Modelo de Alfabetização Contextualizado - as cinco bases

Carla Rodrigues Barretto

Professora (SME/RJ), pós-graduada em Gestão Escolar e em Alfabetização

Márcia Lannes Sampaio

Professora das redes públicas municipal e estadual do Rio de Janeiro, licenciada em Letras, pós-graduada em Leitura e Produção Textual (UFRRJ/Seeduc-RJ/Cecierj)

Este relato de experiência trata de estratégias aplicadas para a alfabetização de crianças, com a aplicação de um modelo de alfabetização contextualizado, totalmente dinâmico, com muitas imagens, jogos diversos e muitas histórias.

O objetivo pretendido com esse experimento é relatar experiências sobre a alfabetização de alunos de 4 a 9 anos durante os anos de 2019 e 2020 (abrangendo o período de pandemia), em pequeno espaço de tempo, de maneira prática, divertida e dinâmica, além de apresentar os processos de aquisição e aprendizagem de leitura e escrita.

É citada a PNA (Política Nacional de Alfabetização) e ressaltada a importância dos estímulos linguísticos para o desenvolvimento da linguagem e as consequências no ser humano caso seja privado desses estímulos. Para melhor entendimento da metodologia do modelo, é feito um breve histórico.

A metodologia utilizada tanto no relato da experiência como na aplicação do Modelo é descrita e, logo em seguida, é mostrado o contexto em que se deu o experimento e os procedimentos adotados para a execução dele.

A fundamentação teórica é feita baseada em autores, educadores e psicólogos renomados, que dão o suporte teórico necessário para implementação do Modelo, com o objetivo de comprovar a sua viabilidade, por meio de citações dos autores pesquisados.

Os resultados da experiência realizada são mostrados nas Tabelas 1 e 2, que mostram o progresso na rede pública e na rede particular de ensino, respectivamente.

Por fim são feitas as considerações finais do experimento.

Descrevendo o Modelo e seu histórico

O Decreto-Lei nº 9.765, de 11 de abril de 2019, instaurou a Política Nacional de Alfabetização,

por meio da qual a União, em colaboração com os estados, o Distrito Federal e os municípios, implementará programas e ações voltados à promoção da alfabetização baseada em evidências científicas, com a finalidade de melhorar a qualidade da alfabetização no território nacional e de combater o analfabetismo absoluto e o analfabetismo funcional, no âmbito das diferentes etapas e modalidades da Educação Básica e da educação não formal (Brasil, 2019, p. 54).

O Modelo, totalmente contextualizado, teve início diante da dificuldade pela qual uma professora da rede pública, uma das autoras deste relato, esteve frente a alunos com obstáculos em codificar e decodificar os sons da língua (fonemas) em material gráfico (grafemas ou letras).

Não se pode negligenciar a importância do estímulo linguístico precoce ao se estabelecer o papel da pré-escola e do Ensino Fundamental na diminuição dos efeitos que o nível socioeconômico pode exercer na aquisição da linguagem de crianças menos favorecidas, sob pena de perpetuarem-se as diferenças perversas em uma sociedade letrada e cada vez mais dependente de um aprendizado contínuo (Buchweitz; Mota; Name, 2019, p. 123).

Após várias tentativas de alcançar e incluir as crianças que ainda não tinham atingido os objetivos propostos, a professora, cujo nome adotado para este relato será Carolina, começou a pesquisar metodologias que pudessem de alguma forma diminuir a defasagem na aprendizagem do grupo que não avançava. Em um momento de inspiração, resultado do que vinha pesquisando e do que vinha praticando em sala de aula, veio-lhe uma ideia excelente: inovar sua maneira de ensinar por meio de algo inédito, que passou a fazer todo sentido. O que começou a fazer foi algo totalmente diferenciado de tudo que já viu e que havia testado, e que culminou no Modelo, cujo nome está em forma de cognome no título deste trabalho.

