que permeiam esse trabalho.

Conclui-se, portanto, que na escola campo de pesquisa existem professores mais tradicionais, na tentativa de lecionar História se preocupando apenas com o fato, que dispõem, sem notar, de um verdadeiro patrimônio material e imaterial, mas em evidência demonstram falta de didática em trabalhar os conceitos de memória e identidade, relacionando os dados e conceitos adquiridos até então, enquanto educadores bem formados e conhecedores das novas práticas no ensino de História poderiam, com o material tradicional, trabalhar e reelaborar o conhecimento histórico do seu alunado.

Referências

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VERDUM, Ricardo. Refletindo sobre a memória com Maurice Halbwachs. Ciências Humanas em Revista, jul./dez. 1994.

Publicado em 23 de novembro de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

SANTOS, Wellington Ricardo Felix dos. O enfoque da memória e identidade no ensino de História. Revista Educação Pública, v. 21, nº 42, 23 de novembro de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/42/o-enfoque-da-memoria-e-identidade-no-ensino-de-historia