A partir da aplicação desse Modelo, voltado totalmente para interesses do aluno e surgido como um verdadeiro "bote salva-vidas", tema da poesia que pode ser lida a seguir (Sampaio, 2019), os resultados começaram a aparecer. Logo as crianças, desmotivadas e desacreditadas até mesmo por seus pais e familiares, ganharam autoestima e conquistaram a leitura e a escrita em um tempo recorde.

O bote e o mar

Professora Mariana

 

A alfabetização é como um oceano
De palavras a boiar;
O oceano é um gigante
Que cada um vai enfrentar.
Lançada nesse mar
Sem ter onde se apoiar,
A criança se vê desafiada
A tentar se superar.
Algumas mais bem preparadas
No oceano conseguem nadar.
Apoiam-se no que podem
E conseguem sim avançar.
Outras, porém, não conseguem
No oceano encontrar
Algo que lhes dê apoio
Para o saber conquistar;
Na ânsia de se salvarem
E nas águas não afundar,
Debatem-se, viram-se como podem
E já não conseguem
Sequer o alvo mirar...

 

Quando tudo parece perdido
Eis um bote a navegar
Cheinho de palavras
E histórias pra contar;
Entrando nesse bote
O mar não assusta mais,
E a criança esperançosa
Agora ri, vibra, se esforça
Sabe que vai conquistar
Aquilo que tanto almejava
Ao entrar naquele mar.

 

O bote que a salvou
Não a impede de remar;
É apenas um suporte
Para o oceano desbravar.
Dessa forma ela vai longe
E já pode até nadar,
Não precisa mais do bote...
Incluída agora está!

 

O Modelo utilizado parte de uma história e nela destacam-se as palavras-chave; feito isso, as sílabas iniciais delas são isoladas, associando-as a uma imagem. As sílabas terão consoantes (dezesseis no caso) com uma única vogal expostas num mural, e a união de duas ou três dessas sílabas formarão um banco de palavras nesse primeiro momento. A criança, que não lia nenhuma palavra e que se sentia em situação de inferioridade, afastada das demais, com a história e a música começa a formar e ler palavras imediatamente, gerando grande alegria, acompanhada de um sorriso de sucesso. "Eu li!!!!!!!", disse Bernardo, em sua primeira aula, depois de um longo período de insucessos.

De acordo com estudos feitos sobre crianças com necessidades especiais, é interessante ressaltar o que um artigo na Revista Espaço Acadêmico destaca: "É preciso considerar que a escolarização de todos sem discriminação envolve uma atitude extremamente importante na organização do ensino: as escolas deverão adaptar-se a todos os alunos que nelas entram, e não ao contrário" (Carlou, 2018, p. 3).

Uma das professoras que recebeu as orientações da professora Carolina em 2017 aplicou o Modelo na alfabetização de seu sobrinho que, com a idade de sete anos, não conseguia acompanhar a turma de 1º ano da rede pública na qual estava matriculado. Apesar de copiar tudo o que era colocado no quadro pela professora, não lia absolutamente nada, A professora, doravante denominada Mariana (também autora deste relato), fez exatamente como orientou Carolina e o resultado surgiu em apenas oito aulas de uma hora, em média. O sobrinho da professora agora já lia todas as palavras formadas pelas sílabas simples, frases e pequenos textos (consoante-vogal-consoante-vogal). Como as aulas não eram diárias, a alfabetização, ainda que parcial, demorou um mês para que o menino estivesse totalmente incluído na turma, (2ª fase: Alfabética) e iniciando outra etapa da aquisição de leitura e escrita, na 3ª fase: Ortográfica, chegando ao final do período letivo um aluno fazendo a correspondência grafofonêmica (Seabra; Capovilla, 2010).

A história da base A

Figura 1: Primeira história utilizada na contextualização do Modelo

A professora Mariana, admirada com o sucesso do Modelo, fez toda a contextualização, inserindo as histórias principais e vários outros textos à medida que uma nova vogal era apresentada. Assim, o Modelo de autoria tanto da professora Carolina quanto da professora Mariana, tomou forma e tem feito a diferença na vida de muitas famílias, de acordo com as inúmeras experiências de sucesso relatadas.

Fonte: Sampaio, 2018.

Contexto do experimento

Para a realização deste relato, tomamos por base os anos de 2019 e 2020. As experiências que serão aqui relatadas foram realizadas com alunos tanto da rede pública como da rede particular da cidade do Rio de Janeiro.

Rede pública de ensino

Em 2019, já com um material diferenciado em mãos, a professora Carolina teve uma experiência muito proveitosa, em uma das escolas da cidade.

Ano de escolaridade: 2º Ano do Ensino Fundamental

Idade: entre 7 e 8 anos

Quantidade de alunos observados: 22

Dos alunos, 30% estavam na fase alfabética que é a segunda fase. "As relações entre texto e fala se fortalecem [...]. Assim, a criança aprende que a escrita alfabética representa os sons da fala, isto é, das mesmas palavras que ela usa para pensar e se comunicar" (Seabra; Capovilla, 2010).

Encontravam-se na fase inicial (Logográfica) 45% dos alunos. "A criança trata o texto mais ou menos como se fosse um desenho [...]. A criança se atenta ao contexto, ao formato e à coloração geral das palavras" (Seabra; Capovilla, 2010).

Estão na fase ortográfica (3ª fase) 25% dos alunos.

A criança aprende que há palavras que envolvem irregularidades nas relações entre grafemas e fonemas [...], pode concentrar-se [...] na análise morfológica das palavras que permite aprender o seu significado, e no processamento cada vez mais avançado da sintaxe do texto (Seabra; Capovilla, 2010).

A turma da sua colega de trabalho passava pelo mesmo problema. Havia alunos que estavam acompanhando o processo de aprendizagem e outros que não conseguiam avançar. A professora Carolina e a outra professora planejaram uma recuperação paralela com esses alunos que não haviam consolidado a alfabetização.

Os alunos foram divididos em dois grupos. Os alunos alfabéticos e os ortográficos assistiam à aula com a professora Alda (pseudônimo); os alunos com dificuldades de aprendizagem ficaram com a professora Carolina.

Os alunos submetidos à recuperação passaram a identificar os sons iniciais das palavras-chave que faziam parte da história, memorizaram a música, começaram a formar palavras e frases, assimilando um repertório bastante significativo que permitia que transitassem com segurança no ambiente letrado, lendo pequenos textos e interpretando-os. Mais detalhes podem ser verificados na Tabela 1.

Os alunos que fizeram parte do experimento tiveram a oportunidade de ser alfabetizados e entrar na fase ortográfica da alfabetização, o que foi uma grande conquista.

Um bom leitor é aquele capaz de decodificar palavras com velocidade, associando sons às letras, e compreender sem dificuldades o conteúdo do texto. Para que o cérebro funcione bem e chegue à compreensão e à produção de ciência, é preciso realizar algumas etapas desse processo com fluência, com rapidez, otimizando a memória cerebral (Barone, 2020a).

Ainda sobre a importância da fluência em alfabetização...

A criança que lê com fluência consegue "aliviar" carga cognitiva e preparar o cérebro para atividades mais complexas. Dito ainda de outra forma, quando a criança é capaz de utilizar menos memória para decodificar (a decodificação entra em uma espécie de "piloto automático"), ela passa a ser capaz de compreender textos cada vez mais difíceis. Grosso modo, a fluidez demonstra que a primeira etapa da alfabetização foi realizada com sucesso, pois há um alívio no "hard drive" do cérebro humano (Barone, 2020b).

Rede particular de ensino

Durante o ano de 2020, que foi um tempo de pandemia, em que várias crianças ficaram em casa em ensino remoto, alguns pais procuraram a equipe formada pelas autoras deste relato para ajudar na alfabetização de seus filhos que não estavam conseguindo acompanhar as aulas online por motivos variados. Esse fato trouxe alunos da rede particular de ensino para a alfabetização de acordo com o Modelo.

Ano de escolaridade: Pré escola, 1º e 2º anos do Ensino Fundamental

Idade: entre 4 e 8 anos

Quantidade de alunos observados: 17

A experiência foi realizada com toda a sua praticidade, a fim de verificar o tempo médio de aprendizagem, bem como necessidades de novas estratégias que pudessem surgir.

Inicialmente, foram adotados os protocolos de higiene e afastamento para que as aulas ocorressem com toda a segurança necessária. Para tanto, as aulas foram individuais, um aluno por turno de uma hora cada dia, que acordamos serem dadas duas vezes na semana.

Metodologia e fundamentação teórica

O método utilizado para a construção deste relato partiu da análise qualitativa e quantitativa da aplicação do Modelo de Alfabetização Contextualizado com crianças durante os anos de 2019 e 2020, envolvendo 22 alunos da rede pública e 17 da rede particular de ensino.

Começando pela verificação do conhecimento prévio das vogais, inicia-se o processo de leitura e escrita, ao mesmo tempo que as sílabas são identificadas, a princípio pelas imagens e em curto tempo são assimiladas e memorizadas sem necessidade do apoio visual  (o mural com as sílabas e desenho das imagens).

É apresentada para os alunos a primeira história: Uma bala milagrosa, a viagem de navio e um grande susto, que destaca no texto palavras com a vogal A. Essa história tem personagens e objetos que aparecem em sequência alfabética, num mural ou banner. É importante observar que é a sílaba inicial que está destacada, e isso deve ficar bem definido para a criança: a sílaba é apenas a parte inicial da palavra, BA de bala, CA de casa, DA de dado, e assim prosseguindo até completar todas as consoantes. Em seguida parte-se para a formação das primeiras palavras, todas com a vogal A, unindo as sílabas/pedacinhos iniciais de cada palavra, formando um banco de palavras: BALA, FACA, CAPA, DADÁ, FADA, LATA, LALÁ, PATA, GATA, JACA, MALA, MACA, MACACA... Logo estão lendo frases como: "A ZAZA LAVA A MALA", "A CAPA É DA FADA", "A VACA VAI NA MATA". E, por fim, leem o primeiro texto formado por frases nas quais todas as palavras são formadas por consoante mais a vogal A. Continuando, uma nova história é contada, a música com a mesma melodia é cantada, os jogos diversos, em momentos propícios... Só que, dessa vez, observando as sílabas/pedacinhos iniciais das palavras com a vogal O e novas palavras surgem: FOGO, RODO, NOVO, VOVÔ, JOGO, LOBO, BOLO... Novas frases e mais pequenos textos. Dessa forma, o processo segue com a apresentação da vogal I e da história: A festa na área (Sampaio, 2020). Nessa fase, foram apresentados vários textos para serem lidos pelas crianças. Um exemplo é o texto do personagem Tito, a seguir:

O Tito

O Tito é muito animado.

Tito joga bola como o Kaká joga.

Vai na vila e fala:

– O dono da bola sou eu!!!

Como eu ri do Tito!! (Sampaio, 2021).

 

Continuando o processo, é apresentada a vogal U, com a história: A mulher Zumbi, e mais um grande repertório de palavras surge: CANUDO, SUCO, CUBO, RUA, TATU, TULIPA, BUZINA... Enfim chega-se à última vogal: E. Um presente para Sofia é a última história, e novas palavras e novos textos são lidos nessa etapa: MENINO, GELATINA, BEIJO, SABONETE, CECÍLIA, DOCE, CEDO, BOLA DE GUDE, JANELA.

Seguindo essas orientações, em um período curto a criança tem acesso à leitura e à escrita de todas as palavras formadas pelas sílabas simples (CVCV - consoante vogal consoante vogal) e com palavras que têm encontros vocálicos. Lendo e interpretando textos, os alunos adquirem grande autonomia na leitura, pois sua fluência "é a ponte que liga a leitura à compreensão. É ela que alimenta o cérebro com informações suficientes para que ele possa processar o significado do texto, a sintaxe e o sentido daquilo que lemos e escrevemos" (Oliveira, 2013).

A criança tem a disposição natural para adquirir a linguagem oral, mas algumas dimensões quantitativas dessa aquisição dependem do ambiente, a maior interação e a maior quantidade de frases estruturadas variadas proferidas para a criança acabam por melhor prepará-las para a alfabetização, para o sucesso acadêmico e, inclusive, influenciam no nível intelectual observado ao longo da vida (Buchweitz; Mota; Name, 2019, p. 123).

Augusto Cury, em seu livro Pais Brilhantes Professores Fascinantes, faz uma observação que remete aos parágrafos acima quando afirma que

para ser um professor fascinante é preciso conhecer a alma humana para descobrir ferramentas pedagógicas capazes de transformar a sala de casa e a sala de aula num oásis, e não numa fonte de estresse. É uma questão de sobrevivência, pois, caso contrário, alunos e professores não terão qualidade de vida (Cury, 2003, p. 62).

Concordando com o autor, para que o local da aula seja transformado em um "oásis", os jogos e brinquedos são de importância sumária. Para dar esse sentido às aulas, como estratégia, nesse início, o Jogo da Memória com todas as imagens e sílabas da primeira vogal são oferecidos à criança.

No entanto, para a consolidação de uma educação inclusiva será necessária também a realização de adaptações muito significativas no contexto escolar, que são consideradas modificações maiores, mas ambas as adaptações são importantes e fundamentais para o desenvolvimento dos alunos (Blanco, 2004).

Professor e alunos jogam e festejam cada conquista de pares feita. Esse e outros jogos, como o Jogo das Fichas, o Jogo dos Bichos, o Jogo dos Alimentos, a Caixa de Itens são exemplos de brincadeiras utilizadas no Modelo. Além de ativar o prazer pela aprendizagem, o jogo facilita a associação das sílabas às imagens fixas. Além disso, o professor pode perceber seu aluno no quesito cognitivo, pois sua capacidade de relacionar os pares é identificada aí.

Brincando e jogando, a criança aplica seus esquemas mentais à realidade que a cerca, aprendendo-a e assimilando-a. Brincando e jogando, a criança reproduz as suas vivências, transformando o real de acordo com seus desejos e interesses. Por isso pode-se dizer que, através do brinquedo e do jogo, a criança expressa, assimila e constrói a sua realidade (Rizzi; Haydt, 1987, p. 15).

Na Figura 3, é possível visualizar a caixa de itens da vogal I, quando as crianças manuseiam os brinquedos (itens) que estão presentes na história da vogal.

Figura 3: Caixa de itens da vogal I

Resultados observados e considerações finais

A Tabela 1 (Sampaio, 2021) mostra, nas linhas, as horas utilizadas pelos alunos da rede pública; a Tabela 2 (Sampaio, 2021) destaca os alunos da rede particular. As letras maiúsculas, na horizontal, representam a letra inicial do nome de cada criança que participou do experimento e o numeral refere-se à idade com que iniciaram o processo. Na linha vertical, apresentamos o tempo médio em horas. A média final de horas utilizadas encontra-se na última coluna com um x indicador na linha correspondente.

Nas tabelas pode-se ver a idade das crianças e o tempo gasto em horas por cada uma delas; é possível observar que todas chegaram aos objetivos propostos, levando em consideração, além da quantidade de alunos, o período crítico de cada um deles. "Os períodos críticos devem ser entendidos como intervalos em que os mecanismos de plasticidade cerebral estão especialmente ativos e mais suscetíveis para receber a estimulação adequada proveniente do ambiente" (Lent, 2019, p. 77-78).

 

Tabela 1: Horas utilizadas por cada criança da Rede Pública de Ensino

Rede Pública

 

H

o

r

a

s

 

L

9

a

n

o

s

B

8

a

n

o

s

Z

7

a

n

o

s

D

7

a

n

o

s

A

7

a

n

o

s

F

8

a

n

o

s

E

9

a

n

o

s

H

7

a

n

o

s

I

8

a

n

o

s

M

8

a

n

o

s

L

8

a

n

o

s

K

8

a

n

o

s

N

9

a

n

o

s

R

9

a

n

o

s

P

9

a

n

o

s

Q

8

a

n

o

s

O

8

a

n

o

s

S

8

a

n

o

s

C

7

a

n

o

s

G

7

a

n

o

s

T

7

a

n

o

s

J

7

a

n

o

s

M

é

d

i

a

 

35

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

40

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

45

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

50

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

55

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

60

 

x

 

 

 

x

x

x

 

 

x

 

x

 

 

x

x

 

 

x

 

x

x

65

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

70

x

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

x

 

 

x

 

 

 

x

 

x

 

 

Fonte: Sampaio, 2021.

Na rede pública, as aulas foram dadas para as 22 crianças que participaram do experimento ao mesmo tempo, totalizando 60 horas; na rede particular, as aulas foram dadas individualmente, um aluno por hora, totalizando 16 horas.

A diferença na coluna das horas entre as redes pública e particular se deve ao quantitativo de alunos em sala de aula.

Tabela 2: Horas utilizadas por cada criança oriunda das escolas particulares

Rede particular

Horas /

 anos

B

8

D

5

A

4

R

6

M

6

D

6

B

6

L

6

P

6

J

7

D

6

J

6

B

7

J

6

M

6

M

4

N

6

Média

8

x

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

9

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

x

x

x

 

 

 

13

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

15

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

16

 

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

x

17

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

18

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

19

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

20

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

35

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

40

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

44

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Sampaio, 2021.

Pelo resultado apresentado, o Modelo de Alfabetização Contextualizado representa uma opção e uma possibilidade de aprendizagem para que se tenha um número muito maior de crianças alfabetizadas ao final do ano letivo reservado para esse fim.

As histórias de superação, inclusão e participação ativa de alunos e professores impulsionam as autoras a investir cada vez mais no processo de alfabetização.

Referências

BARONE, Isabelle. Importância da fluência. Alfabetização. Gazeta do Povo, Curitiba, 10 de fevereiro de 2020a. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/o-que-e-o-teste-de-fluencia-que-alguns-educadores-brasileiros-desprezam. Acesso em: 26 jun. 2021.

BLANCO, R. A atenção à diversidade na sala de aula e as adaptações do currículo. In: COLL, C.; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. A. (Orgs.). Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais. Porto Alegre: Artmed, 2004.

BUCHWEITZ, Augusto; MOTA, Maiulce Borges. Ciência para Educação: uma ponte entre dois mundos. São Paulo: Atheneu, 2018. 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Alfabetização. Política Nacional de Alfabetização. Brasília: MEC/Sealf, 2019.

CARLOU, Amanda. Estratégias pedagógicas para ensino-aprendizagem de estudantes com necessidades educacionais especiais. Revista Espaço Acadêmico, nº 205, p. 3, jun. 2018.

CURY, Augusto. Pais brilhantes professores fascinantes: a escola dos nossos sonhos. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

LENT, Roberto. O cérebro aprendiz: neuroplasticidade e educação. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.

OLIVEIRA, João Batista Araujo e. Manual de orientação do programa Alfa e Beto. 12ª ed. Brasília: Instituto Alfa e Beto, 2013.

RIZZI, Leonor; HAYDT, Regina Célia Cazarux. Atividades lúdicas na educação da criança: subsídios práticos para o trabalho na pré-escola e nas séries iniciais do 1º grau. São Paulo: Ática, 1985.

SAMPAIO, M. L. O Tito. Modelo de alfabetização contextualizado as cinco bases. Rio de Janeiro: Autores do Brasil, 2021.

SEABRA, A. G.; CAPOVILLA, F. C. Teste de competência de leitura de palavras e pseudopalavras. São Paulo: Memnon, 2010.

Publicado em 30 de novembro de 2021

Como citar este artigo (ABNT)

BARRETTO, Carla Rodrigues; SAMPAIO, Márcia Lannes. Modelo de Alfabetização Contextualizado - as cinco bases. Revista Educação Pública, v. 21, nº 43, 30 de novembro de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/42/modelo-de-alfabetizacao-contextualizado-as-cinco-bases